08

2188 Words
— Hahaha. Muito engraçado. Agora solta senão a próxima coisa que você vai ver é um punhal direto no seu olho. — Onyx blefou, mesmo que não estivesse levando nenhuma arma consigo. Atticus riu e tirou as mãos da cintura dele, erguendo-as em sinal de rendição. O vampiro dobrou a asa esquerda sobre o próprio corpo, usando ela como uma espécie de cobertor. — Tão bruto... Com quem aprendeu a ser assim? — provocou, abrindo um sorriso largo e expondo suas presas. Nyx revirou os olhos e puxou as pernas até o peito novamente, enviando elas debaixo da camisa como sempre gostava de fazer quando era criança e estava com frio. — Minha mãe. — O jovem deu de ombros, embora seu tom deixasse claro que ele não queria falar sobre isso. O vampiro confirmou com um aceno curto e resolveu não fazer mais perguntas sobre isso, percebendo que o assunto que envolvia a mãe de Onyx era sempre delicado. — Quer jogar? Uma pergunta por uma pergunta. — Atticus esticou a outra asa e a colocou por cima dos ombros de Onyx, que soltou um suspiro ao perceber o quão quente e macia ela era, e o calor definitivamente não era por ela ter ficado no fogo por alguns segundos, pois era uniforme por toda sua extensão. — Comece. — Nyx respondeu, dando de ombros. Aquilo era melhor do que ficar entediado o resto da noite. — Como matou o primeiro vampiro? — Atticus perguntou enquanto fazia a fogueira se mover um pouco para mais perto, embora o fogo tenha diminuído um pouquinho de tamanho e tenha ficado mais uniforme, como se ao invés de labaredas dançantes agora fosse a chama de um fogão. — Tinha dezoito anos. Não sabia nada sobre vampiros, então tentei fazer com uma estaca de madeira. No fim, ele morreu mesmo assim quando eu enfiei a estaca no olho dele. — o rapaz murmurou, lembrando do primeiro vampiro com quem encontrou. Aquele dia foi o primeiro e único em que ele havia sido mordido por um dos sanguessugas. A sensação foi absurdamente esquisita, fazendo seu corpo responder por vontade própria de uma forma desconcertante. Além disso, ele passou os dias seguintes completamente desesperado, pois as feridas no seu pulso não curavam de jeito nenhum. — Bom. Pelo olho você não encontraria nenhuma resistência do crânio. — Atticus confirmou, como se estivesse tentando imaginar a cena. — Como e quem transformou você? — O meio-humano perguntou, usando a sua vez de questionar. O olhar no rosto de Atticus ficou sombrio por alguns instantes, como se lembrar fosse um certo incômodo. — As coisas eram um pouco difíceis para pessoas negras naquela época. Não só para nós, na verdade, mas sim para a maioria da população. Os pretos que não eram escravos, eram excluídos da sociedade, pobres, sem ter onde ficar. A maioria das pessoas tinham dificuldades até para encontrar o que comer. — Começou ele, soltando um longo suspiro. Onyx sentiu uma pontada de culpa por ter perguntado aquilo, pois não deveria ter coisas que valiam à pena serem lembradas de 1740. — Eu tinha... Tinha uma pessoa que eu gostava, mas as circunstâncias não eram muito favoráveis para a gente. Ele era lindo, adorável, delicado, mas também era ambicioso e um tanto egoísta. Ambicioso o suficiente para dar sua vida em troca da imortalidade e egoísta o suficiente para me colocar no mesmo barco. — E-entāo não você queria? — Nyx gaguejou, tentando imaginar a dor desde tipo de traição. Ser morto por a pessoa que você um dia havia amado... — Não. Mas não era como se eu tivesse tido escolha. — Atticus riu da própria desgraça. O rapaz sempre achou a voz rouca dele maliciosa e provocante, mas naquele momento, só havia aspereza nela. — Eu podia ser forte, ainda sou, mas não tinha a menor chance contra um vampiro descontrolado. Quando acordei... Bom, você sabe, já estava desse jeito. E apesar de mortinho da Silva, continuei com a minha personalidade de sempre. Pelos séculos seguintes resolvi andar por aí e explorar o mundo, f***r com quem quisesse e acumular riquezas. — E-ele ainda está vivo? — Onyx perguntou, vendo o vampiro dar de ombros. — Espero que não, pra falar a verdade. Nunca mais encontrei com ele. — disse, e antes que o rapaz conseguisse abrir a