Primeiro Encontro

1886 Words
A voz dela é tão imponente que me faz arrepiar e ignora todos aqueles instintos que sempre me afastam desse estilo de vida. A forma como ela brinca com os matizes da sua voz se aproxima muito do canto de uma sereia. Os pés da mulher que me tem hipnotizado tocam delicadamente a madeira do palco enquanto ela desce do aro com uma elegância que me faz sentir um calafrio percorrendo a espinha ao vê-la. Seu traje, de um vermelho intenso e brilhante, com partes transparentes, fica à vista de todos assim que as luzes se acendem por completo, e duas dúzias de mulheres, vestindo roupas semelhantes em tons de vermelho e dourado, aparecem por todo o teatro. Os assobios não demoram a chegar quando a música instrumental acompanha uma voz tão impressionante e começa o melhor show da semana, nas palavras de todos. A mulher, da qual não consigo desviar os olhos, está no centro, dançando com uma soltura invejável, em perfeita sintonia com todas as outras ao seu redor, que executam a coreografia à perfeição. Ela não perde a voz em nenhum momento, não importa o quanto mova seu corpo ou quantos passos dê em direção ao público; sua respiração está em perfeita sincronia com o número. Por onde quer que eu olhe, há uma mulher dançando: em cima do bar, sobre algumas mesas, entre os clientes daquela noite. Todas vão ocupando seus lugares enquanto entoam um clássico musical na voz da sereia que agora se aproxima das escadas. Meu corpo tensiono ao ver seus sapatos altos e a maneira como se move, sem se importar em cair ou se machucar enquanto dança. Levanto o olhar, ouvindo ao meu lado a desesperação dos meus companheiros para vê-la mais de perto. Quando alcanço seu rosto, o ar me falta. Os olhos cinzas mais impressionantes que já vi estão fixos em mim. Lábios perfeitos, brilhantes pelo batom, não param de se mover, não cessam de cantar com aquela perfeição matizada que me fascina. Um rosto lindo, delicado e, ao mesmo tempo, ousado, se revela diante de mim. Não sorrio, não canto, não movimento meu corpo. Apenas a observo. E, por algum motivo, ela me repara. A mulher de curvas maravilhosas termina de descer a escada de cristal e eu sou o seu primeiro obstáculo. Ela se aproxima de mim com movimentos sensuais, sem parar de cantar, me fazendo ouvir uma letra que me deixa arrepiado. Quer que eu me ajoelhe, segundo suas palavras cantadas; que a veja de baixo, como estou fazendo agora. Suas pernas torneadas e expostas, definidas e musculosas, mas bem femininas, passeiam ao meu redor, antes de se afastarem de mim. Se move entre as mesas, acompanhada pelas outras dançarinas, todas em um ritmo intenso. Passa ao lado de homens que não conseguem tirar os olhos dela e de mulheres que a observam com fascínio e inveja. Canta com mais força, dança com maior intensidade. Ela volta sobre seus passos e eu tenciono novamente, pois agora um meio-sorriso surge em seus lábios. Ela se coloca na minha frente. Uma mão com um esmalte brilhante se apoia em meu ombro, e eu me estremeço involuntariamente. Ela se aproxima, dança para mim, mas apenas apoiando seu peso em sua mão, tocando uma minúscula parte do meu corpo, me fazendo senti-la de uma forma que me seca a boca e me descontrola. Os instintos carnais tomam conta do meu corpo, fazendo com que minha virilidade desperte, que meu sangue se aqueça e que uma gota de suor escorra pela minha coluna. Mas, mesmo com tudo que sinto, não consigo me mover nem desviar os olhos dela. “É como se a sereia de olhos cinzas me tivesse hipnotizado com seu canto.” Deveria afastá-la, mas não consigo. Sou um cavalheiro, acima de tudo. Embora, neste momento, meus pensamentos sejam um pouco diferentes. De perto, sua voz chega de outra maneira; a ouço entoar e consigo ver o movimento de sua garganta, a vocalização com seus lábios e sua língua. Vejo a perfeição de sua pele e sinto seu doce perfume. A letra ressoa de forma muito mais intensa, ela quer que eu fique aos seus pés e quase consegue. Minhas mãos tremem, coçam de vontade de tocá-la, mas me contenho. E ela sabe disso. Sorrindo com malícia, ela pisca para mim antes de se afastar, antes que sua mão se solte da minha camisa, deixando uma marca ardente que não poderei apagar. Ela me dá as costas e não consigo controlar meus olhos, que desejam apreciar o corpo que se exibe. Aquela cintura coberta com pouca roupa, provocativa e insinuante, se move a cada passo, causando um efeito perfeito nas penas da saia que usa. Meu peito se aperta e meu corpo reage à visão. Até que sinto ao meu lado Jordan me dando tapinhas nas costas, me parabenizando por atrair a atenção de uma mulher tão impressionante. Somente então, tudo ao meu redor volta a ser barulhento; deixo de olhar apenas para ela e percebo o que acaba de acontecer. Desvio o olhar dela, agora no palco, finalizando um número que me pareceu eterno e breve ao mesmo tempo. Vejo meus amigos daquela noite me observando com orgulho masculino, me aplaudindo por ter sido o único sortudo, se vangloriando por ter tido aquela mulher imponente entre minhas pernas, enquanto eles a devoravam com os olhos como hienas famintas. Mas eu não compartilho isso com eles. Procuro meu copo de água, bebo tudo de uma vez e me levanto. Eu preciso sair de aqui. Saí do teatro e agradeci por Jordan ou algum dos outros não me seguirem. O sangue fervia em meu corpo, a pele formigava, e onde