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A "patricinha" e o dono do morro

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Entre o Poder e o Coração

​Geovanna nunca imaginou que sua vida mudaria drasticamente ao cruzar o caminho de Matheus, o temido PG, dono do morro. O que começou como um encontro tenso e carregado de perigo logo se transformou em uma conexão impossível de ignorar. Em um mundo onde a lealdade é testada a todo instante e o perigo espreita em cada viela, Geovanna precisou aprender a equilibrar sua essência com a realidade implacável do crime.

​Ao lado de sua fiel amiga Luana, ela enfrenta as dores e as delícias de construir uma família no epicentro do caos. Entre perdas dolorosas, surtos causados pelo peso do poder e a chegada dos herdeiros — Dominic e Morgana —, Geovanna deixa de ser apenas uma espectadora para se tornar a "Patroa", a única capaz de dobrar o orgulho do homem mais perigoso do morro.

​Uma história sobre amadurecimento, escolhas difíceis e um amor que sobrevive a décadas. De um contrato de risco a um casamento blindado, Geovanna e PG provam que, mesmo no lugar mais improvável, é possível construir um império baseado na família. No final, o destino do morro não é escrito apenas com balas, mas com o sangue e o amor de quem ousou ficar.

​⚠️ Classificação: +18 (Contém violência, linguagem imprópria e conteúdo adulto).

