22 de setembro de 1991:
Estava alisando meu vestido verde-escuro rodado que ia até meus joelhos e batia os meus sapatos no chão pela demora de Dumbledore. Era apenas treze horas de uma tarde de domingo e eu estava olhando para o homem e esperando que ele me liberasse para ir para ao consultório da psicobruxa Falk.
_ Você me lembra sua mãe, senhorita Olwey, eu me lembro do dia que ela foi selecionada para a Lufa-Lufa, ela estava empolgada por ter seus iguais ao seu lado, mas ela não tirava os olhos de uma mesa. - Sorriu se lembrando daquele momento. _ Sonserina era uma casa que intrigava sua mãe de um certo modo, todos os dias ela perguntava sobre aquela casa. Mas teve um dia que ela simplesmente parou, alguns acharam estranho, mas ninguém realmente perguntou a sua mãe o que havia acontecido.
_ E por que ela parou de perguntar sobre a minha casa?
_ Porque os alunos da própria Sonserina já tinham saciado a curiosidade de sua mãe. Ela sempre foi muito curiosa, senhorita Olwey. - Acariciou a fênix. _ A última conversa que tive com ela, foi no dia que ela foi pedida em casamento pelo seu pai. - Olhou-me pelos óculos meia-lua. _ Sim, naquele dia ela defendeu com unhas e dentes a Sonserina, eu sempre me perguntei se Alistair selecionou ela para a casa errada.
_ E irei novamente lhe informar que a coloquei na casa certa, Albus. - Proferiu o chapéu que estava em cima de uma estante de livros. _ Como vai, senhorita Olwey? Está gostando de sua casa, eu presumo.
_ Estou, sim, obrigada, novamente.
_ Sua mãe me agradeceu como você, ela pode ter sido muito curiosa para saber sobre a Sonserina, mas ela era uma Lufana muito leal aos seus conceitos e ideologias. Ela realmente foi para a casa certa.
_ Agradeço por ouvir isso, Alistair.
_ Agora que o nosso papo está em dia, você pode usar a lareira para ir ao psicobruxo.
_ Agradeço por isso. - Digo andando até a lareira e pegando um pouco de pó de flu.
_ Chegue às dezoito horas, senhorita Olwey.
_ Claro, diretor, não passará disso. - E foi a última coisa que eu disse antes de falar meu destino.
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Quando saí da lareira, me vejo em um consultório de cores azul e branco, tinha alguns quadros de pinturas estranhas na parede, tinha uma mesa de madeira clara num canto com vários pergaminhos em cima. Dois sofás bege no meio com uma mesinha de vidro que estava levitando alguns centímetros acima do chão.
Por último, uma janela branca que ia do teto até o chão com cortinas leves de cores branca e cinza e a janela me mostrava o Beco Diagonal movimentado.
_ Vejo que você chegou 30 minutos adiantada, mas não tem problema.
Falou uma mulher um pouco maior do que eu, com cabelos castanhos com algumas mechas loiras, olhos cor de mel claro, pele branca, mas não pálida, sardas perto do nariz um pouco arrebitado e lábios um pouco carnudos. Seus dentes eram alinhados e a cor deles eram brancos, mas com algumas manchas amareladas.
_ Podemos começar?
Balanço a cabeça concordando, seria bom dar esse passo na minha vida. Sentei-me no sofá deixando minha bolsa sem fundo nele e a Darny se sentou no outro sofá. Pego uma almofada azul clara que tinha cordinhas envolta e coloco no meu colo para que os meus dedos ansiosos mexessem em algo.
_ Me chamo Darny Falk, seu elfo veio até o meu consultório e marcou comigo todos os domingos às quatorze horas, mas como você chegou às 13:30 não tem problema. Então, me fale um pouco de você, para que eu lhe conheça melhor.
_ Estudo em Hogwarts e estou na Sonserina, tenho dois colegas, Thomas e Draco. Gosto da cor azul e amo ler e criar mundos novos e histórias que não fazem sentindo nenhum no papel, mas na minha cabeça sim. - Respiro olhando os quadros atrás da Darny. _ E eu acho Thomas um babaca.
_ E por que você pensa assim? - Sorriu Darny.
_ Conheço ele apenas cinco dias, mas apenas nesses dias ele já se mostrou ser um babaca, mas que sabe pedir desculpas. Ele falou algo que não gostei e no mesmo dia me pediu desculpas com uma caixa de doces.
