capítulo vinte e oito

3234 Words
3 de novembro de 1991: Naquela noite tudo parecia calmo, mas com a visita de um fantasma que tinha que estar presa em uma sala, o dia podia ser interessante, ou enigmático. Mas talvez tudo iria se resolver ou talvez se complicar. _ Como vai, querida? - A mulher com uma capa vermelha ainda não mostrava o rosto, mas a mascarada sabia que ela estava sorrindo. _ O que faz aqui? E como conseguiu sair de Hogwarts? - Perguntou estranhando a visita. _ Você continua a mesma e isso me irrita de tal maneira. - Bufou a mulher e se sentou no sofá. _ Aquela coisa que você trancou em uma caixa foi até Hogwarts e quase conseguiu matar a garota, não... - Ela sorriu zombeteira. _ Matar é uma palavra muito forte. _ Fale logo! - Tentou se conter, mas foi em vão. _ Você sabe que a essência daquela que você amou está dentro de Sienna, não sabe? - A mascarada concordou. _ E você sabe que por causa disso, aquele "vulto" pode muito bem encontrar Sienna em qualquer lugar, pode demorar, mas vai encontrar. _ O que você está tentando dizer? _ Se a essência daquela mulher começar a mostrar coisas para Sienna, talvez ela fique louca e acabe se matando. - Sorriu pela última parte. _O bom que ela foi inteligente de ir até ao Salão Esquecido. _ Eu não tenho mais nada a ver com isso. - Disse se levantando e andando pela sala. _ Também é impossível o"vulto" ter ido lá, aquela coisa odeia... _ Odeia Hogwarts? Então ela odeia o mundo inteiro! - Quase gritou de tédio. _ Não ficou sabendo das notícias? O mundo todo virou um caos no dia 31 de outubro por descobrir que o Lorde das Trevas está vivo. A marca n***a aparecendo no céu, animais fantásticos aparecendo do nada. _ Isso não deveria estar acontecendo. A mulher de capa vermelha se levantou e foi em direção da mascarada, ela levantou a mão e deu um tapa na máscara, mas a máscara estava tão firme no rosto da mulher que não fez nada além de machucar a mão da agressora. _ Isso está acontecendo por que alguém quis brincar de salvadora da pátria e olha o que ela fez? - Zombou, soprando a mão dolorida. _ Não tive a intensão de vir para o passado e mudar tanto ele, mas foi preciso e você sabe disso. - Disse raivosa. _ Infelizmente sei, mas será preciso que ela se lembre daquele passado, as memórias estão irritadas com a aproximação da alma da falecida Sienna Olwey. - Sorriu por de baixo da capa como se tudo aquilo fosse divertido. _ Lhe pedi que nunca... - Foi interrompida. _ Que nunca pedisse as memórias para encontrar a garota e falei que faria o possível se aquele troço que você chama de alma ficasse longe da minha escola! Palavras proferidas num passado que era calmo e pacífico, mas agora essas palavras eram apenas palavras jogadas ao vento e o futuro mais uma vez mudou de rumo. Aquilo acabava cada dia com a mascarada que tentava de todos os modos fazê-lo andar na linha que ela planejou, mas tinha tantas coisas que fugiram de seus cálculos que quem iria sofrer não seria ela e sim, Sienna. _ Mas não se preocupe. - Disse se sentando novamente no sofá. _ Sou muito boa com os alunos que estão na minha escola, ela poderá fazer uma escolha. _ Que tipo de escolha? - Perguntou a mascarada contendo sua raiva e magia. _ Isso apenas ela saberá. - Revirou os "olhos" por debaixo do capuz. _ Vi o pulso dela. _ Como? - A mascarada não entendeu o que aquilo tinha a ver com a alma de Sienna. _ Ele colocou o diadema dentro dela, você pelo menos contou a ela sobre a pulseira? _ Contei o suficiente. - Disse tentando mudar de assunto. _ Você não contou a ela que agora que ela tem uma das Horcrux, a pulseira não ficará mais no pulso e sim, no coração? E que ela pode morrer se não encontrar as outras há tempo? - Perguntou risonha. _ Não. _ Será que ela passa dos dezoito anos? ┝┈┈───╼⊳⊰ ? ⊱⊲╾───┈┈┥ _ O que tanto lê? - Perguntou Draco, entrando no meu quarto. _ Um livro. - Digo sem olhá-lo. _ Não me diga? Sério? Pensei... - Lhe interrompo. _ Sacarmos não lhe cai bem e estou lendo um livro sobre costumes trouxas. Draco me olhou com uma careta horrível no rosto, mas se sentou na minha cama esperando que continuasse a lhe contar o motivo da minha leitura tão estranha. _ Achei interessante que os vestidos de noiva deles são brancos. - Digo o fitando. _ E foi esse o motivo de