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911 Words
Scarlett. — Vamos, ande. — Mãos ásperas me erguem do assento, me arrancando de um sono inquieto. — Chegamos. Aqui? Meu coração dispara quando percebo que já pousamos. Devo ter adormecido em algum momento durante o voo, o cansaço superando a ansiedade. Agora é outro homem que me carrega — Diogo, foi como o líder o chamou. O aperto dele não é nada gentil enquanto me segura contra o peito. Ainda assim, fico grata por não me obrigarem a andar. Depois de passar o voo inteiro com tornozelos e pulsos algemados juntos, não sei se meus músculos doloridos aguentariam. Sem contar que estou com tanta fome que me sinto enjoada e tonta. Tiraram minha mordaça e me deram água no meio do voo, mas não se preocuparam em me alimentar. Assim que Diego sai do avião, uma onda de calor úmido me envolve, fazendo parecer que acabei de entrar em uma sauna russa — ou talvez uma floresta tropical. A segunda opção é mais provável, considerando as árvores densas cobertas por cipós ao redor da pista. Apesar do terror correndo pelas minhas veias, fico deslumbrada com o verde ao meu redor. Eu amo a natureza — sempre amei, desde criança — e esse lugar me encanta em todos os sentidos. O ar é rico com o cheiro da vegetação tropical, insetos cantam na grama, e o sol brilha apesar de algumas nuvens no céu. Por alguns momentos de puro alívio, sinto como se estivesse no paraíso. Então ouço um carro se aproximando — e a realidade desaba. O dono desse paraíso vai me torturar e matar. Meu estômago vazio se contrai. Não quero ceder ao medo, mas não consigo evitar o pavor que se espalha por mim quando o carro — um SUV preto — para diante do avião. A porta do motorista se abre, e um homem alto e de ombros largos desce, o sol refletindo em seu cabelo curto e claro. Eu paro de respirar, meus olhos presos aos traços duros dele. Christian De Luca. Ele está vivo. Os olhos claros dele se fixam nos meus, e o mundo ao redor desaparece, ficando desfocado. Eu esqueço completamente a fome e o desconforto, as algemas me prendendo e o medo do futuro. Tudo de que tenho consciência é da alegria intensa e irracional de que Christian está vivo. Ele começa a caminhar na minha direção, e eu me forço a voltar a respirar. Ele está ainda maior do que eu lembrava, os ombros largos e cobertos por músculos. Vestindo uma camiseta camuflada sem mangas e jeans rasgados, com um rifle de assalto atravessado no torso, ele parece exatamente o que é: um mercenário implacável trabalhando para um senhor do crime. — Eu cuido disso daqui, Diogo — ele diz, se aproximando, e eu começo a tremer quando ele estende a mão para mim, desviando o olhar do meu. Diogo me entrega a ele sem dizer nada, e meu tremor se intensifica quando sinto as mãos de Christian em mim novamente, o toque dele queimando até através do tecido áspero do meu macacão de prisão. Dando um passo para trás, ele se vira e começa a me levar até o carro, me mantendo colada ao peito dele. Ele não demonstra qualquer nojo do meu estado sujo, e um arrepio percorre meu corpo ao sentir o calor dele penetrando em mim, derretendo parte do frio que ainda resta dentro de mim. Eu deveria estar apavorada, mas em vez disso sinto aquela sensação de novo — aquela atração irracional que só experimentei com ele. Ao mesmo tempo, uma pressão cresce atrás das minhas têmporas, e meus olhos ardem, como se eu estivesse prestes a chorar. Vivo. Ele está vivo. Não parece real. Nada disso parece real. Minha realidade é uma cela cinza e fétida em uma prisão russa. São as mãos engorduradas de Igor e a sala de interrogatório espelhada de Romanov. É fome, sede e saudade — saudade da vida que perdi quando o carro dos meus pais deslizou no gelo n***o, do irmão que só vejo em fotos, e do homem que conheci por apenas um dia. Do homem que pensei ter matado — o mesmo que está me segurando agora. Será que tudo isso é um sonho? Uma fantasia criada pela minha mente exausta e privada de sono? Será que, neste exato momento, estou desacordada na mesa de interrogatório, prestes a ser arrancada de volta à consciência por aquele alarme estridente? O rosto de Christian fica borrado diante dos meus olhos, e percebo que estou chorando, lágrimas grossas e desajeitadas escorrendo pelo meu rosto. Envergonhada, tento limpá-las automaticamente, mas minhas mãos, ainda presas aos tornozelos, não alcançam. O movimento sai trêmulo e desajeitado, e vejo o rosto de Christian endurecer ao olhar para mim. — Sua v***a — ele diz tão baixo que m*l consigo ouvir. — Acha que pode me manipular com suas lágrimas? O aperto dele se intensifica, ficando duro e punitivo enquanto ele para diante do SUV e me encara, como se esperasse uma resposta. Quando não dou nenhuma, suas feições se endurecem ainda mais. — Você vai pagar pelo que fez — ele promete, a voz carregada de uma fúria silenciosa. — Vai pagar por tudo. E com isso, ele abre a porta do carro com um puxão brusco e me joga no banco de trás. Quando minhas costas atingem o couro macio, eu sei que estava errada. Isso não é um sonho. É um pesadelo.
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