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1552 Words
— C-como assim? — Ué, acho que já te conheço a tempo suficiente pra me sentir a vontade, ou não? — Bom... É que... — Aliás, com outras palavras agora, como você está? Lembro bem de você ter me dito que perdeu alguém... E eu não fui tão bom com as palavras. Alarme falso ele não se lembra de mim ele lembra da Bell que conheceu enquanto não tinha memória a alguns dias atrás. — Eu estou bem.... Vai assistir o que? - mudei de assunto. — Pode escolher... — Que tal... Esse aqui! É uma série. — "Jenie a virgem"? — Esse mesmo! — Tá bom, vou buscar alguma coisa pra gente ir comendo... — E-eu ajudo! .... — Quer suco ou refrigerante? - Tom pergunta pegando copos. — O de sempr- qualquer um... - tentei me impedir de falar algo de rotina, mas acho que já era tarde. — Você disse o de sempre? - Ele ergueu uma sobrancelha. — Bom... É que eu sempre digo isso quando alguém me oferece alguma coisa, esqueci que você não sabe o que eu gosto desculpa! — É Refrigerante... - ele disse sem receios, e tirou a Coca-cola da geladeira. — Como sabe? — Um palpite... - falou sem preocupação, e nós serviu. Depois de arrumar um sanduíche pra cada, em um prato e um pote de biscoitos, voltamos para o quarto. Tomy deu play e começamos a assistir, eu nunca tinha terminado de ver tal serie, pois só via com Tonto, e cá estou eu vendo tudo de novo com o "novo ele". — Acho que conheço essa cena, vi em algum lugar, ela desmaiando no ônibus... — Faz parte do trailer, passava na TV na época do lançamento. — Deve ter sido então... ~ Alguns episódios depois ~ — Vou levar nossa bagunça pra pia, já volto! - ele diz saindo. A cama estava tão quente, o cheiro dele é tão bom, acabei fechando meus olhos por alguns instantes me lembrando de quando dormimos juntos um certa vez. E só percebo que peguei no sono guando acordei, nós braços de Tom, horas depois suada e chorando. — Eii, ei o que houve...? Foi um pesadelo, um terrível pesadelo, Tom me pedia ajuda, mas eu não consegui fazer nada, ele estava tão longe e quando viu que eu não o alcançaria ele foi embora, triste e decepcionado, aquele olhar de dor me fez entrar em desespero ele andava para longe e eu tentava chegar a ele, e quanto mais eu corria mais longe ele ficava, então tentei gritar, o chamei tanto, mas minha voz foi ficando cada vez mais baixa. Ao abrir os olhos e ver ele ali na minha frente, sem pensar muito apenas o abracei o mais forte possível. — Talvez não faça sentido algum o que eu vou dizer mas, por favor, não me deixa nunca mais promete pra mim que não vai embora, por favor! — Tudo bem eu prometo, me conta o que aconteceu... Eu simplesmente não conseguia soltar ele, e ali fiquei por mais algum tempo, Tom se acostumou com aquele contato, e senti sua mão acariciar meu cabelo. — Taeyoun... — Oi... — Gosto do seu nome... - falei ainda com a voz falha. — Prefere me chamar por ele então? — Sim, eu prefiro - Assim eu não ia mais ficar lembrando do Tom que conheci, acho que posso começar, por esse pequeno passo, e me preparar caso ele não se lembre. — Estão tá bom, quer me contar o que aconteceu...? — Foi só um pesadelo... — Não precisa esconder, você estava me chamando... — É que... É uma longa história... — Temos tempo princesa, pode falar... - Senti um frio na barriga e logo me afastei do mesmo. Encarei seus olhos castanhos, e sonolentos e respirei fundo. "Não posso". — Deixa pra lá, Vamos dormir. — Eu conhecia você não é? Por que não me conta, eu lembrei da minha família, mas não lembro de todos os meus amigos... — Não é tão simples! — Então me explica, eu vou te ouvir... Te ver desse jeito me quebrou... Se eu era, sou ou fui importante pra você eu quero me lembrar por que do jeito que você acordou agora... Não foi algo bobo... Me conta, por favor! — Taeyoun... — Bell? - Ele sorri. — Não é tão simples...