começar a ler um livro trouxa. _ Branco? Como poderia explicar isso para Draco Malfoy? Seria simples se apenas dissesse que os costumes dos trouxas eram diferentes dos nossos, mas assim seria tão sem graça e sem dúvidas ele não entenderia a razão do meu fascínio. _ Hum, como posso explicar? _ Explicando. - Disse com um sorriso sacana nos lábios. _ Para alguns de nós, o branco é para luto e em alguns países no mundo Trouxa também. - Pego o livro e tento achar a página que me dizia os países. _ China, Japão e Índia usam o branco para representar luto. _ Como alguns de nós. - Alguns bruxos acabaram aceitando alguns costumes trouxas, mas os puros sangues continuaram a usar branco. _ Exatamente, mas na maioria dos outros países a cor de luto é preta e para alguns de nós, o preto é para duelos e para nos dar boa sorte. _ Eles são estranhos. - Proferiu por fim. O olhei e vejo que ele ainda é teimoso para aceitar as coisas, mas gostava disso nele. _ Não são estranhos e sim, fascinantes e os vestidos são lindos. - Pego uma revista e lhe entreguei. _ A cor dourada é muito bonita, mas é muito difícil encontrar cor que combine com dourado. _ Mas bege e marrom são cores muito bonitas quando combinam com o dourado. _ Mas o branco podemos usar quase todas as cores, até mesmo o dourado. - Draco sorriu e falou num sussurro. _ Thomas lhe pediu em casamento e não estou sabendo? - Fiquei vermelha como um pimentão e lhe joguei a revista de vestidos de noiva em sua face, mas ele começou a rir e nem ligou para a revista. _ Quer que eu continue? - Digo emburrada. _ Continue, adoro ver você empolgada com algo. - Aproximou-se de mim e beijou a minha bochecha. _ Te amo irmãzinha e quando você for se casar com Thomas, quero ser o padrinho. _ Se me casar com alguém, você será o padrinho, combinado? Também te amo, seu chato. - Sorri beijando sua bochecha. _ Combinado, mas antes de você continuar quero saber como você está, já tem dias que você não aparece nas aulas e só fica aqui enfurnada no seu quarto, o que houve? _ Nada, apenas sinto um pouco de dor em minhas pernas, só isso. - Sorrio, brincando com seus cabelos. _ Sei que você não está bem e entendo se você não quiser me contar, mas te peço que pelo menos conte para o Thomas. - Ele acariciou minhas bochechas. _ Sentir de mais e não falar machuca mais do que pensamos, estarei aqui para o que der e vier. _ Agradeço, realmente agradeço por ter você ao meu lado. - Meus olhos enchiam de lágrimas. _ Mas não consigo falar o que estou sentindo, me perdoe. Ele me abraçou e disse que tudo estaria bem, acreditei nele. _ Você não tem uma psicobruxa? _ Ela está viajando. - E era verdade, ela me mandou uma carta quando estava no hospital e a carta dizia que ela estaria fora por alguns meses. _ Pedirei meu pai para ver se encontra outra pessoa. _ Obrigada, mas não precisa, ficarei bem. _ Tem certeza? - Concordo com a cabeça. _ Depois você continua me contando sobre os costumes trouxas, tenho que ir, tenho deveres para fazer. - Levantou-se da minha cama e beijou minha testa pela última vez naquela noite e se foi. Retiro os livros e revistas de cima da minha cama os colocando no chão e me deito na minha cama fitando o teto. Estava com medo, medo de ter aquele pesadelo novamente ou de escutar aquelas vozes. Tinha medo de ver o trio de ouro, medo de me ver no espelho. Medo de interagir com as pessoas que gostavam de mim, não conseguia dormir direito, comer direito e nem mesmo conseguia sair da cama. Não conseguia fazer nada. Faço um feitiço para ver às horas e percebo que já era às onze da noite. Olho para a porta do banheiro e penso em como iria me levantar para tomar banho. Penso em cada passo que iria dar e finalmente consigo me levantar, olho para os meus pés descalço e fico vendo-o por alguns segundos, até que veio coragem e vou em direção ao banheiro. Abro a porta do banheiro e vejo que minhas mãos estavam tremendo e não saberia se era por falta de comida ou se era a minha ansiedade, nunca saberia. Fecho a porta do banheiro e começo a retirar a minha roupa, a colocando no cesto de roupa suja. Olhei-me no espelho e vejo que minhas costelas estavam proeminentes e aquilo me fez tocá-las, sentindo com meus dedos que ainda tremiam. Suspirei e liguei a torneira da banheira para que ela