Christian.
Ela estende a mão para a torneira, tremendo da cabeça aos pés, e eu percebo o esforço que cada movimento lhe custa. Ela está fraca e magra, infinitamente mais frágil do que da última vez que a vi, e o fato de isso me perturbar me enfurece ainda mais.
Eu esperava sentir luxúria e ódio, deleitar-me com seu sofrimento enquanto saciava minha fome com sua carne enganosa. Planejava tratá-la como meu brinquedo s****l até que minha obsessão por ela se dissipasse, e então fazer o que fosse preciso para encontrar os manipuladores que a controlavam.
Eu não contava com essa criatura pálida e maltrapilha e com o que sentiria ao vê-la assim.
Será que a deixaram passar fome? Aparentemente sim, porque consigo ver cada uma de suas costelas.
Seu estômago está côncavo, seus ossos do quadril estão salientes e seus membros estão dolorosamente magros. Ela deve ter perdido pelo menos sete quilos nos últimos dois meses, e ela já era esbelta.
Ela consegue ligar a água, e eu me obrigo a ficar imóvel enquanto ela pega o xampu. Ela não está olhando para mim, toda a sua atenção está focada na tarefa, e eu sinto uma nova onda de raiva, misturada com desejo e aquela coisa desconcertante.
Algo que parece suspeitosamente com proteção.
Droga. Cerrei os dentes, determinado a resistir ao impulso bizarro de entrar no chuveiro e abraçá-la. Não para t*****r com ela, embora meu corpo também anseie por isso, mas para abraçá-la.
Para abraçá-la e confortá-la.
Enfurecido, me encosto na parede, observando-a começar a ensaboar o cabelo. Apesar de sua extrema magreza, seu corpo é gracioso e feminino. Seus s***s estão menores do que antes, mas ainda são surpreendentemente fartos, seus m*****s se contraem em botões rosados e tensos enquanto ela fica sob o jato de água. Consigo ver
uma penugem loira e macia entre suas pernas; depois de quase dois meses sem depilar ou usar cera, sua v****a deve ter voltado ao seu estado natural. Meu p*u, semi-e******o por tê-la despido, endurece completamente, e me imagino entrando naquele chuveiro, abrindo o zíper da minha calça jeans e penetrando-a com força, sem preliminares. Simplesmente a tomando, como o brinquedo s****l que eu pretendia que ela fosse.
E nada me impede de fazer isso. Ela é minha prisioneira. Posso fazer o que quiser com ela. Nunca forcei uma mulher, mas também nunca desejei e odiei uma ao mesmo tempo. Como t*****r com ela seria pior do que cortar sua carne delicada para fazê-la falar?
Não seria. Ela é minha para machucar como eu quiser.
Exceto que machucá-la não é o que eu quero fazer agora. A violência que ferve dentro de mim não é por ela. É por aqueles que a machucam. Quando a vi nos braços de Diogo, seus longos cabelos lisos e sem brilho emoldurando seu rosto pálido, senti uma fúria como nenhuma outra. E quando ela começou a chorar, tudo o que eu pude fazer foi não a abraçar e prometer que ninguém jamais a machucaria novamente.
Nem mesmo eu.
A vontade me enlouqueceu naquela época, e me enlouquece agora. Não tenho dúvidas
de que a bruxa sabia o que estava fazendo comigo com aquelas lágrimas, assim como sabia como extrair informações de mim naquela noite em Moscou. Sua aparência frágil
é apenas isso: uma aparência. Aquela bela mulher loira bem cuidada.
esconde uma agente treinada, uma espiã tão habilidosa em jogos mentais quanto em línguas estrangeiras.
— Seus cinco minutos acabaram — digo, me afastando da parede. Ela lavou o cabelo e o corpo e agora está parada debaixo do chuveiro com os olhos fechados e a cabeça inclinada para trás. — Saia. — Minha voz é áspera, sem refletir a angústia que estou sentindo.
Não vou deixar que ela me perturbe novamente.
Ao ouvir minhas palavras, ela se assusta, abre os olhos de repente e estende a mão para desligar o chuveiro. Ela ainda está tremendo, embora não tanto quanto antes, e me pergunto o quanto disso é fingimento e o quanto é fraqueza real.
Abrindo a porta do chuveiro, peguei uma toalha e joguei nela.
— Se seque.
Ela obedece, secando o cabelo e depois o corpo com a toalha. Enquanto faz isso, noto hematomas cobrindo suas pernas e costelas, e olheiras azuladas sob seus olhos cansados.
