Capítulo 4

2933 Words
Henry tentava esconder o nervosismo, seu padrinho chegaria dali a algumas horas. Liam brincava com um quebra cabeça de praia, o loiro estava sentado no chão da sala e inclinado na mesinha de centro, o Nara olhava o ômega e pensava no que seu amigo havia dito. Limites! Liam precisava de limites! Pela manhã o ômega tinha feito pirraça para não tomar café, já que ele queria tomar achocolatado com biscoito recheado, Henry não permitiu e isso rendeu vinte minutos de muita birra e no final o loiro, tomou o que quis já que Henry não soube dizer não, para uma carinha emburrada e olhos lacrimejados. Emma viu a cena e quis rir de Henry, ela soube que Liam tinha alguma coisa, e ao conversar com o patrão o mesmo segredou a possível situação de Liam. O loiro ainda gostava muito de cozinhar, mas naquele dia o menino estava impossível, Henry conseguiu entreter o jovem com aquele quebra cabeça, mas não sabia como agir. Ele não se dava bem com crianças, tinha alguns primos e fazia questão de dar inúmeros presentes na intenção de não ser presente para os pequenos, as crianças o conheciam como o " Nara dos presentes ". — Hezz, eu quero chocolate! — O loirinho disse olhando o moreno. — Já chega de chocolate, Liam! — O alfa disse suspirando. O Willians se aproximou, ficou de joelhos porém bem próximo a Henry, que estava sentado no sofá. — Mas, eu quero! — Liam falou inflando a bochecha. Iria começar a birra. — Mas não vai comer agora, depois do almoço você come! — Henry olhou um tanto irritado para o pequeno, Kenji aconselhou a não gritar com ele, mas a paciência de Henry tinha limites. — Eu quero! — Liam começou a falar mais alto e choroso, logo o loiro liberava seus feromônios, fazendo o lobo de Henry o arranhar por dentro, como se implorasse para que Henry desse a Liam, o que ele queria. Emma observava tudo de longe, e iria intervir, mas queria ver até onde o moreno iria. — Eu já falei que não, Liam! — Henry encarou com mais frieza o loiro que se pôs a chorar, alto. Ele tentava não seguir seus extintos de sempre fazer o que o ômega quer, apenas para vê-lo feliz. — Eu quero! Eu quero! Eu quero! — Henry esfregou a palma da mão em seu rosto, ele estava ficando sem paciência e o choro de Liam estava o irritando e seus feromônios estavam tristes, Henry tentava não rosnar raivoso para o pequeno. Limites! Ele foi uma criança com muitos limites, não deveria ser difícil. Respirou fundo e olhou o loiro, iria dizer que não mais uma vez, mas os olhos azuis o encararam chorosos, Henry liberou então, seus próprios feromônios, na tentativa de cobrir os de Liam. Era só um chocolate, que m*l podia fazer? — Okay Liam— — Depois do almoço, Liam! — Emma interrompeu seu chefe, ela sabia que Henry iria ceder, e Liam iria se tornar uma espécie de criança mimada e insuportável. Liam começou a chorar mais alto e Henry encarou a senhora, agora ele tinha Liam chorando no chão, sentando em seus próprios calcanhares e com feromônios tristes e torturantes para o alfa Nara. Emma fez parte da sua criação, ele iria questionar mas o olhar que lhe foi dado, o fez recuar. Que senhorinha poderosa apenas com um olhar. — Mas eu quero, o Hezz ia me dar! — Liam continuou a sua birra. — Não, Henry já falou não! E você já comeu chocolate demais no café da manhã! Depois do almoço! — A senhora falou. — Mas Emma! — Chega! — Falou de forma dura, assim como falava com Henry e Harry. — Se continuar, vou te colocar de castigo! Henry esperou o protesto do loiro, mas Liam influiu as bochechas novamente e se voltou para o quebra cabeça. Henry olhou Emma, que sorria para ele. Sem emitir som, ela sibilou a frase, " Coloque limites! " ⚜ Na hora do almoço, Liam comeu todo o brócolis assado com molho de missô, tomou seu suco de abacaxi natural, na hora da sobremesa o loirinho se deliciou com uma torta de chocolate. Henry queria curtir mais do momento, mas Sasha veio até ele, anunciando a chegada dos seus padrinhos. — Liam, estarei no escritório, não vá lá! Okay? — Henry falou