Capítulo 5 - Semente plantada.

1276 Words
Murilo Costa Cheguei ao bar e olhei ao redor. Não era um lugar sofisticado, mas tinha seu charme. O som da música ao vivo preenchia o ambiente, misturado ao burburinho de vozes e risadas. Não demorou muito para eu encontrá-la. Luana estava sentada em uma mesa com mais duas mulheres, provavelmente amigas dela. Elas riam e conversavam, e Luana estava ainda mais atraente ao vivo do que nas fotos. A saia curta realçava suas pernas, e a blusa tomara-que-caia destacava a pele bronzeada e as tatuagens espalhadas pelo corpo. Escolhi uma mesa próxima, mas não tão perto a ponto de parecer óbvio. Pedi uma cerveja, mantendo a postura tranquila enquanto sentava de frente para elas. Só então percebi que minha presença já tinha sido notada. Senti o olhar de Luana e das amigas. Continuei mexendo no celular, fingindo naturalidade, mas sabia que estava sendo observado. De vez em quando, arriscava levantar os olhos na direção dela, e era impossível não perceber o olhar dela cruzando com o meu. A princípio, era uma troca breve, quase inocente, mas aos poucos foi ganhando intensidade. Eu sabia quando alguém estava interessado, e Luana parecia curiosa. Por um momento, pensei que talvez estivesse sendo precipitado, mas aí ela jogou o cabelo para o lado e ajeitou a postura, claramente consciente de que eu estava olhando. Não precisei de muito para entender o recado. Então, resolvi entrar no jogo. Peguei a cerveja e dei um gole, ainda fingindo mexer no celular, mas, dessa vez, levantei os olhos direto para ela. O contato foi direto, e o canto da boca dela se curvou em um pequeno sorriso. Flertar de longe parecia ser algo natural para ela. Mantive minha expressão séria, mas permiti que meus olhos falassem mais do que minha postura. As amigas dela começaram a cochichar, rindo discretamente, enquanto Luana continuava com aquele olhar que parecia atravessar qualquer armadura. A situação estava indo bem, mas era o tipo de jogo que exigia paciência. Eu não podia parecer apressado, e muito menos suspeito. Enquanto tomava outro gole, meus pensamentos eram interrompidos pelo som da música ao vivo. A cada troca de olhares, o flerte ficava mais evidente, e eu já podia imaginar como seria o próximo passo. Mas precisava agir com cuidado. Essa era só a primeira jogada, e o jogo estava apenas começando. Saí da mesa depois de um tempo, mantendo a postura casual. Não queria parecer que estava ali só para chamar atenção dela, mas também precisava sair daquele jogo de olhares antes que virasse um espetáculo para as amigas. Caminhei até o banheiro, passando por entre as mesas e a música alta. No fundo, minha mente trabalhava nos próximos passos. No banheiro, lavei o rosto rapidamente, tentando manter a cabeça no lugar. Esse não era meu estilo habitual: flertar num bar e seguir o momento. Meu foco sempre foi direto nos objetivos, sem distrações, mas algo em Luana me fazia querer ir além do planejado. Enquanto saía do banheiro, dei de cara com alguém vindo apressado pela entrada. O esbarrão foi inevitável. Minhas mãos foram direto para a cintura dela para evitar que ela caísse, e quando levantei o olhar, lá estava ela. Luana. A proximidade revelou ainda mais detalhes: o perfume marcante, o brilho dos olhos dela, que agora me encaravam diretamente, e o leve sorriso no canto da boca. — Tá com pressa ou queria cair direto nos meus braços? — soltei, deixando o tom provocativo escapar sem esforço. Ela riu de leve, ajeitando os cabelos que haviam caído sobre o rosto. — Tu que não tava olhando por onde andava, não vou te dar esse crédito todo. O tom dela tinha uma mistura de desafio e diversão que era impossível ignorar. Sorri de lado, mantendo as mãos na cintura dela