2 CAPITULO

2018 Words
Por Narrador Enquanto Marcela estava se preparando para voltar ao Brasil, na sala da presidência da MR serviços e consultorias ambientais, Renata estava tentando acalmar pela milésima vez uma Hanna que não parava de andar de um lado para o outro. – Calma, Hanna. Daqui a pouco você vai abrir um buraco no chão de tanto que você roda nessa sala. Sente-se! A mais valha apontava para a cadeira a sua frente enquanto a mais nova apenas a obedeceu. – Como assim ela está voltando? Por que você só me conta isso agora? – Hanna mau conseguia respirar. – Hanna, eu não conversei antes com você porque eu não tinha certeza qual seria a resposta da Marcela, ela só mandou mensagem ontem à noite me informando sobre o seu retorno. Renata viu a mais nova suspirar pesadamente e ficou penalizada com a sua situação. – Ela sabe... – Hanna começou falar pausadamente. – Digo, ela sabe que sou a nova responsável pelo departamento Jurídico? – Não! – A resposta de Renata fez com que Hanna se assustasse ainda mais – você sabe que esse assunto é delicado e que Marcela jamais aceitaria voltar ao Brasil e assumir essa empresa se soubesse, porém, já passou da hora de vocês superarem isso e agirem como duas adultas. – Você só pode estar louca! Você não percebe o que vai acontecer quando ela souber? Essa empresa vai ser colocada a baixo. Por Deus, Renata, ela sendo presidente eu vou trabalhar diretamente com ela. A mulher colocava a mão na cabeça em desespero enquanto Renata apenas olhava sem ter muita certeza o que falar. – Eu sei perfeitamente disso, mas também sei que ela é responsável e madura o suficiente para saber separar o pessoal do profissional. Renata não estava nada certa das suas palavras, mas queria acreditar que aquela empresa não iria virar um campo de guerra. – Olha Hanna, o tempo passou e vocês mudaram. Infelizmente você aprendeu e amadureceu da pior forma possível, mas eu confio que você vai fazer tudo certo dessa vez, além disso, você já a superou, certo? – Nesses cinco anos ela não quis saber nada sobre mim e vocês não contaram nada do que aconteceu comigo para ela, mas eu sempre soube tudo sobre ela. Sempre soube o quanto ela me odiava e queria-me longe, mas nem isso me fez deixar de amá-la. Se eu resolvi não procurá-la foi por amor a ela e por não querer vê-la sofrer. Lágrimas escorreram pelo o rosto de Hanna ao lembrar o quanto precisou ser forte para desistir do amor que sentia e não ir atrás de Marcela. Ela havia se arrependido de tudo que fez a outra, mas percebeu tarde demais. – Eu sinto muito pela forma como tudo aconteceu Hanna, eu sei e vi o quanto você sofreu durante esses anos. Não posso dizer que vocês vão voltar a ficar juntas e nem que você pode consertar o que fez no passado, mas quem sabe esse retorno não te dê a oportunidade de fazer um presente diferente? A mais nova limpava algumas lágrimas quando viu a sua irmã entrar na sala sem ao menos bater a porta. – Qual é Micaela, ficou m*l educada agora? – Renata repreendeu a amiga que ao menos se deu o trabalho de ouvi-la. – Então quer dizer que é verdade, Marcela está voltando?! Renata não sabia muito bem se aquilo era uma pergunta ou afirmação. A Prado mais velha falava enquanto encarava a irmã que ainda estava chorando. Depois daquela cena que presenciou na casa de praia há cinco anos, Hanna contou para a irmã sobre todo o envolvimento entre ela e sua amiga e obviamente Micaela estava transtornada com o fato de imaginar o quanto a irmã havia machucado sua amiga. Tudo aquilo resultou que as duas irmãs se afastassem por um bom tempo, mas o destino foi c***l com Hanna e sua família e amigas foram quem sempre estiveram ao seu lado para ajudá-la a superar cada momento difícil. Agora Micaela estava ali preocupada com a irmã, porque sabia que a volta de Marcela lhe traria