_ Talvez apenas nesses cinco dias ele se apaixonou por você.
_ Podemos nos apaixonar em apenas cinco dias?
_ Claro que sim, na realidade nós nos apaixonamos em quatro minutos e talvez você já esteja apaixonada.
_ Realmente não gosto dele, ele às vezes é legal, inteligente, sarcástico e um babaca, mas não gosto dele romanticamente.
_ Claro que não gosta. - Riu Darny. _ Mas me diga, o que você realmente sente dentro de você?
_ Sinto que mesmo tendo onze anos, eu sei que dentro da minha cabeça tem uma menina de dezoito anos tentando gritar por ajuda. - Sorrio triste.
_ O que você realmente pensa sobre você? - Perguntou a bruxa.
_ O que penso sobre mim? - Perguntei de volta. _ Eu não sei, às vezes penso que não deveria existir, que tudo que aconteceu foi culpa minha, mas sei que não foi, mas a minha cabeça não entende isso, então eu sofro.
_ E o que você faz para tentar mudar isso?
_ Mudança. Essa palavra tem muitos significados, mas para mim essa palavra me remete a medo, eu não gosto de mudanças porque me tira do meu conforto, me tira daquela sensação de segurança.
_ Mudança também pode ser como vida nova, Sienna.
_ Mas eu não quero uma nova vida, eu não quero que nada mude, mas, ao mesmo tempo, eu quero. Quero a minha mãe novamente me fazendo carinho enquanto eu contava o meu dia. Nunca conheci meu pai, mas tenho medo de conhecê-lo, claro que eu já vi fotos e quadros, mas ele era tão novo naquela época.
_ Você tem muitos medos.
_ Sim, eu sei que isso me prejudica, mas eu já vivo tanto tempo com essa sensação de medo que... - Mexo nas cordinhas da almofada e olho para o lado, meus olhos estão ardendo, querendo deixar as lágrimas caírem, mas eu não quero chorar, então mordi meu lábio inferior. _ Eu às vezes quero continuar a sentir isso, mas na maioria das vezes quero voltar a me sentir inteira e não vazia. Eu só quero ser normal, por que é tão difícil? - Fungo o nariz.
_ Mas o que é normal para você?
_ Ter amigos, ter uma família normal, talvez ter um cachorro que poderia contar todos os meus segredos, isso é o normal para mim.
_ Mas será que é o normal para os outros? Vejo que você tem medo do desconhecido, Sienna e se você tem medo dele, você não pode querer essas mudanças em sua vida.
_ Então. - Soluço. _ O que faço? Eu não quero ser diferente.
_ Diferente pode ser bom, ser diferente é algo especial para poucos.
_ Mas para mim não é especial. Sou a maldita Dolohov! - Digo o meu sobrenome e logo em seguida deixo uma lágrima cair. _ Meu pai desgraçou a vida de milhares de pessoas e por causa dele perdi a minha mãe, por causa dele eu não tenho amigos de verdade, por causa dele sou assim.
_ Mas você nunca o conheceu, como você pode culpá-lo por isso? Tem certeza de que a culpa é dele? E mais, você alguns minutos atrás me disse que tinha dois amigos.
_ Amigos, eu nunca disse que eu tinha amigos. Amigos é uma palavra que significa que posso levar a sua amizade para a vida toda, mas a palavra colegas, na minha opinião, é algo passageiro que sei que um dia não iremos mais conversar. - Deixo mais uma lágrima deslizar pela minha bochecha. _ Sei que a culpa realmente não é dele, mas se eu não tiver ninguém para culpar, eu deveria me culpar? Odeio ter essa maldita voz me dizendo que a verdade é essa. - Bato na minha cabeça com o punho fechado.
_ Por favor, não faça isso, isso não lhe fará bem.
_ Então como faço para parar? Como calo essa voz dentro de mim, me dizendo que tudo seria mais fácil se eu não existisse? Sou uma criança que já está dizendo que o mundo é uma merda e eu só tenho onze anos.
_ Não é porque você tem onze anos que você não sofreu o bastante para que sua mente lhe mandasse um sinal lhe dizendo que está farta, Sienna. Cada mente funciona de um jeito, eu realmente quero ajudar você porque sei que você está procurando ajuda e isso já é um passo imenso. Irei ajudar, mas para isso você tem que se convencer que quer realmente a minha ajuda.