olhando o jovem que concordava com a cabeça. A ansiedade e nervosismo esquecidos por algumas horas, se apossou de Henry. Caminhou até seu escritório, e ao cruzar a porta viu seus padrinhos o olharem, Nathan o encarava com certa preocupação, Alice mantinha um olhar doce. — Oi padrinho, madrinha! — Henry falou com um pequeno sorriso. — Oi meu amor! — A beta ruiva o abraçou. — Oi meu garoto! — Foi a vez do alfa, e o Nara pode notar a semelhança entre ele e Liam. Henry se sentou no sofá, de frente para seus padrinhos, que se acomodaram nas poltronas confortáveis. — Padrinho, eu sempre te admirei muito, boa parte do alfa que sou hoje, e graças a vocês eu criei meu próprio império, independente do meu pai. — Nathan concordou com a fala do afilhado, o loiro se orgulhava dos seus afilhados. — Henry, você está me assustando! — Alice falou preocupada. — Vou direto ao ponto! — Henry disse suspirando. — Minha mãe insistia para que eu casasse, e bem... eu fiz isso! Alice se levantou e sorriu de um jeito tão alegre, que fez Nathan sorrir. Ela abraçou Henry, tão apertado que o moreno teve a respiração cortada por alguns segundos. Quando a ruiva o soltou, ele puxou o ar com força, iria continuar se não fosse a porta sendo aberta por um Liam que carregava um brinquedo quebrado. Alice e Nathan encararam a porta, e se assustaram ao ver Liam, Alice via a cópia exata do seu marido justo na sua frente, ela sabia que era ele. Henry tinha pisado em cima daquele brinquedo durante a noite , escondeu o brinquedo em baixo da cama, imaginou que teria tempo de comprar outro, mas não teve. — Hezz,você quebrou meu brinquedo? — O ômega perguntou. Henry viu de perto a feição de Nathan se transformar em um espécie de surpresa com susto, Alice ficou pálida, e ali Henry teve a certeza de que os dois sabiam quem era Liam. Iria tirar aquela história a limpo, porém Liam não poderia estar presente. O moreno se levantou e foi até o menino. — Eu não falei, para você não vir aqui? — Henry disse mais autoritário. — Eu sei, mas meu brinquedo está quebrado e eu não sei concertar! — Liam estava alheio a tudo aquilo, e Henry queria expulsar o loiro dali, mas não gritaria com ele. — Vá com Niall comprar outro, aproveite e de um passeio com ele. — Henry sorriu, e Liam pareceu gostar da ideia, se despediu rapidamente com um selinho e saiu gritando pelo motorista. Henry trancou a porta, ao se virar viu seus padrinhos com feições assustadas. — Devo imaginar que saibam, quem é ele. — Henry foi até seu padrinho e ficou cara a cara com o homem. — Me dê alguma desculpa padrinho, me fale qualquer coisa que justifique você ter abandonado o Liam! Nathan arregalou os olhos, ele vivia sob as regras do Conselho das famílias, ou seja se ele tivesse abandonado o Liam, ele seria morto! Mas o loiro não tinha feito isso, ele não teria abandonado seu filho. Henry queria acreditar que tinha alguma desculpa ou justificativa plausível para a situação, Nathan era um dos seus heróis, Nathan era literalmente um exemplo de alfa para Henry. E tudo estava prestes a ruir, Henry sentia um medo o consumindo, ele não queria imaginar que Nathan deixou uma mulher grávida, para fugir com Alice, ele admirava o amor dos dois, bem no fundo ele queria um amor assim, mesmo não assumindo. Foram longos minutos em silêncio, Henry já tinha sentado novamente e encarava seus padrinhos que pareciam, atônitos. — C—como ele está aqui? — Alice falou tão baixo, que se Henry não estivesse a centímetros da ruiva, ele não teria ouvido. — Eu o comprei! — Os olhos azuis de ambos estavam atentos ao moreno. — Nathan abandonou seu filho, e ele foi parar nas mãos de Simon! — Henry falou em um rosnado, e Nathan logo deixou seus feromônios saírem, já que os de Henry estavam confrontando seus lobo. Nathan não raciocinava, Alice queria controlar suas lágrimas, mas eles já banhavam seu rosto. Mas a compreensão das palavras começaram a alcançar sua mente, e as palavras de Henry pareceram se repetir diversas vezes, " Nathan abandonou seu filho, e ele foi parar nas mãos de Simon! " — Como assim, eu o abandonei? Ele não pode ser meu filho, Henry! NÃO PODE!