Outubro de 1966:
Rabastan andava de um lado para o outro em seu quarto e tentava repensar tudo que ele sentiu a alguns meses atrás quando conheceu Destiny Olwey. Ah! Só de pensar nela, seu coração batia forte como um tambor e sua boca ficava seca como um deserto. Ele estava apaixonado, não podia mais negar, mas ele não era o único, como poderia ser o único?
Destiny era maravilhosa, esperta, inteligente e com uma boca afiada que, por Merlim, fazia seu coração palpitar de tal maneira que alguns medibruxos poderiam dizer que era arritmia. Mas ela apenas o via como amigo ou até mesmo um melhor amigo.
Ele conhecia aquele olhar que ela dava para Antonin, era o mesmo olhar que tinha quando a via. Era o olhar de quem estava apaixonado.
Ele poderia ser o vilão tentando conquistar a mocinha, mas ele sabia que ele não era igual ao pai e só de lembrar como a mãe chorava por perder seu amor "verdadeiro" o fazia desistir de tudo, até mesmo de Destiny. Ele não seria igual ao pai que matou o homem que sua mãe amava, ele poderia amar de longe como outros faziam, claro que iria doer, mas ele poderia suportar, não é?
A porta de seu quarto abriu e a dona de seus pensamentos correu o abraçando, ah... Como aquilo era divino, mas ele tomou uma decisão com aquele abraço. Ele continuaria amando e desejando Destiny, mas ela nunca saberia disso e ele carregaria isso para o túmulo... Bom, ele tentou.
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8 de outubro de 1991: terça-feira.
Mais uma vez revirei meus olhos para o livro que estava lendo, nada daquilo fazia sentido. Imaginar que uma pessoa escreveu que Salazar e Godric eram inimigos devido a uma mulher! Por Merlim, até mesmo uma coruja teria mais criatividade do que o autor desse livro.
_ O que a senhorita está lendo?
Olhei para cima e vi Rabastan com dois copos de chocolate quente e pelo vapor que flutuava pelo ar, o conteúdo estava fervendo. Rabastan usava roupas casuais e completamente pretas, mas isso não impediu de ele ser muito bonito com seus cabelos médios pelo período sem cortá-los, mas eram sedosos e isso não poderia negar. Lembrei de quando nós nos conhecemos.
_ Já falei para me chamar pelo nome e estou lendo algo totalmente irreal. - Fechei o livro com o marcador nele e peguei o copo que ele me oferecia. _ Você pode acreditar que uma pessoa fez um triângulo amoroso para os fundadores de Hogwarts? - Digo bebendo, mas acabo queimando a língua.
_ Então é isso. - Sorriu se sentando no sofá. _ Sua mãe ficou como você quando ela leu esse tipo de livro. - Deu um pequeno sorriso por lembrar de minha mãe.
Mordo meus lábios e começo a olhá-lo com ternura.
_ O que Houve? - Deixo meu copo na mesa de cabeceira.
Olho para minhas mãos e começo a mexê-las em sinal de ansiedade. Mamãe nunca me contou o motivo de ter se apaixonado pelo meu pai ou que seus melhores amigos eram Sonserinos. Mas olhando para os olhos de Rabastan, não consigo entender o porquê de ela ter escolhido meu pai ao invés do Rabastan.
_ Você gostou dela, não é? - Perguntei tentando não morder meus lábios, mas foi difícil.
Ele me olhou espantado e dava para perceber com aquele olhar que foi uma surpresa e também um alívio, mas eu não sabia o motivo do alívio.
_ Sim, mas preferi amá-la de longe. - Bebeu todo o líquido do copo e passou a mão nos cabelos e me olhou como se pedisse desculpas.
_ Isso é triste. - Mordi meus lábios em confusão. _ Eu não sei o que dizer para te consolar ou algo do tipo.
_ Não preciso de pena, Sienna, mas realmente é triste, porém, ao mesmo tempo, não, você tinha que ter visto como ela era espontânea na escola. Eu amava ver o sorriso dela ou de suas pequenas covinhas, de seus cabelos sempre desarrumados por estar sempre correndo. - Sorriu com lágrimas nos olhos. _ Ela era especial e era a minha luz.
_ Ela também era a minha. - Deixo uma lágrima deslizar no meu rosto. _ Por que você não contou a ela? - Ele olhou para suas mãos e disse:
_ Eu via nos olhos, nas expressões e nas reações ao quanto ela amava seu pai e dizer aquilo para uma pessoa totalmente apaixonada, era como dizer que o sol é azul e também não queria que nossa amizade ficasse estranha com a minha confissão.
_ Ninguém sabe sobre esse sentimento? Não desabafou com ninguém?
