Capítulo 31 - Três dias eternos

1911 Words
O aeroporto estava movimentado por causa do feriado, mas Ethan tinha escolhido o ponto mais discreto do estacionamento, longe da entrada principal. O capô do carro refletia a luz alaranjada do fim da tarde, e ele esperava com as mãos firmes no volante — como se aquele fosse o único jeito de impedir o corpo de tremer. Três dias tinham sido suficientes para deixá-lo à beira do descontrole. Quando o celular acendeu com a mensagem “pousamos”, o pulmão dele travou. E quando, minutos depois, ele viu Elena surgir no topo da rampa jeans simples, blusa clara, mala pequena sentiu como se alguém tivesse socado o peito. Ela estava linda. Radiante. E correndo os olhos pelo estacionamento procurando por ele. Ethan saiu do carro antes que pudesse repensar, mas não deu um passo sequer. Precisava manter distância. Ali, qualquer toque podia ser um risco. Elena o viu. E naquele instante o mundo ao redor perdeu importância, carros, pessoas, vozes. Ela deixou a mala descer até bater no calcanhar porque só conseguia olhar para ele, como se as pupilas reconhecessem um lar antes mesmo do corpo. Ela andou rápido até entrar no carro, mas os olhos nunca desviaram dos dele. Nenhum dos dois sorriu estavam longe demais para sorrisos leves. Era outra coisa, mais densa. Quando ela fechou a porta, o ar no interior do carro pareceu ficar quente demais. Ethan ligou o motor porque precisava fazer algo com as mãos, mas não saiu imediatamente. Ficou parado, olhando para frente, respirando como se cada segundo testasse seu autocontrole. — Como foi o feriado? — ele perguntou, a voz grave, baixa, como se tivesse sido arrancada do fundo da garganta. — Longo demais — Elena respondeu sem desviar os olhos dele. No retrovisor, ele verificou uma última vez se ninguém conhecido passava por perto. Depois, finalmente acelerou devagar, saindo do aeroporto. O silêncio não era desconfortável. Era carregado. Elena virou o corpo de leve no banco, observando o perfil dele — a mandíbula rígida, a mão no câmbio, o peito subindo e descendo rápido demais para alguém calmo. — Você dormiu? — ela perguntou, quase um sussurro. — Não como deveria — ele respondeu, sem intenção de esconder. Ela mordeu o lábio inferior. Ele viu. A mão dele apertou o câmbio com força suficiente para embranquecer os nós dos dedos. — Você sentiu minha falta? — arriscou ela. Ele riu, mas não era um riso leve. Era um riso incrédulo, carregado. — Elena, sentir falta é pouco. O nome dela na voz dele a fez tremer. Por alguns segundos, ninguém falou. Só os olhos conversavam pelo vidro, pelo reflexo, pela memória do corpo do outro. No farol, o carro parou. Ele virou o rosto devagar, como se lutar contra o próprio desejo exigisse esforço físico. — Se eu tocar em você agora vai ser um escandalo— ele avisou, com uma sinceridade crua. Elena não respondeu com palavras. Apenas deslizou os dedos devagar até tocar o joelho dele leve, quase nada. Foi o suficiente para arruinar qualquer autocontrole. A respiração de Ethan falhou, os olhos fecharam por um segundo como se o corpo inteiro reagisse. O farol abriu. Ele arrancou rápido, preciso porque a única coisa que mantinha o controle agora era chegar em casa antes que o instinto vencesse no carro. O silêncio continuou, mas agora tinha outra linguagem: corpos prestes a explodir, mãos ansiando, beijos segurados por um fio. E quando ele entrou no estacionamento e estacionou na garagem privativa nenhum dos dois se mexeu por três segundos, os dois respirando rápido, como guerreiros antes de outra batalha. Mas nessa batalha ninguém pretendia vencer. Ethan a puxou para os seus braços num reflexo, e o abraço dos dois não foi um cumprimento foi uma fusão. Ele afundou o rosto no pescoço dela, respirando fundo como quem recupera o ar depois de dias submerso. — Você voltou — ele murmurou, a voz rouca, como se aquele tempo tivesse sido um castigo. — Sempre voltaria pra você — ela respondeu, sem pensar, sem hesitar. Ethan a segurou pelo rosto, como se precisasse ter certeza de que era real, e a beijou, não devagar, não cauteloso. Um beijo urgente, faminto, cheio de saudade acumulada. — Vamos pra casa — ele disse, encostando a testa na dela. — Não consigo esperar mais. Os segundos dentro do elevador até o apartamento foi quase silencioso, mas o silêncio ardia. O elevador parecia pequeno demais para conter a eletricidade entre os dois. Quando chegaram, a porta m*l fechou. Elena foi pressionada contra ela não com força, mas com uma necessidade incontornável. Ethan a beijava com intensidade crescente, como se os dias longe tivessem se transformado em fome. — Eu tentei… — ele sussurrou contra os lábios dela. — Tentei ser racional. Tentei trabalhar, dormir, viver. — Ele segurou o rosto dela com as duas mãos. — Mas tudo em mim só funcionava quando eu pensava em você. Ela puxou a camisa dele, arrastando-o ainda mais perto. — Então ainda bem que eu voltei. Ele sorriu lento, perigoso, irresistível. — Se não voltasse eu iria te buscar. — Eu não duvido disso — ela provocou, a boca roçando o maxilar dele. — Eu senti sua falta… em todos os sentidos. A respiração dele falhou. As roupas começaram a se perder pelo caminho, o casaco dela primeiro, depois a camisa dele. Cada toque era uma memória que os dias longe tinham amplificado, cada beijo era uma promessa que não cabia mais no corpo. Ethan a pegou pela cintura e a ergueu como se ela fosse parte dele. Ela entrelaçou as pernas, o corpo em pura rendição. Quando ele caminhou com ela pelo corredor, a boca dele explorava seu pescoço, seus ombros, seu colo beijos quentes, molhados, desesperados. — Você voltou pra mim — ele repetia entre beijos, como se fosse uma verdade que curava tudo. — Eu sou sua — ela arfou, puxando o cabelo dele. Um gemido baixo escapou do peito dele, completamente incontrolável. Eles chegaram à sala e caíram no sofá, não porque planejaram, mas porque era o primeiro lugar que os corpos encontraram. O sofá virou testemunha de mãos ousadas, de roupas caindo ao chão, de bocas procurando pele sem nenhuma pressa de parar. Ethan sussurrava no ouvido dela enquanto a beijava: — Você é tudo que eu desejei nesses dias. — Não faço ideia de como respirei sem você. — Nunca mais me deixa ficar longe assim. Elena se arqueou, o corpo inteiro respondendo a cada toque, cada palavra, cada mordida suave no pescoço. — Eu estou aqui — ela disse, sem ar. —Estou aqui. E então o desejo explodiu entre os dois não bruto, não violento, mas profundo… como se os corpos e as almas deles tivessem decidido que estavam cansados de esperar. Os gemidos dela ecoaram contra a pele dele, e ele a segurava com a reverência de quem segura algo precioso completamente dominado, completamente entregue. Não havia mais saudade. Não havia mais distância. Não havia mais ausência. Só os dois. Respirando juntos. Queimando juntos. Pertencendo um ao outro como se sempre fosse para ser assim. Quando finalmente os corpos amoleceram, ele a puxou para o peito, o coração ainda acelerado. — Promete que nunca mais vamos passar um feriado separados assim? Elena sorriu contra a pele dele. — Não prometo… mas sempre voltarei para você Ele fechou os olhos, beijos lentos agora, suaves, mas ainda cheios de desejo. — Eu aguento — murmurou — desde que você sempre volte pra mim. E ela voltou. Depois da tempestade do reencontro, os dois ficaram um tempo deitados no sofá, respirando devagar, como se o mundo tivesse parado só para eles. Ethan acariciava a mão de Elena, traçando caminhos imaginários com os dedos, até que ela levantou o rosto para olhar para ele. Não havia pressa. Não havia fome. Só ternura… e um desejo que ardia de forma diferente. — Eu senti tanta falta de você — ela disse, sem dramatizar, apenas confessando. Ethan engoliu em seco como se aquelas palavras escorregassem diretamente para o peito dele. — Eu também — respondeu, com a sinceridade de quem não sabe mentir para ela. Elena mudou de posição devagar, sentando-se sobre ele, de frente para seu corpo, como se o mundo tivesse nascido só para permitir aquele movimento. Os olhos de Ethan acompanharam cada gesto, como se tudo nela fosse sagrado. — Não precisa ter pressa — ela murmurou, tocando o rosto dele com a ponta dos dedos. — Eu só quero você… inteiro… devagar. Ele soltou o ar com dificuldade, e o olhar escureceu. As mãos dele subiram pela cintura dela com reverência, sem puxar, sem exigir. E ela desceu o rosto até encontrar os lábios dele um beijo que não queimava rápido, e sim profundo, denso, carregado de intenção. Um gemido rouco escapou do peito de Ethan, e ela sorriu contra a boca dele. — Você me mata — ele sussurrou, perdido. — Eu te faço viver — Elena corrigiu, roçando os lábios em seu queixo, seu pescoço, sua clavícula… cada toque medido, calculado para fazer o corpo dele tremer de expectativa. A respiração de Ethan cresceu, pesada, enquanto as mãos passeavam pela pele dela como se memorizassem tudo de novo. Ela inclinou o corpo, beijando o ombro dele, o peito, o canto sensível do pescoço que o fazia arfar e quando ele tentou puxá-la com intensidade, ela segurou o rosto dele com firmeza. Os dois se olharam como se os corpos conversassem primeiro. Então Ethan deslizou as mãos pela cintura dela e a guiou com calma, com cuidado, com controle absoluto, mas dessa vez entrega e domínio estavam no mesmo lado. Cada movimento era lento demais para não incendiar. Os lábios dele desciam pelo colo, curvando-se sobre a pele com beijos demorados, tão lentos que faziam o corpo dela pedir mais antes mesmo de receber. Elena segurou nos ombros dele, arqueando, a respiração irregular deixando escapar um gemido baixo quase um suspiro, mas que incendiou Ethan por completo. Agora não havia pressa, mas havia fogo. Havia a pele de Elena aquecida sob os dedos dele. Havia a boca dele descobrindo lugares que só ele conhecia. Havia o corpo dela respondendo a cada toque como se todos os nervos estivessem acordando ao mesmo tempo. E havia a voz de Ethan, quase um sussurro possessivo no ouvido dela: — Você é o meu lugar no mundo. Elena tremia — não de cansaço, mas de sentir. E o que começou como calma se transformou em intensidade lenta, controlada, arrebatadora como uma chama que não queima de uma vez, mas consome por completo. A respiração dos dois se entrelaçou. Os gemidos se tornaram mais altos. As mãos se agarraram com mais força. Os lábios se encontraram e se perderam inúmeras vezes. E o desejo cresceu até transbordar não selvagem como antes, mas profundo… inevitável… inevitável como amor. Quando caiu sobre o peito dele depois, ainda ofegante, Ethan envolveu o corpo dela entre os braços, como quem guarda um segredo precioso. — Se isso é amor… — ele disse, com a voz arranhada — eu nunca quero menos do que isso. Elena sorriu contra a pele dele, os olhos se fechando devagar. — Então você nunca vai ter menos. E ficaram ali, a respiração dos dois se tornando uma só. Calma. Íntima. Profunda. Ardente. Um tipo de amor que não precisava se esconder naquele apartamento e que, cada vez mais, se recusava a se esconder do mundo.
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