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​1° Capítulo: O Baile
Luana e eu estávamos jogadas na cama de casal do quarto dela, cada uma completamente submersa no próprio celular, aproveitando a preguiça gostosa do final de tarde de domingo. O ventilador de teto girava no ritmo máximo tentando amenizar o calor abafado daquele dia, enquanto o silêncio confortável entre nós duas era quebrado apenas pelo som distante de alguma notificação ou o barulho de um vídeo rápido que uma de nós assistia. O quarto da Luana era o reflexo exato do nosso caos particular: maquiagens espalhadas sobre a penteadeira, roupas largadas pelas cadeiras e a luz suave do entardecer atravessando a cortina. ​De repente, Luana quebrou o transe. Ela bloqueou a tela do celular com um estalo seco, jogando o aparelho de lado no colchão macio, e sentou-se com as pernas cruzadas, me encarando com um olhar carregado de curiosidade acumulada. ​— Miga, me responde uma coisa — Luana disse, puxando o cabelo bagunçado para trás e arrumando um coque improvisado no topo da cabeça. ​— O que foi? — perguntei com a voz preguiçosa, sem tirar os olhos da tela do meu próprio celular, onde eu rolava o feed de fotos sem prestar muita atenção. ​— O que você tem, afinal, com o Benício? — Aquilo me fez travar por um segundo. Desliguei a tela do aparelho imediatamente e olhei para ela na hora, encarando sua expressão debochada. ​— A gente dá uns "pega", mas nada sério — respondi no tom mais despretensioso que consegui encontrar, voltando minha atenção para a tela preta do celular apenas para fingir que aquele assunto não mexia comigo. Mas a curiosidade acabou me vencendo em questão de segundos. Olhei para ela de novo, arqueando uma sobrancelha. — Por que a pergunta? Tá interessada nele, é? ​Luana soltou uma gargalhada alta e escandalosa, jogando a cabeça para trás e deixando o corpo cair novamente contra os travesseiros macios da cama. ​— Tá doida? Só queria saber mesmo — ela riu, pegando o celular de volta do colchão e deitando de lado para me olhar. — Deus me livre de arrumar confusão por causa de homem, ainda mais o Benício, que todo mundo sabe que adora dar trabalho e vive cercado de mulher. ​O resto da tarde passou voando entre fofocas sobre o pessoal do colégio, risadas e comentários sobre quem estaria no morro mais tarde. Quando o relógio digital na parede marcou exatamente 19:30, o clima de preguiça evaporou por completo. Fui para o banho primeiro, sentindo a água morna relaxar meu corpo e tirar o cansaço do dia. O banheiro rapidamente ficou tomado pelo vapor quente e pelo perfume doce do shampoo. Luana foi logo em seguida, já ligando a playlist de aquecimento no alto-falante do celular. Funk pesado começou a ecoar pelas paredes do quarto enquanto dávamos início ao nosso ritual sagrado de produção. ​Sentamos lado a lado em frente ao espelho iluminado. O processo foi minucioso: preparamos uma pele bem feita e com contorno marcante, desenhamos o famoso delineado gatinho com extrema precisão para não borrar, passamos muitas camadas de rímel para destacar o olhar e não economizamos naquele gloss labial volumoso que não podia faltar de jeito nenhum. ​Na hora de escolher os looks, a estratégia foi pensada para aguentar a noite inteira. Eu, Geovanna, escolhi um body de renda preto perfeitamente ajustado ao meu corpo, shorts jeans claro de cintura alta com a barra desfiada e um tênis preto confortável nos pés, garantindo que conseguiria dançar por horas sem me machucar. Como a Luana não tinha trazido opção de roupa adequada para a festa, abri minha mala de emergência e emprestei a ela um body de renda vermelho vibrante, uma saia de couro preta justa e um salto alto preto. Estávamos prontas, impecáveis e exalando perfume doce por onde passávamos. ​Descemos as escadas com cuidado, entramos no carro do meu motorista particular que já nos aguardava na porta e ele deu partida em direção ao morro. À medida que nos aproximávamos da comunidade, o movimento de motos e pedestres aumentava drasticamente, e o som distante do grave do baile começava a fazer a lataria do carro tremer na mesma frequência da nossa adrenalina. ​Na entrada principal do morro, a barricada de contenção estava montada. Dois caras armados e usando rádios transmissores presos ao peito fizeram sinal claro com as mãos para o motorista encostar o veículo. PK, um dos vapores mais conhecidos do lugar, encostou o corpo na porta do passageiro, debruçando-se na janela abaixada com aquele seu jeito folgado, abusado e debochado de sempre. ​— O que vocês estão fazendo aqui uma hora dessas? — perguntou ele, encarando a gente no banco de trás com um sorriso torto no rosto. ​— Viemos pro baile, agora dá licença e manda liberar o caminho! — Luana respondeu na hora, sem hesitar, empurrando o braço dele para longe da janela do carro. ​— O seu primo sabe disso? — PK provocou, ajeitando o rádio no peito e olhando de Luana para mim. — Porque se o Matheus descobrir que você tá aqui solta desse jeito, vai dar r**m até pro meu lado. ​— Como se eu precisasse de autorização dele para sair de casa, né? Eu sei me cuidar muito bem! — Luana rebateu, elevando o tom de voz. ​Eu não aguentei a cena dos dois discutindo ali na barreira e caí na gargalhada com a audácia da Luana. PK olhou para mim rindo, balançou a cabeça em sinal de negação e fez um sinal claro com a mão para que os outros caras da contenção