Uma Noite Agitada.

3391 Words
Pov. Valentina As vezes me pergunto como posso ser tão fria, mas aí eu me lembro o porque de todas as noites e dias sem dormir, todas as vezes em que eu ficava exausta e minha mãe me dizia que eu só poderia comer quando conseguisse dominar tal habilidade de forma definitiva. Eu nunca tive um laço afetivo com ninguém além das minhas mães, Emma a mulher que me deu a luz, super protetora e atenciosa, ela me ensinou tudo sobre magia, principalmente a curativa, ela domina a magia curativa como ninguém seria capaz, além dela e da mulher que a ensinou tudo quase tudo o que ela sabe, ela tem seus genes de lobo e vampira, mas prefere evitar o combate direto a não ser que seja totalmente necessário. Já Genevieve e o oposto, mandona e viciada em batalhas, ela me criou para ser a assassina perfeita. Cada nivel de habilidade eu tive que aprender a dominar por completo antes de ir para o treinamento da morte na Alemanha. Desde os meus cinco anos eu tenho aprendido que sentimentos são perda de tempo, que isso só me levaria ao fracasso e me faria afundar o legado da minha família, que meu nascimento foi um presente para a evolução do nosso clã. Esse presente as vezes me parece mais um fardo a ser carregado. E ver como as outras crianças podiam ter uma vida menos rígida só me fez pensar ainda mais dessa maneira. E cavar esse túmulo agora está de alguma maneira criando um grande conflito interno em mim, acho que está aqui sozinha está me fazendo perder o foco do meu objetivo, da minha missão, da minha promessa a minha mãe de não fraquejar e não jogar o nome da família no lixo. Me sinto furiosa quando a pá atinge o ponto esperado, vejo os caixões lado a lado e meu coração por um momento acelera, mas eu respiro fundo e retomo o controle. - Öffne es. - digo e os caixões se abrem revelando os corpos dos Lavely Ballard. Hum. Que estranho. Esses machucados deveriam ter sumido e seus corpos deveriam estar regenerados, mas isso não aconteceu. Toco o rosto do cadáver feminino e sinto algo estranho em sua pele facial, parece ter algo em sua boca, toco os lábios e os sinto mais rígidos do que deveria, então com cuidado afasto os lábios pálidos e o que vejo me deixa em alerta, mas não recuo, apenas abro mais ainda a boca vendo que a língua havia sido arrancada, pego o pergaminho que estava no lugar da língua e quando o abro o cadáver do homem se senta rapidamente. Droga. Eu devia ter pensado nisso. Não consigo pensar em mais nada pois sou arremessada para trás pelo cadáver masculino deixando cair o pergaminho, quando minhas costas se choca contra as lápides ouço um barulho de osso quebrando e só consigo pensar que se minha mãe tivesse aqui eu seria punida por total descuido. Levo a mão até o local dolorido e respiro fundo quando o processo de cura faz minhas costelas voltarem ao local correto, levanto minha blusa e consigo ver os movimentos dos ossos, abaixo a blusa e me levanto ignorando a dor. Olho para a frente e vejo os dois cadáveres em pé pegando algo nos caixões e quando posso ver o que é reviro os olhos. Ótimo. Almas depravadas. Mais eu prefiro os chamar de carniceiros. São nada mais que seres sobranturais que cometeram crimes inaceitáveis e em seu leito de morte rezam para os ceifeiros e pedem para se tornar seus servos e assim retornam a vida como seres abomináveis enormes feitos de pele e osso, suas peles são marcadas por costuras de autópsia igual as dos cadáveres humanos, seus olhos são costurados, seus narizes são arrancados e sua boca também costurada para que nunca mais possam pronunciar uma palavra. Eles comem os cadáveres humanos e vagam pelos cemitérios a noite em busca de trouxas que tentam molestar túmulos, eles também são encarregados de proteger os segredos de corpos sobrenaturais de seres como bruxas da noite. - Que foice legal, pena que vou ter que usar ela para cortar o pescoço de vocês. - digo vendo eles levantarem suas foices enormes. Que beleza. Eu estava certa em desconfiar que tinha algo errado com a morte dos pais de Isabelle e Nick. E agora eu tenho certeza. Sem nenhuma arma de defesa, eu penso que a única maneira que tenho de lutar contra esses dois e desviando de seus ataques e arrancando cada m****o. Vejo a pele falsa cair dando lugar a aparência normal deles e faço uma careta com tanta feiura. Sem esperar um ataque, eu parto para cima deles que giram as foices e depois as lançam em minha direção uma atrás da outea me fazendo ter que dá um salto para trás me livrando