boca para falar novamente, Atticus continuou: — Já respondi duas, Baby. Agora é minha vez. Por que seu nome é Onyx? Não é lá um nome muito comum. — Minha mãe que escolheu. Assim como obsidiana, Onix é usado para rituais e coisas ocultas do tipo. Existe um tipo de Onix vermelho que é um dos mais raros do mundo, e ela disse que tinha o mesmo tom do meu cabelo. — Nyx explicou vagamente, deixando de fora o fato da mãe sempre repetir a frase que disse quando os gêmeos tinham nascido: "olha o cabelo dele. Ruivo como fogo. Vermelho como sangue. A cor daquele demônio". — Bem... Diferente. — O vampiro disse, embora Nyx conseguisse ver nos olhos dele que o que ele queria dizer era "bem bizarro". — Minha vez: como é ser imortal? — É bem monótono as vezes. Saber que eu deveria ter morrido dois séculos atrás caso fosse humano ainda é bem... Perturbador. Eu ainda sinto que não vivi o suficiente, imagina se tivesse morrido com sessenta ou setenta anos?! Isso chutando bem alto, porque naquela época as pessoas morriam bem mais cedo, principalmente negros. Os brancos se preocupavam com doenças como varíola e gripe, já os pretos e mais pobres precisam com doenças, e********o, fome, torturas e tiros de carabina. — Atticus disse, rindo novamente. Onyx soltou um rosnado baixinho e tampou a boca dele com a mão. — Para de rir como se fosse algo engraçado, mané.— Disse ele, apertando a palma da mão contra os lábios cheios e absurdamente macios do vampiro. Onyx viu nos olhos pretos e cheios de diversão do vampiro o que ele estava pretendendo fazer, então arrancou a mão com uma velocidade surpreendente da boca dele, embora não tenha sido rápido o suficiente, pois Atticus agarrou o seu braço na velocidade da luz e o impediu de afasta-la. O rapaz achou que o vampiro iria lamber a sua palma, mas ao invés disso, Atticus dobrou a sua mão levemente para trás, deixando o pulso ainda mais visível, antes de lambe-lo de uma forma longa e demorada, passando a sua língua grande, quente e molhada pela pele fina dalí. — Minha vez de perguntar, Baby. — O vampiro sussurrou, ainda lambendo o pulso do rapaz. Onyx sentiu a sua pulsação aumentar e tinha certeza de que Atticus também conseguia sentir isso, seja com sua língua ou simplesmente ouvindo os sons do seu coração. — Deixa eu ver... Com quem você perdeu sua virgindade? — Ei!! Olha as suas perguntas, i****a!! — Nyx corou de forma absurda, puxando a mão com força e arrancando uma risada baixinha do vampiro, que pelo menos estava rindo dele e não do seu passado terrível. — Responda a pergunta, baby. — C-com um amigo da escola, satisfeito?! — Onyx rosnou, vendo o vampiro assentir solenemente. As lembranças do rapaz viajaram até aquele momento em específico, de quando tinha dezessete anos e transou com Jacob, um velho conhecido de infância. Sua primeira vez foi meio desajeitada, mas definitivamente maravilhosa. Onyx namorou com o amigo por seis longos meses, até Jacob decidir que a fatídica cidadezinha já não era mais o seu lugar e dar no pé. Ele havia chamado Onyx para fugir com ele, mas o meio-vampiro não podia deixar tudo trás daquela forma. — E como foi... — Epa epa. É minha vez de perguntar agora. — Atticus foi interrompido rapidamente pelo rapaz, que sabia muito bem o tipo de pergunta indecente que o outro iria fazer. Onyx pensou por alguns segundos e constatou que não tinha pensado ainda sobre qual seria a outra pergunta que gostaria de fazer, então perguntou a primeira coisa que veio a mente: — Acha que eu vou ser imortal? Ou viverei como humano? — Eu... Não faço ideia, Baby.