Droga. Ela não está fingindo.
— Chega. — Suprimindo a pontada ilógica de pena, arranquei a toalha dela e a pendurei em um gancho. — Vamos embora.
Seus olhos imploram enquanto a seguro pelo braço, mas ignoro seu apelo silencioso, meu aperto nela sendo desnecessariamente brusco. Não posso ceder a essa fraqueza, a essa obsessão que parece estar completamente fora de controle. Nos últimos dois meses, aceitei o fato de que não consigo parar de desejá-la, mas isso é algo completamente diferente.
Ela tropeça enquanto a puxo pela porta, e paro para pegá-la no colo, dizendo a mim mesmo que será mais fácil carregá-la do que arrastá-la. Ao aconchegá-la contra meu peito, sinto a pressão suave de seus s***s e seu perfume, agora limpo e misturado com o aroma do meu sabonete líquido. A luxúria me invade novamente, afastando minha consciência de seu peso leve demais, e eu a acolho. É exatamente disso que preciso: desejá-la e nada mais. E para isso, não posso tê-la como essa frágil e patética criatura.
Preciso dela mais forte.
O quarto era meu destino, mas mudo de rumo, indo para em vez disso, vamos para a cozinha. Consigo sentir sua respiração acelerada — ela provavelmente está com medo — mas não resiste. Sem dúvida, ela percebe o quão inútil seria em seu estado debilitado.
Quando chegamos à cozinha, eu a sento em uma cadeira e dou um passo para trás. Imediatamente, ela encolhe os joelhos contra o peito, escondendo boa parte do seu corpo nu. Seus olhos estão arregalados e assustados enquanto ela me encara, com os cabelos molhados grudados nas costas e nos ombros.
— Você vai comer — digo a ela, aproximando-me da geladeira. Abrindo-a,
pego o peru, o queijo e a maionese e coloco tudo na bancada ao lado do pão que está ali. Enquanto preparo o sanduíche, fico de olho nela, certificando-me de que ela não está tentando planejar uma fuga. — o que ela não está. Ela está apenas sentada ali, observando com cautela enquanto espalho a maionese nas duas fatias de pão, coloco um pouco de queijo e peru e coloco tudo em um prato.
— Coma — digo, colocando o prato na frente dela.
Ela passa a língua pelos lábios. — Poderia me dar um pouco de água, por favor?
Claro. Ela também deve estar com sede. Sem responder, vou até a pia, encho um copo d'água e levo para ela.
Obrigada. Sua voz é baixa enquanto aceita minha oferta, seus dedos finos envolvendo o copo e roçando nos meus.
Um arrepio percorre minha espinha com aquele toque acidental, e minhas calças jeans apertam desconfortavelmente de novo, meu p*u pressionando contra o zíper.
Seus olhos desviam para baixo por um segundo antes de voltarem para o meu rosto, e vejo suas pupilas dilatarem. Ela está ciente da minha luxúria por ela, e isso a assusta. Sua mão que segura o copo treme levemente enquanto bebe, e seu outro braço se aperta em torno dos joelhos dobrados.
Ótimo. Quero que ela tenha medo. Quero que ela saiba que posso desejar seu corpo, mas não terei piedade. Ela não poderá me manipular nunca mais.
Enquanto ela bebe, eu me sento do outro lado da mesa e me inclino para trás na cadeira, entrelaçando as mãos atrás da cabeça.
— Coma. Agora — ordeno novamente quando ela coloca o copo na mesa, e ela obedece, seus dentes brancos e perfeitos afundando no sanduíche com um entusiasmo evidente.
Apesar da fome óbvia, ela come devagar, mastigando bem cada mordida. É uma atitude inteligente; ela não quer passar m*l por comer demais muito rápido.
— Então — digo quando ela já comeu cerca de um quarto da refeição — qual é o seu nome verdadeiro?
Ela para no meio da mordida e coloca o sanduíche na mesa.
— Scarlett. — Seus olhos encontram os meus sem piscar.
— Não minta para mim. — Desentrelaço as mãos e me inclino para frente. — Uma espiã não usaria seu nome verdadeiro.
— Eu não disse que é Scarlett Romanova. — Ela pega o sanduíche novamente e dá outra mordida antes de explicar:
— Scarlett é um nome comum na Rússia e na Ucrânia, e por acaso é o meu nome de batismo.
