Na época que foi comunicado, ele delirara de alegria, porque planejara obter a posição há muito tempo, trabalhara para isso, ficou surpreso com a realização do seu desejo tão depressa. O seu sucesso na política era inquestionável, era simplesmente excepcional, ninguém duvidava da sua capacidade!
Começou na Câmara dos Comuns, ocupara um lugar em destaque, primeiro como m****o do Tribunal Superior de Justiça, depois como Secretário Geral.
Tinha apenas vinte e cinco anos quando foi enviado para uma missão como representante de Sua Majestade. Não havia outro m****o no Ministério com a mesma capacidade. Sir Eduard Devron tivera a chance de demonstrar do que era capaz, o quão talentoso era, não desapontando aqueles que confiavam nele. Devido ao seu enorme sucesso, a Rainha não teve dúvidas em dar-lhe o título de m****o DO PARLAMENTO INGLÊS. Sendo assim, da noite para o dia, ele transformara-se no jovem mais promissor da Câmara dos Comuns.
Por sua competência demonstrada no trabalho da primeira missão, que não foi esquecida pelo Primeiro Ministro, ele foi designado para muitas outras, na maioria das vezes, muito importantes. No início do ano de 1850, quando houve vários incidentes envolvendo o Império Britânico, uma ameaça de guerra e crise diplomática, Lorde Evans declara a Sir Eduard o que tinha em mente.
Sir Evans lhe disse que pretendia exonerar Lorde Russel do Ministério do Exterior e nomeá-lo para o cargo. A rainha não gostava do atual Ministro. E muitas vezes houve queixas dos procedimentos dele.
“- Eu o preveni muitas vezes sobre a insatisfação da Rainha, mas ele não me deu ouvidos.”... Sir Evans explicou a Sir Eduard na época em que conversaram.
Sir Evans prosseguiu falando sobre as dificuldades nas relações exteriores naquele momento crucial da história britânica. Sir Eduard escutava-o atentamente, esquecendo-se por momentos do seu ar agressivo. Mas, as suas esperanças, como as da rainha, em afastar Lorde Russel imediatamente, sofreram uma mudança brusca.
A intenção do Primeiro Ministro de afastar Lorde Russel foi negada. Houve ataques à política exterior aprovados pela oposição tinham sido habilmente enfrentados por Lorde Russel, cujas justificativas o puseram numa redoma de vidro devido a sua popularidade.
Sir Eduard, acompanhando os detalhes, percebera de imediato que teria que esperar pacientemente por sua nomeação. Não ficou preocupado com o adiamento, o tempo estava a seu favor, pois era ainda muito jovem. Sendo assim, resolveu, então, divertir-se com mulheres.
Embora os seus romances já andassem de boca em boca, escolher lady Genevive Hill como amante, foi um grande erro.
Ela era uma beleza estonteante, que era sempre visada por homens de todas as idades. Possuía reputação de não ser discreta, e seu comportamento escandaloso chocava a jovem rainha, que é super puritana. O romance dos dois deve ter chegado aos ouvidos da soberana, daí a sugestão diretamente dada a ele para que se casasse.
Lady Genevive passava o verão no campo, onde Sir Eduard possuía uma propriedade também. Sempre se encontravam em segredo nas redondezas das propriedades de ambos. Sir Eduard não tinha a mínima ideia de como os encontros deles naquela distante zona rural pode ter chegado aos conhecimentos de Sua Majestade! Ele a subestimou, as habilidades de seus informantes, sem sombras de dúvidas, eram excepcionais.
Caminhando em direção da sua residência, Sir Eduard acalmava-se aos poucos. O vento da noite de verão batia em seu rosto, fazendo com que a névoa que o circundava fossem dissipando-se. Refletia sobre as pessoas que saiam do Palácio, comentando sobre o ocorrido com ele e com a rainha.
Provavelmente estão especulando sobre a existência de algum noivado secreto, quem sabe até mesmo um casamento. Sir Eduard tinha certeza que boatos de todas as espécies surgiriam e se espalhariam depressa. Sendo que, nas entrelinhas ele entendeu direitinho o que a soberana quis insinuar.
O Primeiro Ministro, com certeza entendeu com exatidão o que a rainha quis dizer. Ela não toleraria deslizes ou escândalos quando ele fosse Ministro do Exterior, quando Lorde Russel fosse substituído. Seus romances com mulheres casadas não seriam admissíveis. Na próxima vez que fosse à Corte, teria que estar acompanhado com uma noiva digna para ser esposa de um Ministro britânico, para ser apresentada a Sua Majestade e receber a sua aprovação.
Apesar de estar irritado, Sir Eduard admirava as falas diretas da rainha, ninguém questionava sobre os seus planos. Mesmo sendo indiretamente, dúvidas não existiam para aqueles que recebiam atenção da soberana.
Com um sorriso frio e com desdém, lembrou-se quantas vezes zombara no passado, daqueles que tiveram que acatar as ordens de Sua Majestade. Entendendo agora, que não havia nada de engraçado na situação, já que, está passando pelo mesmo processo.
Sua intenção a princípio era chegar em casa, mas perdidos em pensamentos, não percebeu que tinha ido parar no Club in Night Black. Voltou a si quando estava prestes a entrar, mas, ouviu risos e gargalhadas. Não procurou saber se estavam rindo dele ou não, simplesmente virou as costas e voltou para o caminho que o levaria para casa.
Visualizou o seu relógio de bolso e verificou que não eram nem vinte e duas horas, que era muito cedo para ir para a cama dormir, ainda mais que seu agito interior o fazia ficar em alerta, sem ter um mínimo de sono. Nem mesmo algumas doses de vinho o fariam relaxar.
Decidiu ir até a zona rural para conversar com a sua amante Genevive Hill, talvez ela soubesse o que havia acontecido e pudesse o orientar, porque seria absurdo que os fatos chegassem aos seus ouvidos por estranhos. Ele queria que as coisas fossem esclarecidas por ele mesmo.
A família Hill encontrava-se em sua casa de campo, onde permaneciam durante todo o verão. Sir Eduard saiu apressadamente da porta do Club e atravessou a Piccadilly e seguiu para Belgrávia Squere, residência há anos da sua família no Centro de Londres.
Ele estava fardo de ficar em Londres e depois do ocorrido desta noite, queria se afastar dos rumores e fofocas, que com certeza envolveriam o seu nome. Enquanto caminhava, homens e mulheres de índoles duvidosas tentavam atrair a sua atenção, mas ele os ignorou. Em seus pensamentos arquitetava planos com as suas habilidades naturais, por ter uma mente brilhante, que todos conheciam muito bem. Sua inteligência e perspicácia não eram questionadas por aqueles que já haviam trabalhado com ele, em missões ou na Câmara dos Comuns. Todos o conheciam bem.
De uma coisa Sir Eduard tinha certeza e estava seguro quanto a isso, teria que ser mais cauteloso e discreto. Se procurasse a Genevive abertamente, estaria colocando em risco o tão almejado cargo de Ministro do Exterior. Estaria desagradando a rainha, indo contra ao seu aviso. Aqueles que o queriam prejudicar e que ansiavam pelo mesmo cargo, com certeza o teriam em suas mãos. Com certeza não o poupariam diante da realeza.
Ele sempre fora meticuloso, costumava encontrar-se com Genevive em lugares que considerava discretos, tanto em Londres ou nas florestas que circundavam as propriedades de ambos na zona rural. Estava confiante de que estava seguro, enganara-se completamente, a prova, as poucas palavras da soberana!
Após esta noite eles teriam que ser muito mais cautelosos. Porém, isso não queria dizer que ele não poderia ir a sua própria casa de campo, que coincidentemente era vizinha da casa dos Hill. Quando estivesse lá, colocaria os seus pensamentos em dia e com calma refletiria sobre qual atitude tomar. Mas, antes de qualquer coisa, teria que encontrar Genevive.
Se partisse aquela noite, chegaria antes mesmo do café da manhã. Estando em Devron, que era a sua mansão na zona rural, decidiria como agir.
Ele entrou na sua mansão em Belgravia Squere, entregando a capa, a cartola e a bengala ao mordomo. Com a voz calma, porém firme, deu as ordens para que preparassem imediatamente a carruagem, que eles partiriam para o campo em meia hora.
- Há algum problema Sr. Devron?
- Uma amiga informou-me que a minha avó não está passando bem... Intencionalmente fez questão de informar com detalhes, caso houvesse especulações sobre a sua ida repentina para o campo. – Tenho quase certeza que ela proibiu os serviçais da casa de mandar-me chamar. Não querendo que eu interrompesse os meus afazeres na Câmara dos Comuns. Mas ela é a minha prioridade, por isso, vou partir hoje mesmo.
- Muito bem, Sir Eduard ... Assentiu o mordomo.
– Espero que tenha sido um alarme falso, que o senhor encontre a Sua Senhoria em perfeito estado de saúde.
- Obrigado Sr. John, é o que desejo também. Respondeu educadamente e virou-se para ir até a biblioteca.
Ele sabia muito bem que era uma perfeita desculpa, que serviria de propósito para dar uma resposta para aqueles que quisessem no dia seguinte saber do seu paradeiro, sem levantar suspeitas de que iria se encontrar as escondidas com a sua amante mais uma vez.
Chegando na biblioteca circulou a sua mesa e foi até um canto, onde havia uma pequena adega, serviu-se de uma taça de vinho, estava necessitado de um gole para que os seus nervos relaxassem, mas percebeu que não tinha sede, assim que tocou a taça com os seus lábios.
CONTINUA!...