Os meses seguintes vieram como uma brisa morna de final de tarde. Aquelas que trazem um alívio silencioso, quase imperceptível, mas que envolvem tudo com uma paz rara. Helena e eu estávamos bem. Pela primeira vez em muito tempo, eu não sentia que estava correndo contra o tempo, contra mim, contra a culpa. Eu estava inteiro. E ela também. Mas a vida, como sempre, tem seus caprichos. Certa tarde, eu estava no escritório, revendo relatórios com Victor, quando ele recebeu uma ligação e, de repente, seu semblante mudou. — Tudo bem? — perguntei, curioso, ao ver seu rosto empalidecer. Ele desligou e me olhou de forma séria. — É sobre o terreno de Florianópolis. Aquele da expansão da filial. — O que tem? — A empresa que vendeu o terreno está envolvida em uma investigação. Fraude documental.