— Ah. — Faz sentido, e estou inclinado a acreditar nela. É sempre mais fácil manter a verdadeira identidade quando se está infiltrado. — Então, Scarlett, qual é o seu verdadeiro sobrenome?
— Meu sobrenome não importa. — Seus lábios macios se curvam em um sorriso. — A garota a quem ele pertencia não existe mais.
— Então não há problema em me dizer qual é, não é? — Apesar de mim mesmo, estou intrigado. Importe ou não, quero saber o sobrenome dela.
Quero saber tudo sobre ela.
Ela dá de ombros e dá outra mordida no sanduíche. Percebo que ela não tem intenção de me responder.
Minha boca range, mas me lembro de ter paciência. Os russos não conseguiram extrair nada útil dela em dois meses, então certamente não posso esperar quebrá-la na primeira hora. A prioridade número um é fazê-la comer e recuperar as forças. As respostas virão depois. Vou consegui-las dela, de um jeito ou de outro.
Por enquanto, reviso mentalmente as informações que Romanov me enviou por e-mail sobre ela. Não há muita coisa que eles conseguiram descobrir. Tudo o que ela admitiu é que tem vinte e dois anos, não vinte e quatro como consta em seu passaporte falso, e ela nasceu em Donetsk, uma das áreas em conflito no leste da Ucrânia. O governo ucraniano se recusou a reconhecê-la como cidadã, então a organização para a qual ela trabalha deve ser privada ou estritamente clandestina. Seu diploma em Língua Inglesa e Relações Internacionais pela Universidade Estatal de Moscou é aparentemente real; há um registro de Scarlett Romanova se formando lá há dois anos, e Romanov conseguiu localizar professores e colegas que confirmaram que ela, de fato, frequentou as aulas.
Será que os ucranianos a recrutaram na universidade ou a infiltraram lá?
Não é impossível que ela trabalhe para eles desde a adolescência. Agentes raramente são recrutados tão jovens, mas acontece.
— Há quanto tempo você faz isso? — pergunto quando ela está quase terminando o sanduíche. Suas bochechas pálidas agora têm um pouco de cor, e ela parece menos trêmula. — Espionando para a Ucrânia, é isso?
Em vez de responder, Scarlett toma um gole de água, coloca o copo na mesa e olha diretamente para mim.
— Posso usar o banheiro, por favor?
Minhas mãos apertam a mesa.
— Sim, quando você responder à minha pergunta.
Ela não pisca.
— Já faz um tempo que venho fazendo isso — diz ela calmamente.
— Agora, posso fazer xixi no vaso sanitário? Ou devo fazer aqui?
A raiva que fervilhava dentro de mim se intensifica, e eu cedo a ela. Num instante, estou ao lado dela, agarrando-a pelos cabelos e puxando-a para cima. Ela grita de dor, agarrando meu pulso com as mãos, mas não lhe dou chance de resistir. Em menos de dois segundos, ela está dobrada sobre a mesa, com o braço torcido para trás e o rosto pressionado contra a superfície. O prato com os restos do sanduíche escorrega da mesa, quebrando-se no chão, mas eu não ligo.
Ela vai aprender uma lição importante agora.
— Repita isso. — Eu me inclino sobre ela, prendendo seu corpo nu embaixo de mim. Consigo ouvir sua respiração rápida e superficial, sinto a curva de sua b***a pressionando minha virilha, e meu p*u endurece enquanto imagens sexuais obscuras invadem minha mente. Nessa posição, tudo que preciso fazer é abrir o zíper da minha calça, e estarei dentro dela.
A tentação é quase insuportável.
— Desde os onze anos. — Sua voz é fina, abafada contra a mesa. — Eu faço isso desde os onze anos.
Onze? Atordoado, eu a solto e dou um passo para trás. Que tipo de agência recruta uma criança?
Antes que eu possa digerir sua revelação, ela desce da mesa e me encara.
— Por favor, Christian. — Seu rosto está pálido novamente, seus lábios tremendo. — Eu realmente preciso ir ao banheiro.
Droga.
Eu a agarro pelo braço.
— Você tem cinco minutos — aviso enquanto a levo de volta ao banheiro. — E não tranque a porta. Eu tenho a chave.
Ela acena com a cabeça e desaparece no banheiro, com os cabelos meio secos escorrendo pelas costas esbeltas.
Balançando a cabeça, volto para a cozinha par
a limpar.
Não quero que ela corte os pés descalços nos cacos do prato quebrado.