30 de setembro de 1991:
A sala de reuniões era escura igual ao escritório do seu dono, o piso era n***o como o céu que estava lá fora, sem estrelas e sem a lua. A mesa que podia conter cem pessoas era de uma madeira escura e suas cadeiras eram estofadas para o conforto daqueles que estariam se sentando nelas. Menos a cadeira da cabeceira da mesa, aquela tinha que ser majestosa e gloriosa para representar o seu senhor, para dizer que aquele lugar só tinha um dono e era Lorde das Trevas.
O resto da sala era de cores escuras e mais nada, não tinha enfeites ou candelabros magníficos como da mansão Malfoy, era apenas uma sala de reuniões.
Tom Marvolo, vulgo, Lorde das Trevas estava sentando-se em seu mini trono e usava um terno vinho. Por baixo usava uma blusa social branca que se destacava em meio ao terno, uma gravata preta com algumas pequenas bolinhas, um lenço preto no bolso do terno e um pequeno broche prateado que prendia a gravata.
Seus cabelos estavam penteados para trás e uma mecha encaracolada estava em sua testa, como se ela o lembrasse do seu "eu" de dezessete anos, e seus olhos vermelhos vividos estavam rodeando cada canto da sala como se procurasse algo.
Estava com sua perna em cima da outra, esperando todos os seus seguidores chegassem para uma reunião após anos, e Sirius Black estava presente para essa tão esperada reunião.
Essa reunião seria para falar da guerra prevista para algum dia no futuro e a reunião em dezembro era para relembrar os velhos tempos e ver os filhos de seus Comensais, e presenciar a juventude de seus futuros seguidores, mas isso era para mais tarde.
Todos chegaram dando reverências e mais reverências, e dizendo o quanto sentiram a falta de seu aclamado mestre, ele sabia que alguns estavam realmente dizendo a verdade, mas os outros estavam apenas com medo da morte prematura, principalmente os Malfoy. Todos se sentaram em seus lugares e ficaram em silêncio esperando que seu senhor começasse a reunião, mas algo inesperado aconteceu.
Lorde Voldemort se levantou de seu mini trono e andou em direção ao Lucius Malfoy e ficou atrás do homem.
_ Lucius Malfoy. - Sorriu e seu sorriso deu arrepios na maioria que estavam ali. _ Entrou para o meu lado quando ainda estava em Hogwarts, me apresentou Severus e Regulus, dois Comensais brilhantes que sempre senti muito orgulho, treinei vocês como se fossem meus primeiros Comensais.
_ Agradeço suas palavras, meu senhor. - Disse olhando para frente e apertando a mão de sua esposa que estava ao seu lado.
_ Não agradeça por nada, ainda nem terminei de falar e você sabe as regras, não sabe, Lucius? - Sua varinha mexeu nos cabelos loiros do homem, seus olhos vermelhos estavam frios e sanguinários, algumas pessoas não sairiam vivas dali.
_ Não falar sem a permissão do Lorde. - Engoliu em seco.
_ Exatamente, e você descumpriu essa regra, você precisa ser educado novamente, Lucius? - Sorriu com a frase. _ Naquela época, Abraxas que lhe educava por temer que minha "educação" fosse muito severa para seu primogênito, mas agora ele não está aqui para lhe proteger do meu crucius. - Sorriu mostrando os dentes, seus olhos vibraram em um tom mais avermelhado e alguns Comensais distanciaram suas cadeiras para que nenhum feitiço que o Lorde lançasse, os atingisse. _ Crucius. - Proferiu apontando sua varinha para o homem.
Lucius mordeu os lábios e largou a mão de sua esposa, olhou para frente tentando não pensar na dor excruciante que sentia, suas costas estavam retas e mesmo que tremesse um pouco, ele não gritaria ou derramaria lágrimas por causa de seu orgulho Sonserino.
Mas o Lorde queria vê-lo pedir clemência e ele iria conseguir, com esse pensamento em mente, ele aumentou a vontade de causar dor em Lucius e ele não aguentou segurar o grito ou sua postura impecável por mais tempo.
_ Sim! - Falou em alegria. _ Era isso que estava pedindo, esse som é fascinante, vocês não acham? - Perguntou retórico. _ Vê-lo sangrar, gritar e se contorcer de dor é uma visão maravilhosa. Vocês sabem o porquê de ele estar sendo punido? - Fez biquinho como se fosse um garoto indefeso. _ Não foi apenas Destiny que me contou o futuro. - Aquilo assustou Dolohov e ele começou a prestar atenção nas palavras de seu senhor. Mas Rabastan ficou rígido pela menção da amiga. _ Teve outra pessoa que me contou o futuro. - Rodolfo levantou sua mão para pedir permissão ao lorde para falar e ele aceitou.
_ Minha esposa nos disse naquele dia em Azkaban que você conheceu uma mulher que lhe contou o futuro, mas o senhor está nos dizendo que foram duas que lhe contaram o futuro? - Falou, tentando entender onde aquela conversa os levaria.
