EPISÓDIO 2 - LEIA NARRANDO

1671 Words
Vou correndo, o céu não apresenta a lua que traria uma harmônica luz que sempre exibe nas noites da cidade de Orge, para o endereço que a Tamires me enviou e ao chegar no lugar fico um pouco atônita, pois tudo está escuro e poucas pessoas estão do lado de fora do edifício que parece um cinema. Em cada lado da rua tem prédios, mas nas escuras, que estranho. Na verdade eu nunca prestei atenção nesta avenida que ostenta uma organização magnífica digna de uma obra cinematográfica. Parada, tiro o meu celular da bolsa para primeiro ligar para meu namorado avisando acerca da mensagem da Tamires para em seguida ligar para Tamires. Ligo e o telefone leva alguns segundos para chamar enquanto isso a impaciência dos infernos toma conta de mim. Eu sou impaciente e fico ainda mais impaciente quando estou bem preocupada, é como se tudo estivesse a dar errado e eu sempre em busca de uma solução rápida para a situação. Tento me acalmar, o frio começa a ficar rigoroso e o silêncio no espaço em que estou me incomoda. Finalmente Osvaldo atende: – Oi, meu amor! – Estou na avenida Worg perto de uma espécie de cinema. Tamires me chamou com urgência. – Na avenida Worg perto do cinema? É aí que eu queria te levar. O que aconteceu com ela? – Não faço a mínima ideia do que tenha acontecido com ela, por isso estou muito preocupada. – Está bem, chego aí em menos de uma hora, está bem gata? – Certo. Estarei aqui te esperando. – Te amo, amor! Até logo, tchau. – Também te amo. Até já. – digo em seguida desligo o celular. Ainda com o celular na mão, vejo as últimas chamadas efetuadas além das do Osvaldo e de imediato encontro da Tamires, disco a tecla de chamada e espero que comece a chamar, mas parece que a minha vontade não vai ser atendida, pois não chama e logo cai diretamente na caixa postal. Que merda, como odeio uma situação assim. A minha impaciência e preocupação vão aumentando no instante que bato o meu pé no chão como se fosse uma forma de invocar uma solução. Tento ligar para ela novamente e desta vez chama, porém ela não atende. Então, decido desistir quando de repente sinto um toque gelado no meu ombro. Me viro rapidamente para ver o proprietário do toque que na verdade me arrepiou, não por estar gelado, mas sim por ter algo que não consigo explicar em palavras. Não vejo ninguém. – Está perdida, madame? – diz uma voz masculina e sedutora atrás de mim. Eu juro que gostaria que fosse a voz do meu amado namorado, Osvaldo, porém infelizmente não é a voz dele, mas sim de um cara de terno cor de vinho sem gravata que não me lembro de ter visto em nenhum lugar. Lentamente ele se aproxima de mim como se me conhecesse há anos. O seu andar é como o ritmo das palavras saindo da sua boca, ostentando o charme sem igual. Por conta da fraca iluminação do espaço onde estamos não consigo ver claramente as suas características para poder o descrever com clareza. O cheiro do seu perfume é suave e agradável ao olfato convidando a minha apreciação. Meu Deus, que maravilha de aroma, é um dos melhores e caros perfumes de Moamba. Não preciso analisar para o julgar um cara ricaço. Chega perto de mim e me encara no escuro sem soltar nem sequer uma palavra desta vez. É estranho, pois não sinto nenhum desconforto diante dele, mas de repente ouço passos de alguém se aproximando com muita pressa. – Olá meu amor! – diz a voz, é do meu namorado, um pouco ofegante. – És tu. – digo meio que distraída. – Sou eu sim, porquê? – ele diz e sinto que estranhou algo na minha reação. – Nada não. – sem olhar para os olhos dele que sempre me encantam e arrancam as verdades da minha boca, por mais que eu tente esconder, acho que talvez estou muito apaixonada por ele para ficar assim diante dos seus olhos maravilhosos que sempre me fazem lembrar-me do meu ex namorado. – Ok, assim conseguiu falar com a sua amiga para nos contar o que está havendo? Também já estou ficando preocupado. – Não, ainda. Ela não atende o celular. – Uau, estás linda, que belo vestido. – ele diz depois de ter prestado atenção na minha indumentária. – Obrigada! – respondo satisfeita, pois é este tipo de impacto que quero lhe causar sempre que estou diante dele. – De nada, querida! – diz e em seguida começa a vasculhar os seus bolsos em busca de algo que só descubro quando já tem nas mãos que é um celular que certamente estava a vibrar no interior do seu bolso. – Desculpa, amor! Um minuto só. – Esteja a vontade. – eu digo, mas não sei o que tem em mim, no entanto ver a ele sorrindo naquela chamada me faz sentir um