_ Por favor, só faça essa dor parar, eu não aguento mais. - Lágrimas rolaram pela minha face trazendo tudo que guardei dentro do meu ser, minha mente está um caos e ela não irá se curar sozinha.
_ Claro, minha flor, mas para isso você tem que me ajudar a lhe entender melhor. - Sorriu. _ Me diga, quando você começou a pensar sobre isso? Quando você começou a se sentir vazia?
_ Foi quando ela foi embora.
_ Ela quem, querida?
_ Minha mãe. - Eu novamente olho para os quadros. _ Quando eu tinha seis anos, estava no escritório do meu pai lendo um dos seus diários, mas quando eu iria abrir o terceiro diário, minha mãe abriu a porta e retirou tudo das minhas mãos, dizendo que ela estava fazendo aquilo para o bem de todos. - Funguei. _ Perguntei o porquê ela estaria fazendo aquilo, mas ela simplesmente queimou todos os diários na lareira e perguntei novamente, mas ela nunca me deu uma resposta antes daquelas pessoas com máscaras entrarem em nossa casa.
_ E depois, querida? O que aconteceu quando essas pessoas de máscaras entraram?
_ Eles começaram a gritar: cadê a chave. - Coloco minhas duas mãos em meus ouvidos e fecho meus olhos tentando esquecer daquilo. _ Eles perguntaram várias vezes onde estava a chave, mas a mamãe nunca respondeu, apenas falou que me amava e que ela estava fazendo aquilo por mim.
Solucei e deixei mais lágrimas tomarem meus olhos. Subo minhas pernas no sofá e começo a me balançar para frente e para trás.
_ Quando eles reviraram a casa toda e não encontram nada, eles pegaram a minha mãe e aparataram dizendo que a culpa era do sobrenome Dolohov, que meu pai deveria saber que aquilo iria acontecer.
_ Querida. - Levantou-se e veio até a mim. _ Não chore, não chore, eu estou aqui e com a minha ajuda, sanaremos essa dor dentro de você, você contando isso já é um passo enorme. - Alisou as minhas costas me passando conforto.
_ Foi culpa do papai? - A olhei, retirando minhas mãos dos meus ouvidos e as colocando ao redor das minhas pernas.
_ Não querida, apenas foram um grupo de pessoas que estão podres por dentro e que não tem mais salvação. Mas você tem, e você é muito forte, senhorita Olwey, por passar isso tudo e ainda estar de pé.
_ Eu tive que cuidar da mansão, dos aluguéis e do cofre. - Mordi os lábios. _ Dumbledore me disse que não poderia abrir uma sala desocupada em Hogwarts para que eu morasse e quando ele disse isso, chorei porque pensei que ninguém me queria e esse deveria ter sido um dos motivos que a mamãe foi embora. - Respiro fundo e falo: _ Também mandei cartas para os amigos dos meus pais, mas eu era um filhote de Comensal e eles não me queriam. Mandei outras cartas para os amigos de mamãe, mas a maioria foi parar em Azkaban e o restante o ministério pegou muito do cofre e mais uma boca para alimentar seria caro. Só hoje que fiquei sabendo que a minha mãe tinha mais amigos na Sonserina do que na casa dela, claro que eu sabia que a mamãe sempre visitava Azkaban, mas pensava que era apenas para visitar meu pai.
_ E eles te visitaram? Esses amigos que foram inocentados?
_ Não, eu me isolei na mansão e esse é um dos motivos que nunca conheci Draco ou até mesmo Pansy. Eu me isolei e apenas sei alguns nomes dos amigos de minha mãe.
_ Então você nunca conheceu os outros?
_ Sim, se Dumbledore foi amigo de minha mãe, eu nunca procurei saber e não deixei Demion me mostrar fotografias ou falar sobre eles por causa que não queria lembrar de minha mãe.
_ Você lhe causou dor em dobro, esses amigos inocentados poderiam ter adotado você e dado uma vida um pouco melhor, sem ser solitária e monótona.
_ Eu tentei fazer tia Narcisa me adotar, mas vi que seu marido havia perdido uma boa quantia para o ministério e fiquei dividida. Então escolhi ficar só.
_ Você é boa demais, você pensa nos outros primeiro e esquece de você. - Sorriu triste. _E eu sei que é difícil, mas você fez tanta coisa quando você só tinha seis anos e você é uma guerreira, minha pequena. Você não merece esse sofrimento que a vida está colocando em seus ombros. - Continuou alisando minhas costas.
_ Aqueles que queriam realmente me ajudar, mas não tinha como me adotar, eles fizeram uma lei que os elfos domésticos fossem também Guardião Mágico e então desde os meus seis anos, comecei a morar sozinha junto com Demion. - Sorri lembrando do elfo. _ Ele me ajudou a ter aulas de administração e como cuidar das minhas propriedades.
_ E vejo que ele te ensinou muito bem.
_ Sim, eu tenho muito que agradecer Demion, ele que me ajudou a ir em Gringotts e foi aí que descobri que minha mãe estava morta. Se ela estivesse viva, mesmo que tivesse o Guardião Elfico, eu não poderia sacar dinheiro do cofre ou algo assim. Foram as palavras de Caspra.
_ Entendo, mas você descobriu de uma maneira horrível.
_ Não foi tanto, apenas li palavras num pergaminho e foi nesse momento que me senti vazia, não senti nada, mas me senti vazia.
_ Cada um sente a dor de um jeito, Sienna, você apenas se sentiu vazia por sentir falta de sua mãe. - Sorriu. _ Cachinhos, a nossa hora acabou, te vejo no próximo domingo? - Perguntou secando as minhas lágrimas e fazendo um feitiço para que desaparecesse os meus olhos vermelhos de choro e ela se levantou do sofá.
_ Claro. - Levantei-me e coloquei a almofada no sofá e peguei minha bolsa, peguei um saquinho com galeões dentro da minha bolsa, mas Darny me para antes.
_ Primeira consulta é grátis, na próxima você me paga.
_ Então, eu agradeço novamente.
_ Não há de quê. - Sorriu me levando até a porta da frente. _Seu elfo me disse para deixar você ir em Gringotts. - Abriu a porta e disse: _ Quando terminar tudo que você tem que fazer em Gringotts, é só entrar e usar a lareira para volta para Hogwarts.
_ Obrigada.
Saio do consultório e ando pela rua do Beco Diagonal até que avisto a loja Vassourax, e ela já tinha uma nova vassoura de quadribol na vitrine à venda.
Lembro que Draco me disse que gostava de quadribol em uma das nossas conversas. Entro na loja e logo um senhor veio me atender.
_ Boa tarde. - Sorriu simpático.
_ Boa tarde, a Nimbus 2000 é sua melhor vassoura, senhor? - Pergunto indo até a bancada.
_ Em estoque, sim, mas a nossa melhor é Nimbus 2001, mas ela só vai chegar em 1992 em agosto. - Respondeu o senhor me trazendo uma miniatura da Nimbus 2001.
_ Entendo, e vocês fazem entrega, não é?
_ Claro, senhorita.
_ Por favor, quero encomendar oito Nimbus 2000 e oito Nimbus 2001. As oito Nimbus 2000 quero que entregue a Hogwarts para o time de quadribol da Sonserina e para Draco Malfoy.
_ Oito Nimbus 2000 não teremos em estoque para entregar nessa semana, podemos entregar em outubro? - Disse anotando o pedido.
_Claro. - Sorri. _ A Nimbus 2001 como só vai estar à venda no próximo ano. - Digo pensando. _ Quero que o senhor entregue sete vassouras em Hogwarts e uma, na mansão Malfoy. - Eles mereciam esse mimo. _ E quando essa ficar fora de moda, irei querer mais oito da mais moderna que lançar e enviar nos mesmos lugares. Quanto ficará tudo? - O senhor quase caiu para trás, mas logo se recompôs.
_ Tenho que perguntar qual será a mais moderna do que a Nimbus 2001, um momento, por favor.
Correu entrando em uma porta que ficava nos fundos da loja e em poucos minutos o senhor volta carregando mais uma miniatura.
_ Isso que eu estou lhe mostrando senhorita são apenas protótipos e os fabricantes sempre me mandam essas miniaturas três há dois anos adiantados para que eu arrume lugar na minha loja para as vassouras.
_ Entendo.