_ Sim, são duas. - Sorriu se lembrando. _ A primeira que me contou o futuro foi uma mulher de máscara de prata em 1979, mas eu não acreditei e ela se foi. E a segunda foi Destiny Dolohov, esposa de Antonin Dolohov e mãe de Sienna Dolohov Olwey. - O último nome fez o coração daquele homem frio bater acelerado, ele estava com saudades e tinha aquele sentimento que ele não sentia há muito tempo, medo.
_ Foi ela quem salvou meu irmão? - Sirius pensou em voz alta. Todos olharam surpresos, menos aqueles que estavam presos e que residiam na residência.
_ Sim, ela salvou seu irmão e me disse que ele tinha me traído. - Respondeu amargo. _ Mas como um bom Lorde, eu o perdoei, mas mesmo o perdoando-o não acordou, porém, Destiny me contou algo, me contou quem seriam aqueles que iriam me trair no dia da grande batalha e sabe o que ela me disse, Lucius? - Se abaixou e ficou na altura do rosto do loiro que ainda estava sobe a Maldição Cruciatus. _ Que você e sua esposa iriam me trair e que Severus Prince Snape não era meu agente duplo e sim, de Dumbledore.
Depois dessas palavras, os Comensais da Morte e incluindo Sirius Black tinham suas varinhas brandindo em suas mãos. Narcisa se levantou e se ajoelhou.
_ Meu senhor, isso é mentira, nunca pensamos em lhe trair. - Proferiu olhando para o chão.
_ Está dizendo que a minha esposa é mentirosa, Narcisa? - Se levantou Antonin, ele estava ficando vermelho e suas mãos tremiam. _ Minha esposa era sua amiga e você é tia de consideração de minha filha!
Rabastan olhou para Antonin e ninguém percebeu que seus olhos tinham dor e sofrimento apenas por ouvir o nome de Destiny, mas ninguém saberia o motivo daquilo acontecer.
_ O que você quer que eu diga? - Se levantou sem a permissão do Lorde e ele estava adorando aquela situação, quantas cabeças iriam rolar até o final dessa reunião? Distanciou-se e ficou encostado na parede com seus braços cruzados. _ Que minha família traiu o Lorde e seremos mortos por causa disso? Antonin, isso é um absurdo, meu marido não fez nada! - Gritou histérica.
_ Cisa, você pelo menos cuidou da Bolotinha, não é? - Perguntou Bellatrix com sua face psicótica direcionada para sua irmã. _ A Bolotinha perdeu a Tiny muito cedo e o Dolv ainda mais cedo, me diga que você cuidou dela. - Segurou sua varinha com força para não jogar um crucius em alguém.
_ Eu... - Gaguejou. _ Eu não cuidei da menina, Lucius tinha sido levado para julgamento e Tiny ainda estava bem, mas cinco anos atrás ela sumiu e deixou a menina com o elfo. Eu não tinha condições de cuidar de outra criança, mas eu tentava a visitar, mas ela sempre dizia que estava ocupada.
Bellatrix se levantou de sua cadeira e foi até a irmã que estava do outro lado da mesa, andou até ela e ficou de frente para ela.
Bella levantou a mão e deu um tapa estalado no rosto de Narcisa e todos ficaram pasmos com aquela cena, seria compreensível se fosse Narcisa, mas ao contrário era estranho e bizarro.
_ Fiquei dez anos em Azkaban, apenas pedindo a Merlim que cuidasse da minha Bolotinha e você me fala que não tinha condições para cuidar dela? - Sorriu histérica e bateu novamente em sua irmã. _ Narcisa, me poupe, Lucius cria pavões e você não tem condições de cuidar de mais uma criança? Ela era sua sobrinha de consideração e ela é minha afilhada, a menina tem sangue Black desde que a tornei a minha afilhada e você a descarta como se fosse um lixo? Quem é você e o que fez com a minha irmã? - Falou com lágrimas nos olhos, aquele dia seria histórico apenas por aquela cena.
Bella se distanciou e foi em direção de seu assento e se sentou, com sua face avermelhada pelo choro silencioso.
_ Alguém mais quer falar? - Perguntou Voldemort que já tinha soltado Lucius da maldição. _ Severus? - Se desencostou da parede.
_ Meu senhor. - Se ajoelhou no chão e confirmou se suas barreiras estavam levantadas e suspirou em silêncio quando confirmou que estavam. _ Realmente não sei do que o senhor está falando, desde 1981 venho tentando lhe trazer de volta, mas... - Um feitiço estupore foi jogado em direção de Snape e ele voou para longe.
_ Acha mesmo que eu iria afirmar algo sem ter provas concretas o suficiente para te acusar? Acha mesmo que sou um Lorde meia boca Severus? - Falou com a voz arrastada e ia em direção de Snape em passos mansos. Parecia uma cobra rastejando para capturar sua refeição do dia.
_ N-não, milord... - Tentou se levantar, mas o sapato social do Lorde parou suas tentativas de se levantar.
