Ligamos para Dae vir o mais rápido possível, e assim que ele chegou colocamos Tomy no carro, Dae estava com a feição de pânico, dava para ver aos poucos algumas lágrimas brotarem em seus olhos mas ele se recusava as deixar cair.
— Ei, Bell calma... - Guilder tentava me acalmar me abraçando, meu soluço pós choro dava solavancos em meu corpo suspiros tão fundos que me tiravam o ar.
— Deny... Ele vai ficar bem não vai? Vamos levar ele pro hospital e..
— Não! - Dae gritou e respirou fundo vi uma lágrima teimosa escorrer por sua bochecha. — Vamos para casa, ele vai ficar bem... em casa... Vamos pra casa... Tá bom? - tentou sorrir.
Não dissemos nada depois disso, até chegar na casa.
(...)
Algum tempo depois de termos levado Tom para seu quarto, o silêncio pairava sem fim, Dae estava na sala pensativo esperando seu irmão acordar, e eu no quarto com panos úmidos tentando diminuir a febre de Tom e tentando me manter forte, o ver daquela forma me doeu tanto que temi o pior, que ele não voltasse a acordar.
Guil tinha saído, estava extremamente irritado, além de preocupado com o garoto que nos salvou, mas ainda mais irritado, ele tomaria as providências na delegacia contra Yunjoon e eu não o impedi.
— Por favor... Me diz que você vai ficar bem logo... Ou se lembrar de mim...
O rosto suado do garoto, com seus cabelos castanhos colados na testa, e a respiração calma, aquele silêncio cada parte daquele momento acelerou o meu peito.
Um sentimento vazio e cheio de dor invadiu meu peito, a culpa.
Pedi tanto que ele voltasse para mim, que nem pensei que isso poderia acontecer, o Tomy que só eu poderia ver, mas e todo o resto? Ele é algum real, tem uma família e eu pedir por tal coisa séria como tirar ele das pessoas que o ama.
— Me desculpa... Eu perdi a minha chance, não foi? Poderíamos ter vivido tanto mais... Mas eu fui tão covarde, agora o que me resta é aceitar que o que tivemos não passou de um sonho bonito...
— Eu te perdôo... - A voz rouca e suave, soou atrás de mim, meu corpo levou um pequeno choque, aquela voz não era de Dae, nem de Guil, e se eu bem conhecia, era dele.
— Tonto? - Perguntei, sem sequer ter forças para me virar.
— Bell... Eu também te devo desculpas... - Tive certeza por fim, me virei de uma vez e lá estava ele, do mesmo jeitinho que me lembrava da última vez que o vi.
— C-como...? - Olhei novamente para Tom en sua cama, inconciente e para o Tom a minha frente agora.
— Eu acho que...as coisas vai mudar muito depois de hoje, e te devo desculpas, por te pedir algo tão egoísta... Bell... Quero tanto quanto você me lembrar ali naquele corpo, e naquela conciencia tudo que vivemos e poder finalmente te ter em meus braços... Mas me prometa... Que se nada der certo, vai me esquecer... Esquecer o nós do passado, eu sei que te amo não importa em que frequência e vida eu esteja... E não vai ser diferente agora...
— Não por favor, não pode me pedir que eu esqueça o que a gente viveu assim... Não significou nada pra você? - Minha garganta se fechou.
— Eu não disse isso... Olha, eu tô bem ali, podemos viver tudo de novo, sim? Isso tudo pode ter ficado em apenas memórias perdidas e sonhos, mas... Eu sei que foi real e mesmo que naquela conciencia eu nunca me lembre a certeza que tenho é que te amo mais que tudo... Você foi quem me acolheu, e quem eu tive na minha vida inconciente por tantos anos... Mas não quero isso pra você Bell, você precisa viver... Não faça desse passado sua prisão!
— Eu nunca serei capas de esquecer... Mas eu prometo, que se nada der certo eu vou criar novas memórias...
— Eu sinto sua falta... Vou estar esperando o meu resgate, mas se nada der certo... Vou estar feliz a onde eu estiver só por te ter ao meu lado... - Tom falava tudo tão tranquilamente, enquanto as lágrimas caían sem parar de meus olhos.
