Capítulo 5

1863 Words
O dia amanheceu silencioso, mas Letícia já estava acordada há horas. O calor da noite anterior, o toque de LC, o peso de seus olhos nos dela – tudo aquilo ainda estava gravado em sua pele, como um fogo que se recusava a apagar. Ela não conseguira dormir. Cada vez que fechava os olhos, as palavras dele voltavam, ecoando em sua mente como uma melodia sombria: *“Você é diferente. E isso me deixa maluco.”* Mas havia algo que ele não sabia. Algo que tornava aquela proximidade ainda mais perigosa. Ela era virgem. Sabendo que LC esperava por ela, Letícia subiu o morro com passos rápidos, o coração batendo como um tambor no peito. Não era apenas a tensão do que acontecera, mas a necessidade de esclarecer as coisas antes que ele tirasse conclusões erradas. Quando entrou na casa, encontrou LC sozinho na sala, como se já soubesse que ela viria. Ele estava de pé, com uma garrafa de whisky na mão e um sorriso de lado que só aumentava sua aura de controle absoluto. “Letícia,” ele disse, com a voz baixa, quase preguiçosa. “Achei que você não fosse aparecer hoje.” “Precisamos conversar,” ela disse, sem rodeios, cruzando os braços. Ele arqueou uma sobrancelha, claramente intrigado. “Sobre o quê?” Letícia respirou fundo, tentando reunir coragem. “Sobre ontem. Sobre o que aconteceu.” “Se tá arrependida, pode poupar o discurso,” ele respondeu, sentando-se no sofá e gesticulando para que ela fizesse o mesmo. “Eu não sou de cobrar nada de ninguém.” “Não é isso.” Ela permaneceu de pé, os braços ainda cruzados. “É sobre mim. Sobre algo que você precisa saber.” Ele inclinou-se para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, o olhar fixo no dela. “Fala logo, Letícia. Não tenho tempo pra rodeios.” Ela hesitou por um momento antes de finalmente soltar: “Eu sou virgem.” A sala ficou em silêncio. O sorriso de LC desapareceu, substituído por uma expressão de surpresa genuína. “Virgem?” ele repetiu, como se a palavra fosse algo que não ouvia há anos. “É,” ela disse, o tom desafiador, mesmo com o rosto queimando de vergonha. “Eu nunca estive com ninguém. E ontem... você quase cruzou um limite que eu não estava pronta pra atravessar.” Ele ficou olhando para ela por um longo tempo, o silêncio entre eles pesado como uma pedra. Então, para sua surpresa, LC começou a rir. “Você tá falando sério?” “Por que isso é engraçado?” ela rebateu, com raiva. “Porque eu nunca imaginaria,” ele disse, balançando a cabeça, ainda rindo. “Com essa coragem, essa atitude de quem não tem medo de p***a nenhuma... e você é virgem? p***a, Letícia.” Ela avançou um passo, apontando o dedo para ele. “Você não tem direito de rir de mim, LC. Não depois de tudo que você fez ontem. Eu te avisei: eu não sou um brinquedo.” Ele parou de rir, o rosto voltando a ficar sério. “E eu nunca disse que você era. Mas, p***a, Letícia... isso muda tudo.” “Muda o quê?” ela perguntou, o tom desafiador. LC levantou-se, aproximando-se dela devagar, como um predador avaliando sua presa. “Muda que agora eu sei que tem algo em você que ninguém mais tocou. Isso te faz... diferente. Especial.” “Eu não sou especial, LC,” ela disse, tentando manter a voz firme. “E não tô aqui pra ser tratada como alguma conquista rara.” Ele parou a centímetros dela, os olhos fixos nos seus. “Você é especial, sim. Não porque é virgem. Mas porque é você. E isso me deixa doido.” Letícia desviou o olhar, tentando ignorar o calor que subia pelo corpo. “Eu só quero deixar claro que isso não vai acontecer. Não desse jeito. Não enquanto eu não estiver pronta.” LC suspirou, passando a mão pelos cabelos. “Tá bom, Letícia. Eu respeito isso. Mas vou te avisar uma coisa...” Ele inclinou-se, sussurrando perto do ouvido dela: “Eu sou um homem paciente. E eu não desisto fácil.” Ela afastou-se, os olhos cheios de raiva e algo mais que ela não queria admitir. “Se você acha que pode me controlar com palavras bonitas e olhares intensos, tá enganado, LC.” Ele sorriu, inclinando-se para trás, como se fosse um jogo que ele estava disposto a perder, mas apenas temporariamente. “Veremos” disse LC. Letícia passou o restante do dia tentando se concentrar nas tarefas que LC lhe deu, mas era impossível ignorar o jeito como ele a observava. Era um olhar cheio de promessas sombrias, um olhar que dizia que ele sabia exatamente o efeito que tinha sobre ela. Ao cair da noite, Letícia voltou para casa, exausta, mas incapaz de apagar a sensação de que algo dentro dela estava mudando. Na cama, enquanto o silêncio da madrugada envolvia tudo, ela percebeu que, por mais que lutasse contra isso, LC estava lentamente quebrando as paredes que ela construíra ao redor de si mesma. Mas ela não sabia se estava pronta para o que viria depois. O dia seguinte foi pesado, como se o ar ao seu redor estivesse mais denso, carregado de algo que Letícia não sabia identificar. Ela não conseguia deixar de pensar no que havia acontecido na casa de LC, nem na maneira como ele a havia olhado, como se soubesse mais sobre ela do que ela mesma. O trabalho a distraiu por algumas horas, mas, no fundo, a sensação de inquietação continuava a crescer. Algo dentro dela estava mudando, e não havia como evitar. LC havia dito que era paciente, e Letícia não conseguia deixar de pensar no que isso realmente significava. No final da tarde, ela recebeu uma mensagem de LC: *“Nos vemos amanhã. Tenho algo para você.”