CAPÍTULO 03: Amanhã, às 14:00 horas!

1321 Words
A sua boca estava amarga, não parava de pensar no assunto, que foi destaque desta noite. Onde poderia encontrar uma moça adequada para ser a sua esposa. Onde? Teve muitas experiências, várias mulheres foram levadas para saciarem os seus instintos masculinos, mas, nenhuma delas despertou nele a vontade de se unir em matrimônio. Nenhuma era jovem e não eram virgens. Para ser a minha esposa necessito de uma moça de família. Depois de muito pensar e não conseguir encontrar nenhuma solução, colocou a taça com o vinho intocado na mesa, suspirou resignado. Talvez Genevive o ajudasse a encontrar uma solução. Desejava que ela não fosse tola o bastante para criar problemas, sentindo ciúmes, achando que ele não deveria levar a sério as ordens da rainha. Espero que ela não seja i****a, achando que tenho que me fingir de desentendido. Ela sabe tanto quanto eu qual o prêmio que almejo, que não vou sacrificar uma posição de Ministro aos trinta e quatro anos. O único que era mais jovem do que ele era Brad, que se tornou Ministro da Fazenda com apenas vinte e cinco anos. Sir Eduard pegou a taça que estava na mesa, bebeu todo o conteúdo de uma só vez e saiu da biblioteca. Antes de abri a porta para sair da mansão, viu uma pilha de convites sobre o console no hall de entrada, havia dúzias deles, porém um em particular chamou-lhe a atenção, era um grande cartão branco. Ele leu: “O conde e a condessa de Cavendish, tem o gosto de convidá-lo para uma festa nos jardins da sua residência de campo, em Flower Gardens Manor, no dia 03 de julho, às 14:00 horas.” - Amanhã, às 14:00 h! ... Disse em voz alta. – Com certeza Genevive estará lá. Sim, ela compareceria à festa, assim como todos do condado, sendo assim, eles poderiam encontrar-se com naturalidade e abertamente. Ele saiu da mansão levando consigo o convite. Sophia Jones...  A estrada para Flower Gardens Manor estava congestionada. Havia carruagens de variados tamanhos, tipos e formatos, mas os cavalos que as puxavam eram todos de raça. Eles balançavam as suas cabeças, e exibiam majestosamente as suas crinas que eram bem cuidadas. Alguns arreios eram de pura prata, enquanto uma minoria, eram de ouro 24 quilates. Suas ferraduras tilintavam no pátio de pedras em frente a mansão, onde lacaios de libré azuis e com cabeleiras arrumadas aguardavam pelos convidados. Sophia Jones, olhava pela janela da sua enlameada carruagem de aluguel, suspirou ao ver os luxuosos veículos e encolheu-se no assento desgastado e m*l cuidado que era conduzido por um senhor que estava vestido com roupas velhas e surradas, contrastando negativamente no meio das outras pessoas ao seu redor. O cocheiro era pálido, como se estivesse doente, ao longo do caminho tossiu quase até perder o folego. Sophia havia se esquecido da festa anual da família Cavendish, com uma expressão de desânimo no rosto ela afundou-se mais ainda no assento e ficou apreensiva, por ter esquecido deste pequeno detalhe. Por que haveria de se lembrar da FESTA DO JARDIM? Se nunca foi convidada e desta vez, com certeza a sua presença não será bem-vinda. No seu coração desejava não ter escolhido esta data para voltar! À noite todos estariam cansados e irritados. Mesmo se não fosse assim, o seu regresso não seria bem visto, mas escolher este dia, com certeza será uma tragédia! Apreensiva e com um pouco de medo, Sophia abriu a pequena janela de comunicação com a boléia e gritou para o cocheiro: - Senhor cocheiro, por favor, vá para a porta dos fundos. O senhor de idade bem avançada, com um sorriso gentil, colocou a sua mão em concha no ouvido, exibindo a sua mão inchada, suja e com unhas encardidas repetiu: - Pela porta dos fundos miss? - Isso mesmo senhor! - Tudo bem miss! Sophia acomodou-se novamente e neste momento, uma elegante carruagem de rodas vermelhas e pretas, passou rapidamente ao seu lado, o cavalheiro que a conduzia, parecia estar apressado. Ela o reconheceu de imediato, era o solteiro do condado. O que será que ele estaria fazendo na festa da família? Esta era a primeira vez que ele comparecia. Ela ficou intrigada, mas nada vinha na sua mente para justificar tal ato. Todo mundo na festa, somente ela não teria permissão para estar lá. Não era convidada e a menos desejada. Ela pensava tristemente, mas ela não pode evitar em voltar, não tinha para onde ir e nem mais nada que pudesse fazer. Ela dizia nos seus pensamentos, sentindo uma profunda tristeza no seu coração. Sophia respirou fundo e quando ergueu a sua cabeça, nos seus olhos haviam determinação ao invés de tristeza, a sua postura exalava determinação ao invés de desânimo, seria mais um desafio que enfrentaria quando o seu tio descobrisse que estava de volta. As suas mãos estavam geladas e no seu íntimo havia um medo que ela não demonstraria. Da última vez que voltou para casa, a sua tia ficou furiosa, Sophia não temia a tia Anne, e sim, o seu tio que fazia com que as suas estruturas tremessem. Se pudesse não escutaria a sua voz, porque com ela, ele só berrava, sempre gritava, quando a fazia contar o motivo pelo qual abandonava sempre os empregos que ele arrumava para ela. Era odioso o tom de voz que ele usava quando menosprezava as suas explicações, repetindo sem consideração ou respeito, que ela teria que trabalhar para se sustentar, que quanto mais cedo ela parasse de criar problemas no trabalho, melhor seria. As decisões foram tomadas, sem considerar as consequências, o tratamento c***l dele causou-lhe muitos sofrimentos. Sophia ficava ressentida com essas repreensões. Embora fingisse não se importar com a ira do tio e das gargalhadas lascivas que a humilhavam, ela encolhia-se toda ao lembrar do deboche dele ao afirmar que era perda de tempo ela tentar se manter casta. Houve uma vez em que ele a fez contar detalhe por detalhe, o que a fez abandonar o cargo de governanta dos filhos de um viúvo de meia idade. Esta lembrança dolorosa veio na sua mente, fazendo com que o seu corpo tremesse levemente de ressentimento. O tio insistira em saber tudo, tim tim por tim tim das investidas amorosas do seu empregador. Envergonhada e humilhada pelo que relatava, Sophia calou-se ao perceber o sorriso de satisfação dele. Ele caçoava ao dizer que, ela fazia tempestade num copo d’água. Que o que era relatado por ela, não passava de fantasias da sua cabeça. Que era indulgente, preguiçosa e que inventava histórias para não ficar nos empregos. Que tudo não passava de imaginação doentia de uma mulher sexualmente anormal. Ele alimentava um prazer imenso em humilhá-la, isso acontecia desde o dia em que ela foi morar com eles, após perder os seus pais num naufrágio do navio em que viajavam. Ela era apenas uma criança. Este ódio intensificou-se desde o exato momento em que ela não permitiu que os seus beijos de boa noite, que ele alegava serem “paternais”, fossem dados no seu quarto. Quando ficou mais velha saiu da biblioteca aos prantos ao perceber que os seus carinhos estavam ultrapassando todos os limites, ela entendeu que ele estava abusando dela. Neste dia ela sentiu-se tão nebulosa, quanto a neblina que cobria todo o território num sábado chuvoso. Ela não permitiu mais que ele a espancasse, como sempre fazia quando ela o enfrentava ou o contrariava. Neste seu novo regresso, Sophia sentia-se m*l, muito m*l. Embora tenha resolvido falar o mínimo possível sobre os seus problemas, sabia que ele a forçaria falar detalhadamente, contar muito mais do que desejava expor. Algumas vezes pensou que seria melhor aturar as humilhações dos seus empregos de governanta, porque sob o teto do seu tio estava ficando cada vez pior. Mas, infelizmente não podia fazer nada, o conde Cavendish além de ser o seu tio, era o seu tutor. CONTINUA!...
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