Conflito

799 Words
Matheus sentiu o maxilar travar ao ver Elias sumindo pela esquina. A presença dele ali, parado do outro lado da rua, não era coincidência. Matheus sabia que Elias estava tramando alguma coisa, mas o quê? Ele virou-se para Lara, que ainda estava sentada no sofá, os olhos cheios de dúvida. — O que foi? — ela perguntou, percebendo a tensão nele. Matheus passou a mão no rosto, tentando decidir se contava a verdade. Não queria preocupá-la, mas também não queria que ela ficasse no meio de um fogo cruzado. — Nada de mais. Só um cara que não sabe ficar no lugar dele. Lara arqueou a sobrancelha, desconfiada. — Elias? Matheus riu de leve, balançando a cabeça. — Tá esperta, hein? Ela se levantou, cruzando os braços. — Eu não sou burra, Matheus. Sei que tem algo acontecendo. Ele se aproximou, segurando o rosto dela entre as mãos. — Você não tem que se preocupar com isso, Lara. Eu resolvo. Lara suspirou, mas não discutiu. Ela queria confiar nele, mas parte de si sabia que aquilo não ia acabar bem. Mais tarde... Naquela mesma noite, Matheus saiu do morro e foi até um ponto neutro, onde costumava fazer reuniões com os caras mais próximos. Sentado na mesa do bar, girava o copo de cerveja entre os dedos quando Negrete apareceu. — Tá sabendo? — Negrete perguntou, puxando uma cadeira. Matheus não respondeu de imediato. — Fala. — Elias andou trocando ideia com gente de fora. Os caras que tinham perdido espaço aqui depois que você tomou o morro. Matheus sorriu, mas era um sorriso sem humor. — Eu sabia que aquele desgraçado não ia ficar quieto. Negrete assentiu. — Mas tem mais. Ele tá espalhando que você tá distraído. Que tá de gracinha com a menina ao invés de cuidar do trampo. Matheus bateu o copo na mesa com força, o líquido derramando um pouco. — Eu devia matar esse filho da p**a agora mesmo. — E talvez seja isso que ele quer — Negrete disse, inclinando-se para frente. — Se você for pra cima dele sem pensar, vai cair no jogo dele. Matheus respirou fundo. Ele não podia ser burro. Se Elias estava armando alguma coisa, precisava estar um passo à frente. Ele se levantou, pegando o celular no bolso. — Chama os meninos. Quero todo mundo reunido amanhã de manhã. Negrete assentiu, já pegando o telefone para mandar os recados. Enquanto isso, Matheus caminhou até sua moto e subiu nela. Antes de resolver qualquer coisa, precisava ver Lara. Matheus pilotava a moto pelo morro, a cabeça fervilhando com tudo o que tinha ouvido. Ele sabia que Elias não era burro; se estava se movimentando, era porque já tinha um plano. E isso significava que Matheus precisava se antecipar. Mas antes, precisava ver Lara. Quando chegou em frente à casa dela, a rua estava silenciosa, só alguns vizinhos sentados nas calçadas, trocando conversas baixas. Ele parou a moto e bateu no portão de leve. Lara apareceu logo depois, surpresa ao vê-lo ali tão tarde. — Matheus? Ele entrou sem esperar convite, fechando o portão atrás de si. — Precisava te ver. Ela percebeu que algo estava errado e franziu a testa. — O que aconteceu? Matheus passou a mão no rosto, respirando fundo. — Elias tá mexendo os pauzinhos. Quer botar gente contra mim. Lara cruzou os braços, sentindo um frio na espinha. — E o que isso tem a ver comigo? Ele a encarou por um momento antes de responder: — Porque ele tá falando que eu tô distraído. Que tô te dando mais atenção do que pro morro. Lara desviou o olhar. Parte dela já imaginava que algo assim aconteceria. — E você veio aqui por quê? Pra me dizer que não pode mais me ver? Matheus segurou o queixo dela, obrigando-a a encará-lo. — Não. Eu vim porque preciso que você fique esperta. Se Elias tá disposto a me atingir, pode tentar fazer isso através de você. O coração de Lara disparou. — Ele não faria isso... — Faria sim, Lara. — A voz dele era firme. — E eu não vou deixar. Ela engoliu em seco. — O que você quer que eu faça? Matheus respirou fundo. — Não anda sozinha. Se precisar sair, me avisa. Eu vou dar um jeito nisso, mas até lá, quero você segura. Lara assentiu, ainda tentando processar tudo. — Eu confio em você, Matheus. Ele sorriu de leve, puxando-a para perto. — E eu não vou te decepcionar. Ele a beijou, dessa vez sem pressa. Um beijo lento, possessivo, como se quisesse marcar sua presença ali, como se dissesse sem palavras que ela era dele. Lara se entregou ao beijo, mas a preocupação não a abandonou. Porque, no fundo, ela sabia que aquela guerra ainda estava só começando.
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