CAPITULO 20

1328 Words
CAIO SANTORO Durante toda a celebração do casamento, Louise praticamente não trocou uma palavra comigo. Cumprimentamos dezenas de convidados juntos, lado a lado, e ela manteve impecavelmente um sorriso no rosto o tempo todo. Porém, olhando de perto, os olhos dela denunciavam um cansaço profundo e uma tristeza que me incomodava. Quando finalmente ficamos livres das obrigações com os velhos da máfia, pensei em sentar com ela para tentar conversar, mas ela simplesmente desapareceu para dentro da casa dos meus pais. Preferi respeitar o espaço dela. ENZO: Whisky, Don Santoro? — Enzo se aproxima me estendendo um copo transbordando gelo. — Deixe só o Claus ver você secando a irmã dele desse jeito, Enzo. Quero ver o que sobra de você. ENZO: Eu não estou secando ninguém, Caio! Estou apenas admirando... Temos que admitir, a garota é linda pra c*****o. — É... realmente ela é. Será que ela já foi prometida a alguém da máfia russa? ENZO: Ficou maluco? — Enzo me fuzila com o olhar. — Nem brinca com isso, cara! Ficamos bebendo no canto do salão até que Helena, a melhor amiga da Louise, se junta a nós dois. Não demora muito para o clima entre ela e o Enzo começar a esquentar visivelmente, com trocas de olhares provocantes, então decido me retirar para deixá-los a sós. Vou até o bar principal do jardim pegar mais uma dose de bebida e é exatamente nesse momento que vejo Louise atravessar o salão às pressas em direção às escadas. Ela está chorando sem conter as lágrimas, o rosto completamente limpo sem maquiagem e os olhos vermelhos e inchados. Aquela visão me atinge de uma forma avassaladora no peito, algo que eu definitivamente não esperava sentir. Decido encerrar a noite ali mesmo. Pego as chaves, chamo-a e vamos para o meu carro. Fizemos todo o trajeto em um silêncio absoluto e pesado, até que ela encosta a cabeça no vidro e pega no sono pelo cansaço acumulado. Quando finalmente estaciono na garagem e entramos no meu apartamento, ela acorda meio confusa, olhando em volta. — A nossa casa definitiva só ficará totalmente pronta na semana que vem. Por isso vamos ficar aqui por enquanto. LOUISE: Onde fica o quarto de hóspedes? — ela pergunta, com a voz fria e distante. — Eu... não sabia que dormiríamos em quartos separados hoje, mas sem problemas. A sua mala já está no meu quarto. Fique à vontade para tomar o seu banho, vou preparar algo leve para você comer. Ela nem responde. Apenas se vira e sobe as escadas, deixando-me sozinho na sala escura. A ficha finalmente cai pesada na minha cabeça: será assim daqui para frente? Um casamento de fachada com uma mulher que me odeia? Fico encarando o corredor por um bom tempo antes de me render ao cansaço e ir dormir no meu quarto. Na manhã seguinte, desço bem cedo e a encontro na cozinha, já vestida e tomando uma xícara de café. — Bom dia... LOUISE: Bom dia. Fiz café e preparei algumas torradas na mesa. Espero que você goste de café bem forte. Ela fala tudo em um tom mecânico, sem sequer olhar na minha cara uma única vez. A indiferença dela me irrita profundamente. — Louise, para. Precisamos conversar sério agora. Ela suspira fundo, se levanta da bancada e caminha em direção à sala de estar. Senta-se na poltrona individual e, pela primeira vez desde ontem, seus olhos encontram os meus. Mas não há brilho algum ali; os olhos dela estão completamente vazios. — Louise, eu já te disse desde o início qual era a minha intenção com esse casamento, mas nós não precisamos agir como dois estranhos inimigos. Nós vamos morar sob o mesmo teto. Podemos perfeitamente viver em paz e ter uma convivência saudável. LOUISE: Caio, escuta bem: eu sei perfeitamente que você não queria casar comigo. Nós vamos fazer a nossa parte social perante a máfia e ser um casal perfeito para