— Nathan gritou, pela primeira vez em muito tempo. — NÃO TEM COMO ELE SER MEU FILHO! Descontrolado! Era literalmente o que definia Nathan. Alice já estava sentada no sofá, ela chorava e soluçava alto. Henry dividiu seu olhar, ele queria entender, ele queria acreditar no seu padrinho. Mas nem precisava de um teste de DNA, Liam era a réplica exata de Nathan. — Me explica, padrinho! Por que ele não pode ser seu filho? Ele é idêntico a você! — Henry estava alterado, mas não gritando, já estava de pé e estava frente a frente com Nathan, encarando os olhos azuis, que eram idênticos aos do seu ômega. — Henry, ele não pode ser meu filho! — Nathan falava mais baixo. — Por que? — Henry queria saber. — POR QUE LIAM ESTÁ MORTO! MEU FILHO MORREU! — Nathan berrou em meio a tantas lágrimas. Henry chegou a dar um passo para trás, mas pode ver Alice se levantando e indo até o marido. O moreno saiu do escritório, sua mente estava aérea, e seu corpo tremia. Mas tudo isso piorou ao ouvir a risada alta do loiro. Tinha se passado, tanto tempo? — Mas o Hezz deixa, é só pedir! — Niall trazia muitas sacolas, e junto a ele Liam estava pulando de alegria. Os olhos azuis encontraram os olhos pretos! Liam logo correu até Henry, o moreno abraçou de forma possessiva o pequeno. Ele queria proteger Liam, queria tirar o pequeno dali. — O que foi Henry? — Liam não estava mais tão sorridente. — Eu não sei ainda, mas assim que eu descobrir prometo contar. — O loiro apenas concordou. Liam sabia que tinha algo, ele sabia muito bem que aquilo tudo não estava normal. Mas esperaria. ⚜ Se passaram quase quarenta minutos, até que Emma chamou Henry novamente para o escritório, ele viu seus padrinhos abatidos. — Tranca a porta Henry! Vou te contar a história do Liam. — Nathan falou. — Eu já sei a história dele. — Henry falou se sentando no sofá. — E qual é? — Alice perguntou. — Liam me contou, que a mãe dele engravidou do Nathan, quando ela contou pra ele, ele fugiu com a amante dele, abandonou o menino e assim ele teve uma vida de m***a! — Henry não queria falar muito. — Como ele sabe o nome do pai dele? — Nathan perguntou. — A mãe dele, deve ter contado ou os avós. — Henry não entendia a importância daquilo. — Qual o nome da mãe dele? — Maya, Maya Willians! — Alice deixou um sorriso triste sair dos seus lábios. — Vou te contar a verdade Henry! — A beta falou. — Eu tinha quinze anos, quando eu conheci Nathan, um menino sonhador que entregava cartas pelo bairro, eu me apaixonei assim que eu o vi, todas as meninas se apaixonaram junto comigo. — Nathan apertou sua mão, e lhe deu um olhar nostálgico. Henry queria admirar aquele toque, mas a ansiedade o consumia. — Mas foi na escola, quando fui transferida para a sala dele que nos apaixonamos de verdade, eu fiquei extremamente feliz, eu queria viver com ele a vida que eu via nos filmes. Eu sempre fui próxima a minha mãe, e por isso eu contei a ela. E foi aí que o inferno começou, meus pais queriam que eu me casasse com um dos meus primos alfas e ricos, eles queriam que eu casasse com um alfa vinte anos mais velho do que eu, só porque ele tinha dinheiro. Mas eu recusei, insiti em namorar Nathan. " Nós namoramos escondidos, e ficamos nessa até meus vinte e dois anos, foi quando descobrir a gravidez do Liam. Quando eu contei a Nathan ele ficou radiante, ele trabalhava como balconista em uma padaria na época. Contamos primeiro aos pais deles, e por Zeus... Jhon e Anne ficaram radiantes, estávamos no último ano em que iríamos nos formar na faculdade, então não atrapalharia a gente. Mas aí contei aos meus pais, e foi um dos piores dias da minha vida, eles me bateram e me xingaram. Eles ainda queriam me casar, com alguém rico! Eles queriam me obrigar a tirar meu filho, mas eu neguei, então eles disseram que ou eu tirava o Liam, ou eu poderia ir para a rua." " Eles não sabiam da aceitação por parte dos meus