Passado

1489 Words

Foi numa terça-feira, cinzenta como poucas, que a primeira rachadura apareceu — imperceptível a olho nu, mas eu senti. Foi como um vento frio entrando pela fresta da janela que Helena costumava deixar entreaberta no escritório. Eu cheguei em casa no fim do expediente, exausto, ainda com o paletó nos ombros, pronto pra receber o cheiro do jantar e o calor do sorriso dela. Mas, naquele dia, a casa estava silenciosa. O tipo de silêncio que incomoda, que parece gritar. — Helena? — chamei, largando as chaves na bancada da cozinha. — Tô aqui em cima — ela respondeu, a voz abafada. Subi. E a encontrei sentada na beira da cama, o celular ainda na mão, o rosto pálido. A expressão dela me fez parar na porta, sem saber se entrava ou recuava. — Aconteceu alguma coisa? Ela hesitou por um segundo.

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