Escutava os cantos dos pássaros e isso me assustou, não estava mais deitada na cama de casal do meu quarto e sim, deitada num campo de flores.
Levantei-me e olhei em volta, vendo apenas flores amarelas e uma árvore bem longe de onde estava. Olho para cima e vejo um céu muito azul e não tinha nuvens para compartilhar o céu com o sol.
_ Oh! - Escuto uma voz que vinha da árvore verde e frutífera. _ Você chegou mais cedo do que eu previa, venha aqui. - Não conseguia ver quem era a pessoa, mas tinha a sensação de que iria me surpreender.
Ando em direção da pessoa e quando cheguei perto, vejo com um certo sentimento de horror que a pessoa que estava ali era... Eu! Aquela mulher tinha cabelos cacheados, nariz fino e um rosto que parecia de boneca de porcelana, mas suas feições eram cruéis.
_ Está surpresa? - Disse a mulher, ela parecia ter pelo menos 18 anos. _ Esse pijama é da Sonserina? - Perguntou assustada.
_ Sim, sou da Sonserina. - A mulher franziu o cenho e estalou a língua.
Olhou para a grama e se sentou nela, me olhou como se pedisse para que eu fizesse o mesmo e fiz. Olhei para o horizonte e percebi que não tinha um, para começo de conversa, era apenas o campo de flores amarelas e depois disso não tinha mais nada.
_ Fui da Grifinória. - A olho espantada. _ Não me olhe assim, não queria fazer parte daqueles seres malignos.
_ Quem são os seres malignos? - Pergunto com raiva.
_ Os Sonserinos, é claro. Na verdade, tive escolha, poderia ser uma nerd da Corvinal, mas o azul nunca me favoreceu e o amarelo daqueles Lufanos me enojava, então o único que sobrou foi a Grifinória.
_ E o amarelo das flores? Não te enoja? - Falo ríspida e ela deu de ombros. _ Sou da Sonserina e tenho orgulho de ser parte daqueles "seres malignos", mas mesmo sendo da casa das serpentes peço que nunca fale m*l das outras casas.
Ela me olhou surpresa, mas logo riu e suspirou nada contente.
_ Você é diferente de mim, não apenas pela idade, mas é diferente pelo caráter. - Ela riu nervosa. _ Convivi com a minha mãe, Destiny, e convivi com o ódio pelo meu pai, mas e você? - Olhou-me com raiva.
_ Vi a minha mãe ser raptada bem na minha frente, nunca vi meu pai e sempre tive medo de vê-lo. - A olhei e a vi estranhando a minha pequena e fútil história. _ Fui criada por Demion e ensinada como administrar as propriedades da minha família, fui selecionada para Sonserina onde fiz vários amigos de verdade e acabei me apaixonando. - A mulher me olhou assustada na última palavra, mas não disse nada.
_ Fui criada pela minha mãe até meus dezesseis anos quando ela tentou colocar aquele homem dentro de casa. - Riu sombria. _ 1996 foi quando meu pai fugiu de Azkaban e foi o ano que matei a minha mãe. - Sorriu doentia.
O ar escapou dos meus pulmões e fiquei paralisada de medo.
_ Sabe por que a matei? - Fiz não com a cabeça e já tinha lágrimas nos olhos. _ Eu a matei porque ela queria colocar Dolohov dentro de casa, ela queria que fossemos uma família. - Riu contorcendo as mãos. _ Eu era da luz, fazia parte da Ordem da Fênix, como poderia deixar que ela trouxesse um Comensal da Morte para dentro de casa? O que Harry iria pensar de mim? - A olhei apavorada, não tinha palavras para debater com ela.
_ Pensei que tinha feito o certo, mas em 1997 foi quando meu mundo cor de rosa desmoronou, Clover me pediu para que eu fosse até Gringotts para resolver algumas pendências e como eu procurava Rony, tinha tempo.
_ Você era amiga de Ronald? - Pergunto.
_ E por que não seria? - Perguntou como se não entendesse meu julgamento pela amizade com o Ronald. _ Eu me sentei na sala daquele duende chamado Caspra e ele me mostrou três coisas.
_ Caspra é meu amigo, não fale dele desse jeito.
_ Ser amiga de um duende é só que me faltava. - Bufou patética. _ Ele me mostrou um colar com um cristal Swarovski n***o e em sua volta tinha uma serpente prateada. Era belíssimo. - Toco o meu pescoço e confirmo que o colar estava ali, bem escondido de baixo do meu pijama. _ E ao seu lado tinha uma pulseira com vários pingentes; um diário, um diadema. - Sorriu. _ Aquela pulseira tinha como pingentes as Horcrux do Lorde das Trevas, mas faltava duas Horcrux.
_ Que eram? - Fiquei muito interessada com essa informação.
_ O Lorde com medo de morrer fez sete Horcrux. Elas eram: Um diário, o Diadema da Rowena Ravenclaw, a Taça de Helga Hufflepuff, o Medalhão de Salazar Slytherin. - Bufou descontente. _ O anel de Servolo Gaunt, Nagini, a cobra, e Harry Potter. A pulseira não tinha nem a cobra e nem mesmo Harry Potter como pingente. - Falou monótona.
Toquei o meu pulso e percebi que mesmo eu o tocando não iria sentir a pulseira ali, a pulseira que pela descrição da minha eu do passado (?) Era a mesma que ganhei da mulher da Máscara de Prata.
_ E o que você fez?
_ Peguei o colar e deslizei meus dedos por ele, mas a cobra que estava em volta do cristal me mordeu pegando um pouco do meu sangue. - Disse irritada. _ Logo depois deixei aquele colar onde estava e olhei para o pergaminho que estava nas mãos daquele duende.
_ E o que estava escrito? - Falo ansiosa.
_ Dizia que eu era a prometida do Lorde das Trevas e por causa disso fui morta! Sabe como é morrer queimada? Sabe como é sufocar pela fumaça? Eles me mataram. - Pensei que ela iria chorar. _ Eles me mataram dois meses antes da guerra de 1998.
_ Quem lhe matou?
_ Eles. - Apontou para frente e me virei, vendo que o campo de flores sumia para colocar um chalé no lugar no meio de uma floresta.
Três pessoas estavam na frente do chalé e conversavam entre si.
_ Eu não acho que é certo fazer isso. - Disse Ronald. _ Nós a conhecemos desde os nossos onze anos.
_ Mas ela pode revivê-lo. - Disse Hermione com a varinha em mãos.
_ Não temos certeza disso.
_ Dumbledore disse e acredito nele. - Falou nervosa.
_ Faça o feitiço antes que a poção perca o efeito. - Proferiu Harry, tremendo e olhando para os lados.
_ Não perderá o efeito. - Sorriu Hermione e apontou uma varinha que não era dela para o chalé. _ FogoMaldito. - Um animal saiu pela ponta da varinha e começou a queimar o chalé. _ Vamos, vamos sair daqui. - E os três aparataram deixando o fogo consumir tudo que via pela frente.
_ Estava no chalé. - Disse com raiva e pegou o meu braço me levantando do chão. _ Foi aqui que a minha vida acabou.
Quando entrei no chalé, vi que "eu" estava deitada numa cama e ela respirava com dificuldade. O fogo se alastrou no chalé e algumas chamas já consumiam um pouco da mulher e o cheiro de sangue e carne se misturaram com a fumaça.
A porta do chalé foi jogada longe e vi que uma adolescente mais velha alguns que eu, entro no chalé de máscara.
_ Sienna? - Andou até a cama e se ajoelhou pegando a mão da mulher. _ Não se finja de morta! - Gritou. _ Sei que você está viva e você tem que me ajudar. - Suplicou.
_ Por que você tinha que ajudá-la? - Pergunto.
