On Robert
" As vezes as respostas para as nossas perguntas está em nós mesmos..."
Eva me chamou para ir em uma festa e eu aceitei, não sei porque mas ela tinha algo que me chamava atenção, claro que ela era uma mulher linda mas não era apenas isso, era outra coisa que me deixava curioso, eu queria esta perto dela, ela me transmitia uma paz que eu só sentia no mar mas que agora eu posso sentir vindo dela.
Além disso aquele moleque i****a com toda certeza estaria nessa festa e eu não queria deixar ela sozinha com ele, se não fosse a Eva eu já tinha metido um soco na cara dele não me importando se iria aparecer em algum jornal amanhã.
Procurei na minha mala algo que não fosse maiô de surfe, encontrei uma camisa branca de botões e um short preto, acho que estava bom para uma festa na praia, deixei os 4 primeiros botões da minha camisa abertos, fique de chinelos mesmo, eu não iria pra praia de tênis, por mim eu ficava descalço mas eu teria que andar na rua ainda pra chegar nessa festa que eu nem sabia sobre o que era e de quem era, eu simplesmente aceitei o convite para ir.
Me olhei no espelho estava bom, passei a mão pelo meu cabelo castanho claro quase loiros eles estavam um pouco grandes, eu tinha que dar um jeito neles, peguei uma escova que eu pouco usava, passei um gel no cabelo, fazendo um pequeno topete deixando eles arrumados, alguém bateu na porta e entrou mas não olhei porque eu sabia quem era.
- Nossa esta se arrumando, que milagre é esse? - Matt me perguntou, dei de ombros me vendo como a muito tempo não me via antes, fazia tempo que meu cabelo não via um gel ou escova, eu só tomava banho e já era.
- Eva me convidou pra ir em uma festa - falei, Matt me olhou sorrindo.
- Isso foi estanho e o seu sim mais ainda, porém vou ficar na minha, porque eu gostei disso - ele disse apontando para mim, ele pegou um perfume que estava dentro da minha mala que estava na minha cama - Aproveita e usa isso - falou e jogou o perfume pra mim, agarrei sem dificuldades.
- É pra respirar um pouco - falei, ele ainda estava me olhando sorrindo.
- Não disse nada, mas esta mó bonitão em - disse piscando para mim e me jogou um preservativo que estava dentro da mala mas fiz questão de desviar.
- Não vou t*****r hoje - falei ficando de costas pra ele passando o perfume.
- Porque não? - me perguntou, nem olhei pra ele e sim pro rolex que estava no meu pulso, eu tinha 10 minutos pra estar na frente do restaurante.
- Porque Eva não é assim - falei pegando minha carteira e meu celular correndo pelo quarto.
- Como assim? - perguntou, olhei pro Matt antes de andar até a porta.
- Ela não é do tipo que transa na primeira noite e eu nem sei se quero isso, agora me deixar ir que ela vai ficar p**a se eu chegar atrasado - falei abrindo a porta.
- EU TO FELIZ POR VOCÊ JÁ ESTA ADESTRADO - ele gritou mas fiz questão de fingir não escutar.
Andei rápido pelas ruas, a noite estava agradável, uma pequena brisa estava presente, o céu estava estrelado e com uma linda lua cheia iluminando a noite, tinha algumas pessoas na rua, era sexta a noite então os mais jovens queriam se divertir, os bares estavam abertos na beira da praia, vi algumas pessoas tomar a direção da mata, eram pessoas jovens, talvez estivesse tendo alguma coisa por lá.
Cheguei no restaurante rápido mas fiquei mais aliviado por não ver ela lá ainda, olhei meu relógio e faltava 2 minutos, quando ergui minha cabeça vi Eva saindo de dentro do restaurante que já estava fechado, ela estava linda com um vestido azul escuro soltinho, seus cabelos estavam com uma trança que prendia o resto do cabelo solto embaixo, ela estava com pouca maquiagem mas isso não tirava os seus traços naturais e lindos do rosto dela.
- Fiquei aqui dentro para ver se você não iria chegar atrasado - ela me disse, sorri de lado.
- 2 minutos antes - falei mostrando o relógio pra ela que sorriu.
- Pontual - ela disse ficando de costas para trancar o restaurante.
Começamos a andar em silêncio um do lado do outro nos afastando da praia e fomos em direção as casas que tinham por ali do outro lado da pista indo em direção a floresta, onde vi antes algumas pessoas indo.
- Pensei que a festa séria na praia - falei quebrando o silencio.
- Vai mas é uma praia secreta onde só os nativos sabem como chegar, é meio que proibida para os haole - ela disse.
- O que é haole? - perguntei confuso enquanto entravamos em uma trilha que estaria completamente escura se não fosse a luz da lua, Eva andava na minha frente sem nenhuma dificuldade, ela parecia conhecer cada pedra que tinha ali naquele chão.
- Significa estrangeiro - ela disse, agora eu tinha entendido.
- E eu vou ser bem vindo lá? - perguntei pra ela - Não quero estragar a festa de vocês - falei.
- Não vai estragar, você é meu convidado, eu meio que sou uma das pessoas que podem levar convidados - falou, aos poucos entramos em um campo aberto mas ainda não era a praia, era um lugar com grama baixa e algumas flores mas continuamos andando.
- E porque você pode? - perguntei andando ao seu lado de novo, Eva me olhou rapidamente.
- Meu pai é um dos anciãos, antes que pergunte, hoje é uma noite de lua cheia em abriu, é uma noite onde nós nativos nos juntamos para contar historias do nosso povo, dançar e relembrar da onde viemos, meu pai faz parte do grupo daqueles que merecem respeito, que merece ser lembrado quando ele se for, daquele que fez muito por nossa comunidade - ela falou com admiração na voz, dava para ver o que quanto ela amava o pai dela e o quanto ela o respeita.
- Entendi, é uma noite importante pra você, espero não estragar tudo com minha simples presença - falei, ela me olhou rapidamente.
- Só não seja grosso - falou.
- Vou tentar - falei, ela revirou seus lindos olhos azuis.
- Não me envergonhe na frente da minha família em - ela disse brincando mas eu levei a sério, ela estava me levando para um momento especial da comunidade dela, eu não queria estragar tudo.
- Ok -falei pra ela e parei no lugar.
Eva viu que parei de andar e me olhou confusa, suspirei e olhei pra minha mão, eu nunca fazia isso mas queria evitar perguntas que eu sabia que eu iria ficar puto se alguém fizesse, tirei a aliança da mão guardando ela no meu bolso, eu estava evitando ficar bravo hoje.
- Você tem certeza? - Eva me perguntou me olhando atenta, eu não sabia muito bem, sem a aliança eu estava me sentindo nu.
- Não quero que façam perguntas, eu sei se fizerem vou ficar puto da vida e não quero estragar tudo, você esta me levando pra um lugar importante pra você, o mínimo que posso fazer é me comporta da melhor forma possível - falei, Eva sorriu de lado.
- Só não quero que se sinta obrigado a fazer isso - falou, assenti.
- Não me sinto obrigado, estou fazendo porque eu quero - falei, ela assentiu - Vamos - falei.
Caminhamos mais um tempo em silencio por dentro da mata, ate que ouvi alguns batuques ao fundo e alguma cantoria de uma língua que eu não entendia nada, dava para sentir a brisa vinda do mar ainda dentro da floresta, aos pontos na trilha eu vi algumas tochas que levava a gente até o final da trilha.
Assim que saímos da trilha vi bastante gente na praia desconhecida, tinha uma enorme fogueia e ao redor vários troncos de arvores fazendo um circulo ao redor da fogueira, tinha algumas pessoas lá conversando, também tinha um grupo de rapazes que estavam com tambores fazendo musica e cantando musicas típicas, também tinha uma mesa grande cheia de comida embaixo de uma tenda, um tambor que de longe dava para ver que tinha cerveja, tinha jovens, senhoras e senhores, crianças e bebes, dava para ver que todos eram dali, menos eu.
- Vem não fica tímido, vou te dar alguma coisa pra se sentir melhor - ela disse segurando meu braço me levando até a tenda e pegando uma cerveja.
- Você pode beber? - perguntei enquanto abria uma cerveja, ela me mostrou a língua e foi impossível não sorrir para ela.
- Tenho 21 anos tá - falou, assenti tomando um gole da minha cerveja e como era bom beber, fazia um tempo já que eu não fazia isso.
