capitulo 11

1187 Words
LOUISE BIANCHI Acordo com uma dor de cabeça absurda. Sabia que não deveria ter abusado da bebida. Agora, terei que passar mais de oito horas dentro de um avião morrendo de dor. Que ideia brilhante, Louise! A noite de ontem foi uma loucura: bebi, dancei, chorei e abracei bastante minha amiga. De tudo o que deixo na Rússia, o que vou sentir mais falta é da minha família e da Helena. Nos conhecemos desde criança e nunca me preparei para o momento de deixá-la; essa, sem dúvida, será uma das minhas maiores dificuldades. Desço para tomar café e passar a manhã com a família antes de encontrar Helena para o almoço. — Bom dia, papai. Bom dia, mamãe. FREDERICO: Bom dia, tempestadezinha. CECÍLIA: Bom dia, querida. Tudo certo para a viagem? Já pedi que levassem suas malas para o jato, assim não precisa carregar peso, já que sei que passará o restante do dia com a Helena. — Obrigada, mamãe, nem tinha pensado nisso. CECÍLIA: Sei que não, por isso você tem uma mãe maravilhosa. Ela pisca para mim e senta-se. Lucca entra na cozinha e beija o topo da minha cabeça. LUCCA: Bom dia, princesa. — Bom dia, maninho. Será que antes de ir para a empresa você pode me deixar na casa da Helena? LUCCA: Claro, Lou. Saímos depois do café. Termino de comer e me despeço dos meus pais. No carro, Lucca me entrega uma caixinha de veludo azul que estava no porta-luvas. Dentro, há uma pulseira linda com o símbolo de Áries, meu signo. — Que lindo, Lucca! Eu adorei, obrigada. Dou um abraço apertado no meu irmão. LUCCA: Mandei fazer especialmente para você, minha ariana favorita. Nunca esqueça de quem você é, Lou. Eu te amo mais que tudo e me desculpa por não poder isentar você das responsabilidades da máfia. Eu queria muito poder te livrar disso, mas infelizmente está fora do meu alcance. Apenas posso te desejar boa sorte e que seja muito feliz. Já estou chorando. Chegamos à casa da Helena e ela me espera na porta. HELENA: Bom dia, cachaceira! — Bom dia, amiga. Nunca mais me deixe abusar da bebida; tem um carrossel na minha cabeça. HELENA: Ontem você precisava, era sua despedida de solteira em uma balada russa! Vem, tenho um presente para você e depois vamos fazer umas compras e almoçar. Entramos e, no quarto dela, há uma caixa enorme sobre a cama. — O que é isso, Helena? HELENA: Seu presente, mas não pode abrir agora. Só quando estiver no avião. — Vou morrer de ansiedade, não faz isso comigo! HELENA: Deixa de ser curiosa, Lou. Agora pega seu presente e vamos. Fomos ao shopping e aproveitei para comprar algumas coisas. Conversamos tanto que parecia que nunca mais iríamos nos ver. Quando meus pais avisaram que estavam na pista de voo, Helena me levou ao aeroporto. Foi um turbilhão de emoções: o abraço da mamãe, a despedida do papai, as mensagens do Lucca e o "eu te amo" rápido da Helena. Entro no avião com o coração apertado. Vejo a aeronave levantar voo e as pessoas que amo ficando distantes. Apesar da dor, sinto uma expectativa estranha por essa vida nova. Não há nada que eu possa fazer para mudar isso. BEATRICE: E aí, cunhadinha, empolgada para conhecer a Itália? Sei que é tudo muito novo, mas você acostuma rapidinho. Vou estar lá para te ajudar. Sei que não nos conhecemos tanto, mas saiba que pode ver em mim um apoio. Agradeço a gentileza de Beatrice e resolvo dormir. Acordo com ela me chamando para o pouso; dormi a viagem toda. Na Itália, já é noite. Há vários carros e seguranças esperando nossa escolta. Detesto ter um monte de brutamontes atrás de mim, mas parece que agora não terei escolha. Chegamos à casa dos pais de Beatrice. É um lugar absurdo, de um luxo extremo e beleza exuberante. BEATRICE: Sim, eu sei, a casa é enorme. Acontece que o papai tem sérios problemas com locais pequenos, não me pergunte por quê. Parece que eu estava babando no lugar, já que ela percebeu. Somos recebidos pelos meus futuros sogros. AMÉLIA: Seja bem-vinda à Itália, minha querida. ALFREDO: Bem-vinda, Louise. Sinta-se em casa. AMÉLIA: Beatrice, leve Louise para o quarto. A viagem foi longa e acho que devem estar cansadas. Amanhã começaremos com os preparativos; temos muito pouco tempo e muita coisa para fazer. Boa noite, minha querida. Beatrice me arrasta escada acima e me acomoda em um quarto ao lado do dela. Minhas malas já estão aqui. Pego a caixa da Helena e abro. Deparo-me com fotos nossas — uma do meu aniversário de oito anos, outra do primeiro dia de faculdade — e um vestido magnífico da Chanel. Mando uma mensagem para a Helena e ficamos conversando por horas até eu cair no sono. Na manhã seguinte, o dia está quente. Visto algo confortável, já que minha sogra vai me arrastar pelos preparativos. Desço para procurar a cozinha e acabo me perdendo. — Procurando algo, senhora? Dou um pulo de susto. — Sim, estou procurando a cozinha. Pode me mostrar onde fica? Antes de chegar à sala de jantar, ouço vozes. Lá estão Beatrice, meus sogros e Caio. Todos me olham. Amélia me chama e sento-me ao lado de Caio. — Bom dia, desculpa dormir demais. AMÉLIA: Não tem problema, querida. Hoje temos muita coisa para fazer. Caio não me dirige a palavra diretamente. Depois do café, quando saio do banheiro, dou de cara com ele sentado na minha cama, segurando a foto minha com a Helena. CAIO: Se conhecem há muito tempo? — A vida toda. CAIO: Deve estar sendo difícil deixar tudo para trás. — Nem tanto. Minha família e a Helena podem me visitar sempre que quiserem. Só tenho que me acostumar a vê-los com menos frequência. CAIO: Entendi. Se precisar de algo, é só... — Te pedir? Eu sei. Obrigada por isso. CAIO: Isso. Deu tudo certo com a transferência da faculdade? Se quiser, posso pedir para o Enzo pesquisar as melhores para você. — Não precisa se incomodar. Já vi isso, só preciso ir lá fazer a matrícula na semana que vem. Agora preciso descer, sua mãe disse que o dia seria corrido. Até mais, senhor Santoro. CAIO: Caio. — O quê? CAIO: Me chame pelo primeiro nome. Me sinto muito velho quando me chama de "senhor". — Talvez você seja. Até mais, Caio. Chega a ser crime chamar esse homem de velho; ele é um absurdo de gostoso. Saio dali rápido, o ar estava ficando escasso. O dia é exaustivo, cheio de provas de vestido e degustação de bolos. Para minha surpresa, Caio é obrigado pela mãe a participar da degustação. Ele parece impaciente, revirando os olhos, o que me dá vontade de rir. Voltamos para casa exaustos. À noite, converso com Helena sobre como Caio me evita e eu faço o mesmo. Na manhã seguinte, vou à academia da mansão para tentar relaxar. Chegando lá, dou de cara com Caio na esteira, sem camisa, de calça de moletom e suado... muito suado. Vou te contar, que perdição!
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