Pov. Izzy
Hoje faz um mês e duas semanas que meus pais morreram, mas hoje também faz duas semanas que Valentina se mudou para a casa ao lado. Isso me faz pensar no quanto as vezes a vida te tira algo, mas ao mesmo tempo te dá algo em troca. Valentina se mudar no mesmo dia em que a morte dos meus pais completava um mês não foi por acaso, pois eu passei um ano e meio achando que tinha superado o lance com Carter e Sarah, a partida da minha melhor amiga, a rejeição da maioria das pessoas da cidade, ser chamada todos os dias de louca surtada e assassina. Tudo isso estava acabando comigo, mas eu me fechei tanto que já não conseguia distinguir meus sentimentos, eu achava que estava bem, mas a verdade e que todos os dias eu me sentia um lixo.
Um grande bolo de m***a ambulante.
Inútil.
Inútil por nunca ter conseguido contar a verdade aos meus pais sobre o que aconteceu entre, Carter, Sarah e eu. Inútil por não responder as cartas, os e-mails e as mensagens que Sarah me enviou por um ano, mas eu não podia lidar com o que vinha acontecendo na escola, com sua partida, com minha mudança interior, eu simplesmente não me sentia capaz de fazer nada, eu estava quebrada e não conseguia juntar os pedaços sozinha e não tinha voz para pedir ajuda. Olho para a casa ao lado e sinto uma sensação boa, fico observando a casa ao lado da janela do meu quarto pensando em como a presença da minha vizinha no meu dia a dia tem me ajudado. Não desmereço as pessoas que sempre estiveram ao meu lado, como meus pais, meu irmão, Jensen, Sasha, Henry e até mesmo Sarah que está longe, todos me apoiaram e eu sou grata, mas Valentina tem algo que não consigo entender, ela sabe o que eu sinto antes mesmo que eu tenha certeza do que estou sentindo, ela me entende e diz coisas tão simples, mas com tanto significado que as vezes me deixa surpresa e faz com que eu me pergunte se ela é mesmo jovem, porque a garota tem a sabedoria de uma velha de noventa anos. Sorrio negando com a cabeça e desço para tomar café, vejo Nick com uma cara péssima e os cabelos todo bagunçado.
- Que diabos aconteceu com você ? - pergunto e ele passa a mão nos cabelos tentando ajeitar.
- Eu tive o mesmo pesadelo a noite toda e acabou que em algum momento da madrugada eu desisti de dormir e aqui estou. - responde e eu faço uma careta.
- Que pesadelo ? - pergunto e quando ele vai falar a campanhia toca. - Deixa que eu atendo, não quero ser processada por você causar um infarto em alguém. - zombo e ele mostra o dedo do meio pra mim.
Caminho até a porta rindo de Nick e quando a abro fico surpresa ao ver Valentina com suas habituais vestes escuras e o seu inseparável sorrisinho irritante.
- Quando pensa no d***o ele mostra o r**o. - digo dando espaço para que ela entre, mas ela não o faz.
- Não vou entrar sem um convite formal. - diz e eu reviro os olhos. - Aaah, é muito gratificante saber que você estava pensando em mim, porque isso significa que eu ganharei a aposta. - completa e eu a puxo pra dentro pela gola da camisa.
- Cala essa boquinha. - digo notando que é a primeira vez que ela entra na minha casa.
Valentina e do tipo que só entra se for convidada, mas nem sempre ela aceita entrar. Me lembro que quando ela cuidou do Klaus, ela não olhou em nenhum momento para a porta da garagem aberta que dava acesso a casa, apenas tratou o animal com atenção e foco. E quando ela veio trocar meus curativos, Nick a convidou para entrar, mas ela disse que ar fresco ia fazer bem para o meu ferimento e ficamos na varanda.
Essa garota é um caso raro.
- Vem, Nick tá na cozinha. - digo a puxando pela mão para que ela não tenha tempo de negar.
- Valentina entrou, que milagre. - diz Nick ao me ver entrando na cozinha junto com a garota.
- Eu tive que arrastar. - digo e ele ri.
- Agora faz sentindo. - diz e eu solto a mão da garota e vou até o armário e pego três canecas e coloco na mesa. - Senta aí Valenzinha. - diz Nick e a garota paralisa olhando pra ele e ele olha pra ela. - Algum problema ? - pergunta e a garota ri.
- Nossa, você está muito esplêndido, acho que me apaixonei. - responde com seu habitual tom sarcástico e meu irmão empurra seu ombro de forma leve.