liberassem a passagem do veículo. ​O baile estava absolutamente lotado, exatamente como acontecia em todos os finais de semana de sol. A fumaça do gelo seco se misturava com as luzes coloridas e o cheiro forte de bebidas. Fomos direto para o setor do camarote VIP, onde tínhamos uma vista privilegiada de toda a pista de dança. Logo de cara, vi a Laura dançando de forma extremamente provocante para o CLJ, que assistia a tudo com um copo na mão e um sorriso satisfeito no rosto. Um pouco mais ao lado, outra menina do nosso círculo, a Juliana, se não me engano, estava confortavelmente sentada no colo do MPM, trocando beijos acalorados sem se importar com a quantidade de gente em volta. O clima do lugar estava pegando fogo. ​— Vamos dançar, deixa os outros de lado! — puxei a Luana pela mão para o meio da pista do camarote, sentindo o som pesado do grave vibrar no meu peito. ​Começamos a nos mover no ritmo da música, acompanhando as batidas marcantes do funk. Eu estava completamente entregue ao momento, de olhos fechados e me deixando levar pelo som, quando senti uma mão firme, quente e cheia de intenção pousar suavemente na minha cintura, me puxando para trás com autoridade. Virei o rosto devagar e dei de cara com o Benício, usando seu boné virado para trás e correntes de prata no pescoço. ​— Tá gostosa, hein? — ele sussurrou bem perto do meu ouvido, com sua voz grave tentando superar o som extremamente alto dos alto-falantes. ​— Querido, eu não estou gostosa. Eu sou gostosa! — respondi na mesma altura, encarando os olhos dele sem demonstrar recuo. ​Para provocá-lo ainda mais, passei as mãos lentamente pelo meu próprio corpo, marcando a renda do body sob a luz n***a da boate. Benício deu um sorriso de canto carregado de desejo, me puxou com força para colar nossos corpos sem deixar espaço e me beijou com vontade. Foi um beijo quente, intenso e sem pressa. Quando finalmente nos separamos em busca de ar, pedi encostando o dedo no peito dele: ​— Pega uma bebida para mim? Esse calor tá insuportável. ​— Já volto. Não some daqui de jeito nenhum — ele avisou, me dando um último selinho antes de sumir no meio da multidão abarrotada perto do bar. ​Ele não demorou muito e logo retornou abrindo caminho entre as pessoas, trazendo dois copos pretos acrílicos cheios de uísque com energético até a borda. Viramos tudo praticamente em um só gole, sentindo a bebida queimar a garganta e o efeito do álcool subir rápido demais para a cabeça. A partir daquele momento, a noite virou um grande borrão de luzes piscando, ritmos acelerados, copos cheios e pura adrenalina. Um cara puxou a Luana para um beijo perto das caixas de som, e Benício fez o mesmo comigo, me prensando com firmeza contra a grade de proteção do camarote. ​04:15 da manhã ​Saímos do baile completamente exaustas, com as pernas pesadas pelo cansaço de ter dançado a noite inteira sem parar. Fomos direto para a casa da Luana, que era muito mais perto do que tentar voltar para a minha no asfalto àquela hora. m*l cruzamos a porta do quarto dela, jogamos as bolsas de qualquer jeito no chão e nos jogamos na cama de casal do jeito que está tínhamos saído da festa, apagando quase que instantaneamente em um sono profundo e pesado. ​Segunda-feira, 13:45 ​Acordei com a cabeça pesada, latejando de dor, e a luz forte da tarde atravessando a cortina e queimando meus olhos. Arrastei-me para fora da cama e fui ao banheiro a passos lentos, jogando água gelada no rosto para tentar me recuperar. Encarei o espelho e vi minha maquiagem toda borrada da noite anterior. Quando voltei para o quarto, vi que Luana ainda estava no quinto sono, completamente apagada na cama de barriga para baixo. Peguei meus sapatos na mão para não fazer nenhum barulho e desci as escadas devagar, ligando para o meu motorista particular vir me buscar na entrada do morro. ​O caminho a pé da casa da Luana até a barreira principal da comunidade era consideravelmente longo. Descer aquela ladeira íngreme sob o sol forte da tarde, meio tonta e com uma ressaca acumulada no corpo, definitivamente não era minha atividade favorita no mundo, mas eu já estava acostumada com a rotina do morro e fui descendo no automático. ​Quando finalmente cheguei lá embaixo, o PK ainda estava de plantão na contenção, sentado confortavelmente numa cadeira de fio com um copo de café na mão. Assim que me viu descendo a ladeira com aquela cara amassada de ressaca, ele me olhou de cima a baixo e abriu um sorriso provocante de canto a canto. ​— A festa rendeu, hein, Geovanna? Olha a sua cara de acabada! — ele começou a rir alto da minha cara, chamando a atenção do outro vapor que estava ao seu lado. ​— i****a! — respondi sem hesitar, mostrando o dedo do meio para ele no mesmo instante, retribuindo o carinho e a provocação da recepção. ​O carro do meu motorista já estava me esperando encostado na calçada, com o ar-condicionado no máximo. Entrei no banco de trás, relaxei meu corpo no banco de couro confortável e o motorista seguiu viagem em direção à minha casa no asfalto. Assim que cheguei na minha residência silenciosa, só tive forças para subir até o meu quarto, tomar um banho demorado em água morna para tirar o cansaço do corpo, vestir meu pijama de manga longa bem macio e me jogar na minha cama. Fechei os olhos e apaguei no mesmo segundo, pronta para recuperar as energias.

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