da primeira que veio na direção das minhas pernas e desviar da outra caindo de joelhos e abaixando a cabeça. Me levanto rápido vendo um deles fazer um movimento para chamar a foice de voltar e uso minha velocidade para aparecer ao seu lado e segurar sua mão que mais parecia garras. Quebro três pontos importantes dos movimentos dos braços de qualquer ser. Pulso, cotovelo e ombro. Quando vou quebrar o outro braço sou puxada pelo o outro e arremassada para longe novamente, mas dessa vez caio sobre um joelho e uso as mãos como apoio cravando minhas unhas de lobisomem no chão para retomar o controle. O que me arremessou chama a foice e meu instinto de batalha me faz recuar para atrás de umas lápides altas e não demora para que a foice bata contra a lápide a partindo no meio e passando bem próximo da minha cabeça. Rápidamente uso magia para invocar uma das armas mais usadas pela minha família, mais conhecida como a corrente do profano. Uma corrente que foi forjada nas chamas do próprio inferno muito tempo atrás e usada para aprisionar o causador da primeira guerra sobrenatural da história do nosso povo. Meu tataravô Hector criou está corrente após ter ganhado uma aposta de um demônio e assim ganhou acesso as chamas do inferno e com um material único ele forjou está corrente lá que se tornou o trunfo da nossa família. Ele foi o mais honrado do nosso clã. Sobreviveu ao terror na Alemanha e foi um dos fundadores dessa cidade e do pacto de sangue entre as dez famílias sobreviventes. Vejo a ponta da corrente na palma da minha mão e sorrio me lembrando do porque eu escolhi que a corrente sairia desse local. Uma bela homenagem ao personagem de Mortal Kombat. Scorpion. Me levanto pronta para encarar aqueles dois. Vejo os dois me procurando e com minha mão livre puxo a corrente para fora da minha mão e a giro no alto e em seguida a lanço na direção do que me arremessou, enrolo a corrente em seu pescoço é o puxo até mim, o segundo vem com a foice correndo até mim e tenta me acertar, mas eu desvio sem soltar a corrente que enforcava o outro. Vejo a lua ficar no ponto mais visível e tenho certeza de que já e meia noite, hora da reunião, melhor acabar logo com isso. Desvio de mais um ataque e deslizo por debaixo das pernas do feioso, em seguida acerto os três pontos importantes de sua perna, rótula do joelho, tornozelo e divisão entre a coxa e as nádegas fazendo ele se ajoelhar, não perco tempo e faço o mesmo na outra perna e ele larga a foice, pego a foice e corto a cabeça dele vendo os vermes nojentos sairem do corpo do carniceiro e sem tempo para ficar apreciando sua morte, eu enrolo o resto da corrente no outro e com a ponta da foice desfaço a costura vendo a língua cortada, pego o pergaminho caído o coloco de volta e ele volta a aparência da mãe de Isabelle. Reparo a costura prendendo o pergaminho de volta em sua boca, faço um corte em minha mão com a ponta da faca e uso o sangue para fazer o símbolo do clã dos Lavely Ballard e invocar os espíritos do casal, porém quando termino a última frase do ritual de invocação os corpos começam virar apenas vermes. Então eu estava certa em seguir minha intuição de checar os cadáveres. Não são os corpos dos Lavely Ballard. Eu me arrisco a dizer que seus corpos nunca estiveram nesses caixões. Me levanto e caminho até os caixões e vejo o símbolo do feitiço de ilusão e prisão. Seja lá quem for está com os corpos dos Lavely Ballard e prendeu aqueles carniceiros aqui com um feitiço de ilusão para enganar a todos durante o funeral tendo mente que os carniceiros só atacam a noite e apenas os pertubadores dos mortos, humanos vivos não os interessa. Realmente tem algo muito errado nessa cidade. - Zu reparieren. - recito o feitiço de reparo e vejo as lápides destruidas voltarem ao que eram e os vermes serem arrastados de volta aos caixões. Os caixões se fecharam, a terra os cobriu e grama renasceu deixando tudo como era. Corro para fora do cemitério em direção a gruta vendo que já estou quinze minutos atrasada e assim que chego vejo as tochas acesas na entrada. Caminho calma até estar lá dentro e o caminho secreto se revela pra mim, vou com calma ouvindo vozes alteradas e paro próximo a entrada para escutar. - Porque estamos aqui ? - pergunta uma voz masculina claramente irritada. - Porque nos convocou Fergus ? - ouço outra voz masculina. - Esse conselho estava morto para todos aqui, então para que nos fazer vim aqui está noite ? - ouço uma voz feminina. - Se acalmem, eu ainda sou o líder desse conselho desde que os Ballard decidiram negligenciar o pacto. Então eu que mando e eu os chamo a hora que eu quiser. - ouço meu tio responder de forma arrogante. Vejo Griffin se aproximar de mim e me analisar. - Vejo que andou rolando na areia. - zomba e eu lhe mostro o dedo do meio e ele morde. - i****a, ainda vou te jogar de um penhasco. - digo e ele mostra os dentes como se estivesse rindo. Que filho da mãe. Ele estava lá observando tudo. - Você não é o líder do seu clã, então não pode comandar este conselho. - ouço a mulher dizer. - Não diga bobagens eu... - decido revelar minha princesa fazendo meu tio se calar e todos me olharem curiosos. - Quem é você ? - pergunta um homem moreno alto. - Eu sou alguém que quer respostas e vocês irão me dar todas. - respondo tranquila vendo Griffin se aproximar de mim se posicionando ao meu lado. - Seu rosto me parece familiar. - diz um homem latino de olhos verdes. - Porque os filhos do Lavely Ballard não sabem quem realmente são ? - pergunto ignorando as perguntas. - O que te faz pensar que a gente te diria algo sobre eles ? - pergunta uma mulher loira. - Vocês realmente não sabem quem ela é ? - pergunta Fergus e os quatro representantes negam. - Talvez eu deva me apresentar, sou Miguel Hernández, líder do clã cão menor. - diz o homem latino de olhos verdes que me parece familiar. Ele estende sua mão para um cumprimento e eu aceito, em seguida uma mulher morena se aproxima fazendo o mesmo gesto. - Sou Anaya Ibrahim. - diz a morena e eu sorrio de forma contida. - Já ouvi falar muito bem das suas habilidades com magia de cura e seu clã fênix. - digo e ela sorrir porém seu semblante demonstrava confusão e curiosidade. - Thierry McGregor, líder do clã cão maior. - diz o moreno desconfiado. - Sou Kate, meu sobrenome e meu clã não é necessário, você parece saber mais do que demostra. - diz a loira e eu dou de ombros. - Valentina, já chega. - diz Fergus parecem irritado e eu o encaro. - Cale a boca e baixe o tom quando for falar comigo. - digo caminhando até ele que trinca os dentes. - Eu ouvi todo o seu ego e sua ambição querendo tomar conta de algo que não é seu. - completo e ele abre a boca. - Eu apenas estava colocando ordem aqui. - diz e eu reviro os olhos. - Me poupe, você sabe muito bem que não tem poder nenhum sobre esse conselho, seu sobrenome não serve de nada se não for o líder do clã. - digo ficando impaciente. - Aquelas duas cadeiras na ponta só podem ser ocupadas pelos líderes dos clãs dos principais fundadores dessa cidade. - continuo andando até uma das cadeiras e me sento na que tem o meu sobrenome. - Nicholas Lavely Ballard Primeiro e Hector McGauthier Leblanc. - digo olhando todos. - Agora eu me lembro. - exclama Miguel. - Pessoal, essa é a herdeira do legado de Héctor, uma das duas crianças escolhidas. - completa e eu sorrio. - Agora que você falou, ela se parece mesmo com Emma, minha primeira aprendiz de elite. - diz Anaya com um olhar nostálgico. - Agora que já sabem quem sou, me contem o que quero saber e pra começar, me digam porque Nicholas e isabelle não sabem nada sobre quem realmente são. - digo e a loira n**a. - Não podemos, fizemos um pacto de sangue com Nicholas e Emilly Lavely Ballard. Só poderemos contar o porque eles fizeram isso para alguém de coração puro. - diz a loira e eu assinto. - Entendo, se quebrarem o pacto irão morrer. - digo pensativa. - Nesse caso, eu dou por encerrado essa reunião. - digo e Fergus vem até mim furioso. - Você não acreditou mesmo nisso né ? Como pode deixar eles irem assim. - reclama e eu me levanto. - Está encerrado, se não está de acordo, então não apareça mais mas próximas reuniões, sua opinião não e importante aqui. - digo e saio andando com Griffin ao meu lado deixando todo o resto para trás. Esse i****a. Tão cego que não conseguiu ver que eles não queriam falar em sua presença. Eles não confiam em Fergus e eu vou descobrir o porque. Caminho em silêncio de volta pra casa pensando no que eu descobri hoje e no que ainda irei descobrir, só isso é o suficiente para me deixa exausta. Penso em Isabelle e por alguma razão a possibilidade da garota saber que não velou os corpos verdadeiros de seus pais me deixa incomodada, pensar no quanto ela ficaria arrasada me deixa esquisita. Quando finalmente avisto minha casa, vejo a garota que se fazia presente em meus pensamentos sentada na varanda com seu guardião adormecido ao seu lado, tento recuar mais vejo seu olhos presos em mim e a curiosidade estampada