Ursula.
Ciúmes, ele disse ciúmes.
— Já podemos comer? Estamos com fome. — Antony pergunta entrando na cozinha com a Lulu no colo.
— Já está pronto, meus amores.
Eles se sentam e eu também. Começamos a comer e conversar, a Luísa como sempre nos fazendo rir.
Depois de comer, fomos para sala e ficamos vendo tv. Luisa dormiu e o Antony foi levar ela pra cama. Ele volta e se senta do meu lado.
— Ciúmes? Sério?
— Ele atendeu o telefone no elevador, era uma tal de Fátima, ela chamou ele pra sair, Lapa...
— Ah, a Fatinha, adoro aquela garota, ela chega na empresa animando tudo.
— Ele é hetero? — Olho pra ele surpresa pelo interesse..— Não me olha assim, eu sei que você já deu um jeito de saber disso.
— Ele disse que sim, que nunca tinha ficado com um homem.
— Huuum... — Ele foca na tv. — Lapa... se lembra quando vivíamos lá?
— Quer ir à Lapa? - Pergunto rindo, ele quer ir para ver o Christian.
— Ta, tem como você deixar isso menos constrangedor pra mim?
— Tá, vou me arrumar e você liga pra babá. — Falo me levantando e ele confirma com a cabeça.
Subo e vou direto pro banheiro. Tomo um banho rápido e logo saio, procuro uma roupa e resolvo usar uma saia jeans curta, uma blusa camuflada e um tênis branco.
Antony entra no quarto e só troca a roupa, ele bota uma calça jeans, uma blusa preta e um tênis. Está gostoso como sempre.
— Você vai mesmo com essa saia?
— Antony, você nunca se importou com minhas roupas.
— Mas essa está bem curta.
— Assim que é bom, vamos? A babá já chegou?
— Ainda não, ela está a caminho.
Ficamos esperando a babá e quando ela chegou nós saímos. No caminho fomos conversando e o Antony está feliz, está mais solto. Eu estou amando tanto vê-lo assim...
Quando chegamos, vimos o tanto de gente no lugar e cheguei a conclusão que vai ser impossível achar o Christian aqui.
— Não vai ser fácil achar ele. — Falo
— Tudo bem, de qualquer formas, nós tínhamos mesmo que sair um pouco. — Ele fala.
Começamos a andar pelo local e tem pessoas de todos os tipos, tem roda cultural, coisa que eu amava, tem roda de samba.
Fala sério, senti falta do povão.
— Ali o seu bonde. — Antony fala indicando um pessoal que estava fumando maconha. Ele adora me zuar.
— Cala a boca Antony. — Bato no braço dele.
Eu fumava na época que nos conhecemos e ele me zoa até hoje. Eu era bem louca. Não que fumar maconha seja coisa de louca.
Fomos andando até onde estava tocando um funk alto e eu avisto um furacão chamado Fatinha. É claro que ela estaria aqui.
— Olha ali. — Falo e Antony olha pra Fatinha e rir.
Ficamos olhando até que aparece no nosso campo de visão o Christian. p***a, ele estava sem camisa e com um copo na mão. Ele parou atrás da Fatinha e ficou dançando. Merda, isso é estranho de ver.
Ela se virou e ficou dançando de frente pra ele. Olho pro Antony e ele está sério. Logo mais uma menina chega perto deles e... Aaah, vai se fuder.
— Ela beijou ele? Sério?
— Ciúmes? — Antony fala mas não tira os olhos dos dois.
— Cala a boca. — Falo e vou andando na direção deles.
— Ei, aonde está indo? — Antony perguntou vindo atrás de mim.
Chego perto dele e cutuco o Christian. Ele para o beijo e me olha, ele parece surpreso, ele logo me olha de cima a baixo e sorrir sem graça. Sua atenção vai pro Antony.
— Oi. — Ele diz sem graça.
— Uau, nunca pensei que vocês curtiam... Bom, locais assim.. — Fatinha fala e eu sorrio.
— Confesso que tudo mudou um pouco, mas sempre curti isso aqui. — falo.
— Então vem patroinha, vamos balançar esse corpo. — Fatinha fala e eu começo a rir.
Ela puxa o meu braço e eu começo a dançar com ela.
O Antony parou atrás de mim e o Christian estava atrás da Fátima. Percebi que o Christian estava meio incomodado e o Antony com aquela postura ridícula dele de homem sério.
— Pensei que era uma daquelas riquinhas que nem sabe dançar. — Fatinha fala e eu começo a rir.
—Menina, eu sempre fui do balacubaco.
— Mulher, eu já te amo.