_ Ela nunca foi muito boa com feitiços e por causa disso, ela não quis se ingressar em Hogwarts. - Disse como se nada a afetasse. Volto a olhar a cena que se desenrolava e vejo que a Sienna que estava desacordada abriu os olhos e sorriu.
_ Clover. - Aquela palavra fez a mulher de máscara ficar rígida. _ Como conseguiu me encontrar? - Disse fraca.
_ Tenho meus meios, mas agora não é hora de falar sobre isso, você tem que me ajudar a te tirar daqui.
_ Não tenho mais magia. - Sussurrou e a mascarada ficou espantada. _ Alguém me lançou Magic's e comecei a perder a minha magia dia após dia. Um dos motivos que eles conseguiram me colocar aqui. - Deixou lágrimas cristalinas descerem pelo rosto e soluçou apertando seu peito. _ Sou normal agora.
_ Você nunca será normal, nunca.
_ Clover, me desculpe, por favor, me desculpe.
_ Eu não vou te deixar aqui! - Gritou a mulher mascarada. _ Posso te levitar e te levar para o St.Mungus. Pode demorar um pouco, mas eu...
_ Acha mesmo que eles iriam tratar a prometida daquele que não deve ser nomeado? Meu bichinho não é muito inteligente. - Colocou a mão na boca para tossir, a fumaça e o cheiro de sangue eram sufocantes.
_ Então posso achar um jeito de acabar com esse fogo, eu... - Foi interrompida.
_ Você não tem poder suficiente, vai acabar virando um aborto.
_ Eu não ligo, tenho que te salvar.
_ Eu te fiz muito m*l. - Falou triste. _ Mas estou feliz que você esteja aqui e... - Deixou algumas lágrimas cair. _ Não quero que você se culpe, quero que você viva bem, Clover. - A mascarada se assustou por ouvir aquelas palavras.
_ Não me chame assim, não diga isso quando está quase morrendo. - Disse tentando não chorar.
_ Me perdoe, Clover, me desculpe por tudo. Você nunca mereceu minhas ações, então, por favor, me perdoe. - Chorou, levantando os braços em sinal de querer abraçar a mulher em sua frente. O FogoMaldito poderia queimar a mulher de máscara, mas ela nem mesmo se importou.
Clover abraçou Sienna e aquela cena se desmanchou, voltando para o campo de flores amarelas e um céu límpido. Olho para a mulher que estava ao meu lado e vejo seus olhos vermelhos por segurar as lágrimas.
_ Fiz muitas coisas ruins com Clover e ainda me culpo. - Suspirou tremendo. _ Ela realmente não se vingou dos meus amigos, mas eu fiz isso. - Sorriu, mostrando os dentes brancos. _ Fiz os trouxas nos descobrirem. - Sorriu psicótica e dei alguns passos para trás.
_ O que você fez?
_ Eu que fiz os trouxas nos matarem com suas bombas, granadas e com a tecnologia. Fui eu! - Gargalhou. _ Eu que fiz que 2020 não existisse, fui eu que fiz você não ter alma... E será eu que irá destruir sua realidade.
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1 de novembro de 1991: 00:50
Acordo desesperada no meu quarto e olho em volta como se procurasse aquela mulher que se parecia comigo. Meu coração batia fortemente na minha caixa torácica e aquilo me impedia de raciocinar direito e a única alternativa que eu via era ir ao quarto de Tom. Sim, eu precisava dele.
Levantei-me de minha cama e calço minhas pantufas de coelho e saio do meu quarto indo em direção do quarto de Tom. Pego na maçaneta para abrir a porta, mas ela estava trancada e aquilo me fez ficar desesperada. Não queria voltar para o meu quarto para pegar a minha varinha para tentar abrir a porta.
Encosto minha testa na porta e sussurro:
_ Por favor, me deixe entrar, não quero entrar lá novamente. - Digo soluçando.
Em poucos segundos a porta fez um clique e tento novamente abrir a porta e dessa vez consigo. Entro no quarto fechando a porta e a tranco, acendo a luz e percebo que ninguém estava no quarto, mas aquilo não me impediu de apagar a luz e ir para a cama de casal do Tom.