_ Eu iria carregar para o túmulo esse sentimento, mas você me livrou desse fardo e agradeço.
_ Você sabe que ela está... - Engoli em seco, não conseguia falar aquilo para ele.
_ Morta? - Disse entre dentes. _ Eu sei, Dumbledore contou isso para seu pai e minha cela era do lado da dele, então pude escutar a conversa.
_ Ainda não pude fazer o funeral porque ninguém encontrou nenhum resto mortal dela, nem mesmo um pedaço de roupa. - Suspirei e peguei o chocolate e tomei um gole da bebida, olho para o lado e vejo uma carta e uma caixinha de veludo no sofá. _ O que seria isso?
_ A carta? - Perguntou se levantando e me entregando a carta e a caixinha. _ Chegou já tem algumas horas, mas você esteve tão concentrada no seu livro que nem mesmo viu. - Riu secando uma lágrima.
_ E quem me mandou isso? - Digo pegando a carta e a caixinha.
_ Quem sabe? - Deu de ombros. _ Irei levar os copos na cafeteria, já volto. - Pegou o copo de minha mão e saiu do quarto.
Abri a caixinha e vejo que tinha uma pulseira prateada com vários pingentes nela. Vejo que os pingentes eram um livro, um cordão, uma taça, uma coroa?
Vejo mais de perto e percebo ser um diadema, e o último pingente era um anel. Todos os pingentes eram de prata e sem nenhum detalhe.
Coloco a pulseira no meu pulso e vejo ela sumir virando uma tatuagem preta com seus pingentes se mexendo no meu pulso.
_ Uma pulseira da Sombra? - Falo comigo mesma.
Pulseira da Sombra era uma joia rara e apenas bruxos das trevas tinham a capacidade de fazer uma. Mas essa pulseira que agora estava dentro do meu corpo em forma de tatuagem era diferente, ela se mexia e saia uma fumaça n***a dos pingentes. De todas as joias da Sombra que comprei, nenhuma delas saia uma fumaça ou se mexia.
_ O que tanto olha? - Perguntou Rabastan fechando a porta.
_ Ganhei uma Pulseira da Sombra, mas ela é diferente. - Digo alisando meu pulso.
Ele viu meu pulso e alisou ele com cuidado, mas no mesmo instante que ele retirou os dedos do meu pulso ele começou a falar coisas estranhas e aquilo fez meu pulso arder e ficar vermelho como se minha pele estivesse sendo retirada do meu corpo.
Iria afastar meu pulso de sua visão, mas ele pegou meu pulso e aquilo fez doer ainda mais ele.
_ O que está fazendo? - Digo entre dentes, tentando tirar a mão do homem do meu pulso. _ Isso dói, por favor, pare. - Solucei, deixando minhas lágrimas caírem no cobertor.
Puxo meu pulso, mas Rabastan era mais forte do que eu, então eu só tinha uma escolha, mordê-lo.
_ Aí! - Gritou recuando um pouco e vendo a mordida em seu braço. _ Por que fez isso? - Perguntou espantado.
_ O que você estava tentando fazer? - Fungo o nariz. _ Isso doeu, sabia? - Olho para meu pulso e percebo que a tatuagem n***a não estava mais ali. _ Onde ela está?
_ Ela está dentro de você agora. - Falou em um sussurro. _ A pulseira era apenas um pretexto.
_ Como? - Pergunto em dúvida e espantada por nunca ter visto nada igual ou ter lido algo parecido.
_ A pessoa que te mandou a "pulseira" queria que ela ficasse dentro de você para que ninguém a visse e não pergunte o motivo, não saberia responder. - Olhou a carta em minha mão e acenou para que eu a lesse e fiz sem pestanejar.
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Querida Sienna:
Espero que esteja melhor, lhe visitei e vi que continua linda a cada dia, mas também escutei algo que me deixou meio abalada. Eu sei que você é inteligente e esperta para saber que sua tentativa de assassinato não foi uma coisa simples e sim, planejada.
Mas vamos ao que interessa, não é mesmo? Essa pulseira como bem sabe é uma Joia da Sombra, mas ela tem um feitiço diferente, esses pingentes são objetos reais e sua pequena missão é encontrá-los e guardá-los em seu corpo.
Quando você encontrar algum desses objetos que tem no pingente, a pulseira mais uma vez irá aparecer no seu pulso avisando que você encontrou e quando completar tudo, você tem que ir em Gringotts, mas até lá, se divirta com seus amigos.
Com amor e carinho, Mulher da Máscara de Prata... [CL].
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Acabo de ler e fico chocada com as palavras que não faziam nenhum sentido para mim naquele momento e apenas ri dobrando a carta e colocando de volta no envelope.