* Letícia hesitou. Ela sabia que devia se afastar, manter sua distância e continuar com sua vida. Mas algo a puxava de volta para ele, uma força invisível, uma atração que ela não conseguia controlar. Ela ainda não sabia exatamente o que estava sentindo, mas sabia que não podia deixar aquilo continuar sem entender onde tudo aquilo a levaria. Ao chegar em casa naquela noite, Letícia sentou-se no sofá e ficou olhando para o celular, como se esperasse por mais alguma mensagem, como se ele fosse continuar a desafiá-la a ceder. O som de sua porta batendo fez com que ela saltasse. Ela olhou para a entrada e viu LC, de pé, com um sorriso suave no rosto, que não chegava a esconder a intensidade de sua presença. Ele parecia mais confiante do que nunca, mas havia algo nos seus olhos que a fez engolir em seco. “Oi, Letícia”, ele disse, com aquela voz rouca que sempre a fazia sentir algo estranho em seu estômago. “Você disse que tinha algo para mim”, ela respondeu, tentando manter o tom impessoal, mas sentindo seu corpo reagir à sua presença. LC entrou sem pedir permissão, como sempre fazia, e se sentou no sofá, olhando-a com um brilho malicioso nos olhos. Ele não falou nada por alguns segundos, apenas a observava como se fosse um enigma que ele ainda estava tentando decifrar. “Você está muito quieta hoje”, disse ele, os olhos intensos. “Estou pensando”, ela respondeu, sentando-se ao lado dele. Ela não queria, mas não conseguia se afastar. “E você? O que veio fazer aqui?” Ele deu de ombros, um sorriso travesso nos lábios. “Eu gosto de ver você em ação. Só para saber onde posso te colocar, Letícia.” Aquelas palavras foram como um choque elétrico em seu corpo. Ela tentou manter a compostura, mas o desejo de desafiá-lo, de questionar suas intenções, estava lá, ardendo em sua pele. Ele estava sempre no controle, sempre calculando cada movimento, mas ela não sabia quanto mais poderia suportar. “Não sou uma peça de xadrez para você mover quando quiser”, ela disse, sua voz mais firme do que se sentia. LC riu, uma risada baixa, cheia de algo mais sombrio. Ele se inclinou para mais perto, seus olhos fixos nos dela. “Eu sei, Letícia. Mas você tem que admitir que gosta de ser desafiada. Gosta da tensão. Gosta do que isso provoca em você.” Ela ficou em silêncio, o corpo reagindo involuntariamente à proximidade dele. Ele tinha razão, e isso era o mais frustrante. Não estava pronta para admitir o que ele fazia com ela, mas sabia que algo dentro de si se revirava sempre que ele estava por perto. “Você não sabe o que está dizendo”, ela murmurou, tentando afastá-lo, mas sem coragem de realmente se afastar. Ele não a deixou. Seus dedos tocaram suavemente a pele de sua mão, o simples contato fazendo seu coração bater mais rápido. “Você não entende, Letícia. Eu te vejo, de uma forma que ninguém mais vê. E é isso que te atrai, mesmo que você tente negar.” O silêncio entre eles era denso, carregado de tudo o que não podiam dizer, mas que sentiam. Letícia queria resistir, queria gritar e ir embora, mas algo dentro dela a impedia. A atração que sentia por LC não era apenas física; era emocional também, algo que ela ainda não conseguia processar completamente. “Eu… eu não estou pronta para isso, LC”, ela disse, quase sem voz, sentindo a pressão aumentar dentro dela. “Não dessa maneira.” Ele sorriu suavemente, seu rosto agora sério, mas com uma leveza que a desconcertava. “Eu sei. E é por isso que vou esperar. Porque eu sei que, uma hora, você vai estar pronta.” Letícia olhou para ele, as palavras dele ecoando em sua mente. Ele estava certo em uma coisa: ele era paciente. E isso a aterrorizava. Ela não sabia até onde sua paciência iria, ou o quanto ele realmente estava disposto a esperar. Mas uma coisa era certa: ela estava começando a perder o controle sobre o que sentia. Algo dentro dela estava mudando, e não sabia se estava pronta para o que viria a seguir. Ela se levantou abruptamente, quebrando o momento tenso. “Eu preciso de um tempo, LC. Preciso pensar.” Ele a observou de perto, os olhos sombrios, mas sem a intensidade ameaçadora de antes. “Eu entendo. Mas vou te dizer uma coisa, Letícia: se você pensa que pode escapar de mim, está enganada.” Ela não sabia se ele falava da maneira que falava apenas para provocar, ou se havia algo mais profundo por trás de suas palavras. Mas, enquanto ele se afastava, ela sabia que a batalha entre resistir e ceder estava apenas começando. A porta se fechou atrás dele, deixando-a sozinha com seus pensamentos turbulentos. Letícia fechou os olhos, respirando fundo, tentando entender o que estava acontecendo consigo mesma. Ela não queria mais se enganar. Sabia que algo dentro dela estava se entregando. Mas ela ainda não sabia o quão profundo seria o custo disso.
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