- Ei, guarde seu sarcasmo pra Izzy, ela quem adora. - diz meu irmão e eu lhe lanço um olhar mortal. - Que foi ? - questiona e em seguida revira os olhos. - Vocês duas fizeram uma aposta, mas se quer saber, eu vou entrar nessa aposta. Eu aposto que as duas vão se apaixonar ao mesmo tempo, se eu ganhar vocês ficam juntas e eu serei o padrinho do casamento no futuro, mas se eu perder, eu corro pelado daqui até a entrada da cidade e ainda levo Jensen e Henry para correr junto comigo. - completa e eu olho para Valentina que sorria de forma contida.
- Se prepare para mostrar o que não deve para a cidade toda meu querido. - diz Valentina e Nick me olha e eu assinto.
- Adicional a aposta feita. - digo e ele comemora.
- Quando eu ganhar, vai ser muito satisfatório poder rir de vocês e jogar nessas carinhas lindas o quanto eu sou f**a. - diz e Valentina e eu nos olhamos.
Ele está achando mesmo que vai ganhar.
Esse meu irmão e tão bobo.
- Tem um celular vibrando. - diz Valentina se levantando para me ajudar a colocar a mesa para o café.
- Tem não. - digo confusa.
- Tem sim e me arrisco a dizer que está encima do sofá. - diz e Nick praticamente salta da cadeira e corre até a sala.
Ouço um barulho e uns resmungos de Nick e não consigo segurar a risada.
- Eu cai, mas tô bem, só quebrei a mesinha da sala. - diz meu irmão me fazendo rir ainda mais.
- Acho que ele está em um estado de calamidade hoje. - diz Valentina e eu assinto terminando de colocar a mesa com sua ajuda.
- Ele não conseguiu dormir a noite por causa de pesadelos. - digo e me lembro que ele ainda não contou sobre o pesadelo e assim que ele aparece na entrada da cozinha com o celular na mão eu pergunto. - E o seu pesadelo ? - digo e ele se senta em seu lugar novamente.
- Foi estranho. - responde pensativo enquanto Valentina e eu nos sentamos. - Eu estava dormindo ao lado de Anne normalmente, mas do nada eu acordava todo sujo de sangue principalmente as mãos e a boca e quando eu olhava para o lado Anne estava com um buraco no peito e eu havia arrancado seu coração, mas o bizarro foi que eu vomitava o coração dela. - diz confuso e eu faço uma careta.
- Interessante. - diz Valentina e eu a encaro incrédula.
- Você tem que parar de ver essas séries de monstros, isso não existe. - digo e Valentina me encara.
- Você não acredita ? - pergunta e eu assinto.
- Nem em um milhão de anos eu acreditaria nessas bobagens. - respondo e ela sorrir.
- Entendo. - diz com um semblante de quem está se divertindo com algum pensamento i****a.
Tomamos café enquanto conversávamos sobre bobagens, mas vez ou outra Valentina jogava seu sarcasmo na minha cara e eu fazia questão de devolver a altura. Quando terminamos Nick disse que se encarregaria de tirar a mesa e cuidar de toda a louça sozinho, me ofereci para ajudá-lo e Valentina fez o mesmo, mas ele negou e praticamente nos expulsou da cozinha. Derrotadas saímos da cozinha e nos sentamos na varanda como fazemos quase todas as noites.
- Isabelle. - chama minha atenção assim que sentamos e eu a olho.
- Sim ? - pergunto focada em seus olhos azuis.
- Se pudesse mudar algo em sua vida, você o faria é o que seria ? - pergunta e eu suspiro surpresa.
- Eu mudaria o dia em que meus pais morreram, seria a primeira coisa que eu mudaria. - respondo me lembrando daquele dia.
- Como você mudaria ? - questiona e eu penso por um instante antes de responder.
- Eu mudaria a forma eu agi, se eu soubesse que seria meu último dia com eles, eu teria os abraçado mais um pouco. - respondo e olho para baixo. - Meus pais costumavam abraçar a mim e a Nick toda manhã, assim que a gente descia, eles nos davam um abraço cada um e nos desejavam um bom dia. - completo sorrindo e ela segura minha mão.
- As vezes é preciso gritar pelo sol para que ele venha iluminar a escuridão dentro de nós. - diz e eu sorrio mais ainda.
- Minha mãe sempre dizia isso. - digo e ela sorrir.
- Isso faz parte de versos antigos de um velho poeta alemão. - diz e eu fico surpresa.
