Capítulo 6

1985 Words
Letícia no dia seguinte precisou subir o morro para fazer mais um trabalho para LC, e assim fez e terminou o serviço para ir embora, o céu estava pintado de cinza quando Letícia desceu o morro naquela manhã. Sua mente ainda estava confusa pelas palavras de LC na noite anterior. Havia uma linha tênue entre atração e perigo, e ela sentia que estava cruzando essa linha sem perceber. Enquanto caminhava, algo no ar parecia errado. O silêncio, geralmente preenchido pelos sons do morro, parecia ameaçador. Quando ela estava chegando na esquina de sua casa, viu Sérgio parado com um grupo de homens. Os olhos dele a seguiram como um predador espreitando a presa. Desde que ela foi em sua casa o confronta-lo a mando de LC. “Tá se achando muito né, princesa?” ele disse, bloqueando sua passagem. “Me deixa passar, Sérgio. Não tenho tempo pra suas idiotices.” “Você acha que é quem pra falar assim comigo?” Ele agarrou o braço dela, puxando-a com força. Letícia tentou se soltar, mas ele era mais forte. “Sérgio, me solta!” ela gritou, o pânico tomando conta. “Se acha que vai continuar desfilando por aqui como se fosse intocável, tá enganada.” Ele sacou uma faca da cintura, apontando para ela. “Hoje eu vou te ensinar a respeitar quem manda nesse lugar.” Letícia sentiu o coração disparar. Ela tentou recuar, mas Sérgio a segurou com mais força. A faca brilhava na mão dele, e ela sabia que ele não estava brincando. Antes que pudesse gritar novamente, o som de uma moto acelerando ecoou pelo beco. Um homem mascarado apareceu, derrapando na moto e parando bem ao lado deles. Letícia reconheceu imediatamente o capacete e o porte físico: era sss, o braço direito de LC, que havia saído para uma missão em São Paulo dias antes. “Larga ela, Sérgio,” sss disse, a voz baixa e ameaçadora. “Vai se meter agora, sss? Isso aqui não é problema seu!” Sérgio retrucou, mas havia hesitação em sua voz. “Tudo aqui é problema meu,” sss respondeu, sacando uma pistola e apontando-a diretamente para Sérgio. “E você tá querendo arrumar um problema muito maior do que consegue resolver.” Sérgio relutou por um momento antes de soltar Letícia, jogando a faca no chão. “Isso não acabou,” ele murmurou, recuando com os outros homens. FB olhou para Letícia, o olhar preocupado. “Você tá bem?” Ela assentiu, embora suas mãos tremessem. “Eu… eu nem sei como agradecer.” “Não precisa. Agora vem comigo. LC vai querer saber disso.” Quando chegaram à casa de LC, ele estava sentado no terraço, fumando um cigarro enquanto observava o movimento no morro. Assim que viu Letícia e sss se aproximarem, levantou-se, o rosto sério. “O que aconteceu?” FB explicou rapidamente a situação. Enquanto ele falava, LC apertava os punhos, o maxilar travado. Quando sss terminou, LC virou-se para Letícia. “Você vai morar aqui. A partir de agora.” Letícia arregalou os olhos. “O quê? Não! Eu não vou morar aqui, LC!” “Vai, sim. Eu não vou deixar você andar sozinha por aí enquanto esses merdas pensam que podem encostar em você.” “Eu sei me cuidar!” ela retrucou, indignada. “Ah, sabe? Pelo visto, não muito bem. Ou você acha que o Sérgio ia parar se o sss não aparecesse?” Ela ficou em silêncio, sabendo que ele tinha razão, mas odiando o tom autoritário dele. “Isso não é uma discussão, Letícia. É uma ordem. Vai pegar suas coisas agora. sss vai com você.” Ela olhou para sss, que parecia tão inflexível quanto LC. Não havia como ganhar aquela discussão. Quando chegou em sua casa sua mãe estava dormindo, e Letícia para não acordá-la e precisar explicar tudo o que aconteceu, pediu que sss