Daniela começou a manhã atendendo a pediatria, uma virose estava deixando os quartos cheios, e tinha crianças até no corredor. Quando conseguiu sair pro almoço, saiu para rua, precisava respirar um pouco de ar puro. O dia estava nublado, e um vento anunciava uma chuva em breve. Alguns minutos vendo os carros passar, um estacionou perto de si. E um sorriso brotou em seus lábios ao ver quem era.
- Vicente!
- Daniela! - Vicente sorri, os cabelos m*l presos em um coque, deixavam vários fios escapando, e com o vento se movimentavam sem controle, e ela nem ao menos fazia menção de se importar. A deixando mais naturalmente linda. - Vim especialmente para vê-la. - Daniela arregala os olhos e amplia o sorriso.
- Ah é? A que devo essa visita especial? - Vicente se aproxima e a puxa para um beijo no rosto. Era o primeiro, e ele m*l se continha para agarrá-la ali mesmo. Daniela se surpreende e fica paralisada, até ouvir a voz dele.
- Vim pedir o seu telefone! - Diz confiante, então ela franze as sobrancelhas.
- Meu telefone?
- Bem, gostei de conversar com você, e gostaria de poder mandar mensagens, e quem sabe a gente combinar alguma coisa, outro dia... - Vicente se explicava, como uma criança, pega fazendo arte.
- Ah... claro, eu também gostei e gosto de conversar com você. - Ela diz sentindo o coração disparar.
Vicente sai dali sentindo-se um campeão. Volta para o escritório de seu pai, sentindo-se feliz e animado. Apesar de ainda querer entender o porquê de ela trabalhar naquela boate, além de fazer um horário extremamente desumano no hospital. Passou parte do dia mandando mensagens, mas ela pouco respondia, mas ele entendia que o dia no hospital era uma loucura.
A noite chegou, e Vicente jantava com o seu pai, sua irmã e cunhado, em uma conversa amena e tranquila, quando sente o seu celular vibrar. Pensou ser uma mensagem dela, mas era um pix. Seu coração gelou. 1,00, podemos nos ver? Era ela. Daniela mandara mensagem para o pix do mascarado. Ele mantinha o nome escondido em seus pix, só aparecia a chave aleatória, por isso ela não descobriria que ele era por ali.
- Licença, pessoal. - Se levantou da mesa. - Precisarei dar uma saída.
- Tudo bem com a vó? - A irmã se preocupou.
- Sim, não é sobre ela. - Força um sorriso e vai para o carro. Manda um pix de 1,00. Na boate em 10 minutos.
Outra mensagem, com o endereço da casa dela. Vicente vai até a empresa e troca de carro, depois passa na boate e pega uma máscara, sai sem devolvê-la e vai a casa de Daniela. Seu m****o pulsava na calça pela antecipação do que podia acontecer, mas seu coração ardia em decepção.
Daniela tremia sob o céu nublado. Ela sabia o que teria de fazer, mas não tinha opção. Seu irmão teve reação ao novo medicamento, precisou ser entubado, ela estava desesperada, precisava de dinheiro para outros medicamentos, e a única pessoa que ela lembrou foi o mascarado. Viu um carro preto parar e buzinar. Andou devagar até o carro e os vidros se abriram. Era ele, com uma máscara diferente, mas era ele.
- Entra! - Disse com aquela voz seca e áspera. - Demorou para entrar em contato. - Vicente disse sem olhá-la.
- Eu, eu preciso de 30 mil. - Vicente vira a cabeça e a encara. Os olhos verdes pareciam certos do que pedia. Apenas assentiu.
- Vamos a boate?
- Não trabalho mais lá. - Vicente morde a bochecha, mas não adianta.
- O que aconteceu? Por que saiu?
- Não quero falar sobre isso... - Daniela repensou e suspirou. O homem concordou em lhe dar 30 mil sem questionar, o mínimo era lhe responder. - Fui assediada. - Vicente segura firme o volante querendo quebrar a cara de quem fez isso.
- Te demitiram?
- Me deram uma escolha. - Daniela ri e sacode a cabeça. - Às vezes me pergunto o que deu de errado na minha vida...
Vicente permanece em silêncio. Não sabia o que dizer, nem o que acontecia com aquela mulher. Mas seu tesãö se misturava com raiva, e já não sabia mais como reagir. Entra num motel e a leva a uma suíte de luxo. Dessa vez ele faria até o fim.
Daniela observa o quarto grande, com uma cama redonda, e luzes vermelhas. Por um momento sente vontade de sair correndo daquele lugar, mas engole o medo e observa um ferro grudado do chão ao teto, espelhos por vários lugares, uma banheira no meio do quarto...
Ela espera que ele vá a agarrar, como da última vez, mas ele começa a beijar de forma mais carinhosa, sente a mão dele em sua nuca, e o seu corpo se arrepia. O que estava acontecendo com ela? Ela nem queria aquilo!
Vicente foca nos olhos tristes, e resolve ser quem ele quer ser naquele momento. Não iria machucá-la, estranhamente ele sentia que ela já estava muito machucada. E se ele se revelasse? Ela aceitaria? Aproxima-se dos lábios dela e a beija. O beijo doce que ele sempre quis dar nela. Acaricia o rosto, desce aos poucos ao pescoço e desce as mãos pelo corpo coberto por roupas, que ele achava completamente desnecessárias.
Ele baixa a luz, deixando apenas as de debaixo da cama. Deita-a na cama e com calma a despe. Daniela arfa e se surpreende com as sensações que está sentindo com aquele homem. Vicente suga um seio, depois o outro, e desce a mão por entre as pernas dela. Acaricia, e movimenta os dedos delicadamente, a fazendo gemer.
Daniela se surprende com o som que sua garganta emite. Sente a língua quente percorrer o seu corpo, e chegar em seu ponto feminino, e ela fecha os olhos ao sentir ele sugá-la lá. Vicente não sabe ainda direito o porquê, mas ele sentia que ela era dele, e queria que ela fosse somente dele. Teria ela transado com outro? Ergueu os olhos e viu-a de olhos fechado e boca aberta, formando um lindo O. Queria vê-la gozar, precisava disso, então voltou a preocupar-se com o meio das pernas dela. E a cada segundo que passava ele sentia ela se enrijecer, ela tremer, ela morder a boca, então ela tentou sair da boca dele, mas ele a segurou firme e continuou até vê-la se contorcer, e gritar e tentar se libertar, então subiu aos beijos até a boca ofegante dela.
- Gostou de gozar? - Fitou os olhos semi cerrados, como ele tantas vezes imaginara.
- Eu... eu nunca tinha... - Vicente segurou o sorriso. Era isso mesmo que queria ouvir.
- Vou com cuidado dessa vez. - Disse num sussurro e começou a penetrá-la, vendo-a fechar os olhos com força. Ela era muito apertada, e teve de se controlar muito para entrar pouco a pouco. Seu suor escorria, e ele não aguentava mais aquela máscara. Saiu dela. - Vira de costas.
- O-o que?
- Confia em mim... - Vicente diz e ela vira-se, então ele tira a máscara e coloca de lado. Seu peito disparado ao ver o corpo nu de costas, tão belo quanto o de uma sereia. Ele afasta gentilmente as pernas dela, então, a penetra, o corpo dela se retrai e ele pede que ela relaxe.
Daniela tentava fazer o que o homem mandava, mas era angustiante não poder ver o rosto dele. As mãos grandes e fortes, a seguravam pelas nádegas, e o movimento de vai e vem, a fazia quase delirar. Seu corpo não respondia mais a ela, era independente e com vontade própria. Sentiu a tensão crescer dentro de si, o arrepio tomar conta, então vinha de novo. E ela não aguentava mais, então explodiu, sentindo ele sacudir dentro de si, seguido de um urro, que a fez quase desfalecer.
Vicente ficou deitado sobre ela de costas, sentindo o perfume suave, os cabelos sedosos, a pele macia. Então suspirou, dando-se conta do que fizera. Transara com ela, sem camisinha e sem ela saber que era ele. Droga! Droga! Agora sim que não conseguiria esquecê-la. Depois devê-la gozar duas vezes, lindamente. Ela se entregou a ele. Seu peito estava em guerra consigo mesmo. Pois sentia ciúme do fato de ela se entregar a um estranho, e ele mesmo, ela quase recusara um jantar. Se levanta e recoloca a máscara.
Daniela, ouve o homem ir no banheiro, então ele reaparece vestido. Se levanta e vai em silêncio para o banheiro, e no banho mais uma vez chora. Perdera de vez a sua virgindade, por dinheiro. Mas era por uma boa causa, a vida de seu irmão. A vida da sua única família. Seca as lágrimas, pega a toalha e se seca. Achara que dessa vez ele seria diferente, e realmente foi de certa forma bom, mas agora, ele parecia não gostar dela. Saiu do banheiro, e ele segurava o seu celular com o semblante sério.
Vicente ouviu o choro dela dentro do banheiro, e se arrependeu de ter ido. Mas ele não conseguiu se conter. Pegou seu celular e fez um pix, ouviu o celular dela apitar e pegou, para confirmar que era a notificação do dinheiro. O celular era sem senha, e abriu as mensagens. Bem do mexeriqueiro, mas ele não resistia a curiosidade. Abriu o w******p e tinha um Rafael fixado na primeira conversa. Não deu tempo de abrir a conversa, mas dava para ver a última mensagem, "Te amo, gatinha"
- Tudo bem? - Ouve a voz dela e tira das mensagens.
- Fiz o pix. Vamos? - Ele sentia raiva dela, de si mesmo, e do tal Rafael. Era um ferrado da vida mesmo, só podia ter a mulher que queria de máscara, e pagando.
Levou-a embora bravo, e nem ao menos deu tchau a ela, quando ela lhe deu boa noite.
Naquela noite, Vicente foi para a casa da irmã. Precisava conversar com alguém de confiança, e sua irmã sempre foi sua melhor amiga. Desde que a mãe morreu eles se tornaram inseparáveis, e sempre se protegiam. Já passava da meia noite, mas ele sabia que ela o atenderia não importava a hora que fosse. Eles eram assim, dariam a vida um pelo outro.