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Três Sangues, Um Destino

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Blurb

Quando o céu e o inferno se encontram, o destino exige um preço.

Ela sempre sentiu que não pertencia totalmente a este mundo. Dividida entre sombras e luz, carrega em suas veias um segredo ancestral: três sangues, uma única essência e um destino impossível de ser ignorado.

Entre um anjo marcado pela lealdade e um demônio moldado pelo fogo da rebeldia, nasce uma ligação intensa, proibida e perigosa. Não é apenas desejo — é proteção, é amor, é uma conexão que desafia leis divinas e infernais.

Enquanto forças antigas despertam e uma guerra silenciosa se aproxima, escolhas precisarão ser feitas. Amar pode significar destruir tudo. Fugir pode custar a própria alma.

Em um mundo onde nada é apenas bem ou m*l, Três Sangues, Um Destino revela que nem todo anjo busca o céu… e nem todo demônio pertence ao inferno.

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O Despertar de Selene
O céu de Londres naquela noite de outubro tinha a cor de uma ferida aberta, um roxo profundo e doentio que ameaçava desabar em tempestade a qualquer momento. Para Mim, o clima era apenas um reflexo do que eu sentia por dentro: uma pressão constante, como se meus ossos fossem feitos de vidro prestes a estilhaçar sob o peso de uma atmosfera que ninguém mais parecia notar. Apertei o passo, o som dos saltos de minha bota Ankle boot batendo contra o asfalto úmido ecoando nas paredes de tijolos escuros. O caminho de volta do trabalho através dos becos de Southwark sempre foi meu momento de introspeção, mas hoje, o silêncio parecia carregado. Havia um gosto de ozônio e eletricidade no ar que fazia os pelos de meus braços se arrepiarem. “Algo está me seguindo”, eu pensei, o coração martelando contra as costelas. Eu não olhei para trás. Sabia, por instinto, que se olhasse, daria forma ao medo que tentava ignorar. Desde criança, sentia que o mundo tinha camadas. Às vezes, pelo canto do olho, via sombras que se moviam rápido demais ou luzes que não tinham fonte. Meus pais — ou as pessoas que eu acreditava serem meus pais até a morte. Anos atrás — nunca me deram respostas. Apenas pediram que eu passasse despercebida. Que fosse invisível. Mas hoje, ser invisível não era mais uma opção. Ao dobrar a esquina de um beco sem saída, as lâmpadas de sódio acima dela piscaram violentamente antes de estourarem. O barulho dos vidros se quebrando foi como um tiro. A escuridão que se seguiu não era comum; era densa, quase palpável, como se tivesse vida própria. — Finalmente — uma voz sibilou, vinda do vazio. — O rastro ficou forte demais para esconder, pequena Nefilin. Três figuras emergiram da névoa. À primeira vista, pareciam homens vestindo roupas esfarrapadas, mas conforme se aproximavam, a ilusão de humanidade derretia. Suas peles eram acinzentadas, esticadas sobre músculos excessivos, e seus olhos não possuíam pupilas — apenas um brilho vermelho como brasas moribundas. — Nefilin? — Murmurei, recuando até que minhas costas encontrassem a parede fria e áspera. — Eu não sei do que vocês estão falando. — O cheiro... — o maior deles inspirou profundamente, as narinas dilatando de forma grotesca. — É néctar puro. O sangue do Trono de Prata misturado com a cinza do Abismo. Se bebermos apenas uma gota, seremos reis entre as legiões. O pavor começou a se transformar. No fundo da minha medula, um calor abrasador despertou. Não era o calor da febre, meu coração parecia querer sair do peito. Minhas mãos começaram a formigar. Quando o primeiro demônio saltou, Eu agi por puro reflexo. não dei um soco; só senti o som vibrar nas paredes antes mesmo de perceber que o grito tinha sido meu. Uma onda de choque invisível, carregada de uma energia antiga, atingiu o monstro em cheio. O impacto foi violento que o demônio foi lançado uns 3 metros de distância, chocando-se contra uma caçamba de ferro. Olhei para os lados, aterrorizada. As veias em meus pulsos brilhavam em um tom de ouro pálido. — O que está acontecendo comigo? — eu falei baixo para o vazio. — O despertar aconteceu — o líder dos demônios rosnou, recuperando-se e mostrando presas amareladas. — Agora, não há como esconder. Mate-na! Se o sangue cair no chão, nós o lamberemos das pedras! Os dois demônios restantes avançaram simultaneamente. Fechei meus olhos, esperando o impacto das garras. Assobio. Um som agudo, como o de um chicote cortando o ar em alta velocidade, preencheu o beco. Uma flecha de luz azul-celeste atravessou a escuridão, cravando-se com precisão cirúrgica na garganta do demônio que estava a centímetros de mim. A criatura nem teve tempo de emitir um som. No momento em que a ponta da flecha tocou sua pele, uma explosão de runas cor de brasa que queimaram a criatura por dentro percorreu seu corpo, e ele se dissolveu em poeira n***a antes mesmo de atingir o asfalto. Olhei para cima, para o topo do muro de pedra que cercava o beco. Lá, recortado contra a lua crescente, estava um homem. Ele segurava um arco longo de metal escuro, cujas extremidades eram adornadas com símbolos que brilhavam suavemente. Ele não parecia um salvador vindo de um conto de fadas; pelo contrario, ele era posturado com um semblante serio. Ele saltou. O impacto de seu pouso foi silencioso, quase impossível para um homem daquele porte. Ele era alto, de ombros largos, vestindo roupas escuras que pareciam feitas de um tecido resistente e tático. Era Alec. Seu rosto era de uma beleza severa e fria. Sem cicatrizes, Com tatuagens rúnicas aparentes na pele clara, seus traços eram perfeitamente simétricos, como se tivessem sido esculpidos por um mestre artesão que não aceitava falhas. Seus olhos castanhos encontraram os meus por um breve segundo antes de ele se virar para o último demônio. O monstro, agora sozinho, tentou fugir para as sombras. Alec nem sequer pareceu se apressar. Com um movimento fluido e rítmico, ele puxou uma nova flecha da aljava em suas costas, engatilhou-a na corda do arco e disparou em menos de um batimento cardíaco. A flecha encontrou as costas do demônio em pleno ar. Outra explosão de luz, e o silêncio retornou. Alec relaxou o arco, mas não baixou a guarda. Ele se virou para mim, mantendo uma distância de dois metros. Sua postura era reta, impecável, a espinha ereta de quem foi treinado desde o início dos tempos para a guerra. — Você está ferida? — a voz dele era um barítono denso, uma nota baixa que parecia vibrar em meu peito. Não havia doçura ali, apenas uma eficiência profissional que a deixava desarmada. — Eu... eu acho que não — balbuciei, tentando controlar o tremor nas minhas pernas. — Quem é você? O que eram aquelas coisas? Alec guardou o arco nas costas com um movimento preciso. Ele deu um passo à frente, entrando no pequeno círculo de luz de uma lanterna distante. A seriedade em seu rosto era esmagadora. — Aqueles eram os famintos do círculo externo. Eles sentiram você — disse Alec, seus olhos castanhos fixos nos meus. — Meu nome é Alec. Fui enviado para monitorar sua linhagem, mas parece que o tempo de observação acabou. O seu sangue despertou, Selene. E o cheiro dele é um farol para tudo o que vive no escuro. Ele estendeu a mão. Não era um convite gentil, era uma ordem silenciosa. — Este lugar não é mais seguro. Seus vizinhos, sua vida, sua rotina... tudo isso morreu no momento em que você encontrou aqueles demônios. Se quiser continuar viva para entender o que você é, venha comigo. Olhei para a mão de Alec. Era a mão de um soldado, mas havia uma estranha promessa de santuário nela. Olhei para as cinzas negras no chão e depois para o homem posturado à sua frente. Sabia que, ao tocar aquela mão, estaria deixando para trás o mundo dos homens para entrar em um mundo de anjos e monstros. Mas o calor em minhas veias gritava que aquele era o meu lugar. Aceitei mão dele. O toque de Alec era firme e estranhamente quente. Ele não sorriu, mas por um breve instante, Eu vi algo passar por aqueles olhos castanhos — uma faísca de algo que não era apenas dever. Era reconhecimento. — Para onde vamos? — perguntei. — Para onde a luz ainda tem poder — respondeu Alec, me conduzindo para fora do beco. — E para onde eu possa manter você sob a mira da minha proteção. Naquela noite, Eu não sabia que o anjo que acabará de a salvar seria o mesmo que eu me apaixonaria. E que, em algum lugar nas profundezas, um cara com os cabelos platinados já estava sentindo o rastro de sua primeira flecha. Enquanto caminhávamos, o silêncio de Londres parecia diferente, como se a cidade tivesse se tornado um cenário de papel prestes a ser rasgado. O calor da mão de Alec subia pelo meu braço, ancorando-me a uma realidade que eu m*l compreendia, mas que meu sangue reconhecia como lar. Eu olhava para as poças de água no asfalto e não via mais apenas o reflexo das luzes da cidade; eu via o reflexo de uma mulher que não sabia mais quem era. Cada passo para longe daquele beco era um prego no caixão da minha vida comum. O peso do olhar de Alec sobre mim era constante, uma mistura de julgamento celestial e uma proteção que eu nunca soube que precisava, mas que agora, eu temia perder.

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