- Parece mais nova - falei, ela deu de ombros abrindo a cerveja dela e tomando um gole.
- Eva - olhei para trás vendo uma menina de cabelos pretos, olhos da mesma cor, ela era baixa, tinha um corpo bonito e a pele dourada do sol, ela olhou para mim e depois olhou pra Eva sorrindo .
- Ana esse é meu amigo Robert e Robert essa é minha amiga Ana - disse Eva, Ana estendeu a mão para me cumprimentar, apertei sua mão e ela não tirava o sorri da cara.
- Você é sufista famoso, eu te conheço, é um prazer te conhecer pessoalmente- ela disse, sorri pra ela.
- O prazer é meu - falei, Ana olhou pra Eva agora sem sorrir.
- Porque não me falou que conhecia o Robert Smith? - ela perguntou brava pra Eva que deu de ombros.
- Não surgiu a oportunidade - Eva disse, Ana parecia indignada.
- Sabia que existe celular? Ou que eu moro a 4 metros da sua casa? - ela perguntou ainda chateada depois me olhou sorrindo. - Eu vi você ganhar o campeonato de forma impecável - ela continuou a falar.
- Obrigado - falei sorrindo pra ela que era bem serelepe.
- Para de encher meu convidado, vou apresentar ele para o meu pai - Eva disse.
- Tão rápido? - Ana perguntou sorrindo, acabei sorrindo também e Eva revirou os olhos.
- Para de ser i****a, você sabe o porque - ela disse.
- Porque eu sou um Haole - falei por Ana.
- Isso mas você é bem-vindo - disse Ana, ela era gente boa demais.
Eva me levou para falar com o pai dela, o Samuel era um senhor muito sábio dava para ver só pela voz dele e me recebeu muito bem, ele era sério e o que me chamou atenção foi sua tatuagem no rosto, alguns homens mais velhos tinham a mesma tatuagem, deve ser da cultura deles, já a mãe da Eva a senhora Clara era uma mulher doce e gentil que me recebeu com um beijo no rosto, eu já tinha conhecido o irmão mais novo da Eva.
Depois eu conheci o mais velho Kai, ele era sério como o pai e estava com uma linda garotinha no colo que era sua filha a Sarah, era um linda garotinha de cabelos castanhos bem claros, olhos azuis como o da família, ela era clara mas como todo mundo aqui já tinha a pele dourada do sol, o bronzeado bonito que todo mundo aqui leva.
Todos foram gentis comigo mas eu via de longe o tal de Braian ex da Eva me olhando ele não parecia me querer aqui mas eu não estava ligando nenhum pouco pra isso, ele e outros dois caras que ficavam me encarando.
Eva foi ajudar a mãe dela com algumas coisas que elas colocaram na fogueira, fiquei observando todo mundo se divertindo e era um bom ambiente, estava distraído mas logo vi o Brian e mais os dois caras que estava com ele vindo em minha direção Braian ficou pertinho de mim, sorri irônico pra ele.
- Precisa de mais dois para me enfrentar? - perguntei pra ele com deboche, ele sorriu para mim mas dava para ver que ele estava bravo.
- Aqui não é o seu lugar, haole - ele disse.
- Eva me convidou - falei tomando um gole da minha cerveja sem me importar com ele.
- Por falar nela acho melhor você ficar longe, Eva não é pra você - falou, fechei minha cara pra ele, a única coisa que eu queria fazer era ir até ele e socar a cara daquele i****a mas não poderia fazer isso aqui, eu não iria estragar o convite que a Eva me fez me trazendo aqui.
- Eu acho bom você parar de machucar ela e isso não é um pedido - falei com raiva.
- Eu não machuco ela - ele disse bravo, fechei a minha mão em punho.
- Do que ele esta falando Braian? - perguntou um dos amigos do Braian agora olhando pra ele.
- Parece que você não fala tudo pros seus amigos não é? - perguntei irônico pra ele que se aproximou de mim ficando a centímetros de distancia me olhando nos olhos.
- E haʻalele i koʻu ʻāina ʻē - ele disse sério, sua voz carregada de raiva, sorri sem mostrar os dentes pra ele com deboche.