ficasse do lado de fora enquanto ela foi em seu quarto e pegou somente o necessário, pois tinha a esperança de que fosse por poucos dias. A casa de LC era maior do que a maioria no morro, com um toque de luxo que contrastava com a simplicidade ao redor. Letícia entrou, ainda relutante, sentindo-se uma prisioneira. “Você vai ficar no quarto de hospedes” LC disse, apontando para uma porta. “Eu não vou ficar trancada aqui como um animal, LC.” “Você não tá trancada, mas enquanto Sérgio e aqueles idiotas estiverem por aí, você fica aqui. É pro seu próprio bem.” Letícia cruzou os braços, irritada. “E o que você ganha com isso?” “Eu? Eu ganho a tranquilidade de saber que você tá segura.” Ele se aproximou, o olhar fixo no dela. “E não se engane, Letícia. Eu faço isso porque me importo. Mas se você quiser continuar testando a minha paciência, fique à vontade.” Ela virou o rosto, sentindo o calor subir em suas bochechas. Ele sabia exatamente como mexer com ela, e isso a deixava ainda mais irritada. “Agora, vai descansar. Amanhã a gente resolve isso.” A primeira noite na casa de LC foi tensa. Letícia ouviu os passos dele pelo corredor, sentindo sua presença como uma sombra constante. Ela sabia que ele estava apenas do outro lado da porta, e isso a incomodava mais do que queria admitir. Pela manhã, a casa estava em silêncio quando ela saiu do quarto. Encontrou LC na cozinha, preparando café, como se fosse a coisa mais natural do mundo. “Bom dia,” ele disse, sem olhar para ela. “Bom dia,” ela respondeu, desconfiada. “sss saiu pra resolver umas coisas. A casa é sua enquanto eu não estiver. Só não faça nada estúpido.” Letícia bufou, pegando uma xícara de café. “Você fala como se eu fosse uma criança.” “E você age como uma,” ele retrucou, um sorriso brincando em seus lábios. Antes que ela pudesse responder, alguém bateu na porta. LC foi atender, e Letícia ouviu uma voz familiar: Sérgio. “Que merda ele tá fazendo aqui?” ela murmurou, indo até a porta. Quando chegou, viu LC encarando Sérgio, que parecia desconfortável. “Vim pedir desculpas,” Sérgio disse, sem convicção. “Desculpas?” LC riu, mas era uma risada fria. “Você acha que um pedido de desculpas apaga o que você fez?” “Foi um erro, LC. Eu tava bêbado.” “E eu vou garantir que você não cometa esse erro de novo.” LC puxou Sérgio pela camisa, aproximando-se até ficarem nariz a nariz. “Se você tocar na Letícia ou sequer olhar pra ela de novo, eu mesmo acabo com você. Entendeu?” Sérgio assentiu rapidamente, o medo evidente em seus olhos. LC o soltou, e ele saiu correndo. Letícia olhou para LC, sentindo uma mistura de alívio e desconforto. Ele era perigoso, mas, de alguma forma, ela sabia que estava segura com ele. “Isso não acabou, Letícia,” ele disse, olhando para ela. “Mas enquanto eu estiver aqui, ninguém encosta em você.” Ela sabia que estava presa em um jogo perigoso, mas, no fundo, algo nela começava a confiar nele. Mesmo que isso a aterrorizasse. O morro parecia ter parado de respirar depois do confronto com Sérgio. Letícia sabia que o pedido de desculpas dele não passava de uma fachada. Pessoas como ele não esqueciam nem perdoavam tão facilmente. E, com LC tomando medidas tão drásticas para protegê-la, ela sabia que as coisas só iriam piorar. Naquela tarde, LC saiu para resolver alguns problemas na boca, deixando sss encarregado de cuidar dela. Letícia odiava a ideia de ser vigiada, mas sabia que discutir com LC era inútil. sss, como sempre, parecia calado e intimidador, mas havia algo nos seus olhos que sugeria que ele entendia a frustração dela. “Se precisar de algo, é só