Entrei de baixo do cobertor e sinto o cheiro do garoto e aquilo começou a me acalmar, mas estava com uma sensação de dor e desconforto, e aquilo não passava. Sem conseguir deixar aquela sensação morrer dentro de mim, apenas pude chorar e aquilo me fez dormir novamente.
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Sinto alguém alisar minha bochecha e aquilo acaba me assustando e me vejo do outro lado da cama, olhando espantada para Tom. Ele estava encostado na cabeceira da cama estranhando minha ação, mas a única coisa que pensei nesse momento foi abraçá-lo.
_ Tom. - Ele ainda não tinha voltado para sua forma adolescente e isso fez que fosse mais fácil me sentar em seu colo.
Sua camisa social branca estava com dois botões abertos e suas mangas estavam levantadas para cima. Seus cabelos que ele sempre deixava simétricos, agora estavam bagunçados.
_ O que houve? Teve um pesadelo? - Falou acariciando minha bochecha, mesmo ele parecendo cansado ele se preocupava comigo.
_ Hum. - Concordo sentindo seu perfume.
_ Quer contar? - Puxou a coberta e nos cobriu.
_ Não, não quero lembrar daquilo. - Digo apertando sua roupa. _ Onde esteve? - Fecho meus olhos, me concentrando nas batidas do seu coração.
_ Fui à mansão Slytherin para saber quem veio em Hogsmeade. - Disse me fazendo cafuné.
_ Não poderia ter perguntado aqui?
_ Se perguntasse dentro de Hogwarts ou nos arredores, Dumbledore poderia sentir minha magia.
_ Mas e quando você volta ao normal? - Digo o olhando.
_ Minha magia fica selada até que eu pegue minha varinha e a transfiguro para a sua forma real. - Pegou sua varinha do criado mudo e me mostrou que ela estava na forma falsa, sabia daquele detalhe por causa do diário do meu avô, ele havia desenhado a varinha do seu Lorde no diário. _ Quando fui à mansão ela estava barulhenta. - Colocou a mão na testa e apertou a ponte do nariz como se quisesse acabar com uma dor de cabeça.
_ Por quê? - Digo saindo do seu colo e me deitando ao seu lado.
_ Não foi apenas aqui que apareceu a marca, foi no mundo todo e aquilo assustou a população bruxa. - Colocou seu braço de baixo da minha cabeça e me puxou para mais perto.
_ Você tem alguma pista de quem poderia ter feito isso? - Aperto sua cintura.
_ Se fosse meus seguidores, sentiria pela nossa ligação. - Levantou o braço e me mostrou a marca n***a. _ Mas não foram eles e não tenho ninguém em mente.
_ Pelo menos você sabe o motivo da pessoa de ter feito o feitiço?
_ A pessoa pode ter feito o feitiço para colocar todos em alerta ou para dizer que estou vivo, não vejo outra conclusão para isso.
_ Mas o que a pessoa ganharia com isso?
_ Ainda não sei, mas vou descobrir. - Beijou a minha testa. _ Está com sono?
_ Não, estou com fome e você? - Olho para cima e vejo ele torcer os lábios.
_ Também, quer ir à cozinha? - Ele não queria pedir o castelo para trazer a comida, ele queria que Sienna ficasse mais calma e andar poderia ajudar.
_ Ok. - Sentei-me na cama, calçando minhas pantufas e levanto, vendo Tom tomar a poção e mudar de roupas como ontem. _ Por que sua porta estava trancada?
_ Eu a tranco quando não estou aqui, mas como você conseguiu abrir sem varinha? - Proferiu vendo que a minha varinha não estava em lugar algum do quarto.
_ Não sei. - Dei de ombros e abro a porta.
Tom pegou a minha mão e descemos a escada dos dormitórios, mas algo interessante estava acontecendo no salão. Liz, Leesa, Fred e Jorge estavam conversando no salão em voz baixa, mas dava para entender algumas coisas.
