Choque de Realidade

1280 Words
*Ponto de Vista de Helena* —Eu sei que sou uma decepção para vocês. —Falei em resposta ao olhar triste do meu pai. Estavamos em frente a grande casa de campo, que era linda apesar de bem antiga, mas mantinha seu toque elegante de uma casa francesa, Havia uma grande varanda que inclusive tinha móveis provençais, uma graça. o jardim pelo qual corri para encontrar meu pai, tinha um caminho de pedras que me levava até a entrada da casa, com dois degraus para subir até a grande varanda. Meu pai me olhou com carinho me conduzindo na direção daquela varanda e perguntou: —É com isso que você está preocupada, meu amor? É isso que está te consumindo? A sua saída da escola? — A expressão dele era de alívio. — E não é por isso que você está me olhando assim?– Perguntei confusa. — Não, meu amor.— Ele disse acariciando meus cabelos da mesma forma que fazia quando eu era criança e apontando para um banquinho branco, um banco de dois lugares também no estilo provençal, onde fomos nos sentar para conversar. —Cadê a mamãe? — Perguntei me referindo à Clara, que para mim era minha mãe, já que foi a única que conheci antes de Lana. — Ela soube que você vinha e foi fazer compras, queria que tivesse as coisas de que você gosta nesses dias que passará conosco.— Meu pai explicou, mas seu semblante era tão triste que eu não conseguia me convencer de que ele não estava decepcionado comigo. —Helena, você já é adulta agora e esta na hora de falarmos de algumas coisas. — Ele começou cauteloso. —Por favor, que não seja aquela conversa sobre minha pureza e coisas do tipo... — Falei logo ficando vermelha de vergonha e meu pai riu. — Antes fosse, filha, acho que seria menos difícil para mim. — Ele disse. — Você esta me assustando. — Respondi. — Pequena... — Ele me olhou com tristeza — Helena, a sua mãe biológica... ela se envolveu em coisas perigosas. Eram pessoas muito ruins.— Ele começou e eu só olhei com uma expressão curiosa, já que ele nunca falava da minha mãe Estelle. — Que tipo de coisas? O que está me escondendo?.— Falei pensativa. — Ela pertencia à máfia albanesa —Ele confessou esperando minha reação, mas como fiquei apenas olhando perplexa, ele continuou. — E determinados grupos tendem a ser vingativos, cobrando dos filhos as dívidas dos pais.— Ele me explicou e estava muito incomodado. — Não estou entendendo onde você quer chegar. — Falei confusa. — Alguns inimigos da sua mãe descobriram que ela teve uma filha e estão à sua procura. — Ele finalmente falou. — Então estou em perigo? — Ainda não, mas é melhor não facilitar, não sei o que você pretende agora que saiu da escola especial, mas penso que é melhor você retornar ao Brasil depois desses dias conosco. — Eu... tudo bem, eu tinha mesmo pensado em voltar, não sei o que vou fazer da vida ainda, mas penso que lá é melhor para eu recomeçar. — Falei demonstrando toda a minha frustração que não passou despercebida pelo meu pai. — Qual o problema, Helena? — Ele perguntou sério. — Eu sou uma decepção para vocês, não fui aceita, tudo que eu queria era ser como vocês, dar orgulho para vocês, que você ficasse feliz em me ver seguindo seus passos. — Sério isso Helena?— Ele respondeu com ar furioso e eu não entendi o motivo. — Sim, eu queria seguir seus passos e te dar orgulho, o que falei de errado?— Me exaltei também. — Só se seguisse meus passos como Chef, filha... eu nunca quis que você fosse agente. — o que? Como assim? — Eu não queria essa vida pra mim, não queria essa vida para a Clara e muito menos quero para você Helena, eu não me sentiria orgulhoso se você fosse uma agente, me sentiria desesperado, confesso que sua saída da escola, para mim foi um verdadeiro alívio. —Eu... não fazia ideia.— Falei totalmente sem chão. — Isso é culpa minha, eu nunca te disse isso, me perdoe se te deixei pensar que essa era a única conexão entre nós, porque não é... além do meu sangue que corre em suas veias, vejo tantos talentos em você... tenho certeza que você também vai descobrir o que quer fazer e vai se destacar naquilo que se propuser a experimentar.— Ele me puxou com firmeza, como se aquele gesto pudesse me proteger de todo o perigo ao nosso redor. Eu senti o calor e a sinceridade daquele abraço. — Obrigada Papai. — Falei tentando sorrir. —Vamos entrar? Há alguém aqui que mudou tudo para nós. Quero que você a conheça, mas esteja preparada... — Ele falou de forma misteriosa e eu fiquei super curiosa. Enquanto atravessávamos a porta, o som dos meus passos parecia ecoar no chão da casa. Meu coração estava disparado, e eu sentia um aperto no peito. A cada segundo, minha mente girava em torno de perguntas que eu não sabia responder. Quem seria essa pessoa misteriosa? E por que ela queria me conhecer? Quando chegamos à sala, meus olhos foram atraídos imediatamente para uma mulher que estava de pé junto à janela. Ela parecia uma pintura delicada e ao mesmo tempo forte, com cabelos loiros que reluziam sob a luz do sol que entrava pelas cortinas. Ela segurava uma xícara de café de maneira tranquila, mas havia algo em seu olhar azul penetrante que parecia conter oceanos de história. Assim que nossos olhares se cruzaram, ela sorriu, um sorriso genuíno, quase familiar. — É um prazer finalmente conhece-la Helena, eu sou... Senti um frio percorrer minha espinha. Era como se aquela mulher fosse ao mesmo tempo uma estranha e alguém que eu já conhecia. —Hanna... — completei sua frase, minha voz um misto de emoção e perplexidade pois Hanna era uma heroína para mim. Ela assentiu levemente, seu sorriso se alargando. — Sim! E essa é minha casa, seja bem vinda. Por um momento, fiquei sem palavras. Tudo ao meu redor parecia ter parado. O que significava aquela revelação? O que Hanna tinha a ver com minha família? E por que estar ali me parecia tão importante, tão crucial para tudo que eu ainda não entendia? Notei o quanto ela se parecia com minha professora favorita, Elissa. Algo dentro de mim começou a se encaixar, como peças de um quebra-cabeça que sempre estiveram diante dos meus olhos, mas que só agora faziam sentido. Se o diretor Roger era avô de Elissa, e aquela semelhança entre ela e Hanna era tão evidente... então, poderia significar apenas uma coisa. Meu coração disparou com a conclusão inevitável: Hanna era filha de Roger. — Imagino que você tenha muitas perguntas. — A voz de Hanna era calma, quase como se tentasse não me sobrecarregar, enquanto seu olhar parecia perfurar os pensamentos que estavam girando na minha mente. — É muita coisa para processar de uma vez, eu sei. — Sim... eu... nem sei por onde começar. — Minha voz saiu hesitante, quase como um sussurro. As palavras pareciam presas, enquanto minha mente lutava para organizar os pensamentos que giravam em uma confusão de perguntas sem resposta. — Acho que posso ajudar a explicar. — A voz de Clara ecoou pela sala enquanto ela cruzava a porta, trazendo consigo uma aura de serenidade e determinação. O ambiente parecia se transformar instantaneamente; era como se a presença dela tivesse iluminado cada canto do lugar, dissipando o peso das dúvidas que pairavam sobre mim.
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