falar,” ele disse, sentado na varanda com o rádio na mão. “Eu só quero minha vida de volta,” ela murmurou, olhando para a vista do morro. FB não respondeu, mas ela percebeu um pequeno sorriso de compreensão em seu rosto. O Ataque O sol já começava a se pôr quando os primeiros sinais de perigo apareceram. Letícia estava na sala, folheando um livro antigo que encontrou na estante de LC, quando ouviu o som de motos ao longe. FB levantou-se imediatamente, com a mão na arma. Ele deu um rápido olhar para Letícia, o rosto agora sério. “Fica aqui. Não abre a porta pra ninguém.” Antes que ela pudesse responder, ele saiu para verificar o que estava acontecendo. Letícia tentou ficar calma, mas o barulho de gritos e tiros logo encheu o ar, fazendo seu coração disparar. Ela correu até a janela, vendo homens armados avançando pelo morro. Era Sérgio. Ele havia voltado, e agora com reforços. FB apareceu novamente na porta, com o rosto sujo de sangue – não dele, mas de algum outro azarado. “Suba pro quarto agora!” ele gritou. Ela hesitou. “E você?” “Eu vou segurar esses desgraçados! Vai logo!” Letícia correu escada acima, trancando a porta do quarto atrás de si. Mas o barulho de tiros e o som das motos cada vez mais próximas a deixaram em pânico. Ela sabia que a casa de LC era segura, mas até quando? Do lado de fora, o caos tomava conta. sss enfrentava os homens de Sérgio com alguns vapores, sua mira impecável derrubando um por um. Mas eram muitos, e ele estava começando a ficar encurralado. Foi então que o som de um carro rasgando a rua chamou a atenção de todos. Um SUV preto parou bruscamente, e LC saiu do banco do motorista como uma tempestade. “Filhos da p**a!” ele gritou, com uma arma em cada mão. O cenário mudou rapidamente. Os homens de Sérgio, que antes pareciam ter vantagem, começaram a recuar diante da presença de LC. Ele atirava sem hesitar, sua expressão fria e calculada. sss, agora com reforços, lutava ao lado dele, e em minutos o grupo de Sérgio estava fugindo, deixando para trás apenas os feridos. Sérgio tentou escapar, mas LC foi mais rápido. Ele o alcançou, agarrando-o pelo colarinho e pressionando uma pistola contra sua cabeça. “Eu avisei,” LC rosnou, sua voz baixa e mortal. “LC, por favor… eu tava só brincando…” “Brincando?” LC riu, mas era uma risada fria, sem humor. Ele pressionou a arma com mais força. “Eu devia te matar aqui e agora. Mas sabe por que não vou?” Sérgio não respondeu, o medo evidente em seus olhos. “Porque eu quero que você viva pra lembrar que nunca mais deve tocar no que é meu. Nunca mais. Entendeu?” Sérgio assentiu freneticamente, o rosto pálido. LC o jogou no chão, limpando as mãos como se estivesse se livrando de algo sujo. Ele olhou ao redor, certificando-se de que não havia mais ameaças, antes de voltar para casa. A Decisão de LC Quando LC entrou, ainda ofegante, encontrou Letícia na sala, seu rosto pálido de medo. Ele não disse nada por um momento, apenas a observou, como se estivesse verificando se ela estava inteira. “Você tá bem?” ele perguntou finalmente. Ela assentiu, mas sua voz tremeu quando respondeu: “O que foi isso, LC? Você quase matou ele…” “E devia ter matado,” ele disse, jogando a arma na mesa. “Se eu não fizesse isso, ele ia voltar. Agora ele sabe que eu não tô brincando.” “Mas isso não resolve nada! Você só vai piorar as coisas!” Ele se aproximou, o olhar sério. “Você acha que eu quero isso, Letícia? Acha que eu gosto de viver assim? Mas é assim que as coisas funcionam aqui. Ou você domina, ou é dominado.” Continua -
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