O sol entrou pela janela, e o despertador me obrigou a abrir os olhos, lembrando do que teria hoje, tratei de ir logo me arrumar.
As coisas estavam diferentes claro, até porque desde que parte das memórias de Taeyoun voltaram ele não falava comigo, é um exagero da minha parte foram só quatro dias, ele apenas estava passando um tempo com a família, até os pais dele deram uma pausa na viagem de trabalho para ver ele, mas hoje, ele estaria no evento, e mesmo sem tanta esperança imaginava diversos cenários onde ele olhava pelo menos uma de minhas obras e lembrasse de nós.
...
Todos já tinham posto suas obras em alguma parede, o evento era aberto para todas as turmas mas somente duas toparam participar, e nem todos das turmas envolvidas quiseram participar, então tínhamos bastante espaço.
De longe pude ver meu amado grupo de amigos, em comparação com um mês atrás agora eu estava "bem" e a primeira coisa que fiz depois de cumprimentar todos foi abraçar Taeyoun com toda força.
— Me ajuda a pendurar os meus? - Perguntei a ele.
— Ajudo sim, coloca do lado dos meus, vem! - Me puxou.
A sacola larga que eu segurava tinha os desenhos nas molduras e o cálice, dentro de minha mochila.
Ao ver os desenhos do Taeyoun, vi, o desenho que ele me mostrou, pendurei ao lado daquele o meu desenho do banco que fica em frente ao lago.
Outro desenho era a Árvore, a cerejeira a data estava bem mais antiga do que uma semana atrás, perto da data em que ele havia acordado, "por que ele não me mostrou aquele?".
Vendo que era a mesma árvore, mas feita em preto e branco, deixei a minha da mesma árvore porém feito com cores, um pouco a baixo.
Outro desenho, era uma moça com um vestido de frente para um lago, mas o vento soprava seus cabelos para a frente do rosto. Imaginei pelos detalhes do vestido que fosse eu, e deixei ao lado daquele o Lago, detalhado em cores, e ao lado desse, os olhos de Tomy que desenhei com algumas lágrimas. Notei que os outros dois desenhos de Tom não era relacionado a nós, então coloquei ao lado dos meus próprios desenhos aquela última obra, o espelho embaçado escrito "hellou".
— Nossa... São tão lindos, esse se parece comigo... - Ele diz.
— É, na verdade é mesmo seus olhos... E esse aqui, eu trouxe pra você! - Abri minha mochila e dei a ele, o cálice.
— Pra mim? - Pegou com cuidado e analisou.
— Sim, talvez te ajude a lembrar de algo...
— Eu sei que amo essas cores... O que me deixou pensativo foi esse desenho aqui! - Ele aponta para o desenho do espelho embaçado.
— Só pensativo?
— É... Talvez, é algo familiar, eu acho...
— Você tinha mania de escrever no meu espelho...quando eu estava tomando banho, para avisar que sairia, eu briguei com você antes por escrever no box de vidro do banheiro... Mesmo assim você só mudou para o espelho e não para papel e caneta....
— Por que não me disse isso antes?
— Vamos aos poucos...
— Então eu podia mesmo tocar as coisas?
— Era bizarro, mas sim! - rimos.
(...)
A exposição acabou logo, a maioria dos alunos já tinham ido embora, inclusive nossos amigos.
— Ei, quer ir tomar alguma coisa comigo? Um sorvete ou um café, ainda não posso beber nada com álcool por conta dos remédios... - Ele diz descontraído.
— Claro, aceito um café!
Saímos juntos da escola de artes e ao ir caminhando até a cafeteria mais próximo Tomy pegou minha mão.
— O que tá fazendo...?
— Segurando a sua mão... Eu posso? - ele sorri suavemente me olhando de forma carinhosa, senti meu rosto queimar.
— Pode...
...
Depois de fazer nossos pedidos esperávamos o café e conversávamos sobre aquele passado apagado.
— Bell, quando é o seu aniversário?
— Em... Pouco mais de uma semana...
— Vai me dizer o dia, ou não? - Me encarou.
— Eu não gosto muito de comemorar meu aniversário...
— prometo que farei ser um dia bom e divertido!
— Certo... É Na terça que vem...
— Não está mentindo? Olha que eu pergunto pro seu irmão hein!
— Estou dizendo a verdade
— Ok então... E muito obrigada do presente... Vou guardar com muito carinho e usar ele para tentar me lembrar do dia em que o fizemos!
...
Um pouco mais para a tarde depois de falar bastante sobre tudo que vivemos ou quase tudo, manias e piadas Internas, e claro matando a saudade dessa uma semana que se passou sem conversar, voltei para a que ten sido minha casa nas últimas semanas, o apartamento de meu irmão.
Liguei para minha mãe, diversas vezes mas não consegui conversar com ela em nenhuma, toda vez que ela atendia eu entrava em Pânico e desligava.
— Você... Tá bem próximo do Taeyoun né? - Guil diz tranquilo sentado no sofá.
— É... Você sabe o contexto da história... - Mesmo que eu e Tom tenhamos escolhido manter a nossa situação em segredo, fiz questão de não esconder nada de meu irmão, para não preocupa-lo.
— E então, alguma coisa hoje?
— Nada... Mas tudo bem em alguma momento quem sabe!
— Não se prenda a isso por tanto tempo, está deixando de viver coisas boas por causa dessa passado...
— Estou certa disso, não estou deixando de viver nada, é apenas um assunto que encaixamos durante nossos passeios...