- Não faço a menor ideia sobre o que você falou mas eu não estou nem ai - falei olhando no fundo dos seus olhos, minha mão já estava pronta para dar um soco na cara dele.
- Braian sai daqui - disse Eva chegando não sei da onde e ficando do nosso lado, ele não olhou pra ela e tenho certeza que ele queria me matar através do olhar.
- Eva ʻaʻole hiki iā ʻoe ke lawe mai iā ia i ʻaneʻi - disse Braian e olhou pra Eva bravo.
- ʻAʻole ʻoe e kauoha iaʻu, e hele i gehena - ela disse com raiva na voz, ele deu um passo para trás e não falou mais nada saindo de perto de mim.
- Não entendi nada - falei, Eva suspirou e seu olhar agora já não era mais de raiva.
- Ele não manda em quem eu trago aqui, não liga pra ele, vamos vai começar as histórias - ela disse me levando para perto da fogueira.
A musica acabou, todo mundo se sentou nos troncos que eram como bancos ao redor da fogueira, quem não encontrou um tronco de arvore se sentou no chão mesmo, no centro do circulo estava o pai da Eva e mais alguns outros senhores mais velhos, eles pareciam ser os lideres da comunidade.
- Sejam bem-vindos a mais uma noite na fogueia, a tão tradicional noite das histórias, nosso momento de fé para lembrar da onde nosso sangue vem, da onde nossa fé é tirada, para lembrar que temos orgulhos de quem somos - disse um senhor.
- Meu nome é Samuel Muhani tenho sangue neozelandes, alemão e polinésio, me orgulho muito de onde minha família vem, de onde vem o sangue do meu avô um maori - disse o Samuel pai da Eva.
Agora eu sei porque eles carregam traços mais europeus como os olhos azuis, mas dava para perceber também os traços polinésio como os cabelos dos filhos do Samuel serem grandes e os olhos mais puxados.
- Tenho orgulho de ter nascido aqui, de carregar nossa história e de poder relembrar com vocês - continuou Samuel, dava para ouvir o orgulho na voz dele e todos olhavam pra ele atento, olhei pra Eva que nem piscava olhando para o pai - Nosso Deus Tiki um Deus da polinésia ou uma representação física de uma figura ancestral polinésia, geralmente em pedra ou madeira. As lendas relacionadas a Tiki são muito marcantes para nós. Na época em que o Havaí foi colonizado pelos Maori, nosso Deus Tiki foi mesclado com elementos e passou a ser representado de forma mais artística principalmente em pinturas corporais. Uma importante relação de Tiki com o homem se faz presente através das revelações de Tiki, que são os atos de bravura, sabedoria ou força, que são atos advindos de Tiki - Samuel começou a falar.
Eu estava achando tudo aquilo fascinante, estava concentrado em tudo que ele estava falando.
- As revelações de Tiki são diferentes personalidades de Tiki ou de maneira literal considerando Força, Bravura e Sabedoria filhos de Tiki. Tiki é simultâneo como uma única unidade mas que se divide em várias formas ou personalidades, sendo os 4 principais os Tikis: Ku (guerra), Lono (paz e fertilidade), Kane(luz e vida), e Kanaloa (mar) -Samuel continuou a falar sobre a fé deles.
Eu não sei se acreditava em um Deus cristão, eu sempre acreditei em energia mas nunca em um ser superior, ouvir falar sobre a fé deles, era diferente, era bom aprender.
- No antigo Havaí, a partir de vulcões cuspindo fogo e entre o todo poderoso de surf, antigos havaianos preenchiam nossa terra maravilhosa e história com nosso Deus Tiki. Antigos oráculos dos kahunas havaianos empoleirado em escarpas vulcânicas, esculpiam em madeira Tikis espiando pela floresta, cavernas místicas. Tiki era adorado por meio do sacrifício humano, cânticos (por morte, riqueza ou de amor), orações, e rituais na lava. - disse Samuel - Hoje não temos mais essa cultura mas ainda sim Tiki é o nosso Deus, nos juntamos em noites como essa pra lembrar de onde somos, pra lembrar o que acreditamos e porque mantemos isso aqui vivo - disse Samuel.