_ Ela explicou muita coisa dando voltas em minha cabeça. - Sussurro, mas Rabastan ouviu
_ Ela?
_ Conhece alguma mulher com o apelido da Mulher da Máscara de Prata ou uma sigla CL?
Antes que ele me respondesse, um piado chamou a nossa atenção e me vejo fitando a janela que tinha uma coruja e eu conhecia muito bem aquela coruja.
_ Gam, o que faz aqui? - Digo sorrindo e dando meu braço para que o Gam pousasse.
Tinha ganhado Gam no meu aniversário de dez anos pelo Demion, Gam tinha penas amarronzadas e algumas eram brancas e pretas e seus olhos eram amarelos. Gam gostava muito de ficar voando, mas sempre voltava quando sentia minha falta.
_ O que temos aqui? Mais uma caixinha de veludo. Eles têm alguma tara com caixinha de veludo?
_ Talvez. - Riu Rabastan alisando Gam. _ Só falta ser mais uma Joia da Sombra.
Sorrio pelo comentário e abro a caixinha com a minha mão direita e vejo que era um colar com um cristal Swarovski n***o e em sua volta tinha uma serpente prateada que se enrolava como se o cristal fosse sua refeição. A corrente que segurava o pingente era de prata e era fina, o colar era pequeno, mas era tão belo e fofo.
_ É seu aniversário para receber tantos presentes?
_ Não, mas eu gosto de ganhar presentes, isso me faz sentir que pelo menos sou especial de certa forma. - Falo deixando o colar dentro da caixinha e vejo que tinha um bilhete dentro.
"Espero que goste
Do seu Tommy."
Minhas bochechas ficaram quentes e minha boca ficou seca pela vergonha que estava sentindo apenas por ler aquela frase, por Merlim, o garoto está me fazendo me apaixonar ainda mais por ele.
_ Vejo que esse bilhete você gostou. - Sorriu como se soubesse quem era a pessoa que tinha me mandado aquele presente.
_ Como poderia não gostar? É de Thomas e eu acho que estou gostando dele. - Inflo minhas bochechas em vergonha. _ Poderia colocar para mim? - Dou o colar na mão de Rabastan e Gam voou para a janela me olhando com seus olhos brilhantes.
Rabastan colocou meus cabelos para o lado e em poucos segundos sinto o colar gelado no meu b***o. Passo meus dedos pela serpente e aquilo me acalmou de tal maneira que achei surpreendente, mas essa calmaria logo acabou quando vejo a Smigle.
_ Bom dia, Sienna e Filipe. - De manhã cedo Rabastan sempre usava seu disfarce que era de um homem n***o retinto de olhos castanhos, ele fazia muito sucesso pelos corredores do hospital. _ Está pronta para mais uma sessão?
_ Claro. - Forço um sorriso, odiava aquelas sessões de fisioterapia por causa da dor e da exaustão, ou pode ser também pelos tombos que eu dava quando teimava em continuar quando Smigle não estava me ajudando.
Rabastan retira a caixinha e o bilhete do meu colo e a coloca na mesa. Suspirei como se aquilo fosse o suficiente e estendo meus braços para que Rabastan me pegasse para me colocar na cadeira de rodas.
_ Vejo que você ganhou alguns presentes. - Sorriu Smigle que estava na porta e Rabastan me ajudou a ficar confortável na cadeira e em segundos começou a me empurrar para que saíssemos do quarto.
_ Sim, ganhei esse colar do meu amigo.
_ Que amigo generoso. - Rabastan falou rindo.
Respiro fundo para não socar a perna dele e começo a olhar para frente, logo vendo a sala da tortura, quero dizer, fisioterapia.
_ Chegamos.
Entramos na sala de cor bege com vários equipamentos para fisioterapia e Smigle colocou sua prancheta na mesa que tinha ali.
_ Como bem sabe, irei te levantar com cuidado e você vai tentar caminhar na barra paralela e você não vai continuar a andar quando eu não estiver ao seu lado, está entendido? - Perguntou quase furiosa.
Balanço a cabeça em concordância e levanto meu braço para me apoiar em Smigle. Ela me levanta com um impulso e já coloco uma mão no corrimão para me segurar e a outra ela mesma coloca. Ela ficou na minha frente com os braços levantados para que se eu perdesse a força ou tropeçasse, ela me seguraria e eu não me machucaria.
Respiro fundo e arrasto minha perna direita para frente e só de fazer isso foi um esforço imenso. Tento pensar positivo e esquecer do cansaço só por causa desse passo, e continuo a andar...
