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1245 Words
Scarlett. — Eu já disse, estou bem. Ignorando os protestos estridentes da enfermeira, arranco a agulha do soro do meu pulso e me levanto. Estou tonta e minha cabeça lateja, mas preciso me mexer. Pela luz do sol entrando pela janela do hospital, já é manhã — ou até mais tarde. A equipe de exfiltração provavelmente já foi embora, mas, na remota chance de ainda estarem aqui, preciso falar com Petrov imediatamente. — Onde está minha bolsa? — pergunto à enfermeira, examinando o quarto com urgência. — Eu preciso da minha bolsa. — O que você precisa é se deitar. — A enfermeira ruiva se coloca na minha frente, cruzando os braços diante do peito volumoso. — Você tem um g**o do tamanho de um ovo na cabeça por ter batido naquele poste e ficou desacordada desde que foi trazida para cá ontem à noite. O médico disse que devemos monitorá-la pelas próximas vinte e quatro horas. Lanço um olhar fulminante para ela. Minha cabeça parece que vai se partir ao meio, mas ficar aqui é assinar minha própria sentença de morte. — Onde está minha bolsa? — repito. Estou dolorosamente consciente de que estou usando apenas uma camisola hospitalar, mas vou me preocupar com roupas — e com essa dor de cabeça infernal — depois. A mulher revira os olhos. — Ah, pelo amor de Deus. Se eu pegar sua bolsa, você vai se deitar e se comportar? — Sim — minto, observando enquanto ela caminha até um armário do outro lado do quarto. Ao abrir a porta, ela pega minha bolsa Gucci e volta. — Aqui está. — Ela enfia a bolsa nas minhas mãos. — Agora deite-se antes que caia. Obedeço, mas apenas porque preciso conservar forças para o que vem pela frente. Faz menos de dez minutos que acordei aqui e já estou tremendo pelo esforço de ficar em pé. Provavelmente eu realmente deveria estar sob observação médica, mas não há tempo para isso. Preciso sair de Moscou antes que seja tarde demais. A enfermeira começa a trocar os lençóis de uma cama vazia ao lado da minha, e eu pego meu telefone para ligar para Petrov. Chama, chama e chama... Merda. Ele não atende. Tento de novo. Vamos, vamos, atende. Nada. Sem resposta. Desesperada, tento pela terceira vez. — Scarlett? Graças a Deus. — Sim, sou eu. Estou em um hospital em Moscou. Quase fui atropelada — longa história. Mas estou saindo agora e— — É tarde demais, Scarlett. — A voz de Petrov soa baixa. — O Kremlin sabe o que aconteceu, e os homens de Romanov estão procurando por você. Um arrepio gelado percorre meu corpo. — Tão rápido assim? — Um dos homens de Zaytsev tem boas conexões em Moscou. Ele os mobilizou assim que soube do míssil. — Merda. A enfermeira me lança um olhar feio enquanto junta os lençóis numa pilha grande sobre a cama vazia. — Sinto muito — diz Petrov, e eu sei que ele fala sério. — O líder da equipe teve que retirar os homens. Não é seguro para nenhum de nós na Rússia agora. — Claro — respondo no automático. — Ele fez a coisa certa. — Boa sorte, Scarlett — diz Petrov, e ouço o clique quando ele desliga. Estou por conta própria. Espero até a enfermeira sair com a pilha de lençóis e então me levanto novamente, desta vez sem interferência. O pânico girando dentro de mim é mais forte que qualquer analgésico. m*l percebo a dor de cabeça enquanto caminho até o armário onde estava minha bolsa e olho dentro. Como eu esperava, minhas roupas também estão lá, dobradas cuidadosamente. Lanço um olhar rápido para a porta para verificar se está fechada, tiro a camisola hospitalar e visto as roupas que usava antes. Ao fazer isso, percebo que o g**o na cabeça não é meu único ferimento. Todo o lado direito do meu corpo está machucado, e tenho arranhões por toda parte. Aquele bêbado i****a. Eu devia ter atirado nele e nos amigos hienas quando tive a chance. Não. Respiro fundo para me acalmar. A raiva não serve para nada agora. É uma distração que não posso me permitir. Ainda existe uma pequena chance de eu conseguir sair da Rússia. Não posso perder a esperança. Ainda não. Prendo o cabelo loiro em um coque para deixá-lo menos chamativo e faço uma verificação rápida no conteúdo da bolsa. Está tudo lá, exceto o dinheiro da carteira e minha arma. O que era esperado. Tenho sorte de a bolsa não ter sido roubada enquanto eu estava inconsciente. No forro inferior há dinheiro de emergência costurado, e os ladrões não encontraram — não há nenhum r***o por dentro. Apertando a bolsa com força, caminho até a porta e saio para o corredor. A enfermeira não está à vista, e ninguém presta atenção em mim enquanto me aproximo do elevador. Bem, um senhor idoso em cadeira de rodas me lança um olhar apreciativo, mas não há suspeita em seus olhos. Ele apenas observa, provavelmente relembrando a juventude. As portas do elevador se abrem com um leve ding, e eu entro, o coração batendo rápido demais. Apesar da facilidade da minha fuga até agora, minha pele se arrepia — todos os meus instintos alertando para o perigo. Meu quarto fica no sétimo andar, e a descida é torturantemente lenta. O elevador para em todos os andares, com pacientes e enfermeiros entrando e saindo. Eu poderia ter usado as escadas, mas isso chamaria atenção desnecessária. Ninguém usa aquelas escadas a menos que precise. Finalmente, as portas se abrem no primeiro andar. Saio, cercada por várias pessoas — e então eu os vejo. Três policiais entrando no elevador do lado oposto do corredor. Merda. Abaixo a cabeça e encolho os ombros, tentando parecer mais baixa. Não olhe para eles. Não olhe para eles. Mantenho os olhos no chão e fico próxima de um homem alto e corpulento que saiu do elevador antes de mim. Ele anda devagar, e eu também, fazendo o possível para parecer que estou com ele. Eles estariam procurando uma mulher sozinha, não um casal. Felizmente, meu companheiro involuntário segue para a saída, e há pessoas suficientes ao nosso redor para que ele não me preste muita atenção. O corpo volumoso dele me dá alguma cobertura, e eu aproveito ao máximo, mantendo a postura curvada. Anda mais rápido. Vamos, anda mais rápido, imploro em silêncio. Cada músculo do meu corpo quer correr, mas isso destruiria qualquer chance de sair do hospital sem ser notada. Ao mesmo tempo, sei que preciso sair daqui em minutos. Assim que aqueles policiais perceberem que não estou no sétimo andar, colocarão o hospital inteiro em alerta. Finalmente, o homem e eu chegamos à saída — e vejo um táxi parar junto ao meio-fio. Sim. Estou precisando de um pouco de sorte. Deixo o homem para trás sem olhar uma segunda vez, apresso-me até o táxi e deslizo para dentro no exato momento em que a mulher que ocupava o banco traseiro sai. — Estação Lubyanka, por favor — digo ao motorista enquanto a porta se fecha. Falo alto o suficiente caso a mulher ainda esteja prestando atenção. Assim, se ela for questionada depois, dirá qual era o meu suposto destino e, com sorte, confundirá um pouco o rastro. O motorista assente e se afasta da calçada. Assim que entramos no fluxo do trânsito, inclino-me levemente para a frente. — Ah, na verdade, eu esqueci…
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