- Eu não sabia, nunca me interessei em perguntar a minha mãe de onde ela tirava as frases de efeito dela. - digo e Valentina ri.
Agora eu gostaria de a ter aqui para perguntar isso.
Mais agora é tarde.
- Não pense nisso. - diz Valentina e eu a encaro. - Pensar no que poderia ter feito ou que você agora gostaria de ter tal pessoa aqui para fazer o que nunca fez antes. - continua séria. - As coisas foram da forma que deveriam ser, cada pequena coisa tem grande importância, seja boa ou r**m. Então quando pensar no que poderia ter feito, pense também no que fez, pois eu aposto que se seus pais pudessem falar com você agora, eles iriam dizer que estão orgulhosos de você e que não mudariam nada. - completa e eu assinto.
- Você é minha velha sábia de dezoito anos. - digo e ela sorri.
- Então já está dizendo que sou sua, não vai demorar a dizer que está apaixonada por mim. - diz e eu lhe dou uma cotovelada.
- Você não cansa de apanhar. - digo e ela ri.
- Já te disse que você não me bate, faz carinho disfarçado de agressão. - diz e eu reviro os olhos, mas sorrio.
- Se você não fosse tão você, eu saberia como agir perto de você. - digo e me arrependo ao notar que não fez sentido.
- Então isso quer dizer que eu te deixo nervosa ? - pergunta convencida e eu n**o.
- Você entendeu errado. - respondo e ela ri e em seguida se aproxima mais ficando praticamente grudada em mim. - O que você tá fazendo ? - pergunto confusa quando ela coloca sua mão na minha cintura por baixo da minha blusa.
- Estou fazendo você ver que eu não sou um robô. - zomba e em seguida me belisca.
- Valentina ! - reclamo e ela gargalha.
Sinto vontade de esmurrar a cara dela mais não o faço, porque acho fofo a forma como ela se joga pra trás e ri feito louca por uma bobagem dessa. Seguro a vontade de sorrir, pois noto que é a primeira vez que a vejo rindo dessa forma, na verdade a cada dia que passa ela parece se soltar mais, ela tem conversado mais com todos, eu apenas não a vejo conversar muito com Anne, o que até me fez achar que ela estava afim de Nick, porém essa hipótese foi aniquilada quando Sasha perguntou se ela só curtia garotas e ela disse que sim. E quando ela foi questionada sobre alguma namorada do passado, ela disse que apenas teve alguns casos, nada demais, pois não tinha tempo para criar laços com ninguém.
E eu fiquei curiosa, pois é a segunda vez que ela diz isso.
Que não tem tempo para criar laços.
- Você tinha que ver sua cara, você achou que eu ia subir minha mão e pegar no seu peito não foi ? - questiona rindo e eu faço uma careta.
- Não pensei não. - n**o e ela ri ainda mais.
- Admite Isabelle. - diz e eu n**o.
Eu fiquei tão surpresa que nem tive tempo para pensar em nada.
Essa é a verdade.
- Valentina ? - chamo e ela responde com um som nasal. - Qual o motivo de você não criar laços com ninguém ? - pergunto e ela para de rir na hora e em seguida se senta.
- Porque a pergunta ? - questiona séria e isso me deixa ainda mais curiosa.
- Bom, não sei se você percebeu, mas você criou laços afetivos aqui. - digo e ela não esboça nenhuma reação. - Comigo, Nick, Jensen, Henry, Sasha. - cito os nomes e ela sorri.
- Então é isso. - diz e eu espero que ela continue. - Você está preocupada que eu não esteja fingindo é isso ? - pergunta e eu n**o.
- Eu não pensei nisso, mas já que você entrou nessa questão, então você está ? - pergunto e ela n**a.
- Eu não sei fingir sentimentos Isabelle é pra ser sincera eu não notei que estava criando laços com você, seu irmão e seus amigos. Afinal como eu poderia notar se nunca tive um laço afetivo desse antes ? - diz e eu sorrio fraco pra ela. - Eu só tive contato com minhas mães e gente velhas que iam a minha casa apenas para me dar aulas, depois iam embora. Meu único amigo é aquele lobo i****a que tá saindo daquela floresta agora junto com o seu. - completa apontando em direção a floresta onde os lobos saiam correndo.
- Você nunca frequentou uma escola antes ? - pergunto e ela n**a.
- Minha educação foi toda em casa, desde boas maneiras a outras coisas e eu só estou frequentando uma escola agora porque minhas mães não estão aqui, então eu me matriculei por vontade própria. - responde e eu fico surpresa.