por um segundo a mais do que o necessário antes de soltá-la. — Sempre gostei de encontros inesperados. Às vezes, podem levar a... coisas interessantes. Ela arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços, mas sem sair do lugar. — Ah é? Que tipo de coisas? A provocação dela era clara, e eu estava pronto para subir o tom. Dei um passo mais próximo, olhando diretamente nos olhos dela. — Acho que tu tá ligada na resposta. Ou não tá? O sorriso dela aumentou, e o olhar ficou ainda mais penetrante. Era como se ela estivesse esperando eu dizer aquilo. — E se eu tiver? — ela respondeu, o tom ousado, mas com uma ponta de curiosidade. Eu não ia perder a oportunidade. Inclinei um pouco a cabeça, deixando a voz mais baixa, mas carregada de intenção. — Então, só falta tu responder se a gente vai terminar esse jogo agora... ou depois. Ela hesitou por um segundo, mas não de um jeito inseguro. Parecia mais uma decisão calculada, como se estivesse pesando o risco e a recompensa. Então, com um sorriso ainda mais largo, ela respondeu: — Agora, né? Pra quê perder tempo? Sem pensar duas vezes, me aproximei mais, encurtando a distância. Minha mão foi para a nuca dela enquanto nossos lábios se encontravam em um beijo intenso. Não era apenas um toque; era firme, dominante, como eu gostava. Ela correspondeu sem hesitar, com a mesma intensidade, se entregando ao momento. Luana tinha um gosto envolvente, algo que combinava com a energia que ela exalava. Minhas mãos exploraram sua cintura enquanto o beijo continuava, quente e cheio de química. Ela, por sua vez, pareceu gostar do domínio que eu exerci, porque se aproximou ainda mais, deixando claro que não era de recuar. Quando o beijo terminou, nossas respirações estavam descompassadas, e nossos rostos ainda estavam próximos. — Acho que encontro inesperado foi pouco pra descrever isso — brinquei, ainda segurando a cintura dela. Ela riu, com um brilho nos olhos. — Pois é. Mas parece que tu gosta de esbarrar em problemas. — Só os problemas foram atraentes. — Sorri, sem tirar os olhos dos dela. Naquele momento, eu sabia que estava no caminho certo. Ela ajeitou a blusa com as mãos e, ainda com um sorriso no rosto, perguntou: — E aí, tu costuma vir muito aqui ou foi só sorte minha hoje? Pensei rápido. Não podia entregar muito sobre mim, então optei por uma resposta casual. — Só nos fins de semana, quando dá pra relaxar a cabeça. Hoje foi um desses dias raros. Ela sorriu, claramente achando graça na minha resposta. — Então, quem sabe a gente não se esbarra de novo qualquer dia? Dei de ombros, mantendo o tom descontraído. — Quem sabe... Talvez eu até comece a aparecer mais por aqui. Ela riu e, com um último olhar, se afastou, indo em direção ao bar. Eu fiquei parado por alguns segundos, observando-a se movimentar com a confiança que parecia natural nela. Ela não era só bonita; tinha algo magnético, e isso me fazia querer continuar jogando. Voltei para a minha mesa e pedi mais duas cervejas. Não tinha pressa em sair dali. O beijo ainda estava na minha cabeça, e toda a situação começava a me parecer menos estratégica e mais interessante do que deveria. Enquanto terminava a segunda garrafa, dei uma última olhada em Luana, que agora conversava animadamente com as amigas perto do balcão. Antes de ir, deixei uma boa gorjeta na mesa e caminhei até a saída, mas não sem olhar para ela mais uma vez. Luana estava de costas, mas parecia sentir meu olhar, porque virou a cabeça levemente na minha direção, como se soubesse que eu estava indo embora. Saí com um meio sorriso, mantendo o flerte no ar. Já tinha plantado a semente. Agora, era questão de tempo e estratégia para dar os próximos passos.
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