LOUISE SANTORO
Acordo pela manhã e, para minha surpresa, não sinto nenhuma dor. Helena embarca hoje para a Rússia novamente e sinto que ela não está nada empolgada em voltar. A sensação de impotência me atormenta; não consigo entender como o Marco permite isso, e o pai dela... isso é o que mais me choca. Acordo bem cedo, tomo um banho relaxante e desço para tomar café.
— Bom dia, Marina.
MARINA: — Bom dia, dona Louise. Já sirvo o café, só um instante.
Tomo meu café e sigo direto para buscar Helena e levá-la ao aeroporto. O momento da despedida é dilacerante.
HELENA: — Obrigada pelos dias e pelo ombro amigo, Lou. Eu precisava tanto desse carinho que nem me importo de viajar horas para ter tido isso.
Abraço minha amiga com toda a força que tenho, e ela desaba em lágrimas. Helena nunca foi de ser assim; ela sempre foi a pessoa positiva do grupo. Dói ver a fragilidade que forçaram sobre ela.
— Fica bem, amiga. Eu te amo.
Ela gesticula um "Eu te amo" de volta e embarca. É insuportável ver quem amamos sofrer e ter as mãos atadas, sem poder fazer absolutamente nada.
Saio do aeroporto e sigo para a faculdade. Chego atrasada, entro de fininho e me sento. Estamos na semana de provas, então o clima na sala é de pura tensão.
LAURA: — Eu não entendo nada do que essa professora fala. É só comigo?
SARAH: — Sim, Laura, é só com você. Talvez se você prestasse atenção nas aulas igual presta atenção em homens que só querem te usar, você entenderia alguma coisa.
— Tenho que concordar com a Sarah, você está muito desatenta.
Laura apenas revira os olhos. Sarah insiste, mas é inútil. De repente, Laura solta um suspiro:
LAURA: — Mio Dio, que homem lindo!
Olhamos na mesma direção e meu coração acelera. Encostado em um Porsche preto, está o Caio. Sem terno, vestindo apenas calça jeans preta, uma blusa básica e jaqueta de couro. Eu não sabia que ele poderia ficar ainda mais atraente com roupas casuais. Ele desencosta do carro e caminha em nossa direção. Laura já fica toda assanhada.
CAIO: — Boa tarde.
Laura é a primeira a responder, toda melosa. Caio apenas dá um aceno seco de cabeça e foca os olhos em mim.
CAIO: — Vim te buscar para almoçarmos.
Ele diz isso olhando no fundo dos meus olhos, puxa-me pela cintura e deposita um selinho possessivo em meus lábios. Laura nos olha com uma cara de interrogação que me dá vontade de rir.
— Meninas, este é meu marido, Caio. Essas são Sarah e... Laura.
Ele cumprimenta as duas, eu me despeço, e saímos de mãos dadas. A cara de choque da Laura é impagável, enquanto Sarah mantém a compostura de quem já sabia de tudo.
— Por que veio me buscar hoje?
CAIO: — Não posso buscar minha mulher na faculdade?
Sinto uma nota de sarcasmo em sua voz, mas decido ignorar.
— Pode, claro. Mas da próxima, me avise para não ser pega de surpresa.
CAIO: — Se você prefere assim, pode deixar que na próxima eu te aviso.
— Próxima? Achei que fosse ocupado demais para esse tipo de coisa.
CAIO: — Não se preocupe, eu tenho tempo.
Não estendo o assunto e o restante do caminho segue em silêncio. Chegamos a um restaurante maravilhoso.
— Nossa, que lugar lindo.
CAIO: — Sim, é lindo. Minha mãe tem muito bom gosto.
— O restaurante é da sua mãe?
CAIO: — Este e alguns outros espalhados pela cidade.
Ficamos conversando e, admito, o almoço não foi nada r**m. Ele ainda me convida para ir a uma de suas boates à noite. Agora, estou aqui me arrumando. Escolho um vestido tubinho vermelho, botas de cano alto e um sobretudo. Deixo o cabelo solto, carrego na maquiagem, passo batom vermelho e meu perfume favorito. Olho-me no espelho e agradeço pela genética.
CAIO: — Fico impressionado com a habilidade de vocês, mulheres, de usar sapatos tão altos.
Viro-me e ele está encostado no batente da porta, mãos no bolso da bermuda clara, blusa polo branca. Um gato.
— Obrigada. Você também não está nada m*l.
Ele solta uma gargalhada que me hipnotiza.
CAIO: — Vamos, Beatrice e Enzo já estão nos esperando lá embaixo.
Fomos todos no mesmo carro.
BEATRICE: — Hoje eu preciso de bebidas fortes. Muitas emoções para um dia só.
— O que houve, Bea?
BEATRICE: — Não está sabendo, cunhadinha? Vou me casar daqui a dois meses.
— Ah, eu não sabia... devo te dar parabéns?
BEATRICE: — Não. No mínimo, meu pai está com raiva de mim por permitir que o Caio faça isso.
Olho para o Caio, que contém um sorriso, enquanto Enzo está com uma cara de poucos amigos. Chegamos à boate e o local está lotado. Subimos ao camarote e eu e Beatrice vamos ao bar.
— Fala logo, com quem você vai casar que te deixou tão p**a?
BEATRICE: — Enzo. Não sei por que o Caio fez isso. Se a intenção dele era transformar a vida do melhor amigo em um inferno, ele acertou em cheio. Não vou facilitar em nada, vou fazer ele se arrepender de ter topado essa loucura.
Depois de um tempo, fomos para a pista. Dançamos até ficarmos suadas e ofegantes. Subimos as escadas de volta ao camarote e, quando passo pela porta, o mundo para: Maresa está beijando o Caio.
Não penso. Não discuto. Apenas viro as costas e desço as escadas. Ter uma amante já é um absurdo, mas ele achar que eu tenho que ficar no mesmo ambiente que ela é o cumulo. Saio da boate ofegante, com o coração batendo descompassado. Controle-se, Louise, digo para mim mesma. Faço sinal para um táxi e entro. Pela janela, vejo Caio sair da boate, provavelmente me procurando. Meu celular vibra.
CAIO: Louise, cadê você??
Ignoro a mensagem. Só quero minha casa. Só quero distância dele.