- Você nunca fala muito sobre suas mães. - digo e ela suspira.
- Emma e Genevieve. - diz o nome delas e eu acho Genevieve o nome mais estranho do mundo. - Emma me deu a luz, ela é muito atenciosa, carinhosa e se pudesse, sei que ela deixaria que eu fizesse tudo o que quisesse. - continua e sorrir. - Uma vez, logo quando nos mudamos para Munique, eu estava cansada da rotina de aulas e ela teve a idéia de cancelar todas as aulas e me levar para conhecer a cidade. Eu adorei tudo aquilo, cada local que ela me levou, as comidas que eu experimentei que me fizeram sair da dieta que eu tinha que seguir. - completa sorrindo fraco.
Nossa.
Deve ter sido h******l ser criada dessa forma.
Sem liberdade e sem diversão.
- Acho que foi o melhor dia que já tive durante toda a minha infância e adolescência. - diz e eu seguro sua mão. - Genevieve e oposto de Emma, ela e mandona, quase nunca a vejo sorrir na minha presença, ela sempre cuidou de toda a minha educação e criação. Se sou bem educada e por causa dela, mas se eu também for gentil, então e tudo mérito de Emma. - completa olhando um ponto qualquer.
- Você tem um pai ? - pergunto e ela morde o lábio e olha pra cima.
- Eu nunca o conheci, apenas ouço falar dele. - responde sorrindo de uma forma estranha. - Digamos que ele serviu apenas para plantar a semente. - zomba e eu sorrio.
- Eu acho que tá na hora de você experimentar uma coisa muito boa. - digo e ela me olha.
- O que ? - pergunta curiosa.
- Um super ataque de cócegas. - respondo fazendo cócegas nela, mas ela não esboça nenhuma reação.
- Eu não tenho cócegas em nenhum local. - diz e eu paro totalmente frustrada. - Mais você com toda certeza deve ter. - completa me pegando desprevenida.
Ela faz cócegas em mim e eu caio pra trás rindo feito louca enquanto ela ri de mim.
- Para. - peço e ela n**a.
- Não vou parar até que você me ofereça algo do meu interesse em troca. - diz fazendo ainda mais cócegas.
- O que você quer ? - pergunto e ela parece pensar em algo.
- Olá casal ! - escuto a voz de Sasha e Valentina para com as cócegas.
- Chegamos baby shark e tchururutu. - diz Jensen pulando da traseira da caminhonete de Henry.
- Nem pra cair de cara no chão. - diz Valentina com um olhar malvado e Jensen ri.
- Quando eu cair te levo junto. - diz e a garota n**a.
- Estou pronto. - diz Nick saindo pra fora. - Vamos ? - questiona olhando para mim e Valentina.
- Eu não me lembro de termos marcado nada. - responde Valentina pensativa.
- Nem eu pra falar a verdade. - digo e ele revira os olhos.
- Vocês não tem querer, então vamos logo. - diz meu irmão puxando nos duas para cima.
Acompanhamos ele sem contestar, subimos na traseira da camionete e assim que Henry sai em direção a sei lá onde, olho para Valentina que parecía curiosa. Ouço a risada de Nick e olho para trás vendo ele chamando Griffin e Klaus que corriam atrás do carro, não demorou para os lobos pularem na traseira, deixando Jensen e meu irmão animados.
São dois bobões mesmo.
Por isso são melhores amigos.
Olho para Valentina que sorria negando com a cabeça vendo os dois bobões tirar foto com os lobos e então tenho uma ideia.
- Henry. - chamo alto e o garoto responde no mesmo tom. - Vamos na lanchonete da tia Naya, Valentina precisa provar da comida de lá. - completo e ouço ele ri.
- Pode deixar, chegaremos em cinco minutos. - diz e eu sorrio e olho para a garota ao meu lado que me olhava curiosa.
Não digo nada e nem ela, apenas penso que ela ainda não deve ter provado muito da culinária da cidade e como ela nunca teve um dia com os amigos e nem amigos, acho que chegou a hora disso acontecer.
Os amigos ela já tem.
Agora vai ter um dia divertido com eles pra completar.
Assim que Henry estaciona frente a lanchonete, nós descemos um por um enquanto Henry e Sasha nos esperavam na porta. Por sorte estava vazia, o que é raro por aqui, já que a lanchonete dela e bem conhecida. Assim que entramos Sasha chama sua mãe.
