Passaram-se segundo que mais pareciam horas intermináveis. A mão de Evelyn não parecia querer se mover por conta própria, por mais que ela tentasse se esforçar para executá-lo sem remorso, como em muitos outros casos, não conseguia.
Estava parada, olhando estupidamente para os olhos dele, sem nem piscar. Naquele ângulo e posição não se sentia nada confortável em matar um Vittore. Aquele corpo estava quente e o pervertido estava duro, ele a olhou intensamente, também não puxou o gatilho. Aqueles olhos a inspecionaram com cuidado, o que a deixou ainda mais desconfortável.
Ficaram olhando um para o outro ao invés de se matarem como haviam declarado uns segundos atrás.
O que estou esperando para mätá-lo?
Isso nunca tinha acontecido com ela, de todos os monstros que ela enfrentou, sempre agiu a sangue frio e agora... um maldito loiro a fazia até tremer.
Seu coração continuava galopando com força no peito. O que diabos ele estava esperando para atirar nela? Talvez fosse pelo que havia dito sobre ela ser uma ajuda. Ela não iria mätá-la, estava apenas blefando, então porque ele ainda estava respirando? Porque ela estava hesitando?
De repente, sentiu uma mão puxar o braço dela quebrando todo tipo de contato e conexão de olhares. Evelyn viu um de seus homens andar em sua direção, mas o guarda do Vittore a segurou pela cintura e encostou a própria faca dela no pescoço.
Mërda...
Evelyn ficou tensa quando o loiro ficou em sua frente, de costas para ela. Liam apontou sua arma encorajando os outros a fazerem o mesmo. O ïdiota nunca parava de surpreendê-la. Ela não entendia o que deu no Stephan para colocar aquele sem cérebro no comando dessa operação, ele só sabia pensar na frente de um computador, era péssimo sob pressão.
— Solta ela, Vittore. Não vou repetir isso de novo.
— Não. Na verdade você vai me deixar levar ela, sabe por quê? Porque se não eu mato todos vocês. Começando por essa belezura...
Ele ameaçou segurando o rosto da agente Riley e colocou a arma na mandíbula dela.
— Eu não vou fazer uma coisa dessas e você não vai...
— Cala a boca, dröga! — Evelyn gritou olhando para Liam e o guarda a segurou com mais força. — Você vai deixá-los ir e eu irei com você. Mas eu não quero mais nenhuma baixa Vittore.
Araciel olhou para ela por cima do ombro com um sorriso. Ela olhou para o Liam, que a olhava hesitante quanto a esse acordo. Não podia culpá-lo, também achava que sua ideia era uma estupidez, mas uma vida era melhor que oito, e ela nunca se perdoaria se permitisse que Riley fosse morta em sua frente.
— Eve...
— Fica quieta, Riley, vocês vai sair daqui, não é Vittore? — Evelyn voltou sua atenção para Araciel. — Ouvi dizer que os Vittore sempre cumprem sua palavra.
É o único jeito. — Ela repetia indefinidamente, precisava acreditar que havia algum valor naquele criminoso nojento.
— O que está esperando?! Estou dando uma ordem tenente Jones!
— Não vou deixá-la aqui.
— Não estou pedindo permissão, saiam todos agora. É isso Vittore, deixe-os ir.
Araciel olhou para ela e acenou com a cabeça, os agentes saíram um por um deixando as armas com os guardas. Restavam apenas o Liam e todos os inimigos.
— Deixem que saiam. — Araciel ordenou e seus homens libertaram os agentes. Evelyn suspirou de alívio, ao ver que eles voltariam para casa, para seus filhos e cônjuges. Liam foi deixado sozinho com sua mandíbula e punhos cerrados. O loiro veio até ela com um sorriso cínico nos lábios.
— Tire ela daqui, ela vai conosco dar uma voltinha.
— Tenente...
— Eu vou ficar bem. Vai pra casa. — Liam fechou os olhos por alguns segundos, depois ergueu o queixo. Ele fez uma pequena reverência e se foi.