A noite se passou com mais algumas histórias que foram contadas e depois as mulheres e homens mais jovens fizeram uma dança de força, era um ritual que eles estavam fazendo para Tiki, Eva estava lá com eles dançando lindamente ao som dos tambores, os homens ficaram apenas com uma saia grande branca, as mulheres coloraram também saias brancas, um top e começaram a fazer desenhos uns nos outros, eu estava sentado vendo tudo de longe por não pertencer a eles, até que o Samuel se aproximou de mim e me estendeu uma saia como as que os homens estavam vestindo.
- Use e vá se pintar, faz parte da gente agora - ele disse, fiquei em pé e peguei a saia.
- Obrigado pelo convite senhor - falei, ele sorriu de lado e voltou para onde os outros estavam.
Tirei minha roupa ficando apenas de cueca e coloquei a saia, deixei minha roupa no tronco de arvore como todos fizeram, vi a Eva me observando de longe, ela estava fazendo uma pintura na sua amiga, quando eu me aproximei ela me chamou com a mão.
- Seu pai gostou dele - disse uma menina amiga da Eva que eu ainda não sabia o nome ela me olhou sorrindo - Meu nome é Maya - ela disse.
- Robert, é um prazer - falei ela sorriu.
- É ele deve ter gostado para dar uma saia pra ele - disse Eva se aproximando de mim e começou a passar a tinta preta no meu peito fazendo alguns traços.
- Sou encantador - falei, ela me olhou e sorriu, seus olhos azuis eram tão lindos e ela estava linda com o corpo todo pintado com traços e desenhos maoris.
As amigas dela saiam de perto, observei a Eva concentrada pintando o meu corpo, passando pelo meu peito, depois as costas, ela era boa e fazia tudo rápido, por ultimo ela pintou minha barriga, eu não conseguia tirar meus olhos dela.
- Você esta tão linda - falei no automático, ela levantou o olhar da minha barriga para mim e sorriu.
- Agora você também esta lindo - falou e passou mais uma vez o pincel pelo meu corpo e se afastou olhando - Fiz um bom trabalho, parece até que nasceu nessas ilhas - ela disse e depois olhou para os meus olhos.
- Obrigado - falei, ela sorriu de lado.
- Vem - ela me chamou.
Segui ela até uma mesa que tinha algumas flores, ela pegou uma rosa branca e outra amarela e me deu.
- Agora vamos até o mar jogar nossas flores, lá vamos pedir a Tiki aquilo que esta no nosso coração, aquilo que precisamos e depois vamos nos jogar no mar e deixar ele levar tudo que temos - ela disse para mim e apontou para algumas pessoas que já estavam fazendo isso.
Fui até o mar ao lado dela, observei a Eva fechar os olhos.
- Tiki Ke koi aku nei au iā ʻoe e hakakā i koʻu mau lā, naauao e ola, mahalo no koʻu ʻohana a no ka mālama mau ʻana iā mākou - ela disse em havaino, eu não entendi nada mas era lindo ela falando assim.
Eva beijou as flores e jogou no mar, ela abriu os olhos sorrindo para mim.
- Sua vez, pode falar em inglês mesmo, Tiki ouve a todos mas tem que ser de coração, se não quiser falar pode pensar - ela disse para mim e correu para o mar se jogando nele.
A lua estava iluminando tudo então anoite estava linda, suspirei e olhei para o céu vendo as estrelas, ao meu redor as pessoas estavam vivendo seus próprio momento de fé, eu poderia ter algum também.
- Tiki sei que fiquei sabendo de você hoje, eu nem sei se acredito mesmo mas se você me ouvir, se você me entender, entra no meu coração e me cura daquilo que eu não posso fazer sozinho - falei de olhos fechados.
Beijei a flores e joguei elas no mar, suspirei me sentindo mais aliviado em falar aquilo pra alguém, mesmo que fosse um Deus que eu não fazia ideia da existência ou se existia ou se era apenas um folclore mas eu estava me sentindo bem.
Me joguei na água do mar que estava quente até deixando tudo de r**m da minha mente sair, enquanto eu estava submerso pensei na Luana e ela estava sorrindo quando fechei os olhos, ela parecia esta bem e feliz, deixei outra onda me levar me sentindo em casa e em paz, talvez fosse coisa da minha cabeça mas aquilo estava me fazendo bem.
As vezes as respostas para as nossas perguntas está em nós mesmos...