enchesse, enquanto isso ficava olhando para minhas unhas que estavam grandes demais e precisavam ser cortadas antes que me ferisse com elas. Quando a banheira encheu, coloquei sais de banho e entrei na banheira deixando tudo que pensava para trás. Finalmente relaxei depois de dias. Não sabia quantos minutos estava dentro da banheira, apenas sabia que a água já estava ficando fria e isso era sinal para que saísse da água. Saio da banheira e abro o ralo para a água escorrer. Pego minha toalha e começo a secar indo em direção do meu quarto, o meu pijama já estava em cima da mesa de cabeceira e não demorei muito para colocar o pijama e pentear o cabelo. Olho para minhas mãos e vejo que elas não tremiam mais, talvez fosse realmente a minha ansiedade. Com isso pronto, calcei as minhas pantufas e abri a porta do meu quarto indo em direção do quarto de Tom. Abro a porta e vejo que ele estava na sua verdadeira aparência e estava se arrumando com um terno preto, ele ficava bem com essa cor. _ Sua gravata está torta. - Digo entrando no quarto e fechando a porta. _ Pensei que você trancasse a porta. _ Eu sabia que você iria vir. - Veio até mm e me beijou. _ O que houve? - Disse enrolando seus dedos nos meus cachos que estavam molhados. _ Nada, apenas cansada. - Consigo mentir. _ Você sabe muito bem que não irei acreditar nisso, me conte. - Falou me pegando no colo e se sentando comigo em sua cama. Ajeitei-me em seu colo e começo a mexer em seu cabelo, principalmente no cacho que sempre caia em sua testa, aquilo era tão sexy. _ Estou com medo. - Digo me deitando em seu ombro e sentindo o seu perfume que continuava o mesmo. _ Estou com medo de sonhar com aquilo de novo. _ Você ainda não me contou o seu sonho. - Continuava brincando com meu cabelo. _ Não quero lembrar dele, me desculpe. - Digo beijando seu rosto. _ Cachinhos, o dia que você quiser me contar estarei aqui, estarei aqui para secar suas lágrimas e estarei aqui para lhe dizer que tudo vai ficar bem. - Beijou minha bochecha e alisou elas. _ Mas terei que te deixar sozinha por algumas horas, me desculpe. _ Não precisa pedir desculpas. - Digo o olhando e tento sorrir. Levantei-me de seu colo e me deito em sua cama. Vejo ele se levantar e arrumar a gravata preta que estava torta. _ Sua mãe conheceu alguém com o nome de Mulher da Máscara de Prata? - Fico assustada com aquele apelido e aquilo me faz lembrar do fogo e dos gritos da mulher, do cheiro do sangue e das palavras de desculpas. _ Sienna? - Falou preocupado. _ Sienna! _ Oi? - O olhei assustada. _ Não escutei, me desculpe. _ Você realmente está bem? Quer que eu desmarque a reunião com a Nagini para ficar com você? _ Nagini? - Perguntei, tentando mudar de assunto. _ Ela era uma cobra, mas essa mulher me ajudou a desfazer a maldição de sangue de Nagini, mas isso não é importante, você quer que eu fique? - Vi que ele já estava tentando tirar a gravata. _ Está tudo bem, apenas fiquei por alguns segundos no mundo da lua, quando chegar me conte como foi. - Pego o cobertor e me cubro. _ Tem certeza? Posso... - Não o deixo continuar. _ Ficarei bem, te vejo mais tarde. Ele veio até mim, beijando minha testa e meus lábios e, se foi numa passagem secreta que tinha em seu quarto. Espero alguns minutos e retiro o cobertor de cima de mim e calço as minhas pantufas saindo do quarto. Vou em direção do meu quarto e abro a porta, corro até a minha cama e pego a minha varinha. Com a minha varinha em mãos, fecho a porta do meu quarto e desço a escadaria, saindo do salão comunal e indo em direção ao terceiro andar. _ Agora você não quer cantar a musiquinha, né? - Digo baixinho para o castelo. _ Parou de tentar me matar? - Olho em volta e vejo alguns quadros me olharem estranho. _ Me desculpem, podem voltar a dormir. _ Pelo menos ela é educada, diferente daqueles pirralhos da Grifinória. - Disse um dos quadros. _ Cale a boca. - Proferiu outro. Ando mais rápido e chego no terceiro andar. Fico de frente para a parede daquele dia e a toco, vendo minha mão sumir. Passo pela parede e olho em volta do salão. _ Eu não sei bem o porquê de estar aqui, mas desde daquele dia essa sala não sai dos meus pensamentos, então... - Respiro fundo. _ Poderia me dar algum sinal de que não estou ficando doida? Virei e percebo que nada aconteceu, bufo em desânimo e quando tento atravessar a parede nada acontece, ela estava sólida. Me viro e vejo duas coisas, uma pessoa com uma capa vermelha e ao seu lado, uma bolinha vermelha. _ Não sei se você é inteligente ou é muito burra para vir aqui. _ Ela nos poupou tempo, bem-vinda ao Salão Esquecido. - Disse a bolinha voando até mim. _ Estou contente em lhe ver novamente, Sienna. _ Ela não viu você naquele dia. - Falou a mulher que vinha em minha direção. _ Você tem uma aparência de sofredora. - Fico com vergonha daquelas palavras. _ Mas é muito melhor do que aquela face de crueldade. _ Você conheceu aquela que se parece comigo? - Perguntei mexendo nas mãos. _ Infelizmente, sim, e conheci a mascarada, ela me deixou algo que você está procurando. _ E o que estou procurando? - Realmente não sabia o motivo de estar ali. _ Eu. - Disse a bolinha. _ Sou as memórias daquela que se parece com você, você precisa de mim. _ E por quê? - Pergunto confusa. A mulher com a capa colocou sua mão no meu rosto e suas unhas afiadas penetraram no meu rosto, fazendo arder, sabia que ela estava gostando de ver dor em minha expressão, mas não sabia como eu sabia daquilo. _ Quando ele te encontrar e fazer você perder tudo, essa bolinha terá suas memórias antigas e novas. - Retirou sua mão do meu rosto. _ Apenas tem que se lembrar de voltar para Hogwarts para recuperar suas memórias. _ Então perderei minhas memórias? Não lembrarei de nada e nem de ninguém? - Pergunto com raiva. _ Tem alguma coisa que eu possa fazer para não perder elas? _ Não, apenas aceite seu destino, é muito mais simples do que parece. Mas você pode fazer uma escolha. - Enruguei a testa em dúvida. _ Você pode se lembrar de tudo agora ou... _ Se lembrar depois de anos. - Completou a bolinha. Não queria lembrar, não queria lembrar do cheiro, dos gritos, do nome. Então escolhi não me lembrar agora. _ Prefiro não lembrar de nada. _ É sua escolha, afinal, mas apenas tome cuidado com a sua alma, ela está irritada. - Olhei assustada para ela. _ Hum? Não sabia disso? - Balanço a cabeça negando, só sabia que a minha alma não estava no meu corpo por causa daquela mulher do meu sonho. _ E sobre a chave? Você sabe? - Perguntou a bolinha. _ Por que todo mundo me pergunta sobre a chave? Não sei do que vocês estão falando. - Tento ficar calma. _ Isso é interessante, mas não estou com cabeça para lhe contar algo tão óbvio, até algum dia, Sienna. - E com aquelas palavras eu desmaio. _ Não precisava desmaiar a menina. - Falou a bolinha. _ Apenas de ver o rosto dela me dá raiva. Ela roubou meu querido Tom e aquele velho me prometeu sua neta, mas Sienna não estará aqui. _ Ainda não sei o motivo dele ter te prometido o neto dele. - Rondou a bolinha na cabeça da encapuzada. _ Em 1944 ele me encontrou e não sei como ele conseguiu me encontrar, já que ele nunca fez parte dos Representantes. - Sorriu. _ Ele me pediu perdão quando falei que como ele me viu, deveria matá-lo. _ Mas ele fazia parte dos seus alunos. _ Protejo eles, mas eles não devem me ver ou ter conhecimento sobre mim, apenas os Representantes e essa menina. - Cutucou Sienna. _ Então no medo, ele me prometeu seu neto e não o seu herdeiro. _ E por que o neto? _ Eu não sei, isso realmente não sei, mas ele me prometeu o neto e disse que eu poderia fazer tudo que desejasse com ele. _ Foi por isso que você quase matou Sienna? - Perguntou a bolinha zangada. A mulher sorriu e se sentou em cima da mesa. _ Claro que não, tive que bagunçar um pouco o futuro, se não, a Sienna ficaria naquele lugar por três anos e isso é tempo demais para os meus planos. _ Que planos? Pensei que quem estaria conduzindo o futuro seria a Clover. - A mulher a olhou brava. _ Me desculpe, a Mulher da Máscara de Prata. _ Ela me respeita e devo respeitar aquilo que ela me pediu. - Falou sobre a mascarada pedir que nunca falasse o nome dela. _ Ela tem os planos dela e eu, tenho os meus. E isso você só vai descobrir quando essa menina voltar para Hogwarts. _ Você já sabe o ano? _ Espero que seja antes de 1998. O que todos eles planejavam? E por que sempre tinha que colocar Sienna no meio destes planos, e uma coisa que ninguém respondeu até agora foi... Como Dumbledore sabe sobre a chave?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD