Começo

3453 Words
On Eva " Histórias fáceis não costumam virar lendas, amores fáceis não fazem historia..." Toda a minha vida sempre foi centrada vivendo no Havaí, já viajei para o continente americano mas minha casa e meu lar era aqui, eu amava esse lugar, era minha casa, era onde eu me sentia bem, eu amava esse lugar como nada na minha vida. Minha vida era ajudar minha família no nosso restaurante, minha bisavó que começou com tudo isso que temos hoje, meu pai se chama Samuel e minha mãe Clara, tenho dois irmãos o Kai o mais velho que tem 26 anos e o Kale que tem 17, eu tenho 21 anos. Eu devia esta na faculdade e até pensei em fazer uma mas eu não quis, não queria deixar minha família aqui, queria esta junto com eles, meu pai tem alguns problemas no coração e eu não queria esta longe dele se algo acontecesse eu queria esta por perto, queria aproveitar o que eu pudesse com ele ao meu lado. Eu vivo uma vida calma, trabalho no restaurante, tenho minhas amigas Ana e a Maya elas também não foram para a faculdade e isso era algo bem comum por aqui, a ilha de Oahu era pequena e todo mundo acabava se conhecendo de alguma forma e ninguém gostava de sair daqui, era nossa casa. A maioria da população aqui é nativa havaiana. Minha família tinha decadência de polinésios, alemães e neozelandeses minha bisavó mãe da minha avó era alemã, se mudou pra Nova Zelândia se relacionou com um polinésio e veio pro Havaí tendo minha avó mãe do meu pai que morreu a alguns anos atrás. Minha família por parte de mãe era completamente descentes de polinésios. Eu me considero uma nativa havaiana sem nenhuma ligação com nada americano, não porque eu odeio os Estados Unidos e sim porque minha vida e meu sangue são daqui, são dos polinésios e neozelandeses tenho muito orgulho disso, além disso adoro falar na minha língua nativa também. Mas agora o que estava me confundindo e entrando na minha cabeça era o Robert, ele era misterioso e fechado além de ser muito lindo mas ele sempre estava sozinho, depois que eu descobri o nome dele e que ele era surfista reparei que realmente o rosto dele não me era estranho, ele era o atual campeão e eu já tinha visto fotos dele em alguns lugares. Mas ele era reservado e acabou sendo grosso comigo quando eu só queria ajudar, então resolvi me afastar, eu nem conhecia ele então era melhor ficar longe mesmo, em alguns dias ele também vai embora então não tinha porque ficar buscando por algo que eu nem sabia o que era. No dia seguinte como sempre acordei cedo para ir ajudar meu pais no restaurante, acordei as 6 horas da manhã como em todos os dias, como sempre minha mãe já tinha preparado o café da manhã, a senhora já tinha cabelos brancos, pele dourada do sol, cabelos castanhos claros e olhos também castanhos mais escuros, ela me olhou sorrindo, beijei seu rosto. - Bom dia mãe - falei. - Bom dia minha filha - ela disse, eu tinha um carinho tão grande pela minha família, para mim eles eram tudo que eu tinha. Logo meu irmão mais velho Kai entrou na cozinha e beijou o rosto da nossa mãe e depois o meu. - Dormiu aqui de novo? - perguntei olhando pra ele com um sorriso irônico no rosto. Meu irmão era alto, tinha cabelos até os ombros loiros como os meus, olhos também azuis, uma barba bem feita no rosto e sua pele dourada do sol, ele tinha uma tatuagem maori como a minha e mais outra no outro braço, ele revirou os olhos. - Malu esta chateada ainda - ele disse, Malu era a esposa do meu irmão, eles estavam casados a 3 anos e tinham uma linda menininha de 2 anos mas os dois estavam brigando muito ultimamente e ele vinha dormir aqui em casa as vezes. - Vocês tem que se resolverem logo, casamento é pra sempre - disse meu pai entrando na cozinha e beijou o topo da minha cabeça. Meu pai era alto, cabelos curtos que agora eram grisalhos mas que já foram loiros um dia, olhos azuis, pele bronzeada do sol, ele também tinha uma tatuagem maori no braço, uma nas costas e uma no rosto, na nossa cultura maori o homem cobre todo o rosto quanto mais nobre ele é ou pela posição social, meu pai tatuou o rosto por causa da nossa tribo, ele era um dos anciãos, meu pai se sentou na ponta da mesa como o chefe de família que era. - Eu vou pai - disse meu irmão. Terminamos o café com conversas aleatórias, antes de ir para o restaurante fui até o quarto do meu irmão mais novo abrindo a porta sem bater, fui até a janela abrindo as cortinas com tudo deixando o sol entrar. - Ei acorda Kale - falei balançando meu irmão que estava fedendo a bebida - Acorda, espero você lá no restaurante anda - falei balançando ele novamente. - Humm já vou - ele disse virando de lado. Hoje eu iria abrir o restaurante e arrumar tudo e Kale tinha que me ajudar, meus irmãos também trabalhavam no restaurante, assim como Malu mulher do meu irmão e minhas duas amigas, mas hoje era o meu dia de abrir com meu irmão, Kale tinha acabado a escola a 1 mês atrás e teve a opção de ir estudar fora, ele recusou e ganhou um emprego no restaurante da família mas ele ainda era um adolescente que ia para as festas e esquecia que tinha responsabilidades com a nossa família. - Anda acorda - falei segurando o rosto dele fazendo ele me olhar. Kale abriu seus olhos que eram extremamente azuis, seus cabelos também eram longos loiros como os do Kai, Kale tinha mais sardas do que eu no rosto e sua pele era dourada de sol, ele tinha feito a mesma tatuagem que eu tenho no braço recentemente, as costas do meu irmão estava até descascando de tanto ele andar no sol. - Eu estou acordado p***a - ele disse bravo, sorri de lado soltando seu rosto. - Ótimo, já estou indo, você tem 30 minutos pra chegar lá se não vou falar pro papai tirar cada minuto de atraso do seu salário - falei, ele bufou fechando a cara - E por favor toma um banho porque você esta cheirando m*l - falei. - E hele aku - falou irritado me fazendo rir, ele disse para mim ir para o inferno em havaiano. - E ʻike wau iā ʻoe ma laila - falei pra ele que mostrou o dedo do meio para mim, falei pra ele que a gente iria se ver lá no inferno então. Eu adorava implicar com ele, meu irmão Kale era todo pra frente todo irritadinho e eu amava isso nele porque ele é o completo oposto do que eu sou, andei devagar pelas ruas calmas de Oahu cumprimentando algumas pessoas que eu encontrava na rua, o restaurante ficava pertinho de casa praticamente duas ruas depois da nossa casa, na frente da praia tinha poucos prédios de pequeno porte porque era proibido construir grandes prédios na frente do mar. As casas da cidade eram simples, com cerca branca, a natureza ao redor das casas era abundante, em Oahu não tinha muitos assaltos, na verdade quase nenhum, não era uma cidade com violência, todo mundo se conhecia, era sempre tudo muito calmo por aqui, quando cheguei na praia eu vi muita movimentação, era o pessoal que veio competir e o pessoal que estava organizando o evento, fazendo uma arquibancada na areia e um local para os juizes, tinha caixas de som e algumas bandeiras de vários países fincadas por um mastro no chão. Meu olhar foi pra água e por algum motivo procurou por ele mas ele não estava lá onde vários outros estavam treinando, andei até o restaurante pela faixa de areia não ficava muito longe de onde iria acontecer a competição, o que era ótimo para a minha família pois com esse evento tão perto do nosso restaurante iriamos vender mais. Estava andando distraída reparando no novo dia que estava lindo como sempre quando eu vi ele lá, Robert estava encostado na divisa antes da entrada do restaurante, ele estava com seu maiô de surfe aberto até a cintura o que deixava seu corpo malhado a mostra, ele era extremamente lindo, seu peito era largo e forte tinha uma tatuagem de tribal que ia do seu peito até o ombro sombreada preta, abaixo do cotovelo direito na parte da frente do braço tinha uma tatuagem de ondas também sombreada até o fim do braço perto do pulso, sua pele era dourada do sol, seus cabelos eram curtos castanhos claros quase loiros, seus olhos eram castanhos clarinhos, ele também era alto. - O que faz aqui? - perguntei cruzando os braços, ele suspirou. - Vim pedir desculpas - falou, estreitei os olhos. - Não precisa você nem me conhece e eu não devia me meter na sua vida - falei, ele suspirou. - Sim e não - ele disse - Eu não tenho direito de tratar você daquele jeito nem ninguém, é só que é meio complicado falar sobre certos assuntos - ele disse sério e olhou para frente para o mar - E eu estou sempre sozinho e sem minha esposa porque ela faleceu tem 4 anos - falou baixo, suspirei, agora eu entendi em partes ele. - Desculpa - falei ele me olhou confuso - Eu não devia me meter na sua vida da forma que eu fiz, é que as vezes eu tenho a boca aberta e saio falando demais sem nem conhecer as pessoas - falei - Eu sinto muito pela sua perda - falei, ele assentiu. - Você me desculpa? - perguntou. - Só se você me perdoar por ser intrometida - falei, ele sorriu de lado. - Não tenho o que perdoar - falou, assenti. - Nem eu - falei. - Eva - olhei para trás vendo meu irmão com cara de sono chegando, ele ainda estava mais dormindo do que acordo, Kale olhou pro Robert. - Robert esse é o meu irmão mais novo Kale, Kale esse é meu novo amigo Robert - falei, Kale sorriu. - Eu sei quem ele é - falou meu irmão sorrindo e esticando a mão pra apertar a do Robert que sorriu - É um prazer te conhecer - falou meu irmão ele estava muito feliz e acordado agora. - O prazer é meu - falou Robert sorrindo de lado e era um sorriso lindo - Eu preciso ir trainar - falou Robert. - Eu posso tirar uma foto antes? - perguntou meu irmão. - Claro - disse o Robert. Eles tiraram algumas fotos juntos e o Robert foi trainar, na maior parte da manhã eu tive que ficar respondendo meu irmão sobre como eu encontrei e virei amiga do Robert, ele não parava de falar disso, quando deu 10h abrimos o restaurante junto com minha amiga Maya que também não parava de falar sobre o Robert e como eu conheci ele. Falei que ele sempre vinha comer aqui e só isso, eu não iria falar da nossa pequena briga que nem foi briga na verdade, eu só toquei em um assunto que ele não gosta, não gosta até o ponto de ter a aliança de casamento ainda no dedo depois de 4 anos, a esposa dele deve ter sido uma pessoa muito importante pra ele, importante ao ponto dele não conseguir se desligar dela. Hoje o restaurante estava movimentado por causa das pessoas que estavam chegando na cidade para ver a competição, então tinha muito trabalho pra fazer, tanto trabalho que eu só percebi que o Robert estava ali quando o meu irmão Kai levou o pedido dele, Robert agora estava com o rapaz que eu via ele as vezes na praia treinando. Quando olhei pro Robert ele também estava me olhando e deu um pequeno sorriso, sorri de lado voltando a atender minha mesa, eu não podia ir lá agora até porque quem estava atendendo ele agora era o meu irmão, então eu tinha que ficar na minha, voltei pra cozinha pra fazer o pedido da minha mesa quando Maya tocou meu braço me puxando e rindo. - Eu vi tá - ela disse, estreitei os olhos. Maya era toda doida mas eu amava ela de coração, olhei para os seus olhos castanhos claros sem entender o que a morena estava falando, ela tinha cabelos pretos longos, pele morena, ela parecia uma índia. - Não entendi - falei, ela revirou os olhos. - O haole eu vi como olha pra ele - falou baixinho, dei de ombros, haole significa estrangeiro, aquele que vem de fora, que não é havaiano. - Para de ser louca - falei, ela sorriu. - Não te julgo, ele é realmente bonito, charmoso, tem tantos músculos e tal - ela disse joguei a toalha que eu tinha nos ombros nela. - Para com essa p***a e vamos trabalhar - ela disse. - Não precisa ficar com ciúmes - ela disse rindo. Tentei ignorar o seu comentário e voltei a trabalhar, mas confesso que eu não parava de pensar nele e isso já estava me estressando um pouco, eu não vi a hora que ele foi embora mas uma parte minha queria ter visto. Depois das três da tarde minha hora no trabalho tinha acabado, meu irmão correu para casa ele queria dormir e eu comecei a caminhar pela areia, o sol inda estava forte no alto, a praia estava cheia de gente, eu queria conversar com minhas amigas mas a Maya ainda estava no trabalho e a Ana estava de folga hoje eu poderia ir na casa dela mas eu não queria incomodar com minhas besteiras. E meu olhar foi pra ele, Robert estava na água surfando, me sentei embaixo de um pé de coqueiro na sombra um pouco longe dele observando, eu não entendia essa minha fixação nele mas eu estava, eu queria ver o que ele estava fazendo o tempo todo e isso não era nada bom pra mim porque em poucos dias ele vai embora, ele parece que gostar da esposa ainda, não tinha superado. Eu normalmente não fico correndo ou fixada em ninguém, na parte de namoro ou relacionamentos minha vida era sempre muito parada, eu só tive um namoro sério e ele ainda fica enchendo meu saco querendo voltar comigo, o Braian é legal, eu gostei muito dele mas hoje eu só quero a amizade e ele não entende isso as vezes. Fiquei muito tempo ali sentada vendo o Robert surfando de longe, ele era muito bom nisso, muito bom mesmo não tinha como não ficar ali olhando pra ele, estava tão distraída que tomei um baita susto quando o Braian se sentou com tudo ao meu lado. - Nossa quer me matar do coração? - perguntei ele sorriu de lado. Braian era um cara bonito, alto, não era muito forte, seus olhos eram pretos, tinha cabelos longos castanhos escuros, a maioria dos meninos mais novos tinham cabelos mais longos era meio que uma tradição principalmente aqui na nossa ilha, ele tinha a pele dourada do sol como todo mundo por aqui. - Desculpa é que você esta tão distraída