— Vamos sair daqui. — Araciel saiu na frente.
Foi o suficiente para o guarda arrastá-la até a saída do fundo e colocá-la em um carro blindado. O homem a soltou no banco de trás onde estava o loiro, que olhava para um envelope que tinha em mãos. Ela se moveu um pouco desconfortável e lembrou que tinha uma arma entre as pernas, instintivamente as fechou e sua mente começou a trabalhar em um plano.
Se ela atirasse no guarda e no piloto, o Vittore ainda tinha muito tempo para reagir. Talvez devesse atacá-lo primeiro e depois chantagear os outros.
— O que você acha tenente? — Evelyn sentiu a respiração em sua bochecha e se arrepiou.
Se recusava a virar e olhar para ele, estava com as mãos no colo e aos poucos começou a sentir a arma, poderia mätá-lo ali mesmo, poderia acabar com ele. Mas caramba, porque ela não fez isso antes? Não poderia continuar deixando esses desejos irracionais continuarem tomando conta da sua razão. Era sua missão.
Então não pensou muito mais sobre isso. Deslizou suas mãos sobre o vestido e pegou a arma. Porém ele foi mais ágil, pegou a mão dela deixando a arma bem entre suas pernas e então começou a rir feito um löuco.
— Você é muito teimosa e perspicaz, Evelyn. — Ela ficou tensa e a raiva cresceu muito mais. — Eu gosto disso.
Seu corpo inteiro vibrou quando o cano da arma se moveu sutilmente em sua área sensïvel, foi uma sensação tão boa que ela teve o instinto de gëmer, mas a raiva nunca permitiria. Era óbvio que aquele homem não se deixaria enganar facilmente, ele não era como todo mundo.
Evelyn sentiu os lábios dele em seu pescoço, sua respiração ficou pesada e seu corpo parecia estar desmoronando. A mão livre dele levantou seu vestido discretamente, Evelyn estava soltando a arma como se já não tivesse consciência de nada. Aquele cheiro estava deixando ela löuca, mas aquela proximidade era com certeza a maior tortura.
— Me dá a arma Evelyn. — Araciel sussurrou na pele dela.
Evelyn lentamente retirou a arma e entregou para o homem ao seu lado. Mas em nenhum momento ele parou de tocá-la, sentiu os dedos dele roçarem suas mãos e depois suas coxas. Seu corpo estava respondendo, sua respiração estava descontrolada e sua mente parecia hipnotizada por ele. Ela estava fora de si.
Os dedos dele subiram até o elástico da calcïnha dela, a respiração de Araciel também ficou mais pesada e seus lábios se moveram para a parte de trás da orelha dela. Evelyn não se moveu, nem conseguia.
Porque ainda não deu um soco nele ou se afastou ou até mesmo se recusou a deixá-lo continuar? A verdade é que ela não podia, na realidade não queria que ele parasse.
Antes que ela pudesse processar, ele pegou a calcïnha e a arrancou sem avisar.
Evelyn engasgou em choque e seus olhos se arregalaram quando ele interrompeu todo o contato. Ela se virou para ele e seu corpo começou a assumir o controle novamente. Araciel não estava mais tão perto, olhou para ele fazendo seu melhor esforço para parecer determinada e baixou o vestido para não revelar nada. Ela tentou dizer qualquer coisa, xingá-lo ou dar uma bronca, mas caiu em si assim que ele levantou a mão mostrando a peça e olhou para as pernas dela.
Pörra o que tem de errado comigo? Fiquei löuca? Isso não está acontecendo, é um pesadelo, um sonho ruïm, sim é isso.
— Mãos na frente, tenente. — Ordenou ele com seriedade.
Ela não obedeceu, se recusava a agir ainda mais estúpida. Continuou no seu lugar com sua cara nada amigável, o que o divertiu, enquanto ria ele puxou as mãos dela e mesmo Evelyn lutando contra, ele a amarrou com a própria calcïnha.