_ A Nimbus vai ser lançada em 1992 em agosto, mas a Firebolt será lançada em 1993 e ainda não sabemos o mês de lançamento dessa belezinha aqui. - Sorriu cutucando a Firebolt miniatura. _ Ainda quer efetuar a compra?
_ Claro, por que não? Quando o time de quadribol ver essas vassouras, eles irão chorar. - Sorri, nem imaginava que era exatamente isso que eles iriam fazer, mas não lágrimas de alegria e sim, de tristeza e saudade. _ 24 vassouras correto? Pagarei à vista. Ah, antes que eu me esqueça meus amigos estarão no pátio de Hogwarts. - Vejo o senhor concordar e anotar no papel e logo ele falou:
_ Sim, senhorita dá... - Fez as contas e disse: _ Como a senhorita vai pagar à vista, então darei um desconto de dois mil galeões, ficará em 22 mil galeões.
_ Aqui está. - Abro a minha bolsa e pego um saco de galeões com a quantia certa, e o senhor sorriu.
_ Aqui, leve essas duas miniaturas de vassoura para os seus amigos. - Sorriu me entregando as duas pequenas vassouras, abro a minha bolsa e coloco as miniaturas nela. _ Volte sempre, senhorita. - Disse o senhor me vendo sair da loja.
Ando alguns passos pela rua, mas sou parada bruscamente por um homem barbudo com óculos meia-lua, mas ele não parecia velho e aquilo parecia mais um feitiço ilusório feito às pressas.
_Você tem uma cor estranha de alma, é fascinante. - Proferiu o homem.
Olhei espantada para ele e perguntei relutante:
_ Por que estranha?
_ Sua alma não é branca como os praticantes de magia de luz; não é cinza para aqueles de meio-termo e também não é escura para aqueles das trevas. - Respondeu me olhando profundamente. _ É realmente intrigante, mas, ao mesmo tempo, instigante.
_ E qual cor você vê?
_ Esse é o problema. - Coçou a barba. _ Não vejo cor nenhuma em sua alma, não é transparente como os de recém-nascido e também não é opaca como as de crianças.
_ Isso é um problema? - Pergunto receosa.
_ Não sei, talvez seja algo bom ou talvez não. Irei deixar você ir, vamos ver o que destino nos reserva. - Ele andou alguns passos, mas depois parou e se virou novamente. _ Antes de eu ir, quero te dar uma coisa. - Falou retirando algo do bolso de sua calça. _ Tome, isso é uma pulseira mágica e ela é acionada quando você está em perigo, mesmo se você estiver numa barreira mágica ela vai me dizer onde você estar. Mas ela só aponta a direção e não a localização, então pode demorar meses ou anos até que alguém lhe encontre se você for sequestrada.
_ Por que eu deveria usar isso? - Pergunto receosa, eu não seria sequestrada.
_ Talvez eu esteja preocupado com você ou apenas quero te dar isso. Não quebre a cabeça com coisas pequenas e apenas pegue, se você não quiser usar não precisa. - Ele pega minha mão esquerda e coloca a pulseira nela. _ Tenho algo para lhe dizer, posso? - Perguntou apreensivo.
_ Diga.
_ Quando estiver triste, lembre-se da magia. Ela é a melhor e mais alegre lembrança que um bruxo pode ter. - Sorriu para mim, aquela frase era de um livro, mas eu não me importei de dizer a ele.
_ E se a pessoa perder a magia? - Sorri com a incredulidade de sua face. _ Se ela se lembrar daqueles tempos que fazia, ela não ficaria triste?
_ Eu acho que até mesmo um aborto tem magia, talvez ele não precise de uma varinha para fazer um feitiço que aprendemos na escola, talvez ele saiba algo que os bruxos não saibam. Mas respondendo sua pergunta, isso depende do bruxo e de como ele perdeu sua magia.
_ Mesmo assim não me respondeu. - Sorri e ele sorriu de volta.
_ Você tem perguntas fascinantes, mas que são difíceis de responder e quando nos vermos novamente, terei sua resposta. Até mais, senhorita.
E com uma saudação graciosa o homem estranho se vai, me deixando no meio do Beco Diagonal tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Dou um suspiro de relutância e sigo em frente para ir ao Gringotts, mas colocando no pulso a pulseira sem detalhes, apenas era feita de prata com uma pedra azul escura estrelada no meio.