- repeti. — Eu... Sou quem você disse que perdeu não foi? - Ele diz e meu corpo gela. — Sim... - Abaixei a cabeça. — Então me ajuda a lembrar... — Eu te conheci dura te seu coma, eu conheci sua versão onde mais ninguém podia te ver... É uma maluquice isso, mas, tudo aconteceu enquanto você dormia. — Não tem um filme com esse nome? — Em fim, eu fiz uma promessa, a você mesmo prometi que se não se lembrasse eu deixaria pra lá! Depois de longos minutos de explicação, o silêncio pairou sobre nós, até ele finalmente falar algo. — Mas você nem tentou... — A ideia era não te contar nada! — Mas eu quero lembrar seja lá como foi, se você pode fazer alguma coisa eu quero ajudar, e você me ajuda... Eu quero me lembrar... Eu vi você ficar doente se eu sou tão importante pra você assim me ajuda a lembrar Bell! — Mas você tem grande chance de nunca se lembrar de mim! — Então vamos apostar nessa pequena chance juntos, eu tô dizendo que quero me lembrar de você, te pedindo pra esquecer essa promessa! — Espera o que...? — Mesmo que leve muito tempo, não desiste por favor, esquece essa promessa... — Por que tá fazendo isso? - Meus olhos molharam novamente. — Porque sim, não vou deixar você carregar isso sozinha! — E por que você se importa? — Eu gosto de você Bell, mesmo que eu não me lembre e eu quero muito lembrar isso não vai mudar... E acho que éramos bem mais que amigos não é? - ele sorri. — Talvez... — Me conta alguma coisa, fala sobre nós... — Bom... Ficamos muito próximos depois de eu acordar do coma dois meses depois do acidente... — O acidente? — Sim, estávamos no mesmo acidente, perdi o meu pai... Mas ganhei um melhor amigo que depois que eu acordei não saiu do meu lado... - Minha garganta se fechou respirei fundo e voltei a falar:— Depois disso, fomos passar um tempo na minha avó, minha mãe ainda estava m*l e não podia ficar sozinha e eu não saberia cuidar dela tão nova... Minha avó, também podia te ver e sobre nós recebia muito bem, depois de tudo ficar bem, voltamos para casa, mas sempre pedia para minha mãe me levar até a casa da vovó na primavera, só para ver a cerejeira Florida, você e eu passávamos horas olhando as flores, o lago... E eu até já desenhei ela...foi um dia divertido você tentava me atrapalhar, fazendo gracinhas... - Parei de fala e respirei sentindo as lágrimas arderem na minha bochecha. — "Não é uma foto que você pode atrapalhar se entrar na frente" - seus olhos estavam perdidos pelo quarto como se procurasse algo. — Foi isso que eu disse...aquele dia Ele se levantou da cama correndo e pegou seu caderno de desenhos, voltou a sentar na cama folheando o caderno com pressa. — Esse lugar é o que você falou? — Sim...- era a casa de minha vó, até as escadas velhas gastas pelo tempo estavam bem detalhadas naquele desenho preto e branco. — Tem muitos desenhos que venho fazendo desde que acordei que não sei da onde surgiram mas estão na minha cabeça, em sonhos... Pode dizer alguma coisa não? — Talvez, eu não sei... — Para de ter medo e não desiste de mim, se tem alguma chance então eu quero lembrar, não importa como me conheceu... Essas memorias são reais... Mais uma vez silêncio, e Tom, Não parava de me encarar buscando em sua memória traços do meus rosto. — Para com isso... — Você é linda, sabia? Eu sinto muito por ter te causado tanto sofrimento... Vamos passar por tudo juntos a partir de agora ok? — Ok... (...) Uma semana se passou depois da noite na casa de Tomy, e a segunda feira, o dia seguinte, seria o dia do evento de artes, me esforcei para que tudo ficasse o melhor possível, mesmo não valendo nota ficaria de exposição na escola de artes, e tão tinha que ficar bom o suficiente. Por sorte, consegui entrar na minha casa pela janela de meu quarto durante a tarde enquanto ninguém estava em casa e pegar algumas coisas, matérias e roupas. Olhei aquelas duas obras que nos unía fortemente, e pensei que talvez ele se lembrasse de alguma coisa sem eu falar nada, o desenho da Árvore naquele dia em que ele tentou me "atrapalhar" e uma pequena escultura de barro que fizemos juntos era um cálice, pintado e com pequenas pedrinhas coloridas coladas na borda. Os outros três eram desenhos que fiz dura te a semana em base das nossas lembranças, o lago, o banco em frente ao lago, e um espelho embaçado em preto e branco escrito "Hellou". — Vamos conseguir... - Respirei fundo e estiquei minhas cobertas, amanhã seria um longo dia.
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