Episódio 11

977 Words
— Não, está tudo bem. Respondi, tentando disfarçar o meu nervosismo. — Como você está, Eva? Ela perguntou, olhando-me fixamente nos olhos. — Para ser sincera, não muito bem. Confessei. — Por isso queria conversar com você. Maria Ivanovna assentiu e fez o seu pedido ao garçom. Quando ele saiu, ela se virou para mim. — Sobre o seu Boiko ter dormido com as enfermeiras e uma delas ter engravidado dele? Por um instante, fiquei sem palavras. Achei que estivesse preparada para qualquer reviravolta, mas não havia previsto isso. — Como você sabe? — Me perdoe, Eva, por ser tão direta, mas você sabe que não sou de rodeios. Respondeu Maria Ivanovna. — E não se surpreenda, estamos num hospital. Você entende, todo mundo sabe da vida de todo mundo. — Nem sei o que dizer. — Então me escute, minha querida. O garçom voltou com o pedido dela, e por um instante ela ficou em silêncio. — Sabe, Eva. Ela continuou, levando a xícara de café aos lábios. — Boiko sempre teve casos extraconjugais, só que antes não eram tão óbvios. Até agora, ninguém o pegou em flagrante. Mas parece que ele parou de esconder as suas escapadas. — Todo mundo sabia há muito tempo, e eu era a única cega? — O amor é cego. Suspirou Maria Ivanovna. — Você não é a primeira, Eva, e não será a última. — E mesmo assim o promoveram… — Enquanto o comportamento pessoal dele não afetar o profissionalismo — e até agora não afetou —, todos vão fingir que não veem. Porque seu marido, Eva, é um bom cirurgião, um dos melhores. Não só no nosso hospital, mas em toda a cidade. Permaneci em silêncio, encarando a xícara à minha frente. De repente, as palavras de Maria Ivanovna confirmaram tudo o que eu temia admitir. Denis realmente me traiu durante todo o nosso casamento. Será que todo o seu carinho e atenção eram apenas uma fachada para os outros? Mas eu sentia que ele me amava! Como alguém podia levar uma vida dupla assim? — O que devo fazer? Perguntei finalmente, erguendo os meus olhos marejados para ela. Maria Ivanovna respirou fundo, olhando para mim com uma compaixão gentil. — Nesses assuntos, o conselho de outras pessoas é a última coisa em que você deve confiar. Muitas mulheres continuam vivendo com maridos infiéis, e é uma escolha delas, e eu não posso julgá-las por isso. Então eu pergunto a você, Eva, o que você quer fazer? — Deixar Denis. Pedir o divórcio. Recomeçar. Não precisei pensar muito. A resposta já estava formada dentro de mim. — Você já pensou bem nisso? Porque se você começar isso, será muito difícil, senão impossível, voltar atrás. — Ele tem dinheiro, contatos, recursos e é teimoso. — Isso significa que Boiko não quer o divórcio? A mulher ergueu uma sobrancelha. — Imagino que vocês já tiveram uma conversa séria? — Ele está feliz com a situação atual. Suspirei. — Eu não tenho nada, entende? Tenho medo que ele me tire as crianças. E, a julgar pelo humor dele, parece que Denis não hesitará em usar de artimanhas. Maria Ivanovna começou a bater as unhas pensativamente no tampo de madeira da mesa. — A primeira coisa que você precisa fazer é encontrar apoio jurídico. Você precisa se proteger e proteger as crianças. Conheço um bom advogado especializado em divórcios e direito de família. O nome dele é Kozak Ivan Stepanovich. Vou te dar o contato dele. — Não tenho dinheiro para pagar os honorários dele. — Diga a ele que você é minha amiga. Ele vai esperar o pagamento. — Obrigada. — De nada, querida. Agora, vamos ao que interessa. Você não me chamou para um café só para isso, não é? Eu sorri. Maria Ivanovna sempre foi muito atenta aos detalhes. — Quero atualizar o meu diploma e trabalhar na minha área. Você me ajuda? — Claro, Eva. Vou te matricular em cursos e, se você passar na avaliação, pode esperar um salário decente. Enquanto isso, você trabalhará como médica residente. Ela fez uma pausa pensativa. — Digamos que você possa começar a trabalhar em um mês? Uma moça está prestes a entrar em licença-maternidade. Vou te dar plantões na enfermaria e horas no ambulatório. Você terá que conciliar isso com os cursos, então não será fácil. — Estou pronta. — Não posso te alocar em outro hospital, então você terá que trabalhar perto do Denis. Não será simples. — Eu sei. — E se você também iniciar o processo de divórcio… — Ele vai enlouquecer. Assenti. — Por isso, vou investir este mês em me preparar bem para a batalha que se aproxima com ele. — Tem certeza de que não consegue perdoar o Boyko? — Maria Ivanovna. Suspirei profundamente. — Não é orgulho falando. Bem, talvez um pouco. Denis partiu o meu coração. Não consigo viver uma mentira. — Você sempre foi uma mulher de princípios, Eva. Assenti. — Por isso sempre gostei de você. Pode contar comigo. As suas palavras me encheram de esperança. — Obrigada. Disse, sentindo uma onda de alívio me invadir. — Agradeço muito o seu apoio. Maria Ivanovna apertou a minha mão delicadamente, mostrando que estava ali para mim, pronta para ajudar a qualquer momento. Continuamos conversando, discutindo os detalhes e os passos que eu precisava dar para reconstruir a minha vida. A sua confiança e determinação eram contagiantes, e comecei a acreditar de verdade que poderia superar todos os obstáculos. De volta para casa, me senti mais forte e mais segura das minhas decisões. Agora eu não só tinha um plano de ação, como também sabia que não estava sozinha nessa luta. Tudo será diferente. Não vou mais me deixar ser vítima das circunstâncias. Eu também tenho caráter, e se o Boyko se esqueceu que eu existo, então... o problema é meu?
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