Episódio 7

1382 Words
Quando descobri que estava grávida da nossa filha Irina, Denis me carregava nos braços e m*al podia esperar pela chegada do bebê. Na noite em que dei à luz nosso pequeno raio de sol de olhos azuis, vi Denis chorar. Ele também estava radiante com o nascimento dos gêmeos e incrivelmente orgulhoso dos nossos filhos. Costumava brincar que tinha recebido o dobro da felicidade de uma só vez, então não só sabia mirar com precisão, como também sabia trabalhar para alcançar resultados. Nunca duvidei que Denis fosse um bom pai e amasse nossos filhos. No entanto, sua atitude cínica em relação à situação que ele mesmo havia criado me fez questionar: será que eu realmente conhecia esse homem? — Tenho uma terceira opção. Eu disse, depois de recuperar o controle da minha voz. — Quer ouvir? — Não haverá divórcio. Interrompeu Denis. Notei que seus olhos se tornaram frios. Ele não só tinha certeza da sua posição, como estava pronto para defendê-la por todos os meios necessários. Pela primeira vez, aquilo me assustou tanto que tremi. — Denis, você precisa entender que isso não pode continuar. Eu disse, tentando manter a voz firme. — Não podemos viver como se nada tivesse acontecido. — Podemos sim. E vamos. Você vai esquecer, Eva. E, se for preciso, terei o maior prazer em lembrá-la de como podemos ser bons juntos. — Isso é uma ilusão. Eu não consigo. Declarei em voz baixa, mas firme. — Não posso ficar com um homem em quem não confio mais. Denis se levantou tão abruptamente que derrubou a cadeira em que estava sentado. Num instante, Denis estava parado na minha frente, o rosto sério e tenso, os olhos escuros como o céu antes de uma tempestade. — Eu já disse, não vai haver divórcio. Ele repetiu, como se fosse algum tipo de feitiço que nos livraria de todos os nossos problemas. — Não entendo por que você precisa disso, Denis. Simplesmente nos deixe e volte para a sua Lisa. — Porque eu te amo, sua boba. Disse ele, agarrando os meus ombros e me puxando para cima. — E eu não vou desistir. Os olhos de Denis brilhavam intensamente: eu tinha medo de olhar para eles, mas ainda mais medo de desviar o olhar. — Não suporto ficar no mesmo apartamento que você, muito menos fingir que nada aconteceu. — Você tem que esquecer isso, Eva. Este é o meu apartamento. Mordi a língua enquanto lágrimas enchiam meus olhos. Meu Deus! Quem diria que chegaria o momento em que eu entenderia minha completa dependência do Denis? O apartamento estava no nome dele, os carros também, ele me dava o dinheiro, e eu não tinha emprego… Eu nem sequer tinha alguém a quem recorrer em busca de apoio… Denis sempre foi meu apoio. E agora? — Eu não vou a lugar nenhum. E se você tentar, Eva… Eu tiro as crianças de você. Suas palavras me atingiram em cheio, quase me deixando impotente. Senti como se minhas pernas fossem ceder, mas me forcei a ficar de pé. — Você não pode simplesmente levá-los. Respondi, tentando manter a calma. Meus lábios e língua tremeram, uma escuridão turvou minha visão por um instante e um arrepio percorreu minha espinha. —Eles são nossos filhos, eu sou a mãe deles e… — Uma mãe que vive às minhas custas. Que usa tudo o que eu lhe dou. Tudo o que você está vestindo eu comprei com o meu dinheiro. Você se esqueceu? — Como você pode me culpar por isso? Eu não fiz o suficiente pela nossa família? — Se você quiser me deixar, pode. Disse Denis de repente, soltando-me. — O quê? Questionei a minha própria audição. — Você pode ir embora, Eva. Agora. Ele repetiu. — Mas deixe aqui tudo o que comprei com o meu dinheiro, e as crianças também. — O que você está dizendo…? — Até onde você acha que iria nua? Denis sorriu maliciosamente, sua raiva distorcendo suas feições, revelando o monstro cru*el por trás de uma fachada perfeita. Senti uma onda de calor da ponta dos pés até o topo da cabeça. — Já não bastava me humilhar no restaurante para agora estar zombando de mim? — Se você não quer lutar pelo nosso casamento, eu lutarei. Você não vai gostar dos métodos que eu escolher. Mas os fins justificam os meios, não é? — Você não pode fazer isso comigo. Sussurrei, perdida em pensamentos. — Você não pode tirar meus filhos de mim. Você não ousaria. — Acredite em mim, Eva, eu posso. Eu tenho os recursos, a capacidade, as conexões. Se você pedir o divórcio, farei tudo o que estiver ao meu alcance para provar que você é instável e incapaz de cuidar dos nossos filhos. Aquelas palavras foram mais cortantes do que as facas que Denis poderia ter usado para me ferir. Eu não queria acreditar que o homem a quem eu havia chamado de "meu amor" poucas horas antes pudesse agir de forma tão vil. Mas, a julgar pela expressão em seu rosto e, mais importante, pelo olhar em seus olhos, não parecia haver outra conclusão possível. Minha raiva e meu medo se misturavam, criando um coquetel amargo de emoções. Tentei encontrar palavras para convencê-lo, mas meus pensamentos eram um turbilhão de caos. — Denis, isso não está certo. Isso não é amor. Balancei a cabeça. — É manipulação, sujeira, violência. Por que você está fazendo isso conosco? Por que você está fazendo isso comigo? Ele deu mais um passo em minha direção, seu rosto muito perto do meu, sua respiração queimando minha pele. — Esta é a realidade, Eva. E você precisa aceitá-la. — Você está louco. — Ficaremos juntos, quer você goste ou não. E nossos filhos ficarão conosco. Foi o que eu disse. Minha palavra é lei nesta casa. Antes, eu gostava da firmeza do Denis, da sua determinação, da sua teimosia às vezes inabalável, até mesmo da sua grosseria. Mas até aquele momento, ele nunca havia usado essas qualidades contra mim... Agora eu me sentia como se tivesse batido de frente com uma parede e, em vez de a derrubar, corresse o risco de bater com a cabeça nela. — O que você fez com o homem por quem me apaixonei? — Aquele por quem você se apaixonou? Não me ama mais? Ele insistiu. Mordi os lábios. É claro que ainda amava. — Você não pode me destruir, Denis. — É você quem está se destruindo, Eva, com as minhas próprias mãos. Você está me forçando a isso. — Vamos nos divorciar. Amigavelmente. Sem escândalo. Como adultos. Por que essa discussão? Não vou te prender aqui. Você pode voltar para a sua Liza e amá-la vinte e quatro horas por dia. — A questão é, Eva. O meu marido baixou a voz para um sussurro aveludado. — Eu quero vocês duas. E sempre consigo o que quero. — Desta vez não. Seus olhos brilharam de raiva, mas ele não disse nada. Nos encaramos, como dois boxeadores antes de uma luta. E eu sabia que essa luta seria a mais difícil da minha vida. — Pense, Eva. Continuaremos esta conversa amanhã, e espero que você esteja pensando na direção certa para tomar a decisão certa. Com essas palavras, Denis me deixou na cozinha e foi para o nosso quarto. Se ele pensou que eu me juntaria a ele e deitaria na mesma cama, estava ainda mais enganado do que eu já imaginava. Acomodei-me no sofá e me cobri com um cobertor. Mesmo sendo um dia quente de verão lá fora, eu sentia calafrios. Por mais cansada que estivesse, o sono me escapava dos meus abraços reconfortantes e curativos. Inacreditável! Eu não conseguia acreditar que todo aquele pesadelo era a minha realidade. Parecia que a qualquer momento eu abriria os olhos e acordaria daquele pesadelo. Mas não... O milagre de sempre não aconteceu. Sim, esta seria a batalha mais difícil da minha vida. Denis tinha muitas vantagens: ele era mais forte, mais bem-sucedido, tinha todas as cartas na manga, e eu mesma as havia entregado a ele. Por isso, eu precisava formular uma estratégia, não para me chocar contra aquele muro, mas para contorná-lo. Eu precisava ser forte. Não tanto por mim, mas pelos meus filhos. Será que eu conseguiria?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD