Ando por um corredor frio e pouco iluminado sem saber aonde estou nem para onde vou.
As paredes e o chão são feitos de pedras frias e meu pés descalços, doem quando entram em contado com elas.
Vejo uma grande porta de madeira ao longe e quando ela se abre, uma grande luz ilumina todo o comodo. Tento ir em sua direção, mas quanto mais eu corro, mais a porta se distancia. Estou prestes a desistir quando uma voz conhecida ecoa pelas paredes.
_ só mais um pouco meu amor.
_ mãe.- chamo seus nome, mas não tenho resposta alguma.
Tento mais uma vez correr em direção a porta, mas a cada passo que dou mais a porta se distância.
_ só mais um pouco meu amor. Você consegue.- escuto a voz da minha mãe mais uma vez, mas antes que eu possa voltar a correr sinto alguém tocar em mim.
Olho para trás e vejo Philip sorrindo para mim. Seus sorriso é tranquilo e cheio de amor.
_ vem comigo.- ele fala se aproximando e segurando em minha mão.- eu te amo.
As palavras dele me envolvem e eu me deixo ser levada de volta pelo corredor, que a cada passo parece mais escuro.
_ eu tenho que encontrar minha mãe.- falo com ele enquanto andamos.
_ Seus lugar é comigo. - sua voz fria me faz parar em meio a escuridão e uma sensação estranha me domina, medo. Não consigo mais ver seus rosto e uma angústia toma conta de mim.
_ eu preciso ver a minha mãe.- falo e minha voz mais parece um sussurro.
_ ela está bem. Você não confia em mim? - sua pergunta ressoa pelas paredes de maneira sombria, então todas as lembranças daquele dia infernal me atingem e eu começo a chorar compulsivamente.
_ não.
Corro na direção oposta a dele chamando desesperadamente por minha mãe, mas não consigo mais ouvi-la. A porta de madeira não está mais lá, nem a luz, nem a voz....
_MÃE....- grito e minha voz ecoa por todos os lados.
_ MÃE....
▪️▪️▪️
_MÃE! - sento na cama desespera. As lágrimas descem livremente pelo meu rosto e meu choro agudo pode ser ouvido a distância.
_ Ami....- Luna entra em meu quarto e me abraça apertado, ela provavelmente me ouviu gritar. - vai ficar tudo bem. Eu estou aqui com você.- o carinho e companheirismo dela me acalmam e eu respiro um pouco mais aliviada. Mesmo estando totalmente destruída por dentro, eu não estou sozinha, tenho pessoas que me amam e estão ao meu lado.
_ eu tive um pesadelo h******l Lu.- falo me desfazendo de seu abraço e deitando a cabeça em seus colo.
_ quer me contar com o que sonhou? - ela pergunta enquanto afaga meu cabelo.
_ eu não quero mais lembrar.- falo enquanto as imagens do meu pesadelo se repetem incessantemente em minha cabeça, assim como tudo o que me aconteceu nesses últimos dois dias.
Eu o escolhi.... Apesar de saber desde o início que não daria certo, eu ainda o escolhi. Me arrisquei e deixei que palavras bonitas me enganassem.
Eu a abandonei.... Não estava com ela quando ela mais precisou de mim. Eu troquei um amor de verdade, por um mar de mentiras e nunca vou me perdoar por isso.
_ o Afonso está cuidando dos trâmites legais para o velório.- ela fala de maneira calma e eu apenas balanço a cabeça positivamente.
_ fico feliz por ter vocês por perto.- falo em um sussurro.
_ você é minha melhor amiga e minha única família. Eu jamais te deixaria na mão em um momento como esse, além do mais eu me sinto parte responsável no que aconteceu e não vou descansar enquanto aquele traste do Ector não estiver atrás das grades, junto com aquele desgraçado do pai dele.
_ você tem que parar de se responsabilizar pelos erros dos outros.- falo com ela como se eu não fosse exatamente assim.
_ Afonso disse o mesmo, ele está me ajudando a conseguir um psicólogo. Talvez uma ajuda profissional seja do que eu preciso. Acho que você deveria fazer o mesmo.- ela fala parando de me fazer cafuné.
_ você e o Afonso parecem bem próximos.- tento mudar de assunto.
_ não mude de assunto Amy. Você passou por coisas de mais, e não venha tentar me convencer que o fato de você ter voltado sozinha foi mera consciência.
_ eu não quero falar sobre isso.- me levanto de seu colo e me sento na cama.
_ e eu não vou te forçar a falar comigo, mas eu acho que você deveria falar com alguém.
Ela se levanta da cama assim que escutamos a campainha tocar e em pouco tempo Afonso já estava entrando em meu quarto.
_ como você está? - ele me pergunta enquanto se senta ao meu lado.
_ eu estou péssima.- falo com um pequeno sorriso - mas vou melhorar.
_ eu sei que vai, e nós vamos estar com você.
▪️▪️▪️
O sol estava se pondo quando finalmente entramos no cemitério. Amigos e parentes compareceram em peso, para se despedir da melhor pessoa que eu conheci na vida.
Luna e eu acompanhamos o cortejo de braços dados, enquanto alguns amigos levavam o caixão branco, em completo silêncio.
Assisto enquanto o caixão e colocado na cova e antes de ser baixado, Luna me incentiva a dizer algumas palavras.
_ minha mãe sempre foi uma mulher forte. Apesar de todas as desventuras que a vida lhe proporcionou, ela sempre tinha uma palavra amiga e um sorriso no rosto. Ela foi a única capaz de ver mas em mim, uma menininha abandonada pela vida, e se hoje eu sou a melhor versão de mim mesma é porque ela esteve sempre ao meu lado.
Eu sentirei muito sua falta....
Meus olhos estava em lágrimas de novo e quando o caixão começou a ser decido eu senti como se parte de mim fosse com ela. Eu jamais serei a mesma.
_ A Dora.- jogo minha rosa sobre o caixão.
_ A Dora!
▪️▪️▪️
Entro em nossa casa, sentindo aquela mesma sensação de vazio que senti essa manhã. Estou esgotada, mas sei que não conseguirei dormir, não com a possibilidade de voltar a ter aquele sonho novamente.
_ Amy, - olho para trás ainda desnorteada e encontro Afonso parado atrás de mim.- sei que essa não é a melhor hora para termos essa conversa, mas eu jurei para mim mesmo que assim que você voltasse eu te revelaria toda a verdade e eu não consigo mais guardar isso para mim.
As palavras dele se embolam em minha mente cansada, mas eu me forço a entender e me focar no que ele tem a dizer.
_ contar a verdade? Do que você está falando? - pergunto enquanto me sento no sofá e o vejo fazer o mesmo.
_ eu não fui totalmente sincero quanto aos meus motivos para te dar o flor da manhã.- suas palavras deveriam me surpreender, mas estou cansada de mais para isso. - quando te vi aquele dia, eu sabia que tinha encontrado a pessoa que minha mãe passou grande parte da vida procurando, e quando você saiu correndo eu precisava conseguir um jeito de te fazer ficar, ao menos até que eu tivesse a certeza.
_ Afonso você não está dizendo coisa com coisa e eu já estou ficando preocupada com você.
_ isso vai fazer com que você entenda.- ele me entrega um envelope branco e eu o pego de sua mão ainda confusa.
Abro o envelope e tiro de dentro uma folha com o nome de um laboratório escrito, mas o que me chama a atenção e uma foto que está por baixo. Viro a foto e eu não sei o que fazer, estou totalmente em choque e sem reação.
_ esse sou eu e a minha mãe.