_ Me responda com sinceridade, Severus, você iria correr para contar tudo que eu iria falar nesta reunião e até mesmo contar a localização desta mansão para aquele velho, não ia? - Sorriu maníaco forçando seu sapato no peito do professor. _ Não precisa falar, as barreiras de sua cabeça já me falaram o suficiente por hoje. Está dispensado.
_ Claro, mi... - Foi interrompido.
_ Não me chame de Milorde quando em seu subconsciente diz outra coisa, eu acho pessoas duas caras nojentas, até nunca mais, Severus Prince Snape. - Sorriu ainda mais por ver o homem se levantar. _ Achou mesmo que eu iria lhe deixar sair de minha mansão assim? - Riu soprado. _ Não se iluda, Obliviate! - Proferiu apagando as memórias daquela noite do professor e refazendo outras.
Claro que ele não poderia matar Snape, aquilo poderia alertar o velho que ele sabia de alguns dos seus planos e privar Snape de não ir à mansão Malfoy seria um erro imensurável. Então a única alternativa que ele encontrou naquela hora foi refazer suas memórias daquela noite.
_ Tire ele daqui.
_ Claro, milorde. - Rabastan acenou com a cabeça e se levantou de seu assento indo em direção de Snape que estava desacordado. Era a única maneira dele sair daquela sala sem ser morto pelo seu mestre.
Rabastan pegou a gola de Snape e saiu arrastando para levá-lo embora da sala de reuniões.
O Lorde olhou para todos e fixou seu olhar em Lucius, ele não tinha acabado com ele, apenas mudou seu objeto de tortura para outra pessoa. O homem ainda estava na cadeira com a respiração fraca e com sua boca sangrando como nunca.
_ Destiny me contou o futuro, mas a mulher de máscara me contou apenas o presente. - Sorriu se lembrando da mulher de língua afiada. _ Mas isso não importa mais, o que importa é que você tem uma escolha, Lucius.
_ E-eu farei q-qualquer coisa. - Falou com dificuldade.
_ Conheci seu filho. - Aquilo assustou o Lorde Malfoy e sua esposa. _ Ele tem uma ideologia diferente do que proponho, mas ele parece ser melhor do que você. - Sorriu vendo o horror no rosto de Narcisa.
_ Meu Lorde, e-eu.
_ Você terá mais uma chance devido ao seu filho, isso não é esplêndido?
_ Sim, milorde.
_ Como esse assunto está terminado, vou explicar o outro motivo dessa reunião. - Se sentou no seu mini trono. _ Vocês sabem que nossa causa já está ultrapassada. - Falou monótono. _ Então teremos outra ideologia. - Estalou os dedos e cada Comensal tinha um pergaminho contento informações da nova guerra.
_ Isso é maravilhoso, meu senhor. - Falou Rodolfo.
_ Não sabia que as trevas pensavam nos outros. - Sirius riu soprado, mas se lembrou do seu amigo Lobisomem, se essa guerra realmente acontecesse e as trevas ganhasse, Lupin não teria que esconder e odiar seu lado Lobisomem.
_ Tem muitas coisas que você não sabe, Black. Greyback e Antonin já tem suas missões e sairão da Inglaterra ainda hoje.
_ Sim. - Os dois falam em uníssono.
_ Lucius ficará com a missão de procurar casas pelo mundo e espero que isso não seja difícil para você. - Olhou de esguelha.
_ Estou honrado com a minha missão. - Falou entre dentes.
_ Bella e Rodolfo terão a missão de achar curandeiros, Sirius terá a missão de trazer Harry Potter para mansão Slytherin. Avery, eu quero que viaje pelo mundo procurando livros de todos os tipos de magias. Yaxley irá procurar professores para ensinar os sem-teto. - Falou olhando a lista de sua amada. _ As pessoas que não citei já tem suas missões e já estão de partida. Vejo todos vocês em dezembro na mansão Malfoy e tragam seus filhos. - Proferiu se levantando.
O Lorde saiu da sala e viu Rabastan encostado na parede respirando fundo para controlar seus sentimentos e quando viu seu mestre ficou rígido e olhou para o chão.
Voldemort fez um sinal para que Rabastan o seguisse e ele o seguiu.
O Lorde entrou no seu escritório e deixou a porta aberta para que Rabastan entrasse e quando entrou, logo fechou a porta, ficou de joelhos para receber a sua missão.
_ Não quis falar sua missão no salão para não colocar em risco uma pessoa. - Disse bebendo um pouco de Whisky. _ Quero que fique em St.Mungus.
_ E quem eu deveria cuidar?
_ Sienna Dolohov. - O coração do homem de joelhos tremeu.
_ A filha da Destiny? - Falou como se sua alma fosse arrancada de seu corpo. _ Se me permite perguntar, mas o que ela faz lá?
_ Alguém está tentando matar a garota e quero que você cuide dela, ela é especial para mim. E não precisa ir imediatamente, quando for necessário eu te aviso, agora pode ir.
Rabastan engoliu em seco e ficou confuso com as palavras de seu mestre, mas não disse nada, apenas aceitou sua missão e concordou em ficar de olho na menina e se foi.