_ Por que temos que ir ao Salão se a gente já sabe que o que aconteceu com os Sereianos? - Perguntou Leesa indignada.
_ Mas não descobrimos o porquê de eles ter sumido, então não teremos nosso dinheiro até ano que vem e estamos precisando dele agora. - Fred beliscou a bochecha de Leesa.
_ Não vamos brigar aqui, temos que ir agora ou... - Liz olhou para nós e perdeu a fala. _ Sienna? O que faz acordada às três horas da manhã? - Riu nervosa.
_ Indo comer e vocês?
_ Nada importante. - Riu Jorge.
_ Você quer ir em um lugar legal? - perguntou Leesa e Fred, ao mesmo tempo.
Liz olhou os dois com olhos esbugalhados e balançava a cabeça freneticamente, mas nenhum dos dois ligaram para ela.
_ Onde? - Perguntou Tom, apertando minha mão.
_ Não podemos contar, apenas mostrar. - Leesa deu de ombros.
_ Por quê? - Perguntei levantando uma sobrancelha.
_ O juramento que fizemos nos impede de contar, mas não nos impede de mostrar. - Fred e Jorge sorriram.
_ Vocês irão burlar um juramento de sangue? - Tom riu de lado.
_ Claro, por que não?
_ Beleza, chega de palhaçada e vamos. - Liz pegou um papel no bolso do seu pijama e abriu mostrando um mapa detalhado de um lugar desconhecido para mim.
Saímos do salão e subimos a escadaria, depois disso foi um zigue-zague de corredores e por fim, chegamos a um corredor sem saída que parecia muito com o corredor do sétimo andar, apenas que esse corredor estava localizado no terceiro andar aonde ninguém poderia ir, se não quisesse sofrer uma morte dolorosa, palavras de Dumbledore.
Liz olhou para Leesa e olhou em volta para ver se além de nós, tinha mais alguém no corredor e quando confirmou que não tinha, Liz empurrou Leesa para a parede, só que não deu muito certo. Leesa bateu a face na parede e caiu para trás, fazendo os gêmeos rirem como duas hienas.
_ Bom, sabemos a localização, mas não conseguimos entrar. - Fred secou uma lágrima imaginaria. _ O que faremos?
Tom largou a minha mão e andou até a parede a tocando e em questão de segundos, ele foi engolido pela parede.
_ Tom! - Gritei, correndo até a parede e a atravessei, nem mesmo me importei em como consegui fazer aquilo, apenas quando vi Tom, pude suspirar tranquila. _ Quando for fazer algo assim, por favor, me diga antes. - Digo o abraçando.
_ Desculpe se eu te preocupei, não foi minha intenção. - Abraçou-me, me dando um selinho.
_ Me deve cinquenta galeões. - Disse Leesa massageando o nariz que estava vermelho.
_ Merda. - Liz revirou os olhos. _ Pode ficar com a minha parte do dinheiro da caixa.
_ Mas ainda vai sobrar. - Leesa continuava a massagear o nariz vermelho.
_ Não ligo, apenas fique com ele. - Bufou.
Olhei para as duas que já tinham entrado e vejo que os gêmeos estavam correndo em direção a uma estante de livros.
_ Vocês apostaram? - Digo indo em direção da Liz.
_ Mas é claro que apostamos. - Gritou Fred em uma prateleira. _ Thomas sempre que te olhava tinha corações nos olhos e só faltava babar.
_ Pensávamos que vocês iriam ficar juntos de baixo de um visco no Natal. - Completou Jorge. _ Tão clichê.
_ Mas Leesa e Fred disseram que vocês ficariam antes do Natal e eles estavam certos. - Liz deu língua a Leesa que sorria.
Olho em volta e fico deslumbrada com o tamanho do salão, e o que continha nele, vejo Tom ir em direção de uma cadeira que tinha o emblema de Hogwarts e ele a tocou como se ele já a conhecesse, como se sentisse saudades ou a desejasse.