em seu rosto. Olho para Griffin que entendendo meu dilema dá um passo por mim e corre em direção a garota, então o que me resta é ir atrás. Caminho calma em direção a garota que acariciava meu guardião e quando ela levanta a cabeça e sorrir para mim, eu sinto uma sensação estranha que incomoda meu peito a cada passo que dou. - O que tu foi fazer no mato Maria Chiquinha ? - cantarola e eu fico confusa. - O que ? - pergunto e ela ri. - Nada, senta aqui. - responde batendo no lugar vazio ao seu lado. - O que faz aqui fora ? - pergunto me sentando ao seu lado. - Estou sem sono, Nick saiu com Anne e até agora não voltou, aí eu decidi esperar ele aqui enquanto aprecio a beleza do céu a noite. - diz olhando para cima e eu olho a hora em meu relógio de pulso. - Uma hora, já está bem tarde. - digo e ela assente. - Você não devia ficar aqui sozinha a essa hora. - completo e ela me olha com seus olhos verdes brilhando. - Então fica comigo. - diz e por alguma razão o ar fica preso em meus pulmões. - Se você ficar, eu não estarei sozinha. - continua e por um instante tudo a minha volta parece girar. - Você tá bem ? - pergunta e eu assinto. - Sim, só estou um pouco cansada, fui correr com Griffin na floresta e acabei caindo e batendo as costelas. - respondo rápido e ela arregala os olhos. - Nossa, deixa eu ver como tá. - diz e quando seus dedos tocam a barra da minha camisa eu recuo. - Me desculpa, eu só queria ajudar. - diz com um semblante triste e chateado. - Não, me desculpa você. - peço e ela olha para cima e isso me incomoda. - Isabelle. - chamo e ela responde com um som nasal, então eu coloco minha mão em seu queixo e a faço me olhar. - Isabelle. - digo firme olhando em seus olhos e ela faz o mesmo. - Que foi ? - pergunta com a respiração descompassada. - Eu não estou acostumada com esse tipo de contato com intenção de cuidado afetivo. - respondo e ela abre a boca pra falar, mas eu não deixo. - Eu tive uma criação diferente da sua, eu tenho uma cicatriz onde você tocou e eu não quero te contar como a ganhei. - completo séria sentindo meu corpo tremer e ela me abraça. - Não precisa me contar, só me deixe retribuir um pouco do que você vem fazendo por mim. - diz e eu a abraço de volta me lembrando que ela é a primeira pessoa que abraço na vida. Eu nunca recebi um abraço de Genevieve, apenas Emma me faz tal carinho quando a outra não está por perto, o que é raro já que ela dificilmente me deixa só, Genevieve está sempre no meu encalço, cutucando, reclamando, me impondo regras e me fazendo treinar dia e noite. Ela não queria me deixar vim sozinha para cá, mas depois de Emma a ameaçar com sei lá o que, ela permitiu que eu vinhesse e cuidasse de tudo sozinha até elas acabarem com todos os assuntos pendentes na Alemanha. Para mim foi um alívio. Ter um tempo onde só eu mesma cobro muito de mim está sendo bom. - Onde está a garota m*l educada que eu conheci ? - pergunto divertida e ela se afasta. - Acabou de mandar te dizer que ela não vai mais cuidar de você, porque você é i****a. - responde cruzando os braços e eu sorrio e esbarro meu ombro no seu. - Sua porquinha, fica rolando por aí com o lobo e nem banho toma. - Zomba e eu tiro minha jaqueta e sacudo na frente dela. - Valentina ! - reclama cobrindo o nariz. - Que foi ? - pergunto sínica e ela me empurra me fazendo bater as costas no piso. - Então você gosta de uma pegada mais agressiva, interessante. - digo e ela pega a jaqueta e joga com força sobre mim. - Eu devia te bater. - diz se deitando ao meu lado. - Pode bater, surra de amor não dói, é carinho disfarçado. - digo divertida e ela me dá uma cotovelada que me pega desprevenida. - Okay, essa doeu, quero esse seu amor violento mais não. - brinco e ela ri. - Já era, você não pode mais voltar atrás, está presa a mim. - diz divertida e eu sorrio. Olho para ela e ela me olha de volta, ficamos assim por alguns segundos até que ela olha para meu corpo e nota algo. - Que tatuagem é essa na sua costela ? - pergunta curiosa. - E a constelação de Órion. - respondo e ela toca a marca que todo o meu clã carrega, mas para ela e apenas uma tatuagem. - É muito linda. - diz e eu assinto. - Quem sabe você também não faz algo parecido ? - questiono e ela assente. - Quem sabe. - responde sorrindo para mim e eu retribuo. Se você soubesse que a constelação de Andrômeda está em você é que não vai demorar para que você possa ver a marca do seu clã entalhada em seu corpo, Isabelle.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD