Entrevista

1204 Words
Por Antony Porra de sessões de terapia... Eu realmente imaginava que fazer terapia seria simples: eu sentaria em uma poltrona confortável, despejaria todos os meus traumas, problemas e pensamentos perturbados enquanto a psicóloga apenas ouviria em silêncio, balançando a cabeça como se entendesse tudo. Mas não. Ela pergunta. Pergunta demais. E eu odeio perguntas. Agora estou sentado na minha sala, com uma caneta girando entre os dedos e uma folha cheia de questões idiotas enviadas por e-mail pela minha psicóloga — uma senhora de cinquenta e sete anos que claramente sente prazer em invadir a mente alheia. Segundo ela, eu precisava responder aquilo e levar as respostas na próxima sessão. Ridículo. “O que te levou a fazer terapia?” Essa é fácil, doutora. Pesadelos recorrentes com a morte dos meus pais. Sangue, gritos, lembranças que voltam toda madrugada como um filme maldito. “Quais são as pessoas mais importantes da sua vida?” Pergunta clichê pra c*****o. Mariana. Lorenzo. Yan. Minha irmã, meu irmão e meu melhor amigo — que agora também namora minha irmã. Somos nós por nós desde sempre. “Você pensa em casar e ter filhos?” Solto uma risada nasal enquanto encaro a pergunta. Doutora, eu tenho trinta e um anos, dinheiro suficiente para fazer o que eu quiser, a hora que eu quiser, com a mulher que eu quiser. Por que diabos eu me prenderia a casamento? Namorar já parece um saco. Casar então? Nem fodendo. Filhos... talvez um dia. Mas sem esposa. Se eu realmente quiser uma criança no futuro, pago uma barriga de aluguel e resolvo isso. Continuo respondendo aquela tortura psicológica quando o telefone interno toca, interrompendo meus pensamentos. Atendo imediatamente. — Pois não? — Senhor Antony, aqui é da recepção. Tem uma moça chamada Laura dizendo que veio para a entrevista. Merda. A entrevista. Eu havia esquecido completamente. Arrumo os papéis espalhados pela mesa, puxo o currículo dela e m*l tenho tempo de organizá-lo antes de uma batida soar na porta. — Pode entrar. A porta se abre devagar. — Com licença... A voz rouca e suave atravessa a sala feito uma provocação. Sexy pra c*****o. Levanto os olhos. E por alguns segundos simplesmente esqueço como respirar. Porra... A mulher mais linda que eu já vi. Rosto delicado, boca carnuda desenhada perfeitamente, olhos enormes em um tom indefinido entre castanho e verde, cílios longos, nariz arrebitado e cabelos ondulados caindo pelos ombros de forma quase selvagem. Ela me encara assustada. Acho que fiquei olhando tempo demais, porque ela desvia os olhos rapidamente e abaixa a cabeça, tímida. Limpo a garganta e me levanto. — Antony. Estendo a mão. Ela hesita por um instante antes de aceitar o cumprimento. Seus dedos estão levemente trêmulos dentro dos meus. Seguro sua mão com firmeza, tentando ignorar a estranha descarga elétrica que sobe pelo meu braço quando ela volta a me olhar. Olhos grandes. Inseguros. Bonitos demais. Puxo a cadeira diante da mesa. — Sente-se, Laura. Vamos conversar sobre a vaga. Abro seu currículo e arqueio uma sobrancelha. Formada em contabilidade. Quase rio. A garota claramente tinha capacidade para empregos muito melhores do que trabalhar no meu bar, talvez no meu escritório seria o ideal. — Você é formada. Por que está procurando vaga aqui? Ela junta as mãos sobre o colo. — Eu procurei trabalho na minha área, mas ainda não consegui nada. Sou nova na cidade e preciso trabalhar. A sinceridade dela me pega desprevenido. — Tem experiência como barista? Antes que ela responda, minha porta abre. Yan entra rapidamente. — Fala aí. Laura sequer levanta os olhos para ele. Yan me lança um olhar curioso antes de sair novamente. — Então? — volto minha atenção para ela. — Trabalhei como barista durante a faculdade. Era como eu pagava meus estudos. A voz dela continua baixa, mas firme. — Você parece tímida. Aqui é lotado, cheio de gente bêbada da alta sociedade, por vezes esnobes. Tem certeza que consegue lidar com isso? Ela ergue os olhos diretamente para mim outra vez. E dessa vez sustenta meu olhar. — Eu consigo. Simples. Direta. Interessante. Fecho o currículo. — Pode começar hoje? Ela pisca surpresa. — Sério? — Isso é um sim? Um sorriso pequeno surge em seus lábios. Porra... Ela sorrindo deveria ser ilegal. — Claro. Obrigada pela oportunidade. Levanto da cadeira. — Vou te apresentar o pessoal. Dou a volta na mesa e ela se levanta junto comigo, ficando um pouco na minha frente . Erro. Grande erro. Porque agora consigo observar o corpo dela de verdade. Cintura fina. Quadril desenhado. s***s volumosos escondidos sob uma camisa branca simples que não esconde p***a nenhuma. E quando ela vira de costas... Cristo. Que b***a. E seu cabelo, bate no final das costas, caindo como ondas brilhantes em um tom castanho médio com alguns fios marrons . Automaticamente minha mente cria imagens impróprias demais para alguém que acabou de contratar a garota há cinco minutos. Nunca me envolvi com funcionárias. Nunca misturei trabalho com sexo. Mas Laura definitivamente parece o tipo de problema que um homem aceita ter. Levo-a até o bar e peço para um dos funcionários ajudá-la durante os primeiros dias. Subo novamente para minha sala. Do andar superior observo o movimento aumentando enquanto a música toma conta do ambiente. Meus olhos encontram Laura atrás do balcão. Ela segura a coqueteleira enquanto atende um grupo de homens sentados próximos dela. Os caras estão praticamente babando. E honestamente? Eu entendo. Quando ela sai detrás do balcão, percebo as pernas longas expostas pela saia curta do uniforme. Franzo a testa imediatamente. Quem c*****o entregou aquela saia pra ela? Pego o celular para resolver aquilo, mas sou interrompido por uma ligação de um fornecedor. Alguns minutos depois, uma batida brusca na porta chama minha atenção. — Entra. Meu segurança aparece primeiro. Laura vem logo atrás dele. Os olhos dela estão marejados. Meu corpo endurece na hora. — O que aconteceu? O segurança cruza os braços. — Ela deu um tapa na cara de um cliente e jogou bebida nele. Olho para Laura, surpreso. — Por quê? Ela me encara indignada. — Porque ele passou a mão na minha b***a. Sinto a raiva subir imediatamente. Filho da p**a. Mas ainda assim preciso controlar a situação. — Laura... você deveria ter chamado um dos seguranças. Ela pisca, incrédula. — Como é? A voz dela sobe. — Vocês colocam uma saia ridícula em mim, um cara tenta me assediar e a única coisa que você tem coragem de dizer é que eu não deveria ter reagido? Merda. — Não foi isso que eu quis dizer. — Ah, foi sim! — ela rebate furiosa. — Você é igualzinho a eles. Ela aponta para mim, tremendo de raiva. — Aliás, devia entregar esse uniforme pra sua mãe usar. Ou pra sua irmã. Quem sabe assim você entende! Antes que eu consiga responder, ela gira nos calcanhares e sai da sala batendo a porta. O silêncio pesa no ambiente. Passo a mão pelo rosto lentamente. Então olho para o segurança. — Quero o nome do cara que encostou nela. Minha voz sai fria. Perigosa. Porque ninguém encosta em uma mulher dentro do meu estabelecimento. E aquele filho da p**a vai aprender isso da pior forma.
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