aquela musa de olhos cinzas havia colocado os dedos, sentia como se um ferro quente me pressionasse. Com os pensamentos em ebulição, cheguei ao meu quarto. Quando a porta se fechou atrás de mim, me recostei nela e respirei fundo. Acredito que não havia feito isso desde que aquela mulher começou a cantar, desde que seu feitiço começou a se formar ao meu redor. Me impulsionei com um ombro e retomei meu caminho. Alcancei o laptop que havia deixado sobre a mesa da sala comum e me deixei cair no sofá com um objetivo em mente: buscá-la. “Quero ver mais dela. Quero saber tudo o que estiver ao meu alcance.” No buscador, digitei o nome do hotel e do show que vi nas placas. Não passaram nem dois segundos até que começaram a surgir resultados e, como não poderia deixar de ser, a primeira foto exibida era de aquela sereia de olhos cinzas, vestida com um traje muito parecido ao que usou esta noite, cantando e meio inclinada para frente, em um que parecia ser um baile com homens aplaudindo. Minhas mãos se fecharam em punhos ao ver aquilo. Tantas fotos, tantos olhares sobre ela. A raiva estava quase no mesmo nível do desassossego que sentia por vê-la atuar assim... para outros. Foto após foto, observei a mulher mais bela de todas naquele palco que, certamente, parecia seu mundo e seu santuário. A excitação percorria meu corpo ao analisá-la, e mais ainda quando fechei os olhos e a vi diante de mim; quase podia sentir sua presença, revirando minhas memórias recentes. Seu cheiro ficou gravado e, mesmo sozinho, não consegui deixar de sentir que ela o impregnou em minha pele. “Maldita seja.” Grunhi para mim mesmo ao sentir meu m****o crescer nos calças e minha mão pressionar para dar um pouco de fricção. Não deveria estar e******o, muito menos por uma desconhecida com pouca roupa, mas aqui estou, me acomodando no sofá, me tocando como o adolescente na puberdade que tanto critiquei há pouco com meus colegas, por causa de uma mulher que me concedeu alguns minutos de sua atenção. — p***a! — exclamei irritado quando não aguentei mais e acabei abrindo a zíper, envolvendo meu m****o com minha mão e apertando com a força necessária para começar a me masturbar. A imaginava ainda dançando para mim, mas agora minhas mãos estavam sobre ela, guiando seus movimentos e a aproximando do meu colo. Quase podia sentir a textura do seu traje cheio de pedras preciosas, a suavidade de sua pele, que consegui ver tão delicada. E quando me imaginava pressionando contra ela, enquanto seu canto de sereia me encantava, gozei tão intensamente que achei que soltaria um gemido rouco e grave. “Me deixar levar por alguns minutos é tão bom…” Abri os olhos uma eternidade depois e me amaldiçoei baixinho por não conseguir me controlar, por ceder a esse instinto animal tão básico para mim. Reclamei de ser mais um desses que babam por mulheres de sua estirpe e me levantei, resmungando, para limpar a bagunça que acabara de fazer. Tomei um banho frio para clarear a cabeça. Enquanto me lavava, a intenção de imaginá-la de novo ressurgia, mas apoiei a mão contra a parede e deixei a água escorrer pelas costas, tentando me conter, tentando me acalmar e não ceder ao desejo animal. “Não preciso perder meu tempo com uma mulher que se expõe para os outros.” Só quando estou suficientemente lúcido e me lembro de que devo acordar cedo amanhã, paro de fantasiar e saio do chuveiro. O evento havia terminado hoje e eu precisava partir para Nova York amanhã. Não estava nos meus planos ficar acordado até tarde, isso não era algo que eu gostasse. Por isso, me deitei usando apenas a roupa de baixo, olhei para o teto por horas e, finalmente, adormeci quando me obriguei a parar de pensar naquela mulher. Quando voltei a abrir os olhos, meu telefone estava tocando com o alarme que eu havia configurado na noite anterior. Desliguei e notei que tinha uma notificação de mensagem. Me espreguicei e sentei na cama. Era um número desconhecido que despertou minha curiosidade. Quando abri, vi uma foto. Uma foto que fez meus ombros se enrijecerem e minha coluna se tensionar. — Não pode ser ela. — murmurei no silêncio do meu quarto, mas sabia que, de fato, era. Uma fotografia acompanhada de um texto apareceu. No show de ontem, eu estava sentado na primeira fila, olhando para ela embasbacado, embora sério, enquanto ela estava inclinada sobre mim, cantando em meio às minhas pernas abertas e sorrindo como se estivesse se divertindo com a minha postura. “Relaxar é parte da vida.” Soprei ao ver aquilo. Não pode ser que essa garotinha esteja tentando me dar conselhos. Isso me irrita, ainda mais depois de como terminei a noite passada, pensando nela e gozado com um nome silencioso nos lábios, porque eu não a conheço. Deixei o lado déspota que mantenho oculto a maior parte do tempo surgir e decidi responder. “Não se expor para os outros também é parte da vida. Principalmente na vida de uma mulher.” Bloqueei o celular e o deixei em cima da mesa de cabeceira. Levantei indignado e recolhi as poucas coisas que tirei durante a minha estadia. Quando saí do quarto, a caminho do hangar privado onde meu jato me aguardava, ainda não havia recebido resposta. Me engano dizendo que não me importo, que não espero uma resposta. Mas consigo enganar a todos, menos a mim mesmo, porque, na verdade, estou ansioso pela resposta dela.
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