TYLER
— Obrigada, mas não — Estende o lenço de volta e tenta passar por mim. Seu cheiro suave e adocicado turvando todos os meus sentidos.
Ignoro totalmente o lenço e seguro o seu pulso, impedindo-a de ir.
Seus lábios rosados se entreabrem silenciosamente e ela olha para o local do meu agarre com uma expressão chocada, como se meu toque a queimasse. Solto-a erguendo as minhas mãos em rendição.
— Desculpe. — Peço recuando um passo — Eu não queria ser rude, mas acabei escutando tudo o que disse e…
— Você estava me espionando? — Me interrompe com um tom totalmente exasperado.
Seus olhos agora, fervilhando irritação.
— Não. — Respondo calmamente.
— Se me der alguns segundos, podemos conversar. Garanto que não irá se arrepender.
A morena balança a cabeça negando veemente.
— Não tenho interesse! E se me der licença… — Solta rispidamente.
Atravesso o seu caminho mais uma vez recebendo o seu olhar furioso de alerta para me manter longe.
— Dez minutos, em qualquer lugar que a deixe segura, é só o que peço e então lhe deixarei em paz. — Insisto.
Vejo uma batalha interna nos seus olhos e por breve segundos de hesitação, finalmente encolhe os ombros em derrota e aceita o meu convite, o que de certa forma foi uma surpresa. Estava preparando uma gama de argumentos para convencê-la a me ouvir. Tenho pouco tempo, e se ela escutar a minha proposta com atenção, verá que só tem a ganhar se aceitá-la.
Aproveito o momento e a conduzo para o mesmo café que a vi entrando outro dia. Puxo uma cadeira para ela se sentar e em seguida faço o mesmo.
Seu nervosismo é algo perceptível e confesso estar ansioso por sua resposta.
Com um leve aceno chamo o garçom e peço um café expresso.
— E a senhorita…
— Silvie! — Responde olhando para o garçom com um meio sorriso.
— O que deseja pedir, Silvie?
— Pergunto casualmente para ela.
— Por enquanto nada, obrigada! — Responde lentamente.
Seus olhos encontram os meus assim que o garçom nos deixa sozinhos.
— Eu não posso ficar mais, preciso trabalhar. Então, vamos direto ao assunto?
Afrouxo a minha gravata e a olho atentamente, captando todas as suas reações, cada detalhe, mesmo os que ela tenta esconder.
Sua respiração acelera gradualmente e vejo como torce seus dedos nervosamente em seu colo.
— Bom, mas uma vez preciso desculpar-me com você, não foi minha intenção ser desagradável.
Silvie continua em silêncio, esperando que eu continue.
— E como você mesma disse, vamos direto ao assunto. Só peço que me escute e não me interrompa até eu terminar, esclarecerei qualquer dúvida que tiver.
Ela resmunga baixo, mas acaba concordando.
— Preciso me casar o quanto antes. Por circunstâncias que eu não posso revelar agora, tenho pouco menos de um mês para fazer isso, e como não tenho intenção alguma de me casar e formar uma família, procuro uma esposa por contrato, que se adeque o que tenho a oferecê-la. E após ouvir você desabafar no túmulo da sua irmã, eu achei… bom, que poderíamos nos ajudar mutuamente.
Silvie parece estar paralisada. Ela apenas respira e pisca uma, duas, três e só reage quando toco as suas mãos por cima da mesa.
— Eu acho que não entendi bem onde você quer chegar.
Retira rapidamente as suas mãos do meu toque.
— Quero que se case comigo, Silvie.
Observo um rubor se espalhar pelo seu rosto inteiro. Silvie exibe uma paleta de cores em toda a sua pele.
— Deus, Hanna, eu peço uma luz e você atira-me uma trovoada? — Resmunga fechando os olhos e esfregando suas têmporas.
— Cara, de qual hospício você saiu? Inacreditável! É cada uma que me aparece.
Ela dispara a falar abrindo os olhos, com uma risada amarga.
Cruzo os braços, cerrando o maxilar.
— Não sou nenhum louco.
Ela pende a cabeça para o lado com um sorriso de descrença.
— Bem, se não é louco qual a explicação para essa estupidez toda?
Primeiro você fica escondido ouvindo o meu desabafo, depois insiste para escutá-lo e agora me pede em casamento. O que você quer que eu pense?
Respiro profundamente tentando contornar a situação, talvez não fui útil como deveria ser.
— Olha, eu sei que a minha abordagem não foi a mais correta. Mas se me escutar com atenção verá que ganhará muito se aceitar o meu pedido. — Tento persuadi-la, o que não é uma tarefa fácil.
— Ficaremos casados por um ano. Você ficará muito bem resguardada e me encarregarei de assumir todas as suas dívidas. Também terá direito a uma soma mensal para gastar como quiser e o mais importante, sairá no final do casamento com uma quantia razoável, não precisará trabalhar por um bom tempo. O que me diz?
Silvie respira fundo arqueando uma sobrancelha.
— Tentadora a sua oferta, mas o que você ganharia com isso? — Seus olhos se apertam em desconfiança.
— Não posso respondê-la nesse momento, só após assinarmos um contrato de confidencialidade.
— Nesse caso... Tenha um bom dia, senhor!
Ela se levanta e sai rapidamente.
Repito o seu movimento andando no seu encalço.
— Espera! Não se trata de nenhuma piada. É um negócio vantajoso. Tanto para você, como para mim. Eu garanto!
— Seguro o seu braço, murmurando a centímetros da sua face.
Ficamos em silêncio, um encarando o outro, não nos dando conta que estamos no meio de um café lotado de pessoas que nos olha de maneira curiosa.
Não deixo de ficar impressionado com a sua beleza. Seus lábios são muito atraentes de assistir. Vejo como solta pequenas respirações curtas e com uma veia do seu pescoço salta desesperadamente.
Lentamente ela retoma a sua postura e se afasta.
Pego um cartão com o número pessoal do meu bolso do terno e aproximo-me novamente do seu corpo, segurando firmemente a sua cintura.
Deslizo-o no bolso frontal do seu sobretudo prendendo o seu olhar assustado ao meu.
Silvie solta um pequeno suspiro.
— Aqui está o meu contato, me ligue se mudar de ideia. — Sussurro e afasto-me para longe.
A minha última tentativa. Mas algo me diz que ainda nos veremos em breve. Silvie vai aceitar a minha oferta e m*l posso esperar por isso.