— Me desculpa, por não perceber antes... Por não dizer nada antes, eu fui egoísta, achei que não teria cabimento amar alguém que não existia... Eu fugi... Esperando que um dia você sumisse, e agora eu lamento sua partida, me desculpa! - Abaixei a cabeça soluçando, meu nariz já não passava ar, e meus olhos queimavam a cada lagrima.
Sinto a mão fria de Tom segurar meu queixo, ele estava abaixado no chão junto a mim, passou seu polegar em minha bochecha e sorriu.
— Você, não tem culpa disso... Nem um de nós dois temos culpa por amar, espere por mim, mas não quebre sua promessa... - Ele se aproximou e senti os lábios frios tocarem os meus, ao abrir os olhos Tom há tinha sumido de novo.
— Bell... O que aconteceu? - Ele acordou.
— Você desmaiou.... Mas acho que não foi nada grave, como se sente? - Enxuguei meu rosto na camisa e ele me encarou.
— Você tá bem?
— Eu estou, só... Fiquei preocupada! - Menti.
— Acho que estou bem, minha cabeça dói mas, não tanto quanto o dia em que meu irmão acerto a bola de basquete no meu nariz... Foi engraçado ele entrou em desespero esse dia, e eu não parava de chorar minha mãe quase matou ele...- Encarei Tom surpresa.
— Você... Se lembra do seu irmão?
— É esse dia foi bem memorável... Espera, aí caramba eu me lembro do meu irmão! - Ele percebe e fica espantado.
— Precisa contar pra ele, ele tá super preocupado, vai logo ele tá na sala, consegue andar?
— Até correr se for preciso! JEON DAE HAEYONG LEE VOCÊ ME DEVE DOIS MIL WONES SEU s****o! - ao ouvir isso eu ri alto, mesmo com a garganta ainda corroída pelo choro.
O resto do dia foi cheio de risos, Guil não voltou, deixou uma mensagem dizendo que sairia muito tarde da delegacia após abrir o processo contra Yunjoon.
...
Por fim, expliquei toda a situação aos irmãos Jeon, contei sobre Guil, e meu problema em casa, o que me levou a contar também, como Tom nos salvou.
Então foi decidido que eu passaria a noite, Dae me emprestou roupas, mas ficaram grandes de mais e m*l dava pra andar, então Tom se ofereceu para doar algo de sei guarda roupas.
— Pode escolher o que quiser, nada vai ficar tão absurdamente grande, não temos tanta diferença de tamanho, eu vou tomar banho enquanto você escolhe, quando eu sair você vai... Tudo bem?
— Ah... Claro tudo bem!
Pequei um moletom de tecido fino, e uma cueca que ficaria como um short, a blusa serveria de vestido, estava ótimo, me sentei na cama e esperei, Tom saiu do banheiro alguns minutos depois de meus devaneios sobre oq ué aconteceu hoje, e me espantei por um momento, sentindo meu rosto arder.
Acho que entre tanto tempo, essa é a primeira vez que presencio tal cena, Tom sem camisa de cabelo molhado e toalha na cintura, e até aí tudo bem, ou estaria se meus olhos não tivesse se prendido no abdômen do moreno a minha frente.
— Pode ir, enquanto você vai eu me troco, achou uma roupa?
Nada saia de minha boca apenas, acenei com a cabeça e fui para o banheiro.
— Tem toalhas nesse armário embaixo da pia!
Fechei a porta sem dar uma resposta e respirei fundo, isso foi estranho.
Depois do banho, dei um jeito de me vestir no banheiro mesmo, e quando sai Tom estava jogado na cama de olhos fechados parecia estar dormindo, então fui saindo do quarto em silêncio e ir para o quarto da frente onde eu deveria dormir.
— Vai não, vamos assistir alguma coisa! - ele diz e dei um pulo.
— O garoto... Que susto, achei que estava dormindo!
— Não, acho que já dormi de mais hoje, vamos assistir se tá aqui!
— Não vai perguntar se eu quero assistir?
— Você quer sim, vem pode dormir aqui se quiser...
Ok definitivamente esse Tom é bem mais abusado do que o que eu conheci.
— O você de antes não era tão abusado...
— É tem razão, eu sou bem mais tranquilo não acha? Minha versão sem memória parecia tão... Tímida.
— E você não é?
— Não com quem eu conheço...
Senti frio na barriga, será que ele se lembrou de mim também?