Tamires olha para mim e sorri antes de responder:
– Eu quis dizer que eu também queria ter um namorado como o teu.
– Sério? E o que há de errado com o teu?
– Ele anda muito frio ultimamente, mas eu não me importo, tenho muitos ficantes que podem me satisfazer.
Me viro para a escrivaninha com as mãos no teclado depois de ter me aparecido uma nova ideia para uma nova obra. As vezes, em vez de estar na conversa com a minha ouvinte, eu acabo pensando em coisas da minha cabeça.
– Mas tu achas que eles substituem o Júlio?
Ela dá uma pausa no momento que o doce fica na sua boca e perde o pauzinho que fica na sua mão direita e, assim ela responde:
– Já não estou com Júlio.
– Terminaram porquê?
– É uma longa história, amiga. Apenas a gente não teve uma química. – ela responde, porém a sua resposta não me convence nem tampouco, talvez pela forma como disse ou talvez porque eu não queira acreditar.
– Uau, nem levaram muito tempo e já terminaram. Com ele as coisas pareciam que iam dar certo. – levanto da escrivaninha e vou na direção da minha cama onde Tamires continua sentada. – amiga, sério que em menos de um mês tu namorou com 5 caras?
– É só agora que estou me apercebendo disso. Mas vejo que tu és muito santa, não entendes muito como essas coisas funcionam. – ela diz e se organiza na cama para em seguida olhar para os meus olhos e dizer: – Na verdade, todos os cinco, fico com eles ao mesmo tempo. São os meus ficantes e cada um tem o que o outro não tem. É bom ter sabores diferentes.
Sem o que dizer depois de ter ouvido o que ela disse fico em silêncio por alguns segundos e decido perguntar:
– Qual deles tu gostas mais?
– Gosto mais do Júlio.
– Então, o que houve para que os dois terminassem?
– Ele descobriu que eu fico com ele e com os outros ao mesmo tempo.
– Sério? Que coisa hein, amiga?
– Calma aí, nem pense em me dar conselhos ou lições de moral que eu não vou escutar e nem seguir. – ela diz bem séria depois, talvez, de ter percebido que eu queria fazer exatamente o que ela disse.
Que revelação! Eu sabia sobre as suas loucuras, menos do que me revelou. Eu sempre apreciei o Júlio, como um amigo claro, não vou esconder que ele é bem um galã e se eu sentisse algo por ele e não fosse namorado da minha amiga, de certeza que eu namoraria com ele. Essa coisa de ficar não é para mim. Uma vez tentei fazer isso, mas não deu certo porque não é para mim.
– Fique tranquila amiga, não vou dar-te nenhum conselho e nenhuma lição de moral, apenas respeito a tua forma de ver as coisas.
– Sério? – ela diz, mas a sua voz parece estar mudada, bem diferente sabe, como se estivesse prestes a chorar, algo que sempre pensei que ela nunca vai fazer a minha frente.
– Muito sério, amiga. – respondo e ignoro a minha impressão em relação a ela.
– Sabe, eu… – ela diz, mas é interrompida quando a porta do meu quarto é aberta com muita violência.
Quando viro vejo o rosto do Ezildo com um sorriso na boca e com um papel na mão. Levanto e vou até onde o meu irmão está para receber o papel, ler e saber do que se trata.
– Mana, encontrei isto na mesa da sala. – ele diz me entregando o pedaço de papel que logo me faz pensar em um bilhete, talvez deixado pela nossa mãe.
– O que é isso? – pergunta Tamires se levantando.
Recebo o papel e não acredito no que está escrito, coisa que indica que é uma carta, no entanto o que deixa a situação ainda mais estranha é que logo a minha mente me leva para um passado recente em que vi o dono das palavras, mesmo que não claramente, mas eu vi. Então o susto é esmagadora, pois a minha imaginação é muito fértil me fazendo pensar no pior. Depois de ler o que está escrito no pedaço do papel fico petrificada e os dois no quarto me olham com uma preocupação palpável.
Tamires não espera que eu lhe entregue a carta, pois eu ainda fico ali sem nenhuma reação, então ela arranca o papel das minhas mãos e sem se preocupar com a presença do meu irmão, lê em voz alta:
– Oi, está perdida madame? Escrevo a carta em nome do futuro por onde venho, sabendo que você é a minha princesa que tem que estar comigo em horas do caos da doença terrível que se aproxima. Não se assuste, por eu dizer que sou um vampiro do ano 3000. O destino nos quer juntos para acabar com o caos.
Após ter lido, não reage da forma que eu esperava, mas sim vira para Ezildo e começa a zoar de mim:
– Que namorado apaixonado. Até cria mistérios para tornar a coisa entre vocês mais interessante.
– Ezildo sai do meu quarto. – digo de uma forma quase agressiva para meu irmão com seriedade na voz, de imediato, sem reclamar ele sai do meu quarto me deixando com a minha amiga que olha para mim com desaprovação.
– O que se passa contigo amiga? – ela pergunta para mim.
