Cidade Grande
Cap 1
Como combinado encontro Jenny no Aeroporto, fico maravilhada com a cidade de São Paulo. Jenny não mudou nada, permaneceu com seus cabelos ruivos, ainda está magra, pele clara e com pequenas sarnas na bochecas. Ela é o tipo de amiga extorvertida, ela fala o que pensa, e consegue me fazer rir nos piores momentos, somos como irmãs.
Crescemos juntas em Santa Catarina, minha Cidade Natal. Nosso sonho sempre foi vir para a cidade grande e ser uma profissional reconhecida. Jenny é formada em Administração, conseguiu uma boa vaga em uma empresa multinacional em São Paulo tem dois anos e agora vai viajar a trabalho para os Estados Unidos, e me ofereceu seu apartamento para ficar durante esse tempo que ela vai passar fora.
- Ayla fico tão feliz em ter você aqui! - Jenny me abraça.
-Eu também, senti saudade.
-Você vai amar o apartamento, me sinto tão aliviada em ter alguém de minha confiança para cuidar dele, durante esse ano que vou passar fora.
- Fico feliz por ter me oferecido, prometo cuidar dele como se fosse meu.
-Eu sei que você vai cuidar bem dele, sinto muito não poder ficar e curtir com você sua conquista. Mas prometo que assim que voltar vamos comemorar.
-Se você não conhecer nenhum gringo e me abandonar de vez. -Brinco.
-Não posso prometer nada. -Ela entra na minha.
-Mas sério, estou muito orgulhosa de você. -Digo a abraçando.
-Eu também estou de você, só sinto pena de você, por ter que aturar Victor.
-Eu admiro muito a senhora Joana e sou muito grata pela oportunidade que ela me ofereceu, mas não sei como vai ser trabalhar com seu filho.
-Ele é o maior galinha da cidade, só tenha cuidado com ele.
-Pode deixar.
- E os seus pais?
-Os dois estão triste com minha partida, eu era a única que tinha sobrado depois de Pamela seguir carreira de modelo.
-Pamela ainda não voltou de viagem?
-Está em um ensaio fotográfico no Rio, pelo menos foi o que ela disse aos meus pais da última vez que ligou.
-Vi alguns outdoor dela em São Paulo, mas soube que a carreira dela não anda muito bem.
-Você sabe que não nos falamos desde o ocorrido. E não sigo a carreira dela, tudo que sei é o que meus pais contam, sem eu pedir.
-Desculpa, sei que ainda fica triste com o que aconteceu.
-Bom, estou tentando deixar no passado. Ela é minha irmã e eu já tentei o que pude, apesar de ser a única prejudicada. Ela decidiu me excluir da vida dela, então não posso fazer nada.
-Você está certa.
-Agora você pode me levar a todos os lugares que você conhece nessa cidade.
-Tem algum em especial que queira conhecer?
- Claro, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, ele foi projetado pela Lina Bo Bardi. Ela uma das mais genias arquitetas da história da edição moderna no Brasil. -Falo empolgada.
-Quanta empolgação. -Jenny fala rindo. - Vamos para casa guardar essas malas e depois damos um passeio.
-Deixa eu chamar um uber. -Digo pegando meu telefone e abrindo o aplicativo.
-Estou com o carro da empresa, não precisa.
Chegando no apartamento levo minhas malas para o quarto de hóspede, tomo um banho e me arrumo para sair com Jenny, já pronta espero por ela na sala.
-Você não mudou nada. -Falo assim que avisto Jenny.
-O que? - Ela diz finjindo desentendimento. -Nem demorei tanto.
- Vamos antes que o Museu feche. - Falo zombando.
-Mas ainda são uma da tarde.
- Estou brincando. -Digo rindo. -Vamos que estou com fome e ainda temos que parar para almoçar.
Jenny me leva para conhecer todos os pontos turísticos e um em especial que queria conhecer o famoso museu de São Paulo, aproveitamos bastante o dia e por fim voltamos para o apartamento.
-Estou exausta! -Digo ao me sentar após o banho.
-Você vai sair com essa roupa?
-Nem vem Jenny, amanhã você tem que sair cedo e você sabe que não curto sair.
-Coê Ayla, temos que comemorar e faz tempo que não nos vemos.
-Eu sei, mas podemos comemorar quando você voltar.
-Vai levar 1 ou 2 anos para minha volta, você quer mesmo esperar?
-Tá bom, onde vamos? -Digo me levantando.
-Você vai com isso? -Ela aponta para minha roupa.
-Qual o problema da minha roupa?
-Tudo, vamos que vou te ajudar a se vestir.
-Não posso argumentar, fazer o que.
Jenny me leva para um barzinho proximo ao apartamento, é um ambiente tranquilo. Tem Karaokê ao vivo, tem um grupo de três garotas cantando juntas.
-Nem invente que não vou subir lá.
-Vamos amiga, vai ser divertido. -Ela diz animada.
-Jenny eu sou a pessoa mais vergonhosa que você conhece. -Digo em minha defesa. -Não sei como passou pela sua cabeça eu subir ali. -Digo apontando para palco.
-Amiga você canta bem, até melhor que eu.
-Só se for no chuveiro.
-Já coloquei nossos nomes.
-Você não colocou, você nem levantou.
-Eu conheço o Dono do bar e bastou uma mensagem. -Ela diz mostrando o telefone.
Nesse momento somos anunciadas, eu tento correr. Mas Jenny me puxa para o palco, ela escolhe a música Count On Me do
Bruno Mars.