dores de cabeça e sofrimento, na verdade, Micaela temia pelas duas mulheres com essa reaproximação. – Sim, é verdade! – Renata falou paciente enquanto observava a amiga sentando ao lado da irmã – Aliás, ela está chegando ainda hoje, o que me lembra do favor que preciso que você faça Micaela. – A outra olhou para Renata interrogativa. – Eu tenho uma reunião agora e não posso ir esperá-la. Conto com você para ir buscá-la, ela não está com carro aqui e pediu para uma de nós ir. Micaela assentiu positivamente e voltou olhar para a irmã. – Ei, você está bem? – Era percetível a preocupação na pergunta de Micaela. – Eu vou ficar! – Hanna parecia mais tranquila. – Talvez eu sempre soubesse que isso iria acabar acontecendo em algum momento. – Certo, mas qualquer coisa, estou aqui. Você sabe disso, não sabe? – Eu sei! Agora vai buscá-la porque ela odeia esperar e vai ficar uma fera se alguém não estiver lá. – Engraçado como você se preocupa com ela, eu realmente não consigo entender o porquê você deixou-a escapar. Micaela tentou não ser rude em suas palavras, não era sua intenção acusar a irmã, mas ela sempre achou Hanna covarde por não lutar pela pessoa que amava. – Há, Mica. Só uma coisa... – Renata parecia preocupada com a reação da sua amiga quando ouvisse o que ela estava prestes a falar – A Marcela ainda não sabe que a Hanna é nossa nova responsável pelo setor jurídico, então deixa que eu falo com ela pessoalmente, por favor. – Você só pode está de brincadeira. Você ficou louca, Renata? Quer destruir essa empresa que vocês construíram com tanto sacrifício? Você está consciente que ela vai derrubar esse local antes que você consiga controlar a situação? – Só deixa comigo que eu dobro a fera. – Ok, só me avisa quando for contar para ela, quem sabe assim eu tenha tempo para pelo menos evacuar os funcionários, caso contrário vocês vão ficar falidas com o tanto de indenização que vão precisar pagar. – Não brinca com isso Micaela. – Hanna repreendeu a irmã. – Olha maninha, se não fosse tão trágica a situação eu pegaria pipoca e refrigerante para ver as próximas cenas dessa novela. Micaela lançou um olhar debochado para a mais nova que a fuzilou. – Micaela vai logo para o aeroporto! – Renata mandou a mais velha sair da sala antes que as irmãs começassem uma briga ali na sua sala. Algum tempo depois Micaela só faltava correr pelo, o aeroporto, pois o trânsito de Fortaleza estava um caos e ela acabou atrasando mais do que pretendia, ela sabia que a sua amiga odiava esperar, então a essa altura ela estava ferrada nas mãos de Marcela. A mulher olhou no painel e viu que o voo já havia aterrizado, ela olhou por todos os lados e nada de ver Marcela, até que finalmente sentiu alguém tapando seus olhos e falando... – Parece que tem alguém que está muito atrasada. A mais velha abraçou a amiga que não via há algum tempo. Apesar da distância Marcela sempre fez questão de manter contato com todas as amigas e buscar ser o mais presente possível, as conversas por internet sempre eram agradáveis até que por alguma razão surgisse o nome de Hanna e o clima ficasse pesado, mas com o tempo todas buscavam não deixar que isso acontecesse. Micaela não poderia negar que apesar de está com medo do que aconteceria com aquele retorno, também estava muito feliz de ter a amiga ali de volta, e dessa vez para ficar. – Desculpa pelo atraso Marcela, mas o trânsito dessa cidade atrapalhou-me. Faz muito tempo que chegou? – Não muito! Aproveitei sua demora e fui à loja comprar um chip local para o meu celular. E então, cadê a Renata e a Daniela? Eu achava que teria uma recepção mais calorosa. – Elas precisaram ficar na empresa porque tinham uma reunião. Há fala sério, apenas minha presença não te basta não? – Micaela tentava descontrair. – Então quer dizer que só você não trabalha naquela empresa? Sinto que terei muito trabalho naquele lugar. – Marcela falava de maneira divertida enquanto começaram andar pelo aeroporto em direção à saída. – E Sim, a sua presença é ótima, mas eu estou morrendo de saudades daquelas loucas. – Você me respeita Bettencourt! Se brincar eu sou a que mais trabalha naquele lugar, e vamos embora antes que eu te ponha em um avião de volta para Portugal, você voltou muito metida. Elas riam da implicância uma com a outra. As duas amigas seguiram em direção ao carro, ambas estavam felizes por estarem juntas novamente, mas no fundo um assunto incomum deixava as duas tensas com a possibilidade de a qualquer momento surgir aquele nome proibido. – E então, onde te deixo? – Pode seguir para a casa dos meus pais, por enquanto vou precisar ficar por lá, mas pretendo conseguir um apartamento para mim o quanto antes. – Então você realmente vai ficar?! – Isso é uma pergunta ou afirmação? – Talvez um pouco dos dois. – Micaela olhou para Marcela que ficou séria. – Eu estou feliz com seu retorno. – Eu vou ficar, Mica. Renata está para casar e precisa de um tempo para organizar tudo e já estava na hora que eu assumisse com minhas responsabilidades sem deixar que nada e nem ninguém atrapalhem. Micaela analisou a amiga e percebeu o quanto Marcela estava mudada, não apenas fisicamente, mas havia se tornado uma mulher madura, séria e fria. Fazendo essa observação ela chegou à conclusão que talvez sua irmã não estivesse preparada para aquela nova Marcela. – Por falar em responsabilidades, como estão as coisas na empresa? Renata me passou algumas coisas, mas não o suficiente para que eu tenha conhecimento de todas as mudanças desde a última vez que estive aqui. Ela me informou que alguns funcionários dos principais setores foram substituídos, quais foram os departamentos? Micaela não esperava por aquela pergunta e quando ela foi feita nem percebeu o que estava prestes a acontecer. A mulher freou o carro parando em cima da faixa de pedestre evitando atropelar uma senhora que estava prestes a atravessar a rua. O sinal tinha ficado vermelho sem ela esperar. – DROGA, MICAELA – Marcela gritou assustada. – Seu objetivo é nos matar ou virar assassina de velhinhas? – Desculpa Marcela, eu não vi o sinal fechando. Você está bem? Se machucou? – Sim, está tudo bem! Porque você está tão nervosa? – Marcela analisou o rosto pálido da amiga ao seu lado. – Não estou não, apenas estava distraída. Voltando a sua pergunta... Não acha que está cedo demais para se preocupar com a empresa? Você m*l chegou! – Micaela tentava desconversar daquele assunto. – Vamos, pode começar a me contar como foi esses últimos tempos em Portugal, vamos ter quantas portuguesas malucas atrás de você por aqui? – Que absurdo, eu quase nem ficava com ninguém! – Há conta outra Marcela, cada fim de semana era uma diferente. Se dedos engravidassem era capaz de você ter que pagar pensão para uma penca de filhos. – As duas sorriram. – Quantos corações você arrebentou por lá? Eu quero saber de tudo! – Micaela tentava fazer graça com a amiga que estava ficando ruborizada de vergonha. As duas continuaram conversando até chegarem à casa dos pais de Marcela. A mais velha não demorou muito na casa, pois sabia o quanto sua amiga iria precisar de tempo para acalmar sua mãe que não escondia o quanto estava morrendo de saudades. Mais tarde Marcela ligou para Renata e ficaram certas que não se encontrariam naquela noite, pois Marcela precisava descansar da viagem, mas que no outro dia estaria na empresa logo cedo, antes da reunião com todos os responsáveis pelos departamentos onde Marcela seria oficialmente apresentada como nova presidente da empresa. Renata desligou a ligação e pensou, é amanhã que eu enfrento a fera!
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