Capítulo 6 – Prazer e Penitência

964 Words
Noah Eu disse que ia esperar. Eu menti. Não existe depois no mundo em que vivemos. Não quando o céu queima a pele. Não quando um passo errado pode te colocar diante de uma emboscada. Não quando a mulher que você tentou esquecer por anos te olha como se fosse o último homem na Terra... e, mesmo assim, ainda te escolhe. Lia está diante de mim, com o cabelo solto em ondas desordenadas, os olhos queimando promessas e feridas, o peito arfando com algo que não é medo — é desejo. Por mim. Pelo homem que nunca soube amar direito. E agora ela está aqui. Esperando que eu a toque como se merecesse. Não mereço. Mas mesmo assim... eu toco. Meus dedos encontram o rosto dela, traçam o contorno da bochecha, da mandíbula, da curva do pescoço. Cada traço dela é uma cicatriz aberta dentro de mim. Uma lembrança do que eu nunca deveria ter desejado... mas desejei. Todos os dias. Todos os malditos dias. Ela fecha os olhos e suspira quando meus lábios tocam a clavícula dela. A pele é quente, viva, delicada. Um contraste violento com a dureza das minhas mãos, dos meus pensamentos, da minha alma. — Noah... — ela sussurra. Esse som. O meu nome, nos lábios dela. Não existe arma mais letal. Eu a empurro levemente contra a parede do quarto improvisado da casa onde nos refugiamos. A estrutura ainda resiste — assim como ela. Mas eu sei que estamos à beira de ruir. Minhas mãos descem pelo corpo dela. Lentamente. Como se estivessem aprendendo um idioma novo. A camiseta que ela veste é fina. Quase transparente com a umidade da tempestade. Puxo com cuidado, mas não com doçura. Não há espaço para doçura aqui. Ela ergue os braços e a peça se vai. Fico imóvel por um segundo. O tempo para. A visão dela — pele clara marcada por pequenos hematomas do mundo, s***s firmes, os m*****s duros com o frio ou com o desejo (talvez ambos) — me desmonta. — Você é real. — murmuro, mais pra mim do que pra ela. — Toca em mim, Noah. Não pense. Só... toca. E eu obedeço. Deslizo as mãos por seus braços, costas, cintura. Minha boca segue o caminho do abdômen até o centro dela. O gosto é salgado. Humano. Necessário. Ela geme baixo, arqueando o corpo contra o meu toque. Eu devoro cada som. Cada estremecer. Cada pedido silencioso. Me ajoelho diante dela, puxando a calça pelos quadris, e quando a boca encontra sua pele, ela grita meu nome com a urgência de quem está morrendo — e renascendo. Minutos se tornam eternos. Minha língua aprende os ritmos do corpo dela com precisão de quem estudou isso por anos em pensamento. E talvez eu tenha. — Noah, eu... — ela tenta falar, mas eu não deixo. Pressiono os dedos nas coxas dela, segurando-a firme enquanto a língua dança sobre o ponto exato que faz o corpo dela estremecer. Ela goza com a cabeça encostada na parede, os olhos fechados, os lábios entreabertos e as mãos em punhos. A visão me quebra. Me eleva. E me condena. Eu me levanto. Ela ainda está sem fôlego. A pele ruborizada, os s***s subindo e descendo com a respiração pesada. Olha pra mim como se eu fosse a única coisa que ainda faz sentido. — Agora é você — ela diz. — Não. — minha voz é grave, rouca. — Isso não é sobre mim. — Mas eu quero. Ela se aproxima. Toca minha camiseta. Começa a tirar. Eu deixo. Quando a peça cai, o silêncio entre nós muda. Ela vê. As marcas. As cicatrizes. As tatuagens tortas feitas com tinta de caneta e agulha suja nas celas improvisadas dos Barracos. Cada linha uma morte. Cada ponto, uma promessa quebrada. Ela desliza os dedos por elas. E eu quase recuo. Mas fico. Porque ela não para. Ela não julga. Ela aceita. — Você é lindo. — ela sussurra. Não. Eu sou feio por dentro. Mas ela não vê isso agora. Ou vê... e ainda assim, fica. Ela desabotoa minha calça. Me livra da última barreira. E quando me toca, o mundo desaparece. Minhas mãos a puxam de volta pra mim. A boca dela encontra a minha e o beijo agora é selvagem. Sem controle. Sem espaço para hesitação. A deito sobre o colchão fino. Me posiciono entre suas pernas. Olho em seus olhos. — Tem certeza? — Eu esperei por isso por anos, Noah. Entro nela com um só movimento. Lento. Profundo. E tudo o que sou se perde dentro dela. A sensação é crua. Bruta. É como voltar à vida com dor e prazer ao mesmo tempo. Ela me envolve com as pernas. Os quadris seguem o ritmo que construímos juntos — sem pressa. Sem pudor. Somos dois sobreviventes tentando encontrar humanidade na única coisa que ainda resta: o toque. Ela geme o meu nome. Uma, duas, três vezes. Eu grito o dela quando venho, enterrado até o fim, tremendo como se tivesse cruzado um campo de batalha. Desabo sobre ela. Mas é aí que tudo desmorona. Porque não é só prazer. É culpa. É amor e maldição. E eu não posso dar isso a ela. Me levanto devagar. Me visto sem olhar. Ela ainda está deitada. Observa. Sente. — Noah? — Eu preciso de ar. — Não fuja. Mas eu fujo. Mesmo sem sair do quarto. Mesmo com os pés no mesmo lugar. Eu me afasto dela com o silêncio. Com a frieza. Com a ausência de palavras que sei que ela merece. Mas não posso dar. Porque o que fizemos foi perfeito. E isso é o que me assusta. O perfeito não sobrevive ao mundo em que vivemos. E eu... Eu sou feito pra matar o que é bom.
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