sogros, então eu simplesmente saí, fui morar com Nathan e Liam tinha tudo, tinha seu enxoval, berço, carrinho, tudo! Então eu comecei a passar m*l, sentia muita dor de cabeça, e parecia que minha cabeça iria explodir. Foi quando Nathan decidiu me levar ao médico, eu estava com oito meses, e Liam nasceu prematuro por causa da pré—eclampsia. Mas ele parecia ter nascido bem, o vimos e nos apaixonamos no mesmo momento. Mas se passaram horas, e a enfermeira não voltava com o bebê, e a noite recebemos a notícia de que meu filho tinha morrido, por causa de uma falha no coração." A ruiva abaixou o olhar, Nathan queria poder reconfortar a mulher, mas ele também estava destruído por dentro, ambos choravam e aquilo parecia atingir ainda mais Nathan, que tomou a palavra. — Eu pedi para ver o bebê, queria pelo menos me despedir dele, mas quando eh tentei os pais dela estavam lá, eles gritaram comigo, diziam que eu matei meu filho, disseram que acabei com a vida da Alice, me disseram tantas coisas.— A voz de Nathan quase sumiu, ao dizer aquilo. — Eu juro que nunca pensei que Liam pudesse estar vivo, a Alice não podia ir no velório, e eu não quis deixá-la, então nunca vimos a criança, mas sentimos toda a sua morte. " Assim que saímos do hospital, fizemos as provas para concluir a faculdade, passamos e juntamos todo o dinheiro que tínhamos, e viemos para cá, foi quando conheci seus pais Henry, nos aproximamos de primeira. Madara gostou de mim, e comecei a trabalhar para eles, até me tornar melhor amigo do seu pai. " Henry olhava seus padrinhos, ele via a dor no olhar deles, ele sabia que aquilo tinha doído nos dois. — Eu fiz psicologia logo depois para poder ajudar, mulheres que perderam seus filhos. Era uma tentativa de sanar a minha dor. — A ruiva disse ao afilhado. Henry encarou os dois, e quis se bater por desconfiar deles, mas a vontade de m***r os avós de Liam era maior. — Maya Willians é minha irmã mais velha, devem ter falado que Liam era dela para explicar. — Alice falou acabando com a última dúvida de Henry. A conversa toda durou cerca de três horas, Henry sugeriu um teste de DNA, mas o casal recusou, Alice sabia que era seu filho assim que o olhou, eles não sabiam como contar ao doce ômega. Por isso decidiram esperar seus exames sobre a possível condição do loiro, por a ruiva ser psicóloga e psiquiatra ela poderia notar alguns traços em Liam. Quando desceram viram o loirinho pintando a unha de Niall, Henry quis rir da cara do motorista que agora tinha suas unhas pintadas de lilás. O loiro parecia animado e concentrado, na cabeça mantinha sua coroa que Henry mandou fazer exclusivamente para ele, e Liam a usava o tempo inteiro dentro de casa. Niall ria do menino, e Henry soube que Niall via no loiro seu irmão gêmeo, não em aparência, mas no jeito e até na inocência, Nicol foi morto a mais de dez anos, os irmãos tinham acabado de iniciar o trabalho para os Naras, Nicol foi morto por ser um beta macho, que se relacionava com outros betas homens. Eles chamavam esses betas de gays, ele foi espancado até a morte por um bando de covardes. Henry procurava eles até hoje, e quando encontrasse, faria questão de mante—los durante um bom tempo nas suas mãos. Niall notou a presença do patrão, e olhou meio sem jeito, Liam logo virou e encarou os três ali. Alice queria correr e abraçar o filho, mas não pôde. Calma. Deveriam agir com calma. Henry o chamou e o garoto se levantou com uma calça de moletom laranja, um moletom da mesma cor e coroa dourada. — Liam esses são meus padrinhos! — Henry disse calmo. O loiro encarou e cumprimentou de forma ligeira, voltou correndo para terminar de pintar as unhas do motorista. Alice se sentou no sofá, ao lado de Nathan apenas para observar o pequeno ser. Nathan era um alfa calmo, mas perigoso, enquanto assistia seu filho jurava para si mesmo que iria se vingar, sabia que sua mulher concordava e por isso pensava em mil formas de m***r quem o impediu de ser pai.
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