— Que bom, não quero te ver m*l de novo minha irmã, se precisar conversar sabe onde eu estou!
— Dormindo?
— Exatamente! - rimos.
(...)
Já era a quinta vez que tentava ligar para Taeyoun, mas ele não atendia, a única coisa que recebi foi uma mensagem dizendo que precisávamos conversar.
Ele foi até a minha casa atual, e a conversa não ia para um rumo muito bom.
— Acho melhor nos afastarmos, lembrei da minha antiga vida e acho melhor que fique por isso mesmo, se eu não lembrei de você até agora então é melhor que seja assim, por favor não me ligue mais!
A cada palavra eu sentia uma pontada no peito comecei a ficar com falta de ar e senti as lágrimas começarem a cair.
— Ei Bell! - Escutei alguém chamar de longe.
Aquilo se repetia constantemente me deixando com o ar cada vez mais curto.
Abri meus olhos ofegante e dei conta que era só um pesadelo.
— Ei o que foi? - meu irmão pergunta.
— Nada... Preciso de água...
— Você tá bem?
— Acho que sim foi só um sonho ruim...
— Tudo bem... Aqui! - ele estende a minha garrafinha.
...
Os dias foi se passando e mais uma vez, estava na falha tentativa de despertar as memórias de Tom, aquilo estava me deixando cansada.
— O que você tanto pensa em moça bonita, já está calada a alguns minutos...
— Não é nada, só... Preciso de café, estou com sono, estou dormindo m*l por esses dias...
— Isso tem a ver comigo?
— Tem um pouco...
— Não éramos só amigos né?
— B-bom... Não exatamente...
— Me conta!
— Não acho que seja uma boa ideia.
— Bell, fala o que éramos então?
— Bom, você... Já tinha se declarando uma vez... E apesar de ser recíproco eu fui bem covarde, achei uma loucura e só ignorei isso
— Você me deu um fora então, é... Compressível na verdade! Mas não é só isso você tá com essa carinha amarrada a semana toda.
— Sempre acordo do mesmo pesadelo, ou as vezes um outro que, me deixa tão feliz...
— O sonho que te deixa feliz... Seria um em que eu já tenha me lembrado?
— É... Mas tudo bem, sabe tô começando a achar que devíamos dar um tempo disso, desse assunto, me sinto presa no mesmo lugar desse jeito...
— Tudo bem então, vamos dar um tempo desse assunto, que tal, você vir comigo hoje a noite para o parque?
— Sério?
— Sim! Vamos nos divertir um pouco!
(...)
Esse tempo que demos levou em torno de uma semana, fizemos boas memórias e bem divertidas quase como antigamente porém ainda melhor, pensei se valia a pena, voltar as tentativas se nada dava certo.
Talvez fosse hora de desistir.
estava agora deitada na minha cama, pensando em como minha mãe estava agora, lembrei da minha casa, do meu quarto e minhas coisas.
"Minhas coisas..."
A caixa que coloquei tudo que tinha sobre Tomy, ela poderia ser o último recurso.
Era por volta das seis da noite ainda, daria tempo de ir, e voltar entrando pela janela, a caixa estava fácil em cima do guarda roupas era só ir pegar e voltar.
Pensei melhor e tentei dormir, algumas notificações chegaram em meu celular mas eu não estava com cabeça para responder nenhuma delas.
Ficou tarde, já era quase onze horas e aquela ideia maluca não saia da minha cabeça, era só duas ruas de diferença, eu conseguiria ir rápido, meu irmão não me deixaria voltar lá depois do que ouve mas eu preciso daquela caixa.
— Vai ser rápido...
Saí de fininho agasalhada em duas blusas e calças, uma touca e uma máscara.
Não demorou já estava em frente a janela de meu quarto, pulei a janela e usei a cadeira da mesinha de estudos para encontrar a caixa.
Assim que a vi, tentei pegar mas logo ouvi passos se aproximando da porta.
Me apressei em alcançar a caixa e pular a janela de volta, mas quanto mais eu tentava pegar a caixa mais pra longe da beirada ela ia. A porta se abriu de repente, meu coração acelerado me fez acreditar por um segundo que logo teria uma parada cardíaca.
— Olha só quem voltou... - Me virei lentamente, ja esperando o pior, mas ja havia reconhecido aquela voz era ainda pior do que o pior, minhas pernas bambearam.
— E-eu só vim buscar uma coisa...
— Eu não to nem ai para o que você veio buscar! - Cruzou os braços calmamente.
— Eu ja estou indo embora...
— Ah não ta não, vamos ter uma conversinha sua peste!
— Onde esta a minha mãe?
— Não esta em casa, foi ver a mãe dela ou algo assim...
Tentei correr em direção a janela, e senti minha cabeça doer de repente, Yunjoon me segurou pelos cabelos, o que me deixou furiosa e apavorada.
Puxei sua outra mão, e mordi seu braço, ele me largou pela dor, e então sai correndo e pulei a janela, ele veio atrás de mim, correndo ainda mais rápido do que eu conseguiria meu corpo foi de encontro ai chão, me debati tentando ne soltar mas não consegui, tentei gritar mas ele tapou a minha boca, e bateu minha cabeça no chão daquele asfalto, ainda tentando me soltar ele repetiu a pancada, fiquei fraca vi as coisas ficarem embaçada, estiquei meus braços ainda na falha tentativa de escapar mas na terceira pancada no chão, a última coisa que eu vi, foi o céu, estava lindo e cheio de estrelas.
Na minha mente escova a minha própria voz sofrega.
"Socorro..."