_ A gente está esquecendo de um detalhe. - Fred olhou para Tom com os olhos semicerrados.
_ Que detalhe? - Digo indo até as telas de magia que me mostravam Hogwarts.
_ Como Thomas conseguiu entrar nessa sala? - Ele tinha um bom ponto e nem eu saberia responder isso.
Olho de esguelha para Tom e vejo que ele está calmo e com certeza está pensando em algo para dizer.
_ Talvez a escola goste de mim. - Sorriu como se fosse uma piada. _ Eu não sei o motivo de ter conseguido passar e ter liberado a passagem para vocês.
_ Você pelo menos sabe o nome desse Salão? - Leesa disse colocando uma caixa na mesa.
_ Não.
_ Entendo, gêmeos, agora é com vocês e é melhor não ter nenhuma das suas brincadeiras quando for dividir o dinheiro. - Leesa ficaria com 500 galeões, já que Liz deu para ela a sua parte do dinheiro e, cada um dos gêmeos ganharia 250 galeões.
Sorrio pela forma que os gêmeos responderam Leesa, mas acabo escutando algo, era risada de uma criança e olho em volta, procurando pela criança.
_ Vocês ouviram alguma coisa? - Digo os observando.
_ Não, por quê? - Liz me olhou preocupada.
_ Deve ter sido a minha imaginação. - Sorrio de lado e ando até o final do salão.
Mesmo no mundo da magia, escutar coisas não era uma coisa boa e ter aquilo em mente me fazia sentir ainda mais medo.
"_ Meu bichinho é mal."
Escuto novamente e me viro para ver se encontrava a pessoa que estava falando, mas não encontro nada e nem ninguém.
_ Quem está aí? - Pergunto baixinho para que meus amigos não me olhassem como se eu fosse doida.
"_ Qual é o seu nome?"
"_ Clover."
Aquele nome faz meu coração bater mais rápido e me faz lembrar do meu pesadelo. Ainda podia sentir o cheiro pungente do sangue e da fumaça, dos gritos de dor daquela mulher que parecia comigo enquanto era queimada viva. Eu ainda podia ouvir os gritos da mulher chamada Clover, ou da minha descoberta por eu não ter uma alma.
_ Cachinhos, o que houve? - Tom me tocou e me afasto com medo, mas quando percebo que era ele, eu o abraço. _ Me diga. - Disse me abraçando forte.
_ Apenas me tire daqui, por favor. - Escondo meu rosto em seu pescoço e meus olhos ardiam pela força que fazia em não chorar.
Sinto ele me pegar no colo e me agarro em seu pescoço. Sei que meus amigos me olhavam preocupados, mas não queria dizer nada, apenas queria sair dali o mais rápido possível.
Tom andou o mais rápido que ele podia naquele corpo, mas foi o suficiente para que chegássemos em seu quarto e que eu desabasse em lágrimas, ele não entendia o motivo, mas tentava me confortar.
_ Apenas me traga comida. - Digo fungando o nariz. _ Ainda 'tô' com fome.
_ Seu pedido é uma ordem. - Sorriu saindo do quarto.
Deitei-me na cama e virei de lado, minha cabeça só ecoava o nome daquela mulher e imagens daquele pesadelo vinham me atormentar. Meus olhos estavam pesados, mas não queria dormir e sonhar com aquilo, ainda estava com fome.
Mas meus olhos fecharam me fazendo dormir antes do Tom voltar.
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Tom entrou no quarto com uma bandeja em mãos, mas foi recebido com suspiros serenos e aquilo indicava que a pessoa que estava ali, estava dormindo. Tom se sentiu aliviado, mas o que ele faria com a comida que ele pegou na cozinha? Bom, talvez Sienna acordasse mais tarde.
Ele lançou um feitiço para que a comida não esfriasse e iria se deitar na cama para dormir um pouco, mas Nagini passou pela passagem secreta e aquilo indicava que ela conseguiu descobrir algo.