ai - falou, suspirei - Então vai na festa da lua hoje? Você sabe que é tradição - ele disse, hoje era noite de lua cheia e no mês de abriu sempre acontecia a festa da lua na praia escondida, era uma praia secreta meio que proibida para pessoas de fora, só nativos conseguiam passar pela mata para chegar do outro lado. - Vou - falei ele sorriu feliz. - Ótimo, vou passar na sua casa hoje as 19h horas - ele disse ficando de pé, fiquei em pé rapidamente também. - Não precisa, vou com minhas amigas e meus irmãos - falei rápido era quase verdade só faltava confirmar isso, ele me olhou erguendo uma sobrancelha. - Prometemos ano passado que iriamos juntos - ele disse bravo. - E também terminamos tem 3 meses, então o que falamos não se aplica mais em nada nas nossas vidas - falei, ele fechou a cara. - Não é assim que as coisas acontecem - ele disse. - É sim - falei dando as costas pra ele, eu odiava esse lado mais possesivo dele, por isso a gente acabou nosso relacionamento. - Ainda não acabei de falar - ele disse segurando meu braço com força me fazendo virar de frente pra ele. - Solta ela agora - ouvi a voz do Robert soar alta e clara atrás de mim. Braian soltou meu braço que ficou dolorido com seu aperto. - E quem é você? - perguntou Braian com raiva. - Robert e não quero mais que você toque nela desse jeito - disse Robert bravo, Braian sorriu sarcástico. - Eu sou o namorado dela e... - Você é meu ex namorado - falei interrompendo ele. - E mesmo se fosse o atual não pode segurar ela desse jeito - Robert falou irritado. Braian deu um passo pra frente e Robert olhava pra ele furioso dando um passo pra frente também, coloquei a mão no peito do Robert e olhei pra ele. - Tem muita gente aqui vamos - falei pra ele, Robert olhou no fundo dos meus olhos e depois olhou pra Braian. - Estou de olho em você - ele disse. - Pode vir seu i****a - disse Braian. Robert sorriu irônico tentando dar mais um passo pra frente mas empurrei ele pra trás, não que ele tenha se movido um centímetro por que Robert tinha quase o dobro do meu tamanho. - Vamos, tem pessoas por perto, sua carreira - falei pra ele baixinho, Robert suspirou e ficou de costas olhei pro Braian - Some da minha vida e me deixa em paz - falei pra ele. Segurei o braço do Robert o tirando de lá, começamos andar lado a lado na praia, ele estava com a prancha dele embaixo do braço. - Obrigada - falei pra ele que ainda parecia chateado. - Não precisa agradecer - falou e parou em uma parte mais vazia da areia da praia colocando a prancha no chão, era o mesmo lugar que todo dia ele se sentava. Ele abriu o maiô dele descendo até a cintura e se sentou em silencio, eu não sabia se tinha que ir embora ou se tinha que ficar, então me sentei no chão ao lado dele. - Ele te machucou - falou ele olhando para o meu braço, segui seu olhar e abaixo do meu ombro estava os 5 dedos do Braian vermelhos na minha pele - Ele sempre faz essas coisas? - ele me perguntou, suspirei. - Acabei com ele principalmente por causa desses momentos - falei, Robert me olhou sério. - Eva ele já te bateu? - perguntou sério. - Não - falei rápido, ele me olhava ainda - Estou falando sério mas ele sempre me segurava com força mas nunca me bateu, depois que acabamos ele ficou pior - falei, Robert fechou a expressão e dava para ver sua mandíbula travada de raiva. - Eu devia ter chegado socando a cara dele - disse Robert. - Não devia não, você é famoso e tinha pessoas por perto, isso séria r**m para sua imagem - falei ele suspirou e ficamos em silêncio. O sol estava quase se pondo eu tinha que ir pra casa me preparar para festa, em pensar na festa sorri. - Você tem algum compromisso hoje a noite? - perguntei ele me olhou erguendo uma sobrancelha. - Não - falou. - Que tal ir em uma festa comigo? - perguntei, ele ficou me olhando por um tempo longo demais e isso estava fazendo as borboletas no meu estomago se fazer presente - Desculpa é que... - Eu aceito - falou me interrompendo, acabei sorrindo de lado ficando em pé. - Ótimo, me encontre na frente do restaurante as 19h - falei, ele sorriu. - Ok mas devo me vestir como? - perguntou. - Vai ser uma festa na praia - falei, ele assentiu ficando em pé - Não se atrase, odeio pessoas que chegam atrasadas - falei, ele sorriu de lado. - Ok - disse novamente. - A gente se vê - falei, ele assentiu. Fui pra casa e por algum motivo o sorriso não saia do meu rosto de jeito nenhum e motivo era ele, histórias fáceis não costumam virar lendas, amores fáceis não fazem historia...
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