Quando cheguei na final da barra e vi que não cai nenhuma vez, fiquei feliz, consegui vencer aquele obstáculo que para mim era imenso.
_ Muito bem, Sienna, agora você tem que virar e fazer isso novamente mais cinco vezes, você consegue.
Balancei a cabeça e o suor de minha testa desceu e pingou na minha roupa que era basicamente uma blusa branca com uma calça moletom da mesma cor. Olhei para o lado e vi Rabastan me olhando como se eu fosse vencer uma competição de atletismo superimportante e aquilo me deu motivação para continuar.
Levantei mais uma vez meu pé e dei um passo. Mesmo que minhas mãos tremessem, iria continuar a avançar.
Uma hora já tinha se passado e só faltava dois passos.
_ Sienna você consegue.
Smigle já tinha prendido meus cabelos em um coque por causa que algumas mechas estavam sempre caindo em meus olhos e aquilo dificultava a minha caminhada. Rabastan estava no final da barra apenas me esperando chegar ali e me colocar de volta na cadeira de rodas. Pensei em meus amigos e dei um passo, e por último lembrei de minha mãe e com essa lembrança dei o último passo.
_ Parabéns, Sienna! - Rabastan comemorou me pegando no colo e me colocando na cadeira de rodas. Deveria ir andando até a cadeira, mas minhas pernas já estavam tremendo e Rabastan odiava ver aquilo.
_ Você não caiu nenhuma vez, estou orgulhosa de você. - Sorriu Smigle, pegando um pote de creme dentro do armário que tinha na sala.
Tento sorrir, mas eu sei que fiz uma careta pela face risonha de Rabastan.
Rabastan me empurrou e em poucos segundos estávamos de volta para meu quarto que era da mesma cor da sala de fisioterapia. Smigle deixou o pote de creme que seria usado para minha massagem em cima da minha cama e foi até mim, e começou a conduzir a minha cadeira de rodas até o banheiro.
Deveria tomar um banho já que estava fedendo a suor.
Quando chegamos no banheiro, Tanacia começou a me ajudar a retirar as minhas roupas e me ajudou a me levantar para me sentar em uma cadeira própria para o banho. Ela se sentou na tampa do vaso e me esperou a tomar banho, mas em algumas partes ela me ajudou.
Nos primeiros dias senti muita vergonha, mas acabei me acostumando. Isso deveria ser função de uma enfermeira, mas ela me disse que meu caso era especial e que se ela não fizesse isso, alguém poderia matá-la, eu ri, mas fiquei pensando sobre isso.
Quando terminei meu banho, ela me ajudou a me secar e colocar minha roupa, que era uma blusa branca e um short da mesma cor. Volto para minha cadeira normal e ela me empurrou novamente para meu quarto.
_ Está muito melhor sem o suor descendo pelo seu rosto. - Riu Rabastan.
_ Está muito engraçadinho hoje. - Inflo as bochechas e dou língua a ele. _ Ande logo e me ajude a me deitar.
_ Sim, minha Lady. - Fez uma mesura e aquilo me fez rir.
Ele me colocou na minha cama e Smigle já aquecia suas mãos com o creme e logo começou a massagem em minhas pernas e aquilo era divino e estava tão relaxante que acabei dormindo.
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_ Ela está bem? - Perguntou o Lorde entrando no quarto de Sienna.
_ Meu senhor. - Ajoelhou-se em respeito ao homem.
_ Pode se levantar e você me deve uma resposta. - O olhou, mas sua mão alisava o rosto de Sienna.
_Ela fez a fisioterapia e não caiu nenhuma vez, Tanacia pensa que ela terá alta em breve. - Disse se levantando e se afastando do seu mestre.
_ Ela perguntou o motivo de você estar aqui? Ela lhe disse quem fez isso com ela?
_ Ela não se lembra de nada e ela também não me perguntou o motivo de estar aqui, mas eu sei que um dia ela irá perguntar, o que devo dizer?
_ Se ela não se lembra, isso complica minha vingança e se ela perguntar sobre o motivo de você estar aqui, apenas mude de assunto. Ela não precisa saber de mim agora.
O Lorde olhou para o pescoço de Sienna e percebeu que ela segurava algo enquanto dormia, ele delicadamente afastou a mão da garota e viu que ela segurava seu presente. Ele sorriu e Rabastan pensou que estava vendo uma ilusão.
_ Espero você na escola, minha cachinhos. - Beijou a testa da garota e colocou novamente a mão da menina no colar que ela segurava antes dele chegar e se foi sendo seguido pelo luar.
_ Talvez Sienna não seja apenas a filha da mulher que lhe contou o futuro. - Rabastan falou consigo. _ Talvez ela seja mais do que isso.