Subo a pequena escadaria de Gringotts e vou nos dois guardas que me conheciam muito bem.
_ Saudações, jovens guerreiros que guardam a entrada. - Cumprimento.
_ Como está a nossa pequena amiga? - Kando veio até mim, saindo de sua posição.
_ Meu amigo, Kando, não precisava ter saído de sua posição honrosa para vir conversar comigo, eu de bom grado iria até você. - Digo para o duende da esquerda que tinha um nome muito peculiar, Kando.
_ Somos acostumados a sair de nossas posições devido aos bruxos sem educação. - Proferiu o duende da direita, Kalanzo.
_ Eles deveriam estudar um pouco de história e etiqueta. - Sorri simpática. _ Temo que terei que acabar a nossa conversa aqui, meus amigos. Que os seus inimigos que cobiçam a entrada caiam nos degraus pedindo clemência.
_ Que seus inimigos morram antes de chegarem a ti. - Falaram em uníssono.
Entro em Gringotts cumprimentando todos os duendes que trabalhavam ali, eu tinha uma posição muito rara entre os duendes e o próprio chefe dos duendes que se chama Caspra, me concedeu a honra de ser chamada: "Amiga dos duendes".
Paro um pouco os pensamentos e vou até Snaglok que estava discutindo com um homem que me parecia muito familiar. Snaglok me olha e fala:
_ Nossa querida amiga Sienna Olwey, o que posso fazer para lhe ajudar?
_ Boa tarde, Snaglok, vim para ver o senhor Caspra, ele está ocupado?
_ Irei ver se ele está ocupado, um momento, por favor.
_ Claro, demore o tempo que for preciso. - Sorri para ele.
Ele foi até a porta dos fundos e meu deixou sozinha com o homem que parecia familiar.
_ Seu sobrenome é Olwey? - Perguntou o homem que tinha cabelos pretos lisos até a altura do queixo, olhos negros, pele pálida, sobrancelhas meio grossas e lábios normais, mas estavam sem vida.
_ Sim, por que a pergunta?
_ Fui um amigo de sua mãe, Destiny Dolohov, não é? - Sorriu o homem.
_ Sim, mamãe nunca me contou sobre o senhor, então peço desculpas por não o reconhecer. - Dou um aceno de cabeça. _ O senhor estudou com ela?
_ Sim, éramos de casas diferentes, mas estudei.
_ Sonserina, eu presumo. Mamãe tinha uma fascinação pela minha casa. - Sorri lembrando das palavras de Dumbledore.
_ Você está na Sonserina? Parabéns.
_ Obrigada, o Alistair me disse na hora da seleção que eu poderia ser de qualquer casa, mas se eu quisesse amigos de verdade teria que estar na Sonserina.
_ Isso é verdade, Sonserina é muito unida com seus companheiros de casa e como está sua mãe? Ela foi encontrada? Ouvi de alguém que ela morreu, mas eu não acreditei e viajei muito nos últimos anos que acabei perdendo contato com todos para saber se é verdade ou não.
_ Ela faleceu cinco anos atrás, os aurores não encontraram o corpo dela ainda, mas as buscas ainda estão em andamento, mesmo que estejam devagar.
_ Eu. - Gaguejou. _ Eu não pude fazer nada. - Sussurrou. _ Me perdoe.
_ Nossa amiga Sienna, por favor, me acompanhe. - Proferiu Calapozo, não me deixando responder o homem. Calapozo tinha um apelido entre os duendes, Calapozo, o mordomo.
_ Tenho que ir, mas o senhor ainda não me disse o seu nome?
_ Antonin.
_ Você tem o nome do meu pai, não esquecerei o nome do senhor, com sua licença. - Paro quando vejo Snaglok voltando para o seu posto. _ Que sua fortuna floresça tão majestosa quanto seu conhecimento. - Proferi para o meu amigo.
_ Que seus inimigos caiam perante seu poder e perspicácia, assim como nosso lema: Fortius Quo Fidelius. - Sorriu quando terminou de falar.
Pego a mãozinha de Calapozo e vamos conversando sobre coisas banais até chegarmos no escritório do chefe dos duendes. Deixo Calapozo bater na porta para permitir a minha entrada e em poucos segundos, ele me concede a entrar.
_ Obrigada por me trazer até aqui, Calapozo. Que seu ouro transborde e beneficie você.
_ E que seus inimigos se escondam quando ouvir seu nome, amiga Sienna. - Sorri para ele e entrei na sala, fechando a porta do escritório.
O escritório era de cores escuras, a mesa do Caspra era de madeira escura com detalhes de folhas em ouro, a cadeira era n***a, mas os braços eram ornamentados com ouro. O castiçal dourado, que continha velas já apagadas, era de rubi com esmeraldas e o piso era de madeira escura.
_ Como vai, meu amigo Caspra? - Pergunto me sentando numa cadeira de frente para Caspra.
_ Minha boa e doce amiga Sienna, o nosso ouro só transborda quando você nos presente-a com o seu sorriso e sua educação. Mas os nossos assuntos é outros, e seu elfo me mandou uma carta dizendo que você queria vir conversar sobre o cofre de seu pai e de sua falecida mãe.
_ Sim, Caspra, Demion me trouxe os livros contábeis, mas alguém que se intitulou como meu Guardião Mágico pegou um milhão de galeões e estão faltando livros do cofre de papai. - Digo exasperada.
_ Acalme-se, minha amiga, os livros que estavam no cofre de seu pai foram retirados por aquele que vocês não nomeiam. E só foi permitido a retirada perante o anel do chefe da família, que você sabe muito bem que como seu pai ainda está vivo, ele continua sendo o verdadeiro chefe da família, mesmo que nos papéis sejam você.
_ Sim, eu sei, mas por que o Lorde Voldemort retirou os livros do cofre de meu pai?
_ Dumbledore, foi a única resposta que ele me deu.
_ Entendo, então devo presumir que meu pai veio aqui em Gringotts e falou que como é meu pai tem a total autoridade para mexer no cofre de mamãe. Por que ele não retirou dinheiro do seu cofre? - Pergunto pensando no assunto. _ O ministério trancou o cofre e ele só pôde pedir ao seu lorde para que retirasse os livros, já que o ministério não dá a mínima para eles e sim, para o ouro que contém nele.
_ Por isso que você é nossa amiga, minha cara Sienna. Sua inteligência é uma coisa linda de se presenciar.
_ Agradeço os elogios, meu caro amigo Caspra, mas se papai continuar retirando essa quantia, como sobreviverei? Ainda sou de menor e não posso trabalhar. - Digo afobada.
_ Ele assinou alguns papéis dizendo que só iria retirar aquela quantia e nunca mais iria mexer no dinheiro.
_ Pelo menos ele é sensível o suficiente para lembrar que sou apenas uma criança e preciso de dinheiro para sobreviver.
_ Sabemos muito bem que é apenas a sua idade que te condena, minha amiga, porque se fosse a sua inteligência e perspicácia, você daria uma excelente adulta. - Riu.
_ Assim você me deixa envergonhada, Caspra. - Falo com as minhas bochechas vermelhas. _ Como o meu compromisso aqui já foi resolvido, irei embora, espero lhe ver novamente, Caspra. - Sorri me levantando. _ Que sua fortuna sempre cresça.
_ E que seus inimigos pereçam.
Saio do escritório do Caspra nem mesmo percebendo uma mulher de máscara. Entro no hall de entrada do banco e despeço de todos os duendes e saio do banco.
Fui andando pelas ruas do Beco Diagonal até chegar ao meu destino. Consultório da Psicobruxa Darny Falk.
Abro a porta e vejo que ela estava tomando chá, vejo as horas e apenas era dezessete horas.
_ Você demorou, pensei que tinha acontecido algo, por isso que até comecei a tomar chá. - Sorriu se levantando e colocando a xícara de chá na mesa que estava levitando.
_ Eu apenas tive uns contratempos, mas nada de mais. - Sorri e vou até ela. _ Agora tenho que ir, vejo você no domingo.
_ Até
Pego o pó de flu e falo o meu destino. Saio da lareira e vejo que Dumbledore não estava, então saio do gabinete do diretor indo direto para o salão comunal de minha casa para entregar as duas vassouras ao Draco, Thomas odiava quadribol.
Não vejo ninguém nos corredores já que os terceiros anos e os sétimos estavam em Hogsmeade. Desço a escadaria indo direto para a parede de entrada do salão e falo a senha.