o público e para os jornais. Mas, dentro de casa, entre quatro paredes, eu não vou continuar interpretando esse personagem babaca. Não me meterei na sua vida pessoal e você não se meterá na minha. Nosso contrato entra em vigor estritamente a partir de hoje. A ousadia da fala dela faz meu sangue esquentar. Dou um passo na direção dela, encarando-a com firmeza. — Você sabe muito bem o que acontece com uma mulher da máfia se me trair, não sabe? LOUISE: Como você mesmo me disse aquele dia... só se eu for pega. Agora, se não tem mais nada de importante para falar, eu vou me despedir dos meus pais e da Helena antes de eles irem para o aeroporto. Ela se levanta e sai pela porta sem olhar para trás. Fico parado no meio da sala, tentando processar e engolir a frieza cirúrgica dela. Passo o dia todo trancado na sede da máfia, trabalhando em dobro, mas com a imagem dela vestida de noiva martelando na minha cabeça a cada segundo. À noite, temos o evento de inauguração da nossa nova boate de luxo. Enzo me encontra na sala executiva e pergunta se vou levar minha esposa. — Não. Esses lugares barulhentos não são nem um pouco apropriados para a Louise. Vou levar a Maresa. Chegando lá, a casa está lotada. No auge da noite, depois de algumas doses de whisky, Maresa me puxa pela mão para a "Sala Roxa", um ambiente reservado e focado em práticas de b**m. Ela se prende voluntariamente à cama com as algemas e, de repente, pelo reflexo do espelho posicionado atrás dela, vejo a porta se abrir e alguém entrar. Meu coração dispara em um baque violento no peito: é a Louise. Ela está usando um vestido preto avassalador. Me viro com uma rapidez absurda, seguro-a firmemente pelo braço e a arrasto para um camarote totalmente reservado no corredor. Tranco a porta. — Que p***a você pensa que está fazendo aqui, Louise? Isso definitivamente não é lugar para você! Em vez de se assustar, ela se deita devagar no sofá do reservado, cruzando as pernas e olhando para mim com aqueles olhos azuis intensos que parecem ler a minha alma até o fundo. E eu percebo na hora: ela está provocada. Ela está excitada com a situação. LOUISE: Por que você está tão bravo, Santoro? Não foi você mesmo que disse essa manhã que eu poderia viver a minha vida em paz? Eu não fiz absolutamente nada de errado. — O que c*****o você estava fazendo dentro da Sala Roxa? LOUISE: Nada... ainda. Eu tinha acabado de entrar para ver como era. A propósito, você deixou a coitada da Maresa amarrada e algemada na cama lá. Tadinha... talvez algum cliente curioso esteja terminando o que você começou. O deboche puro na voz dela me enfurece no mesmo nível em que me atrai desesperadamente. A química entre nós é um barril de pólvora. — Chega dessa palhaçada. Vamos embora para casa agora. LOUISE: Negativo, meu caro. A Beatrice está me esperando lá na pista e eu vou curtir a minha noite. Perco o resto do meu autocontrole. Passo a mão por trás da sua cintura com força e a puxo contra o meu peito, colando nossos corpos. Sinto a respiração dela falhar instantaneamente. — Você está excitada comigo, Louise? Fala a verdade. LOUISE: Não... — A voz dela sai falhada, um sussurro fraco. Não aguento. Deposito beijos lentos e provocantes pelo seu pescoço, subindo pela mandíbula até chegar bem perto da sua orelha. Viro seu corpo de frente para mim em um movimento rápido, prendendo-a com firmeza contra a porta trancada. Passo o dedo polegar pelos seus lábios carnudos e beijo carinhosamente o canto da sua boca, sentindo o calor da sua pele. Ela solta um suspiro longo e pesado no meu rosto. Encosto minha testa na dela, mantendo o meu volume pressionado contra o corpo dela. — Me fala o que você quer de mim, Lou... É só pedir. Fala. LOUISE: Me beija...
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