Aneliese Moore ● O relógio na tela do computador marca 18h20. A segunda-feira se arrasta como um trem enferrujado nos trilhos — lenta, barulhenta, mas de algum modo produtiva. Um dia que misturou exaustão e pequenas vitórias, e, claro, o ponto alto: aquele breve momento de provocação na sala do senhor Blake. Foi divertido, eu posso admitir. Um jogo silencioso de palavras e olhares, uma faísca discreta entre o que é permitido e o que beira o proibido. Jogar sem ultrapassar os limites tornou-se minha especialidade — e confesso, é uma arte que exige controle. Espreguiço-me na cadeira, tentando reunir a coragem necessária para o que vem a seguir. Sim, coragem. Porque, como passei o domingo quase todo na casa do senhor Blake resolvendo pendências e não almocei com meus pais, eles decidiram