Continuamos dançando até que eu não aguentava mais. Me virei pro Antony.
— Cerveja. — Peço.
— Eu vou lá comprar. — Ele fala.
— Não precisa, aqui tem. — Christian fala e levanta uma garrafa de Bud.
— Obrigada, meu bem. — Digo pegando a cerveja. — Abre? — Ele pega a cerveja outra vez e abre pra mim. — Obrigado.
Olho pro Antony e ele está reparando o braço do Christian.
— Disfarçar faz bem. — Falo no ouvido dele..
Ele me olha e dá um sorriso de lado.
Continuamos ali até que o Antony diz que vai fazer xixi, eu confirmo com a cabeça e ele fica meio confuso olhando para os lados.
— Vem, eu te mostro o lugar. — Christian fala e o Antony confirma com a cabeça.
Eles são e eu continuo dançando com Fatinha e a garota que beijou o Christian.
Christian.
Quando chegamos em um dos banheiros químicos tinha uma fila. Ficamos ali esperando em completo silêncio. Esse cara é muito estranho.
— Você costuma vir muito aqui? — Uau, ele sabe falar.
— Na verdade, não. — Falo. — Sempre estou trabalhando muito.
—Hum, entendo. Eu vinha muito com Úrsula.
— Não vem mais?
— Hoje foi a primeira vez em anos. Depois de tanto trabalho e uma filha, fica complicado.
— Imagino..
— Porque trabalha tanto? — Ele pergunta e eu fico meio surpreso por ele estar mantendo uma conversa.
— Vontade de crescer na vida, sabe como é, né? — Falo olhando pros lados.
— E com o que gostaria de trabalhar?
— Tecnologia. — Falo e ele me olha surpreso.
Deve achar estranho o fato de eu trabalhar em uma empresa de Advocacia.
— Bem diferente do seu trabalho atual.
— Sim, mas eu sou bem versátil. Sei de tudo um pouco e sou formado em muitas coisas também.
— Interessante. — Ele fala e fica quieto.
Logo é a vez dele usar o banheiro e eu fico esperando do lado de fora.
Quando ele sai voltamos para onde estávamos. Quando chegamos tinha um cara falando algo com Fatinha e ela negou com a cabeça. O cara insistiu e eu cheguei na hora e parei atrás dela.
—Algum problema? — Pergunto.
— Esse cara não entende que NÃO, É NÃO.
— Fica tranquila que com certeza agora ele entendeu que NÃO com certeza é NÃO. — Falo olhando pro cara com uma cara nada boa e ele sai.
— Porque sempre tem que ter outro homem para causar medo? — Fatinha pergunta indignada e eu começo a rir.
— Porque o mundo é machista. — Falo.
— Um homem dizendo isso chega a ser engraçado. — Ursula fala.
— Eu não sou nada machista. — Falo.
— De machismo e preconceito todo homem tem um pouco. — Ursula fala. Vejo o Antony olhando pra ela. — Não me olha assim, hoje mesmo reclamou da minha saia antes da gente sair.
— Eu só achei curta. Eu não quero socar a cara de ninguém aqui. — Ele diz.
— Eu não tenho preconceito. — Falo.
— Ah, tá bom... Se um homem vir aqui e quiser te beijar, o que você faz? — Fatinha pergunta.
— Bom, isso nunca me aconteceu.. provavelmente eu iria dizer que não curto. — Falo.
— E se ele te atrai? — Fatinha pergunta.
— Simples, eu beijo ele. — Falo.
— Hummm, interessante. — Ursula fala e eu olho pra ela sem entender.
— E você, chefinho? —Fatinha pergunta pro Antony e agora estamos todos olhando pra ele.
— Eu... — Ele olha pra Ursula e ela tipo concorda com a cabeça. —Se ele me chamasse atenção eu beijaria. - Ele fala e eu me surpreendo.
— Ah, pára, tá na cara que isso é mentira. — Fatinha, como sempre.
— Não é não. — Antony fala.
— Tá, eu quero provas. — Ela fala e nos três arregalados os olhos na hora. — O que foi? Falar é fácil, quero ver na prática.
— Eu gosto dessa menina. — Ursula fala rindo.
— Claro que se isso for problema pra você, retiro o que eu disse. — Fatinha fala olhando pra Ursula que levanta as mãos.
— Por mim tudo bem, não ligo. — Gente, ela é louca. — Então, vamos caçar um homem. — Ela fala animada.
— Bom, temos dois bem aqui. — Fatinha fala. — Os dois dizem que não tem problema em beijar um homem e com todo respeito os dois são gatos... — Ela fala se referindo a Antony e a mim.