- Mãe, queremos comer e te apresentar a nova integrante da gangue. - grita Sasha e não demora para que sua mãe apareça enxugando as mãos.
- Que bom, já estava mais do que na hora. - diz abraçando Sasha e a enche de beijos. - Izzy minha querida, que bom te ver aqui. - continua e olha para Nick, Henry e Jensen. - Vocês três estão sempre aqui me enchendo de alegria. - diz dando a volta no balcão e quando entra no campo de visão de todos ela olha para Valentina atrás de mim. - O que faz aqui ? - pergunta confusa para Valentina.
- Ela é a nova v***a da gangue do machado. - diz Sasha rindo e sua mãe faz uma cara estranha.
- Quem diria, logo você. - diz se aproximando de Valentina e em seguida beija a bochecha da garota. - Seja bem vinda a minha humilde lanchonete e a gangue mais perigosa da cidade. - completa divertida e a garota sorrir.
- Estou adorando ser a mais nova trombadinha da cidade e estou ansiosa para provar da sua famosa comida nesse lugar aconchegante que farei questão de vim mais vezes, Anaya. - diz Valentina e a morena sorri.
- Oxi, vocês já se conhecem ? - pergunta Henry e as duas assentem.
- Claro, Anaya e uma velha amiga da minha mãe. - responde Valentina e tia Naya assente.
- Recentemente nos esbarramos pela cidade e conversamos um pouco. - diz e Sasha sorri.
- Ótimo, assim ela não precisa passar pelo seu ritual constrangedor de aprovação mãe. - diz e sua mãe ri.
- Só dessa vez não será preciso. - diz sua mãe. - Vou pegar algumas delícias pra vocês, meninos me ajudem com as bandejas. - pede e os três pulam o balcão.
Sasha, Valentina e eu nos sentamos na mesa vendo os lobos deitados na caminhonete pelo vidro da lanchonete. Não demora para que os quatro voltem com bandejas cheia de diferentes especiarias, mas nunca sem esquecer do tradicional hambúrguer e batata frita. Tia Naya ficou o tempo todo conosco falando sobre cada especiaria e nos fazendo rir muito, pois ela é bem humorada, para sobremesa ela disse que tinha algo especial e novo. Não demorou muito para que ela voltasse com uma bandeja com um bolo estranho.
- O que é isso ? - pergunta Jensen com a colher pronta para atacar.
- Se chama pudim, aprendi quando fui no Brasil em busca de novas receitas. - responde colocando o pudim na mesa.
- Como Valentina e a novata, vamos deixar ela provar primeiro. - diz Henry e Sasha sorrir pra ele.
- Meu cavalheiro de armadura reluzente. - diz divertida e o garoto faz uma pose estranha em resposta.
Valentina pega um pedaço do pudim e leva até a boca, ela não esboça nenhuma reação e vejo tia Naya ficar apreensiva, mas não demora para que a garota pegue outro pedaço.
- Isso é muito bom. - diz enchendo a boca de pudim fazendo todo mundo rir.
- Acho que tenho mais uma criança para cuidar. - diz tia Naya sorrindo e em seguida sai andando.
Comemos o pudim que realmente é maravilhoso e assim que terminamos nos despedimos de tía Naya e saímos da lanchonete, mas não sem antes prometer voltar a noite para jantar com ela.
- Então, o que achou ? - pergunto para Valentina que sorrir.
- Acho que irei parar de cozinhar tanto e vim mais vezes aqui. - responde e eu sorrio.
- Não diga isso, se minha mãe tiver ouvido ela vai fazer você vim comer aqui todo dia e quando você demorar a aparecer por ter que fazer uma dieta, ela vai te ligar sem parar ou ir na sua casa levar comida pra você. - diz Sasha alarmada nos fazendo rir.
- Isso não seria r**m. - diz Valentina rindo.
- E agora capitã ? - pergunta Jensen e eu olho em volta.
- Deixa eu pensar para onde vamos. - respondo pensativa, mas logo lembro de algo. - Jen, que tal pegar a chave daquele lugar especial ? - digo e os olhos dele brilham.
- Vamos nessa ! - exclama pulando na traseira da caminhonete e em seguida me estende uma mão para mim e outra para Valentina.
- Eu tenho uma idéia melhor. - ouço uma voz conhecida que me fez paralisar. - Que tal a gente ir relembrar o passado ? - questiona e eu me viro sentindo meu coração acelerar.
Não pode ser.
Como ?