– Tenho uma coisa para te contar.
– O que houve?
– Vai me deixar falar, por favor?
Algo em mim brota, me trazendo medo, pois muitas perguntas eu colocava a mim mesmo. Como é que o homem conseguiu colocar o papel na mesa da sala? Como entrou para deixar o papel, seria a primeira pergunta? Meu coração acelera e respirando fundo me preparo para contar para a minha melhor amiga que olha para mim atentamente.
– Amiga, – começo a falar – eu... quando estava a espera do Osvaldo quando me fizeram surpresa, alguém apareceu perto de mim de uma forma misteriosa e me perguntou se eu estava perdida, mas eu não consegui ver bem as suas caraterísticas por conta da iluminação.
– Sério? Então tu acha que foi ele que escreveu esta carta?
– Sinceramente, acho sim.
– Bem, interessante isso. Sabe, tenho uma ideia. Isso me parece um jogo e eu gosto de jogos então…
Quando ela fala já começo a imaginar o que está por vir duma louca como a minha amiga e se eu aceitar, certamente que depois vou me arrepender. Mas decido escutar quem sabe ela possa ter uma ideia brilhante?
– Então nós vamos entrar no jogo dele. – ela continua.
– Como? – pergunto e vejo nos olhos dela que vem um grande jogo, talvez arriscado para não dizer mortal.
***
Passos leves e preguiçosos soam no meu quarto que se encontra totalmente nas escuras e eu ainda tentando pegar no sono. Tudo está diferente, mas não consigo explicar o significado da palavra “diferente” nestas circunstâncias. De repente o som pára, eu viro para a direção da entrada do meu quarto para ver o proprietário dos passos.
– Madame. – diz uma voz suave e sensual, percebo logo que vem diretamente da entrada do meu quarto.
– Entra. – eu digo, mas não me sinto eu dizendo as palavras que saíram da minha boca.
Um silêncio persiste até que novamente os passos voltam a soar pelo quarto, desta vez na minha direção. Puxo a minha manta para tampar os meus s***s que estavam descobertos, na verdade, em menos tempo descubro que estou totalmente nua e na mesma manta sinto um cheiro de perfume masculino que havia sentido talvez uma vez na vida até então.
– Madame, minha princesa. Já acabamos com... Agora não interessa. – a voz diz e sinto alguém subindo na minha cama aos poucos como se estivesse o fazendo para eu não perceber.
Sinto um toque no meu ombro que vai descendo para os meus braços, sempre devagar, agora sinto outro toque nas minhas coxas. Os toques sinto atrás de mim e sua respiração no meu ouvido. Aos poucos, com cada toque preciso fico excitada e ele sussurra.
– Eu te amo!
– Eu te amo também. – eu respondo e viro a minha cabeça para lhe dar um beijo na boca.
Oiço algumas gotas da chuva beijando o telhado e o silêncio morrendo aos poucos.
O homem se encosta em mim e sinto o seu m****o quase duro entre as minhas nádegas, os toques passam para um dos meus s***s e me solta uma imensa vontade de avançar, mas mesmo assim eu não estou totalmente pronta para ir lá.
Fecho os olhos e sinto cada movimento que ele faz explorando o meu corpo de uma forma estratégica.
Meu Deus! Ele conhece o meu corpo.
Viro completamente para ele e de repente abro os olhos e uma luz forte do sol agride a minha vista. Já é manhã e tudo era apenas um sonho, quando olho para o meu lençol está molhado, tive um sonho molhado.
Levanto, tiro o lençol e boto no sexto de roupa suja, em seguida faço a cama. Varro e limpo o meu quarto a cantar feito uma louca com uma música bem alta. Depois escovo os dentes e quando chega a hora de tomar banho, na mente me vem imagens do meu sonho misturado com as imagens do homem misterioso que vi quando estava a espera do meu namorado.
A minha imaginação é muito fértil, só pode ser isso, mas mesmo assim a preocupação me agride quando me lembro que ele conseguiu deixar uma carta na mesa da sala sem deixar nenhuma pista. Eu, na verdade me preparo para perguntar a dona Éssia se chegou de perceber um movimento estranho em casa? Eu relaciono o sonho que tive nessa manhã com esse homem misterioso.
– Leia, não leve um século aí porque tem uma carta aqui para ti. – gritou mãe dizendo para mim.
Como assim uma carta para mim, será que é uma carta semelhante àquela que vi no dia anterior juntamente com a Tamires que foi trazida pelo meu irmão? Não sei mais o que pensar, pois o medo e a dúvida começam a consumir o meu interior. Esfrego o meu corpo com os pensamentos em outro lugar longe da realidade com as questões que me coloco com frequência como se pudesse achar a solução facilmente.
– Mãe já estou prestes a sair.
Termino o meu banho, visto e vou ter com mãe.
– Filha encontrei esta carta sobre a mesa e é para ti. – olho para ela com um pressentimento agredindo o meu peito.
Recebo e logo vejo as primeiras palavras que me deixam extremamente preocupada.
Continua