_ Meu mestre. - Ajoelhou-se no chão e depois de segundos se levantou, ficou olhando a pessoa deitada na cama. _ Minha Lady. - Fez uma mesura para Sienna que ainda dormia.
_ O que houve, Nagini? - Disse indo em sua direção e ele se sentiu estranho. Ele sempre olhava para baixo quando conversava com Nagini, mas agora ele tinha que olhar para cima. Tão estranho.
_ Descobrimos quem fez as marcas no céu e desativou as barreiras de Hogwarts.
_ E quem seria? - Disse calmo.
_ Uma alma.
_ Uma alma? Que tipo de alma? - Disse estranhando aquilo, ele estava temendo a resposta.
_ Uma alma tão n***a quanto a sua e tão antiga quanto o tempo. Ela estava no cofre de Destiny e fugiu no dia...
_ 25 de setembro. - Completou ele.
_ Sim, mas não tenho mais notícias sobre a alma, me perdoe.
_ Tudo bem, mas fique de olho nessa alma e se ela se aproximar novamente do castelo, me diga imediatamente.
_ Como desejar mestre. - Ela se foi deixando o seu mestre pensativo no quarto.
───※ ·❆· ※───
Quatro pessoas se olhavam no Salão Esquecido e tentavam desvendar o que tinha acontecido com a menina de cabelos cacheados. Mas nenhum tinha uma resposta boa o suficiente para calar as perguntas que rodavam em suas cabeças.
_ Não foi uma boa ideia ter trazido ela aqui. - Disse Liz, olhando Leesa.
_ Não sabia que ela sairia daqui tremendo de medo, então não é minha culpa.
_ Por Merlim, Leesa! - Bufou Liz nervosa. _ Ficamos sabendo que a porcaria da magia de Hogwarts quer matar a menina e você tem a brilhante ideia de trazê-la aqui?
_ Mas...
_ Se algo acontecer com ela, a culpa vai ser sua. - Ela saiu do salão e os gêmeos sem cabeça para brincar saíram logo atrás de Liz.
Leesa se agachou no chão do Salão Esquecido e suspirou tentando colocar os sentimentos em ordem. Ela não foi a única que deu a ideia de Sienna ir ao salão, mas nada do que ela falasse iria resolver alguma coisa.
A menina colocou a mão no bolso do pijama e pegou a carta de Salazar e deu um sorriso triste para a carta ainda intacta.
_ Espero que você tenha escrito coisas bonitas novamente e que tenha escrito a minha resposta.
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Minha pequena rata:
Irei lhe contar a verdade, mas para isso você precisa acreditar em mim. Não sei se você acredita em reencarnação, mas eu acredito e por acreditar, me lembrei de certas coisas.
Lembrei-me de conhecer uma menina e me apaixonei por ela perdidamente, mas ela se foi e aquilo acabou comigo.
"Você levou meu coração para o futuro e me deixou perdido, contemplando o passado. Vou lhe encontrar mesmo que seja em outra reencarnação." E finalmente te encontrei, Leesa Avery.
Sei que apenas estou dando voltas na minha resposta, mas espero que você saiba que lhe espero por tanto tempo e quando finalmente te encontrei, meu mundo voltou a ter cor.
No envelope tem uma fotografia, mesmo que naquela época não existisse ainda uma máquina fotográfica.
Com amor e carinho, de seu Salazar.
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Leesa dobrou a carta novamente e abriu o envelope pegando uma foto, e quando ela viu a fotografia, seu mundo começou a fazer sentindo.
A segunda filha do Comensal da Morte, Avery, entendeu o porquê de estar viva.
_ Ah, Salazar. - Tocou a foto que tinha ela e mais quatro pessoas. _ Tudo está diferente agora que temos uma Segunda Chance para viver aquele amor infrutífero. Não sou mais aquela criança e você não é mais aquele homem de trinta e cinco anos. - A menina se lembrou e as lágrimas que ela deixou cair, não foi de tristeza e sim, de saudades daquele tempo.