— Atticus respondeu depois de alguns segundos pensando. — Você não é o grande vampiro sabichão que sabe tudo sobre mortos-vivos? — Onyx provocou, fazendo Atticus revirar os olhos e puxar as asas para mais perto do corpo ainda, levando o rapaz consigo, já que estava enrolado em uma delas. — hahaha. Muito engraçadinho. — Atticus revirou os olhos. Ele não sabia ao certo o que pensar sobre o assunto. Parecia meio esquisito desejar morrer cedo, assim como parecia esquisito desejar que o seu lado vampiro prevalecesse sobre o humano e o tornasse imortal. — O que você sabe sobre as espécies não humanas? — Bom... Só sei o que os vampiros que mato me contam antes de morrerem. Vou meio que juntando as informações. — Onyx deu de ombros. — Vampiros são imortais, podem sair no sol tranquilamente e são super fortes e velozes, embora precisem tomar sangue de vez em quando para não morrerem. Um vampiro faminto pode viver por vários meses sem tomar uma gota de sangue, mas vai ficando mais descontrolado e selvagem à cada hora. Para criar um vampiro, o sangue do humano precisa ser drenado até que ele só esteja à um milímetro da morte, então ele é alimentado com o sangue de um vampiro, que o tornará imortal. — Foi uma explicação bem grotesca e simples, mas é mais ou menos isso. — Atticus provocou, acariciando o pulso do rapaz de forma lenta com os dedos longos e quentes. — Cala a boca, mané. — Onyx grunhiu, tentando ignorar o formigamento presente na sua pele. — quando a transformação de humano em vampiro dá meio errado e ao invés de ficar por um fio de distância da morte a pessoa acaba morrendo de vez, caso ele tenha ingerido sangue o suficiente do vampiro, dalí alguns dias vai surgir um ghoul. Eles são um pouco mais lentos e menos fortes que os vampiros normais, e ao invés de sangue, eles precisam de carne para sobreviver. — Isso mesmo. E além disso, o ghoul tem uma ligação absurdamente forte com o vampiro que o criou, então geralmente eles são criados propositalmente para serem servos. — Concluiu Atticus, fazendo Onyx arregalar levemente os olhos, pois disso ele ainda não sabia. Isso significava que talvez todos aqueles humanos que iam se prostituir e servir aos vampiros em troca da imortalidade poderiam, na verdade, terem se tornado ghouls e escravos definitivos dos vampiros. — Também sei que ghouls podem passar tranquilamente meses sem comer absolutamente nada, desde que no fim provasse pelo menos um pouquinho de carne humana. Ghouls descontrolados porém resultar desde ataques à pessoas ou v******o de túmulos. — Onyx ficou um pouco enjoado só de pensar na ideia. — Já os lobisomens não são transformados. Eles nascem com a licantropia e passam de geração em geração. — E ao contrário do que acham, não somos inimigos naturais ou algo do tipo, apesar de ambas as espécies cuidadosamente fiquem longe dos domínios uma da outra pra evitar confusão. — Atticus concluiu, parando por alguns segundos enquanto pensava na própria pergunta. — Você... Sabe quem é seu pai? — Nunca o vi em f**a minha vida. — Respondeu Onyx. A simples menção do outro vampiro era o suficiente para fazer o conforto da conversa anterior cair por terra. — Tudo que sei é que ele é ruivo, e que o nome dele é Titus Listers. — Ah não. Cê só pode tá brincando. — Atticus arregalou os olhos e soltou uma risada amarga, como se dissesse "p**a que pariu c*****o c****e p***a desgraça..." — você conhece ele?! — Onyx avançou sobre o vampiro e agarrou seu braço musculoso, encarando os olhos escuros dele. — "Conhecer" não é bem a palavra certa, mas eu sei quem ele é. O cara realmente foi transformado à cerca de vinte anos atrás, o que significa que ele era um recém transformado quando... Enfim. Ele é realmente um pouco parecido com você fisicamente. — Explicou Atticus, fazendo o rapaz ficar completamente eufórico com o sentimento sombrio que assolou o seu peito. — Onde ele mora? O que faz? — Até a última vez que tive notícias, o que foi hoje de manhã, ele continua sendo o líder do maior clã de Vampiros de todo o estado. Tem sido o líder desde que o último vampiro foi morto por ele. — O vampiro n***o explicou, fazendo Onyx arregalar levemente os olhos, apesar de que a surpresa em saber que o pai era o líder de um bando de sanguessugas sequer abalou o sentimento que tomou conta do seu peito. — Você precisa me levar até ele!! — Por que, baby? Pensei que você quisesse o máximo de distância possível do sujeito. — Atticus ergueu uma das sobrancelhas grossas e retas, encarando o olhar sombrio no rosto de Onyx. — Porque eu preciso m***r ele, Atticus. Me livrar do merdinha doente com minhas próprias mãos. — Respondeu o rapaz, abrindo um sorriso lupino.
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