A Formação do g***o

1009 Words
– Diogo, bem que você poderia procurar uma fórmula de como ganhar dinheiro. – Sério? Por que eu? – Ah, você sempre tem umas ideias bacanas. – Mas você é o irmão mais velho. – Eu sei, mas não foi eu que fiz aparecer um rato dentro da sacola de supermercado da vizinha da quadra ao lado. – Isso foi ideia sua. – Mas a execução foi sua. – Apenas pus em prática aquilo que você falou pra eu fazer. – Então estou falando pra você também fazer isso. – Está bem. Mas o que poderíamos fazer? – Nem ideia. – Que tal gravarmos um programa de televisão? – Televisão? Como assim? Nem somos famosos. – Mas podemos ficar. – Me explica melhor essa ideia. – Podemos recrutar pessoas para montar o nosso elenco. Gravamos vídeos e postamos na internet. Pessoas de todo o mundo podem ver e procurar por nosso trabalho. – Está aí. Gostei. Mas, quem será que vai querer gravar com a gente? – Não sei. De vez em quando aparece algum i*****l desprovido de cérebro querendo atuar em programas assim. – E com qual frequência isso? – Numa taxa de mais de oitenta e seis por cento das pessoas do nosso colégio. – Então não é difícil. Bate aqui. Tocaram suas mãos com os punhos fechados. Deitaram na cama e apagaram. O dia seguinte seria de muito trabalho na organização do g***o. Os dois moram num bairro p***e da capital paulista. São de família humilde e não têm muitos recursos para fazer as gravações. Vão usar o que têm somado ao que conseguirem com os novos integrantes. Na escola, recrutaram seus amigos para o projeto. Diego conhecia muita gente, mas poucos se interessavam por isso. “Estou duvidando dos oitenta e seis por cento”. Quase todos disseram não. Mas, alguns disseram sim. – Eu quero. Como faço? – Disse uma garota de cabelo rosa. Natasha é uma menina bem vida louca, roqueirinha, adora cantar, mas não tem talento para isso. – Aqui, meu irmão. Chamei uma cantora para o nosso projeto. – Que demais! Como ela é? – É aquela menina do cabelo cor de rosa que mora na rua de baixo. – Ah, eu sei. – E você? Conseguiu alguém? Logo, apareceram os novos integrantes. Simon, o gordinho, reencarnação de Tim Maia, mas não sabe cantar nem o parabéns nas festas de aniversário; Rodrigo e Paulina, a enfraquecida. Todos iriam se encontrar na casa dos irmãos às quinze horas daquele dia. Era duas e cinquenta quando os primeiros apareceram. – E aí, gente boa! Simon, todo exibido em sua camisa branca com outra vermelha por cima e de botão aberto. Usava uma calça jeans e tênis branco. Seu cabelo black de tamanho curto bastante estiloso chamava a atenção. – Cheguei! – Bem-vindo ao g***o! – E aí? Tem comida? – (risos) – Como assim? Você acabou de chegar. – É assim que eu costumo ser recepcionado nas casas. – Pode deixar que da próxima vez compro uma pizza. – Uma só pra mim, né? – (risos) – Oi, oi, oi, galerinha. – Natasha chegou toda produzida numa roupa toda preta, seus antebraços estavam cobertos com um tecido que mais parecia pelúcia rosa, combinando com seu cabelo. Paulina a olhou com uma cara f**a, abriu os braços e questionou: – Amiga, você por acaso está indo para o carnaval? – (risos) – O quê? Estou maravilhosamente charmosa. Lamento se o seu senso de beleza é diferente do meu. – Meninas, sem briga. – Está bem. Vamos ensaiar. – A voz de Paulina era tão fina que mais parecia uma ratinha. – Espera, ainda falta o meu primo. – Disse Diego. – Cheguei, galera! – Bem-vindo! Gente, este é o nosso baterista. – Sério? Que demais! – Natasha o cumprimentou segurando sua mão. – Hoje não é Halloween, né? – Não! – Ela fechou a cara pra ele. (Risos) – Mas, gente. Não temos onde gravar. – Calma, já vamos resolver isso. Hoje é apenas para nos conhecermos mais. O tio de Diego e Diogo mora na casa ao lado. Ele tem um quarto para desocupar. Nele tem muita coisa antiga que não usa mais e entulhos. Depois que ele fizer a limpeza, o local pode servir como estúdio para a turma. Diego explicou isso a seus amigos. Eles acharam a ideia boa, apesar de não terem recursos para a produção dos vídeos. O tio dos garotos cedeu o lugar. O quarto não é muito grande, mas serve para fazer as gravações. — Está precisando fazer uma pintura nas paredes e reocar a lâmpada. — Está bem, tio. Vamos fazer isso.— Disse Diego. Agora os garotos juntavam suas economias para comprar as tintas e a lâmpada. Precisavam por a mão na massa para fazer o trabalho acontecer. Não seria tarefa fácil, pois são de família humilde. Nem eles, nem seus amigos têm dinheiro para investir nesse negócio. Mas é um grande sonho de todos eles: tornar-se popstar. Querem um dia serem vistos na TV e serem famosos. É o sonho de todos eles e estão juntos nisso. Força de v*****e não lhes falta. Basta acreditar. Já estão preparando figurinos, cenários e roteiros. Precisam fazer algo bem chamativo para que pessoas se interessem por seus vídeos. Postarão no YouTube para terem maior visualização. O gênero que gravam é comédia. Acreditam que são bons nisso. Pelo menos entre eles, na escola, são basgante bobos e vivem rindo e fazendo outros alunos rirem também. O tio dos garotos Diogo e Diego é um aposentado, divorciado há três anos. Não teve filhos, mas trata os dois como próprios filhos. Vai ser uma terapia pra ele tê-los em sua casa e já disse que vai gravar os programas. — Você vai ser o nosso cameramen? — Vou. — Que legal, tio! Você é demais! — Diogo pulou de alegria e o abraçou. Ele adorava cuidar dos seus sobrinhos. No final do dia, após muito trabalho limpando o quarto, ofereceu sorvete à garotada. — Venham meninos, antes que derreta.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD