QUATRO

1050 Words
TYLER — Obrigada, mas não — Estende o lenço de volta e tenta passar por mim. Seu cheiro suave e adocicado turvando todos os meus sentidos. Ignoro totalmente o lenço e seguro o seu pulso, impedindo-a de ir. Seus lábios rosados se entreabrem silenciosamente e ela olha para o local do meu agarre com uma expressão chocada, como se meu toque a queimasse. Solto-a erguendo as minhas mãos em rendição. — Desculpe. — Peço recuando um passo — Eu não queria ser rude, mas acabei escutando tudo o que disse e… — Você estava me espionando? — Me interrompe com um tom totalmente exasperado. Seus olhos agora, fervilhando irritação. — Não. — Respondo calmamente. — Se me der alguns segundos, podemos conversar. Garanto que não irá se arrepender. A morena balança a cabeça negando veemente. — Não tenho interesse! E se me der licença… — Solta rispidamente. Atravesso o seu caminho mais uma vez recebendo o seu olhar furioso de alerta para me manter longe. — Dez minutos, em qualquer lugar que a deixe segura, é só o que peço e então lhe deixarei em paz. — Insisto. Vejo uma batalha interna nos seus olhos e por breve segundos de hesitação, finalmente encolhe os ombros em derrota e aceita o meu convite, o que de certa forma foi uma surpresa. Estava preparando uma gama de argumentos para convencê-la a me ouvir. Tenho pouco tempo, e se ela escutar a minha proposta com atenção, verá que só tem a ganhar se aceitá-la. Aproveito o momento e a conduzo para o mesmo café que a vi entrando outro dia. Puxo uma cadeira para ela se sentar e em seguida faço o mesmo. Seu nervosismo é algo perceptível e confesso estar ansioso por sua resposta. Com um leve aceno chamo o garçom e peço um café expresso. — E a senhorita… — Silvie! — Responde olhando para o garçom com um meio sorriso. — O que deseja pedir, Silvie? — Pergunto casualmente para ela. — Por enquanto nada, obrigada! — Responde lentamente. Seus olhos encontram os meus assim que o garçom nos deixa sozinhos. — Eu não posso ficar mais, preciso trabalhar. Então, vamos direto ao assunto? Afrouxo a minha gravata e a olho atentamente, captando todas as suas reações, cada detalhe, mesmo os que ela tenta esconder. Sua respiração acelera gradualmente e vejo como torce seus dedos nervosamente em seu colo. — Bom, mas uma vez preciso desculpar-me com você, não foi minha intenção ser desagradável. Silvie continua em silêncio, esperando que eu continue. — E como você mesma disse, vamos direto ao assunto. Só peço que me escute e não me interrompa até eu terminar, esclarecerei qualquer dúvida que tiver. Ela resmunga baixo, mas acaba concordando. — Preciso me casar o quanto antes. Por circunstâncias que eu não posso revelar agora, tenho pouco menos de um mês para fazer isso, e como não tenho intenção alguma de me casar e formar uma família, procuro uma esposa por contrato, que se adeque o que tenho a oferecê-la. E após ouvir você desabafar no túmulo da sua irmã, eu achei… bom, que poderíamos nos ajudar mutuamente. Silvie parece estar paralisada. Ela apenas respira e pisca uma, duas, três e só reage quando toco as suas mãos por cima da mesa. — Eu acho que não entendi bem onde você quer chegar. Retira rapidamente as suas mãos do meu toque. — Quero que se case comigo, Silvie. Observo um rubor se espalhar pelo seu rosto inteiro. Silvie exibe uma paleta de cores em toda a sua pele. — Deus, Hanna, eu peço uma luz e você atira-me uma trovoada? — Resmunga fechando os olhos e esfregando suas têmporas. — Cara, de qual hospício você saiu? Inacreditável! É cada uma que me aparece. Ela dispara a falar abrindo os olhos, com uma risada amarga. Cruzo os braços, cerrando o maxilar. — Não sou nenhum louco. Ela pende a cabeça para o lado com um sorriso de descrença. — Bem, se não é louco qual a explicação para essa estupidez toda? Primeiro você fica escondido ouvindo o meu desabafo, depois insiste para escutá-lo e agora me pede em casamento. O que você quer que eu pense? Respiro profundamente tentando contornar a situação, talvez não fui útil como deveria ser. — Olha, eu sei que a minha abordagem não foi a mais correta. Mas se me escutar com atenção verá que ganhará muito se aceitar o meu pedido. — Tento persuadi-la, o que não é uma tarefa fácil. — Ficaremos casados por um ano. Você ficará muito bem resguardada e me encarregarei de assumir todas as suas dívidas. Também terá direito a uma soma mensal para gastar como quiser e o mais importante, sairá no final do casamento com uma quantia razoável, não precisará trabalhar por um bom tempo. O que me diz? Silvie respira fundo arqueando uma sobrancelha. — Tentadora a sua oferta, mas o que você ganharia com isso? — Seus olhos se apertam em desconfiança. — Não posso respondê-la nesse momento, só após assinarmos um contrato de confidencialidade. — Nesse caso... Tenha um bom dia, senhor! Ela se levanta e sai rapidamente. Repito o seu movimento andando no seu encalço. — Espera! Não se trata de nenhuma piada. É um negócio vantajoso. Tanto para você, como para mim. Eu garanto! — Seguro o seu braço, murmurando a centímetros da sua face. Ficamos em silêncio, um encarando o outro, não nos dando conta que estamos no meio de um café lotado de pessoas que nos olha de maneira curiosa. Não deixo de ficar impressionado com a sua beleza. Seus lábios são muito atraentes de assistir. Vejo como solta pequenas respirações curtas e com uma veia do seu pescoço salta desesperadamente. Lentamente ela retoma a sua postura e se afasta. Pego um cartão com o número pessoal do meu bolso do terno e aproximo-me novamente do seu corpo, segurando firmemente a sua cintura. Deslizo-o no bolso frontal do seu sobretudo prendendo o seu olhar assustado ao meu. Silvie solta um pequeno suspiro. — Aqui está o meu contato, me ligue se mudar de ideia. — Sussurro e afasto-me para longe. A minha última tentativa. Mas algo me diz que ainda nos veremos em breve. Silvie vai aceitar a minha oferta e m*l posso esperar por isso.
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