A Formação do Grupo
– Diogo, bem que você poderia procurar uma fórmula de como ganhar dinheiro.
– Sério? Por que eu?
– Ah, você sempre tem umas ideias bacanas.
– Mas você é o irmão mais velho.
– Eu sei, mas não foi eu que fiz aparecer um rato dentro da sacola de supermercado da vizinha da quadra ao lado.
– Isso foi ideia sua.
– Mas a execução foi sua.
– Apenas pus em prática aquilo que você falou pra eu fazer.
– Então estou falando pra você também fazer isso.
– Está bem. Mas o que poderíamos fazer?
– Nem ideia.
– Que tal gravarmos um programa de televisão?
– Televisão? Como assim? Nem somos famosos.
– Mas podemos ficar.
– Me explica melhor essa ideia.
– Podemos recrutar pessoas para montar o nosso elenco. Gravamos vídeos e postamos na internet. Pessoas de todo o mundo podem ver e procurar por nosso trabalho.
– Está aí. Gostei. Mas, quem será que vai querer gravar com a gente?
– Não sei. De vez em quando aparece algum i*****l desprovido de cérebro querendo atuar em programas assim.
– E com qual frequência isso?
– Numa taxa de mais de oitenta e seis por cento das pessoas do nosso colégio.
– Então não é difícil. Bate aqui.
Tocaram suas mãos com os punhos fechados. Deitaram na cama e apagaram. O dia seguinte seria de muito trabalho na organização do g***o.
Os dois moram num bairro p***e da capital paulista. São de família humilde e não têm muitos recursos para fazer as gravações. Vão usar o que têm somado ao que conseguirem com os novos integrantes.
Na escola, recrutaram seus amigos para o projeto. Diego conhecia muita gente, mas poucos se interessavam por isso. “Estou duvidando dos oitenta e seis por cento”. Quase todos disseram não. Mas, alguns disseram sim.
– Eu quero. Como faço? – Disse uma garota de cabelo rosa.
Natasha é uma menina bem vida louca, roqueirinha, adora cantar, mas não tem talento para isso.
– Aqui, meu irmão. Chamei uma cantora para o nosso projeto.
– Que demais! Como ela é?
– É aquela menina do cabelo cor de rosa que mora na rua de baixo.
– Ah, eu sei.
– E você? Conseguiu alguém?
Logo, apareceram os novos integrantes. Simon, o gordinho, reencarnação de Tim Maia, mas não sabe cantar nem o parabéns nas festas de aniversário; Rodrigo e Paulina, a enfraquecida.
Todos iriam se encontrar na casa dos irmãos às quinze horas daquele dia. Era duas e cinquenta quando os primeiros apareceram.
– E aí, gente boa!
Simon, todo exibido em sua camisa branca com outra vermelha por cima e de botão aberto. Usava uma calça jeans e tênis branco. Seu cabelo black de tamanho curto bastante estiloso chamava a atenção.
– Cheguei!
– Bem-vindo ao g***o!
– E aí? Tem comida? – (risos)
– Como assim? Você acabou de chegar.
– É assim que eu costumo ser recepcionado nas casas.
– Pode deixar que da próxima vez compro uma pizza.
– Uma só pra mim, né? – (risos)
– Oi, oi, oi, galerinha. – Natasha chegou toda produzida numa roupa toda preta, seus antebraços estavam cobertos com um tecido que mais parecia pelúcia rosa, combinando com seu cabelo.
Paulina a olhou com uma cara f**a, abriu os braços e questionou:
– Amiga, você por acaso está indo para o carnaval? – (risos)
– O quê? Estou maravilhosamente charmosa. Lamento se o seu senso de beleza é diferente do meu.
– Meninas, sem briga.
– Está bem. Vamos ensaiar. – A voz de Paulina era tão fina que mais parecia uma ratinha.
– Espera, ainda falta o meu primo. – Disse Diego.
– Cheguei, galera!
– Bem-vindo! Gente, este é o nosso baterista.
– Sério? Que demais! – Natasha o cumprimentou segurando sua mão.
– Hoje não é Halloween, né?
– Não! – Ela fechou a cara pra ele. (Risos)
– Mas, gente. Não temos onde gravar.
– Calma, já vamos resolver isso. Hoje é apenas para nos conhecermos mais.
O tio de Diego e Diogo mora na casa ao lado. Ele tem um quarto para desocupar. Nele tem muita coisa antiga que não usa mais e entulhos. Depois que ele fizer a limpeza, o local pode servir como estúdio para a turma. Diego explicou isso a seus amigos. Eles acharam a ideia boa, apesar de não terem recursos para a produção dos vídeos.
O tio dos garotos cedeu o lugar. O quarto não é muito grande, mas serve para fazer as gravações.
— Está precisando fazer uma pintura nas paredes e reocar a lâmpada.
— Está bem, tio. Vamos fazer isso.— Disse Diego.
Agora os garotos juntavam suas economias para comprar as tintas e a lâmpada. Precisavam por a mão na massa para fazer o trabalho acontecer. Não seria tarefa fácil, pois são de família humilde. Nem eles, nem seus amigos têm dinheiro para investir nesse negócio. Mas é um grande sonho de todos eles: tornar-se popstar.
Querem um dia serem vistos na TV e serem famosos. É o sonho de todos eles e estão juntos nisso. Força de v*****e não lhes falta. Basta acreditar.
Já estão preparando figurinos, cenários e roteiros. Precisam fazer algo bem chamativo para que pessoas se interessem por seus vídeos. Postarão no YouTube para terem maior visualização.
O gênero que gravam é comédia. Acreditam que são bons nisso. Pelo menos entre eles, na escola, são basgante bobos e vivem rindo e fazendo outros alunos rirem também.
O tio dos garotos Diogo e Diego é um aposentado, divorciado há três anos. Não teve filhos, mas trata os dois como próprios filhos. Vai ser uma terapia pra ele tê-los em sua casa e já disse que vai gravar os programas.
— Você vai ser o nosso cameramen?
— Vou.
— Que legal, tio! Você é demais! — Diogo pulou de alegria e o abraçou.
Ele adorava cuidar dos seus sobrinhos. No final do dia, após muito trabalho limpando o quarto, ofereceu sorvete à garotada.
— Venham meninos, antes que derreta.