ciúmes que não sei de onde vem. Consigo ver pela forma como se expressa que está falando com uma moça e isso me deixa desconfortável. Confesso que sou muito ciumenta, mas ele sempre traz motivos para os meus ciúmes se manifestarem da pior forma. Sim, sou um pouco explosiva e tive a quem puxar. Se fosse pelo toque gelado que me fez parar por alguns minutos, juro que já estaria em casa, talvez escrevendo ou assistindo novela. Isso de cheiro de trote ou talvez algo mais agressivo, uma brincadeira de mau gosto, a cara da Tamires que se auto intitulou badgirl, sabe porquê? É exatamente isso que você está imaginando, uma garota rebelde, sem limites. Até os pais desistiram dela mesmo ela ainda morando com eles, assim como eu que ainda moro com a minha mãe e meu irmão. Tamires fez de tudo para que eu gostasse do que ela gosta, dessas coisas de festas noturnas, sexo casual, bebidas alcoólicas, mas não conseguiu e nem sei porquê continuamos amigas. A coisa que nos uniu como amigas, melhores amigas na verdade foi o fato de sermos vizinhas e as nossas mães serem muito amigas. É uma amizade que começou bem naturalmente sabe? Olho para Osvaldo que parece que esqueceu-se que está comigo, continuando na sua longa conversa com sei lá quem. A minha impaciência me sobe até a cabeça e sem dizer nada começo a caminhar em direção de casa, na verdade eu já estou chateada e não quero ouvir ou fazer mais nada além de chegar em casa, tomar banho e dormir. Como uma vez minha mãe disse, eu não lido nada bem com paciência e não seria uma boa ideia ser uma professora ou talvez uma babá, mas graças a Deus nunca sonhei em ser o que mãe mencionou, ela mencionava isso muito em momentos que eu a estressava quando tinha os meus 15 anos de idade, época que queria ter o mesmo comportamento que a minha melhor amiga Tamires. Acho que a adolescência é a fase em que todos não temos um cérebro na cabeça. De repente o lugar e todos os prédios na avenida ficam iluminados e a mão de Osvaldo me puxa para o interior ao lado do cinema que consigo ter a certeza agora que tem luz. É um espaço grande, parecendo um restaurante, mas do lado direito tem alguns livros numa espécie de banca, são detalhes que agradam a minha visão. Entramos eu e ele que na face exibe uma alegria que passa para mim quando as luzes oscilam por um instante para depois ser surpreendida por muita gente cantando “feliz aniversário” fico sem palavras e sem jeito. Todos estão, minha mãe colegas dela, meus vizinhos, minha melhor amiga e claro o meu irmãozinho, Ezildo. Viro e olho para Osvaldo que me envolve num abraço caloroso e sussurrando no meu ouvido: – Feliz aniversário, minha linda! Não consigo me segurar e as lágrimas escapam das minhas órbitas de tanta emoção. Completo os meus 20 anos de idade e me surpreenderam de uma forma... Só pode ter sido obra da Tamires com a ajuda do Osvaldo. – Muito obrigada, meu amor! – digo, mas as palavras não saem com clareza. – Vocês me pagam. – digo sorrindo ainda limpando as lágrimas e lanço um tapa fraco no ombro dele que tenta esquivar. *** – Amiga, amei o teu discurso. Afinal tu arrasas com as palavras não só no computador, celular ou papel. – diz ela chupando de uma forma estranha um doce vermelho. – Quando é necessário eu mando ver. – digo e olho para o presente do Osvaldo, algo diferente que alguém já me ofereceu; um livro. Na verdade ele sempre me oferece presentes que são especiais para mim e até parece que ele lê a minha mente. Sentada no quarto na minha escrivaninha e a Tamires deitada na minha cama, temos a nossa conversa. – Vejo que gostou muito do presente hein. – ela diz olhando para o livro, também. Ela tem um estilo que atrai muitos marmanjos nas baladas e festas noturnas, se é que têm uma diferença. Com o seu cabelo comprido solto e com muitas cores distintas parece uma famosa cantora de metal rock, se não for isso por favor me corrija. A sua pele é muito clara que mais parece uma albina linda e ela me disse que quando criança muitas colegas delas achavam que ela fosse albina e ela gostava de ouvir isso pois pessoas albinas são fofas, como bonecas, no entanto só uma das suas pequeninas colegas a colocou uma pergunta estranha que até hoje continua na sua mente: “Você é uma vampira" – Claro! Na verdade não gostei, mas sim amei. – eu digo olhando para o livro como uma tonta. – Que fofo, quem me dera se eu estivesse na sua pele. – ela diz tirando uma mexa da sua cara. – Como assim? – atônita eu fico quando escuto as suas palavras. Continua
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