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A noite parecia comum. Daquelas com vento leve e cheiro de cidade cansada. Eu precisava sair. Esvaziar a cabeça. Kayle percebeu meu incômodo desde o fim da tarde e nem perguntou — só apareceu com duas garrafinhas de chá gelado e um "vamos andar, só isso". — Pode ser até até a praça e voltar. — ela disse, com aquele olhar que entendia sem precisar ouvir. Pegamos as bicicletas da faculdade emprestadas e saímos do campus. Pedalamos devagar, falando pouco. Era aquele tipo de silêncio bom, que servia mais pra acalmar do que pra dizer algo. — Quando tudo começou a dar certo, eu já sabia que alguma coisa ia desandar. — comentei, sem saber por quê. — Não é assim que a vida funciona. — Kayle respondeu, me olhando de lado. — Às vezes ela te dá espaço pra respirar... mesmo depois da tempestade.

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